Resenha: THOR – THE DARK WORLD – Brian Tyler (Trilha Sonora)


Thor_dark_world_DD001911702Música composta por Brian Tyler
Selo: Hollywood Records / Intrada
Catálogo: D001911702
Lançamento: 05/11/2013
Cotação: ****

Especialista em filmes de ação e aventura, o compositor Brian Tyler tem sido um dos mais requisitados para blockbusters atualmente. Após entregar o competente score de Homem de Ferro 3 para a Marvel Studios, ele volta a se reunir com a empresa em Thor – O Mundo Sombrio, continuação das aventuras do Deus do Trovão. Tyler foi contratado às pressas em junho, após a misteriosa dispensa de Carter Burwell, o compositor original do filme. Ele toma o lugar de Patrick Doyle, que compôs uma boa trilha para o primeiro filme do herói. E, felizmente, ele se saiu bem, nos entregando uma obra digna de um longa dessa magnitude.

Tyler é um ótimo compositor de temas principais, e aqui não foi diferente. O tema, logo introduzido na primeira faixa, é grandioso, heroico, como um bom tema de um longa de super-heróis deve ser. Utilizando orquestra e coral, fica claro que a intenção de Tyler é que Thor tenha uma assinatura musical épica e definitiva para representá-lo. Vale ressaltar a interpretação forte dos metais e o acompanhamento da percussão, além do próprio coral.

Além disso, ao ouvir o álbum, percebe-se que ele se inspirou especialmente nos scores da trilogia O Senhor dos Anéis, de Howard Shore, bem como nas obras de seu mestre, Jerry Goldsmith. A integração entre coral e orquestra é um dos principais destaques da trilha, e ajudam a dar o clima de grandiosidade do filme. Como por exemplo, podemos citar a faixa “Battle of Vanaheim”, onde a melodia poderosa é conduzida por um coro feminino e orquestra. Outro destaque é a ótima “Thor, Son of Odin”, que tem a orquestra (com leve acompanhamento de sintetizador) executando uma versão enérgica do tema principal.

A realidade é que Brian Tyler sempre foi um compositor que tende ao exagero, mas que acaba se integrando de forma natural aos filmes. Em Homem de Ferro 3 ele nos entregou um novo e dramático tema para o herói, e, em O Mundo Sombrio, ele tem a possibilidade de ir além, trazendo uma obra mais coesa do que a do filme estrelado por Robert Downey Jr.

Outro elemento que aproxima as partituras de Thor – O Mundo Sombrio e O Senhor dos Anéis (ou mesmo de O Príncipe do Egito, de Hans Zimmer) é a utilização de vocalizações femininas, aqui, a cargo da cantora iraniana Azam Ali. Ela executa um ótimo trabalho em faixas como “Lokasenna” ou em “Into Eternity”, onde, acompanhada da seção de cordas e de leve percussão, a cantora entrega uma interpretação mais lírica do tema principal.

As faixas de ação, como seria de se esperar, são destaque na trilha. Podemos ressaltar a enérgica “Escaping the Realm”, que traz boa integração entre as seções da orquestra, a “goldsmithiana” “Battle Between Worlds” e a heroica “As the Hammer Falls”. Como destaque negativo, temos a faixa “Untouchable”, cuja orquestração falha em fazer com que o sintetizador e a instrumentação étnica soem naturais.

Porém, os momentos mais empolgantes do álbum estão nos motivos grandiosos que Tyler entrega. Podemos citar a bom tema de Asgard, ouvido, bem, na faixa “Asgard”, e que depois reaparece na bela e nobre “Sword and Council”. Também merece destaque a faixa “Journey to Asgard”, que reprisa o tema principal tanto de forma grandiosa quanto lírica, além da épica “Legacy”, que dá um ótimo encerramento para o filme e o álbum. Podemos falar também (e pule para o outro parágrafo que você não quiser um possível spoiler do filme) da breve menção ao tema do Capitão América, composto por Alan Silvestri para o primeiro filme do herói bandeiroso, na faixa “An Unlikely Alliance”.

Assim, o álbum de Thor – O Mundo Sombrio tem mais altos do que baixos, e é uma das melhores obras de Brian Tyler nos últimos anos. Seu tema principal é empolgante, e merece ser utilizado novamente em outras aventuras do Deus do Trovão. Fica aqui um apelo para que a Marvel comece a respeitar os temas dos seus heróis, ao invés de trocar de compositor a cada filme, e lhes dê alguma unidade musical.

