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Resenha: FURIOUS 7 SCORE – Brian Tyler (Trilha Sonora)


Furious_7_CDMúsica composta por Brian Tyler
Selo: BackLot Music
Catálogo: 602
Lançamento: 31/03/2015
Cotaçãostar_3_5

A franquia Velozes e Furiosos (The Fast and the Furious) começou em 2001 com um filme de ação com carros tunados e rachas, disputados ao som de rap e hip hop. Hoje, catorze anos e sete filmes depois, ela ainda mantém os carros tunados, mas agora eles também saltam por entre prédios, derrubam aviões e helicópteros, enfrentam tanques de guerra e pulam de alturas descomunais, sem machucar (muito) seus pilotos. Depois de um mal sucedido spin-off no capítulo 3, a franquia mudou para incluir tramas de espionagem e assalto, passadas em vários lugares ao redor do globo, e cativando o público (que passou a comparecer aos filmes em número cada vez maior) com suas cenas de ação exageradamente divertidas e o relacionamento e a amizade dentro e fora das telas entre os membros do elenco, que passaram a se referir a si mesmos como a “Família Velozes”.

A tal família sofreu um duro baque no final de 2013, durante as filmagens de Velozes e Furiosos 7 (Furious 7, 2015), quando o ator Paul Walker, um dos astros da franquia, faleceu após, ironicamente, sofrer um acidente de carro. O filme teve de ser adiado e passar por mudanças no roteiro; apesar disso, os outros membros do elenco e da equipe do filme resolveram aproveitar a oportunidade para prestar a última homenagem ao carismático Walker e seu Brian O’Conner. Assim, os fãs lotaram os cinemas no último fim de semana, quebrando recordes para o longa, e garantindo que a franquia vá até pelo menos a parte 9.

Retornando à “família” também está o compositor Brian Tyler. Ele compôs para Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006), Velozes e Furiosos 4 (Fast & Furious, 2009) e Velozes e Furiosos 5: Operação Rio (Fast Five, 2011), mas teve de se ausentar do filme seguinte, Velozes e Furiosos 6 (Fast & Furious 6, 2013), devido, supostamente, aos incentivos fiscais oferecidos por produtoras da Espanha, onde o longa foi filmado, para contratar talentos do país (o que também explicaria Alberto Iglesias em Exodus e Fernando Velázquez em Hércules, por exemplo). Trabalhando em três episódios da franquia, Tyler teve a oportunidade de estabelecer os temas, que acompanhariam cada personagem do elenco, providenciando a bem vinda (e, infelizmente, tão em falta nos dias de hoje) identidade musical da franquia. Inclusive, seu substituto em Velozes 6, o jovem e talentoso Lucas Vidal, reutilizou os temas e o estilo de Tyler para o seu score – e é uma pena que, diferentemente de Tyler, sua trilha para o longa nunca tenha sido lançada oficialmente, existindo apenas em versões bootleg de baixa qualidade pela internet.

Musicalmente, a franquia sempre teve um estilo característico, mais identificado com o eletrônico, o rap, o hip hop e a música latina, com álbuns contendo as canções do filme sendo lançados junto para promovê-lo. Isso se estende ao score da franquia, com Tyler mesclando batidas de rap, música eletrônica e pop mundial junto à sua orquestra. Talvez isso decepcione um pouco aqueles que preferem suas trilhas mais sinfônicas em seus filmes de super-herói, por exemplo, mas aqueles que se aventurarem vão perceber que seu trabalho na franquia até agora não tem sido menos que competente.

Para Velozes 7, Tyler traz de volta alguns temas de seus scores anteriores, sendo que três deles dominam a partitura. A “Família Velozes” tem dois temas característicos: o primeiro, o “tema da gangue”, é interpretado principalmente por orquestra e bateria (tocada pelo próprio compositor), que traz notas em staccato, e representa a audácia e a ousadia do grupo. Ouvido primeiramente no quinto capítulo, ele tem uma vibe típica de filmes de espionagem e golpes, para ilustrar as ações da gangue. O outro, introduzido em Velozes 4, é mais melodioso e tocante, para ilustrar a amizade e a camaradagem entre os membros. A personagem Letty, interpretada por Michelle Rodriguez, também ganhou seu próprio tema no capítulo quatro e que, depois de uma ausência nos dois scores subsequentes, retorna aqui como uma espécie de love theme para ela e Dom (Vin Diesel). Entre os temas secundários, temos um arrojado e vigoroso para o musculoso agente Hobbs (Dwayne Johnson), a cargo de baixos e percussão, e um motivo, interpretado por uma guitarra distorcida e eletrônicos, para a ameaça representada pelo vilão Deckard Shaw (Jason Statham), ligeiramente semelhante com o igualmente abstrato tema dos vilões de Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, 2013).

Estabelecido isso, passemos à análise do disco. Como já foi dito, Tyler procurou estabelecer em sua partitura um bem humorado e estiloso clima de trilhas de filmes de golpes, incluindo baixos, guitarras e bateria à orquestração, porém fazendo aqui uma atualização aos novos tempos, e aumentando o número de eletrônicos. Ele junta tudo isso à sua já conhecida e dramática escrita orquestral, com resultados variáveis. Um bom exemplo disso é sua nova versão para o tema da gangue, que aparece logo na primeira faixa. Aqui, ele recebe uma interpretação mais eletrônica do que em Velozes 5, por exemplo.

