Into-The-Storm

Resenha: INTO THE STORM – Brian Tyler (Trilha Sonora)


Into_the_storm_CDMúsica composta por Brian Tyler
SeloVarése Sarabande
Catálogo: 302 067 292 8
Lançamento: 05/08/2014
Cotação: ***½

Brian Tyler é um sujeito ocupado. Neste mês de agosto de 2014, três filmes que contam com sua música aportaram nos cinemas: As Tartarugas Ninja, Os Mercenários 3 e este No Olho do Tornado. Dirigido por Steven Quale (que já havia colaborado com Tyler antes em Premonição 5) conta a história de um grupo de adolescentes tentando sobreviver a poderosos tornados que aportam em sua cidade.

Adicionando mais uma modalidade de filmes de ação ao seu currículo (nesse caso, os filmes-catástrofe), esta trilha tem tudo o que se pode esperar de um score de Brian Tyler. Mesmo que você não saiba quem é o compositor do filme, poderá adivinhar com uma razoável certeza ao ouvir o tema principal, que aparece na primeira faixa do álbum. Ele inicia com cordas misteriosas, ostinatos a cargo dos violoncelos e percussão eletrônica sutil. A música segue aumentando em grandiosidade na medida em que as trompas executam a melodia principal, com acompanhamento do coro. Ou seja, a mesma progressão que já ouvimos tantas vezes de Tyler. No caso de No Olho do Tornado, seu tema, que guarda certa semelhança com o de Homem de Ferro 3, pode não ser um dos melhores do compositor, mas consegue passar um ar dramático o suficiente para o longa.

O restante do disco, entretanto, é mais interessante. Basicamente, temos faixas de ação orquestradas e interpretadas com brilhantismo, intercaladas com momentos mais sutis (para o padrão de Tyler) de drama e suspense. No caso do primeiro grupo de faixas, o compositor novamente demonstra porque é um dos melhores para escrever música de ação nos dias de hoje. Em Atonement, Tyler entrega uma melodia violenta, com muita percussão e metais enérgicos, num estilo de composição que parece ter se baseado em John Adams, compositor minimalista americano que serviu de inspirações para trilhas como a da trilogia Matrix. Já em faixas como Titus versus the Tornado, The Fire Tornado, Multiple Vortices Tyler exige bastante da Hollywood Studio Symphony, em massacres orquestrais que lembram um pouco o seu igualmente enérgico score para Controle Absoluto. Ao fim do disco, The Power of Nature é um composição grandiosa, épica, e, mesmo durando apenas um minuto, é provavelmente a melhor do álbum.

Entretanto, não é só ação que compõe esta trilha. Tyler também entrega alguns surpreendentes momentos de drama que, se não contém a mesma sensibilidade de cues como Into Eternity, do álbum de Thor: O Mundo Sombrio, possuem o dramatismo necessário para um filme catástrofe. Em Fate, Tyler introduz um novo e belo tema, interpretado pela orquestra e piano, e possui algumas semelhanças com scores antigos de Hans Zimmer e seus parceiros, como Armageddon e Pearl Harbor. A melodia dramática é tocante e bem desenvolvida, e torna esta faixa um dos destaques do álbum. Este tema também retorna em Providence, em mais uma bela interpretação pelas cordas.

O tema principal do filme também aparece de forma mais sutil em faixas como Humanity Arising, We Stand Together e Remembrance and Regret, a cargo das cordas ou de piano com fundo eletrônico. Infelizmente, esse tema, que já não é dos melhores de Tyler, perde boa parte de sua já frágil força ao receber essa interpretação melancólica, e acaba soando bastante fraco, ao invés de comovente, parecendo ter saído de algum score para uma ficção científica B sem dinheiro para contar com um compositor particularmente competente e uma orquestra muito grande. Muito mais eficiente, entretanto, é a conclusiva Aurora, que encerra o disco com uma bela e otimista melodia, que conta inclusive com a participação de uma guitarra acústica junto à orquestra, trazendo um interessante ar moderno à música.

Destacando-se do restante do score, temos The Titus, uma marcha militar de estilo antiquado, que é uma divertida interrupção no clima da música.

Embora não seja tão eficiente quanto outras trilhas mais recentes do compositor (e empalidecendo quando comparada ao ótimo trabalho de Tyler em As Tartarugas Ninja), No Olho do Tornado ainda é um interessante score, repleto de bons momentos e demonstrando a já conhecida competência de Brian Tyler. Apesar de ainda ter algumas faixas que poderiam ser cortadas ou melhoradas, e sem um tema principal particularmente memorável, ela possui qualidades suficientes para entreter os fãs e admiradores do músico.

Faixas:

1. Into The Storm (03:01)
2. Atonement (02:38)
3. Fate (03:20)
4. Titus Versus The Tornado (03:56)
5. Humanity Arising (02:09)
6. Culmination (01:43)
7. Prelude To Phenomenon (02:35)
8. Providence (03:12)
9. The Fire Tornado (04:26)
10. Evacuation And Interception (02:35)
11. Last Words (02:26)
12. We Stand Together (02:27)
13. The Titus (01:45)
14. Multiple Vortices (01:46)
15. Remembrance And Regret (01:51)
16. Readying For Incoming Storm (02:35)
17. The Power Of Nature (01:07)
18. Aurora (04:00)

Duração: 47:32

Tiago Rangel

4 opiniões sobre “Resenha: INTO THE STORM – Brian Tyler (Trilha Sonora)”

  1. Maravilha. Fiquei muito ansioso para ouvir a trilha após ler esse review. Sou um grande apreciador das trilhas do Tyler, minhas preferidas são “The Final Destination”, “Final Destination 5” e “Alien X Predator: Requiem”. Espero que essa seja tão energética quanto as outras, cheias de percussão e cordas, para poder comprar esse CD e acrescentar mais um trabalho dele à minha coleção. A propósito, muito bom esse blog. Parabéns.

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  2. Eu sempre reclamo quando bons filmes não possuem um tema que nos façam lembrar daqueles momentos na grande tela.
    Mas neste caso, sinceramente, Brian Tyler estava certo em não realizar um tema para este projeto. Ao meu ver, por um simples motivo: o de não ser lembrado por este desperdício de dinheiro num filme totalmente desprezível.
    O incrível é que o mais difícil, efeitos especiais, visuais, sonoros, imagem, tudo isto o filme tinha, era só parar com esta palhaçada de fazer de conta que tudo está ocorrendo ao mesmo tempo com câmeras amadoras e fazer um bom filme como ótimo TWISTER, e pronto.
    Dá a impressão que decidiram assim….olha temos material para fazer grandes efeitos especiais e sonoros, vamos fazer um filme? Mas e a história??? Então, como disse temos material…..
    A boa é ouvir a trilha em separado e usar o avanço para ver somente as cenas de ação do filme, é bem mais agradável….rs.

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