PS: Tyler também compôs uma fanfarra muito bacana para a Marvel Studios, que pode ser ouvida na última faixa.

Faixas:

1. Thor: The Dark World
2. Lokasenna
3. Asgard
4. Battle of Vanaheim
5. Origins
6. The Trial of Loki
7. Into Eternity
8. Escaping the Realm
9. A Universe from Nothing
10. Untouchable
11. Thor, Son of Odin
12. Shadows of Loki
13. Sword and Council
14. Invasion of Asgard
15. Betrayal
16. Journey to Asgard
17. Uprising
18. Vortex
19. An Unlikely Alliance
20. Convergence
21. Beginning of the End
22. Deliverance
23. Battle Between Worlds
24. As the Hammer Falls
25. Legacy
26. Marvel Studios Fanfare

Duração: 71:34

Tiago Rangel

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36 opiniões sobre “Resenha: THOR – THE DARK WORLD – Brian Tyler (Trilha Sonora)”

  1. Ainda há tempo da Marvel conseguir essa unidade musical nos filmes. Basta o Henry Jackman não cair na besteira de ignorar o tema criado pelo Alan Silvestri nesse próximo Capitão América.

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        1. Ah meu caro, se tratando de Remotes Control eu não duvido nada. Eu espero que Henry Jackman tenha um pingo de decência na fuça, e use o tema do Capitão escrito pelo Alan Silvestri.

          Eu achava que o Marvel Studios, depois do primeiro Homem de Ferro, havia aprendido a lição em não chamar mais Remotes Control para pontuar seus filmes. Embora o Jackman tenha feito um bom trabalho em First Class, nada justifica a sua contratação para Capitão America II, já que o Alan Silvestri fez um trabalho muito bom na trilha anterior.

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  2. Vocês foram rapidos hein! Eu baixei a trilha ontem, e vou escuta-la. Brevemente voltarei aqui para dar minha opinião. Abraços :>)

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    1. Eu não sei por que demorei tanto tempo, para dar minha opinião sobre esse score. Bom, depois de te-lo ouvido, no minimo, 40 vezes, devo dizer que Brian Tyler parece ter encontrado o equilibrio perfeito dentro do seu estilo. Ele sempre foi muito barulhento, com temas fortes e orquestra full power (vide o seu trabalho em AVPR). Não que isso seja ruim mas, os ouvidos acabam não suportando tanto poder hehehe.

      A trilha de Thor – The Dark World, possui um heroismo fantastico! É muito agradável de ouvir. Ela não cansa o ouvinte e se desenvolve muito bem.

      Agora, estou curioso para ouvir o que ele fará com Avengers: Age of Ultron… Não creio que ele fará igual a Henry Jackman, em Capitão America II. Mas tomara que ele evolua o tema composto pelo Alan Silvestri. Ele tem tempo de sobra para trabalhar nesta trilha.

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  3. Realmente Tiago, vamos torcer que a Marvel entenda a importância em criar temas para seus heróis e mantê-los nas respectivas sequências, independentemente do compositor que assuma.
    Caso contrário vai ser esta salada musical instalada no universo das trilhas sonoras.
    A grande maioria dos temas viraram temas de seus compositores X-MEN, HOMEM DE FERRO, STAR TREK, SUPERMAN, e agora THOR entre muitos outros.
    Cada um que assume o filme compõe sem nenhum respeito ou preocupação referente a obra anterior, principalmente porque os Produtores e Diretores, não estão nem aí.
    Nós fãs de trilhas sonoras mudamos até a forma de comentar….o tema de M.G. para Star Trek é bacana e Hans Zimmer fez o seu tema para Superman, e o tema de Brian Tyler para Thor é intenso e tal, enfim se continuar assim filmes e personagens não marcarão mais seus temas, somente nós apreciadores poderemos dizer, este é o tema do Thor 4 totalmente diferente dos anteriores, este é do Homem de Ferro 1 muito bom, mas não repete nas sequências, e este é do X-Men 2 que não tem nada ver com X-Men 3, mas mantém a qualidade da série e por aí vai…
    Quanto a trilha do nosso “amigo” Brian Tyler, EXCELENTE! Qualidade sonora, orquestração, tema, criação, tudo muito bacana. Faixas bem desenvolvidas como nosso guru Tiago comentou muito bem em sua crítica.
    E pensar que se morássemos nos EUA pagaríamos 10 ou 12 dinheiros para ter acesso ao material original e não se obrigar a baixar para ter acesso a este score, enfim, coisas de Brasil.
    No mais esta trilha vai trazer muita emoção nas telas, porém sem nenhuma menção ao ótimo trabalho anterior, ficando o tema de Patrick Doyle guardado a 7 chaves para a primeira aventura de Thor, salvo se ele voltar para a salada musical cinematográfica continuar.
    Ps.: Mas a melhor notícia foi a saída do fraquinho Carter Burwell e que ele fique bem longe dos filmes de aventura e ação.