Para as faixas de ação, protagonistas de um score de um filme como esse, o híbrido eletrônico/orquestral às vezes funciona bem, mas em outras serve para nos distrair da excelência de Tyler em conduzir uma orquestra, principalmente em levá-la à interpretar enérgicas e complexas melodias, como em Beast in a Cage e The Three Towers, por exemplo. Por outro lado, a já famosa competência do compositor em escrever música de ação se mostra presente aqui em cues como Paratroopers, Battle of the Titans (que chega a incluir uma espécie de cântico de coral), Mountain Hijack, a ótima Party Crashers, A Completely Insane Plan e a conclusiva One Last Stand. É interessante notar como Tyler incorpora os temas em meio à tanta ação, como o temas de Hobbs (em Hobbs is the Cavalry e One Last Stand), o de Shaw (em Battle of the Titans, Vow for Revenge, When Worlds Collide e Hobbs vs. Shaw) e, principalmente, o da gangue. Este último acompanha o grupo em ação, realizando seus ousados feitos, e é usado proeminentemente em faixas como Paratroopers, Operation Ramsey, Mountain Hijack e One Last Stand.

Providenciando os momentos de maior emoção da trilha estão os temas da família e o de Letty. O primeiro recebe belas interpretações em Family e Farewell, além de em Homefront, no qual aparece junto com o segundo. Já o tema de Letty se torna bem mais proeminente do que nos filmes anteriores para poder acompanhar aqui a sua subtrama romântica. Ele recebe uma dramática interpretação em Awakening, com toda a orquestra, uma melancólica, em Remembrance, com cordas, guitarra e sintetizador, e depois com violão em Homecoming e Letty and Dom, para aludir à origem latina da personagem. Vale destacar também a bela Connected, que apresenta uma melodia genuinamente acolhedora e tocante para cordas.

Se você já ouviu e gostou de outras trilhas que mostram o lado mais eletrônico e pop de Tyler, como as anteriores na franquia ou em Truque de Mestre (Now You See Me, 2013), por exemplo, provavelmente irá gostar de seu novo trabalho. Por outro lado, aqueles que se tornaram fãs do compositor por causa das suas épicas trilhas orquestrais certamente estranharão a constante presença de batidas eletrônicas aqui. Entretanto, Tyler demonstra inteligência ao continuar criando um universo musical identificável, repleto de temas recorrentes para a franquia, e a mostrar que ela não é só feita de canções de rap. Passada a estranheza, é uma trilha que vale uma conferida.

Faixas:

1. Furious 7 (02:57)
2. Paratroopers (03:11)
3. Awakening (03:21)
4. Operation Ramsey (02:12)
5. Battle Of The Titans (01:59)
6. Parting Ways (02:22)
7. Mountain Hijack (02:04)
8. Homecoming (02:05)
9. Beast In A Cage (03:06)
10. Homefront (03:02)
11. Vow For Revenge (02:24)
12. Party Crashers (05:44)
13. The Three Towers (03:15)
14. God’s Eye (02:55)
15. When Worlds Collide (02:35)
16. Remembrance (01:40)
17. Hobbs Is The Cavalry (02:31)
18. Operation Carjack (03:47)
19. A Completely Insane Plan (03:46)
20. Letty And Dom (02:25)
21. Heist In The Desert (01:57)
22. No More Funerals (03:15)
23. Hobbs Vs. Shaw (03:21)
24. Connected (01:24)
25. About To Get Real Serious Up In Here (02:53)
26. Family (02:12)
27. One Last Stand (02:55)
28. Farewell (01:24)

Duração: 76:42

Tiago Rangel

6 opiniões sobre “Resenha: FURIOUS 7 SCORE – Brian Tyler (Trilha Sonora)”

  1. Esse tema da gangue quando tocado em momentos de pura ação dentro do filme, é extremamente empolgante. Esse lado mais eletronico do Tyler é muito bem vindo dado o estilo dos filme dessa serie. Muito diferente do que o Henry Jackman tem feito às vezes, como em Capitao América. // Agora devo dizer que fiquei curioso com o que houve com Vingadores : Era de Ultron. Elfman anunciado primeiramente como compositor de musica adicional, e agora ja figura nos créditos como compositor oficial, junto com o Tyler? Estou tao acostumado a ver os trabalhos mais classicos sendo substituídos, que fiquei surpreso com a possibilidade do trabalho do Brian Tyler, com seu estilo mais moderno, nao ter agradado muito (caso tenha sido algo assim, o acontecido). Aguardo ansiosamente a resenha dessa trilha.

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    1. Acho dificil, mas não impossivel, do pessoal da Marvel não ter apreciado o trabalho do Tyler em Age of Ultron. Afinal de contas, ele escreveu dois ótimos scores para A Casa das Ideias, e ainda musicou o logotipo da mesma.

      O proprio Danny Elfman, disse numa entrevista que estava retrabalhando o tema dos Vingadores composto pelo Alan Silvestri (leia-se, “dar mais heroismo” ou “elevar à oitava potencia”). A explicação para o nome dele aparecer como co-compositor no IMDB, é uma só: Danny Elfman é um compositor bastante importante, para ser creditado apenas como “compositor de musica adicional”. Embora o trabalho dele seja somente este, duvido bastante que ele tenha mexido nos temas que Tyler compos para Ultron, Feiticeira Escarlate e Mercurio.

      Por isso, Elfman, mesmo que não tenha contribuido com metade da trilha, merece estar nos creditos pricinpais. Posso estar enganado nessa afirmativa, mas é o que acho :D

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