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    1. Mas é interessante lembrar que o Burwell, depois de ter seu Bella’s Lullaby (usar Crepúsculo como exemplo é triste, mas foi o jeito kkk) ignorado pelo Desplat e pelo Shore, usou temas dos dois compositores na abertura de Amanhecer Pt 2. Demonstrou certo respeito pelo trabalho dos colegas. Deu até uma unidade musical à terrível série. Será que ele nao agiria da mesma forma com esse Thor 2?

      Apesar desse meu comentário, gostei do trabalho do Brian Tyler. Gostei bem mais que a trilha de Patrick Doyle, pelo menos separadamente, mas acredito que vai funcionar muito bem no filme (onde vemos se realmente a trilha é boa).

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      1. Particularmente, eu acho que o Burwell seria uma opção ousada e interessante para o filme, seus scores para os dois últimos Crepúsculo são muito bons, e tem ação e drama na medida certa. Talvez ele até respeitasse o bom tema do Patrick Doyle. O Brian Tyler acabou sendo uma escolha mais convencional, mas que, felizmente, funcionou muito bem.

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      2. Eu realmente não tenho nada contra a série Crepúsculo, concordo que não tem nada a ver com tudo que vimos sobre o universo vampiro, mas mantém uma produção muito boa ao longo dos filmes e serve como um bom entretenimento, porém o fato é a trilha em questão e pra mim Carter Burwell ao longo de sua trajetória cinematográfica teve seu ápice na série Twilight, sem dúvida o melhor trabalho deste compositor, criando e inovando nos 3 trabalhos que realizou. Crepúsculo para Burwell está como Senhor dos Anéis para Howard Shore.
        Concordo com vc. Tiago C. quanto ao respeito de Burwell pelos colegas de trabalho referente a saga Crepúsculo e realmente quem sabe faria o mesmo em Thor, o fato é que ele melhorou muito durante a saga algo que eu não tinha visto em todos os seus trabalhos anteriores, pra mim, era um compositor de trilhas incidentais, apenas fundo musical para filme, quem sabe se ele pegar um novo projeto grande mostre que de fato tem talento como demonstrou na saga dos vampiros que brilham no Sol.

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  4. O único que se salvava no universo unificado da Marvel até agora era o Capitão América, sempre acompanhado pelo tema de Alan Silvestri, até mesmo no novo Thor. Pelo jeito isso vai acabar ano que vem no Soldado Invernal, duvido que o Jackman não ceda à tentação de criar seu próprio tema e “esquecer” o de Silvestri. Agora, quanto à questão de não contratar os mesmos compositores, normalmente essa é uma decisão que depende dos diretores. Por exemplo, Patrick Doyle é colaborador constante do Kenneth Branagh, mas não do Alan Taylor, que deve ter buscado um compositor com que tenha mais afinidade (e que, aliás, já se saíra bem em Homem de Ferro 3).

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    1. O problema é que o Henry Jackman não é muito o tipo de compositor que vá utilizar um tema heroico, nem mesmo o do Alan Silvestri. Ele provavelmente vai fazer aquela típica mistura de (muitos) sintetizadores com (pouca) orquestra que tem se tornado tão comum hoje em dia.

      E o pior é que nem dá pra esperar muita coisa do score de Guardiões da Galáxia também pois, ao invés de chamarem um compositor mais qualificado (eu penso que John Debney, Michael Giacchino, John Powell ou, por que não, James Horner, seriam mais indicados), eles me vem com o fraquinho Tyler Bates.

      O jeito vai ser torcer para que o Joss Whedon chame o Alan Silvestri de novo para Vingadores 2 mesmo.

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      1. Tiago Rangel, às vezes me pergunto se os diretores de cinema estão cientes do trabalho de alguns compositores como Giacchino, Powell, Desplat, quando chamam um compositor como Tyler Bates. Todavia, recentemente fui surpreendido pelo Gareth Edwards, que chamou Desplat (geralmente mais lembrado por sua música suave e delicada) pra compor o score de seu Godzilla, que estreia em 2014. Não duvido que o compositor fará um ótimo trabalho.

        Sobre Capitão América, realmente é muito provável isso mesmo. Infelizmente mais um ingrediente na salada musical no Universo Marvel.

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  5. Prezados, concordo plenamente com todas as colocações. É realmente uma pena que os temas musicais não se perpetuem nas sequências. Não sou saudosista, mas apenas um apreciador da velha e boa trilha sonora original. Quem não lembra o tema de Superman, de Williams, ou Star Trek, de Goldsmith? Tivemos a sorte de ter um Giaccino nos novos Star Trek; até mesmo sorte com Zimmer no novo Homem de Aço. Mas alguém poderia assoviar o tema do Homem de Ferro? Sem a fidelidade de um bom compositor, que trabalhe o tema principal do personagem e perpetue sua marca, a Marvel perde uma chance de ser lembrada não só pelos bons filmes. Não é à toa que J. J. Abrams deixou seu compositor habitual (Giaccino) e terá John Williams na regência dos próximos “Star Wars” (ou até onde o compositor puder ir devido à sua idade).

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  6. Ahhh…esqueci de comentar. A trilha sonora para o filme “O Espetacular Homem Aranha 2” vai ser composta por uma “banda”(!), conforme anúncio do famigerado Hans Zimmer. Portanto, se achávamos que o aracnídeo teria seu tema (composto para o filme anterior por James Horner) habitual, esqueçam. Pena…

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    1. Oras, mas isso não é nenhuma novidade tratando-se de Hans Zimmer. Uma banda fez Man of Steel, The Lone Ranger, The DaVinci Code, Piratas do Caribe II e III…

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  7. Só uma coisa: embora o Zimmer realmente tenha usado muita instrumentação eletrônica em suas trilhas, elas são primariamente interpretadas por uma orquestra, mesmo scores como Inception, Homem de Aço e Batman. Muitas trilhas dele, como Piratas do Caribe, O Último Samurai e mesmo Cavaleiro Solitário tem até bem pouca instrumentação eletrônica quando comparada com as partes orquestrais. Tanto é que, nos créditos finais dos filmes, é possível ver quem foi o maestro e os orquestradores dos scores, inclusive os solistas. A trilha de A Origem, por exemplo, foi regida por Matt Dunkley, enquanto a de Homem de Aço foi conduzida por Nick Glennie-Smith.

    Mas eu também fiquei preocupado com o anúncio da trilha do Espetacular Homem-Aranha 2. O Zimmer parece que vai pegar pesado nos eletrônicos com este score. Por isso, eu preferiria a volta do James Horner, seu tema para o Aranha foi ótimo.

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    1. Quando disse que uma banda fez essas trilhas, falei no sentido “escrita” e não execução das mesmas, já que o Hans prefere escrever de forma colaborativa. Eu sei que ele não despreza, totalmente, o uso de uma orquestra sinfonica em “suas” trilhas.

      Contudo, concordo contigo em relação ao score de TASM II. O tema do Horner, como você bem disse na resenha, representa o heroismo e os do Teioso. Mas como deve acontecer com o tema do Capita em The Winter Soldier, não teremos um respeito e muito menos continuidade em relação ao filme anterior.

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      1. “Quando disse que uma banda fez essas trilhas, falei no sentido “escrita” e não execução das mesmas, já que o Hans prefere escrever de forma colaborativa. Eu sei que ele não despreza, totalmente, o uso de uma orquestra sinfonica em “suas” trilhas.”

        Só que, nesse caso, seria um bando :)

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        1. Retificando:

          Contudo, concordo contigo em relação ao score de TASM II. O tema do Horner, como você bem disse na resenha, representa o heroismo e os FEITOS do Teioso

          Curtir

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