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Na Trilha: Quem salvará os Super-Heróis?


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Nos dias de hoje, uma das principais fontes de receita de Hollywood está nos filmes de super-heróis. Todos os anos, diversos longas baseados em quadrinhos aportam nas telonas e, na maioria das vezes, acabam rendendo rios de dinheiro aos seus estúdios. Na liderança isolada dessa briga está a Marvel Studios, que conseguiu construir um imenso e lucrativo universo, abrangendo cinema e televisão, com alguns dos seus personagens (que costumavam ser) menos conhecidos, como Homem de Ferro e Thor. Logo atrás, vem a Fox, dona de alguns personagens Marvel, como os X-Men e o Quarteto Fantástico, e a Warner, que, largando bem atrás de suas concorrentes, finalmente parece que está dando prosseguimento ao seu próprio universo compartilhado, com os heróis da DC Comics – os únicos capazes de tirar o trono da Marvel Studios.

Mas não fica só nisso: além de ver a Liga da Justiça, os Vingadores e os X-Men enfrentando supervilões e salvando o mundo, o fã de quadrinhos ainda terá mais filmes de figuras como as Tartarugas Ninjas e os Power Rangers (!). Isso sem falar nas continuações de Thor, Guardiões da Galáxia, Capitão América, além da estreia nas telonas de personagens como a Mulher Maravilha, Doutor Estranho, Shazam, Aquaman e, claro, o terceiro Homem-Aranha dos cinemas. Ufa! Ou seja, praticamente todo mundo em Hollywood, na TV e no cinema, está em busca de um vigilante encapuzado para chamar de seu e, quem sabe, construir um universo compartilhado que irá manter os fãs ocupados até o fim da década.

Quanto às trilhas sonoras, os filmes de super-herói tiveram um início promissor, nas já longínquas décadas de 1970 e 1980, quando John Williams e Danny Elfman compuseram dois clássicos, não só do gênero, mas da Música de Cinema em geral: Superman – O Filme (Superman, 1978) e Batman (idem, 1989). Foi apenas no século XXI, porém, que o gênero explodiu em Hollywood, e filmes com a temática passaram a ser lançados aos montes anualmente. Na década passada, ainda tivemos boas trilhas, como as de Elfman para Homem-Aranha (Spider-Man, 2002) e Hulk (idem, 2003), ou as de Marco Beltrami para Hellboy (idem, 2004) e John Powell para X-Men: O Confronto Final (X-Men: The Last Stand, 2006) – isso sem falar nos scores de Hans Zimmer e James Newton Howard para o reboot do Batman, que provocaram uma verdadeira revolução na forma de se compor para justiceiros encapuzados. Porém, conforme aumentava a quantidade dos longas baseados em quadrinhos, diminuía a qualidade de seus scores, que variavam do esquecível, como os de John Ottman para os filmes dos X-Men e do Quarteto Fantástico, ao verdadeiramente pavoroso, no caso dos trabalhos de Ramin Djawadi em Homem de Ferro (Iron Man, 2008) e Tyler Bates em Watchmen: O Filme (Watchmen, 2009).

Assim, sejamos sinceros: as próximas gerações certamente se lembrarão dos dias atuais como os anos em que os super-heróis dominavam as salas escuras (e as telinhas da TV), mas elas se recordarão da música que acompanhava essas aventuras? E não, eu não sou nenhum hater da Música de Cinema atual, que vive de comparar os scores de hoje com os de décadas passadas apenas para diminuí-los. Quem acompanha meu trabalho aqui no ScoreTrack, desde 2012, já me viu escrever resenhas positivas (ou, ao menos, elogiosas de alguns aspectos) para scores como O Espetacular Homem-Aranha (The Amazing Spider-Man, 2012), de James Horner, Wolverine: Imortal (The Wolverine, 2013), composto por Marco Beltrami, e Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014), de Tyler Bates. Porém, duvido muito que boa parte desses trabalhos sejam relembrados no futuro. Dos mais recentes, com potencial para “clássicos”, talvez apenas a trilha de Alan Silvestri para Capitão América: O Primeiro Vingador (Captain America: The First Avenger, 2011), os dois primeiros trabalhos de Brian Tyler para a Marvel, Homem de Ferro 3 (Iron Man 3, 2013) e Thor: O Mundo Sombrio (Thor: The Dark World, 2013), ou o trabalho de Horner com o herói aracnídeo. Pensem bem: quão melhor poderia ter sido X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past, 2014) se James Newton Howard estivesse no comando da trilha? Ou Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014), com o score a cargo de alguém como David Arnold?

Dessa forma, quem poderá salvar os super-heróis de terem suas aventuras acompanhadas por scores pouco memoráveis? Preparei, a seguir, uma lista, com os futuros filmes do gênero, e os compositores que eu gostaria que trabalhassem neles. Alguns são palpites, outros já estão quase confirmados, mas a maioria são apenas desejos de um fã, que quer ver seus heróis favoritos na telona acompanhados por scores verdadeiramente marcantes. Excluí aqueles que tem seus compositores já contratados, como os casos de Homem Formiga (Ant Man, 2015), Quarteto Fantástico (Fantastic Four, 2015), Batman Vs. Superman: A Origem da Justiça (Batman V Superman: Dawn of Justice, 2016), Capitão América: Guerra Civil (Captain America: Civil War, 2016) e X-Men: Apocalypse (idem, 2016). Também considerei apenas compositores vivos para este exercício – claro, seria ótimo se Goldsmith, Poledouris, Jarre, Barry ou Bernstein ainda estivessem vivos para trabalhar em tais longas, mas isso é impossível (Williams e Morricone não contam, o primeiro só deve trabalhar nos próximos Star Wars e filmes do Spielberg, e o segundo não compõe para um filme hollywoodiano há séculos).

Assim sendo, vamos conhecer aqueles que poderiam ser os salvadores dos super-heróis?

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Herói: Deadpool
Lançamento: 12 de fevereiro de 2016
Diretor: Tim Miller
Compositor ideal: Christopher Lennertz

Depois de uma patética aparição em X-Men Origens: Wolverine (X-Men Origins: Wolverine, 2009), o Mercenário Tagarela agora ganha uma nova chance nas telonas, novamente interpretado por Ryan Reynolds, numa versão que parece ser mais fiel aos quadrinhos.

Para musicar o filme, uma boa escolha seria o compositor Christopher Lennertz, que é dono de uma carreira bastante estranha. Bastante respeitado no mundo da música para vídeogames, ele foi muito elogiado por seus scores para jogos de franquias como Medal of Honor e Mass Effect, ao passo em que, na televisão, trabalhou em séries populares como Sobrenatural (Supernatural, 2005) e Agent Carter (idem, 2015). Porém, no cinema, o sujeito desperdiçou boa parte de seu potencial em comédias do calibre de Os Espartalhões (Meet the Spartans, 2008) e Os Vampiros que se Mordam (Vampires Suck, 2010), além de infantis como Alvin e os Esquilos (Alvin and the Chipmunks, 2007) e Hop: Rebelde sem Páscoa (Hop, 2011).

Entretanto, o Deadpool não é um personagem para tramas sérias e sombrias. Pelo contrário: falastrão e piadista, as tramas com o (anti) herói da Marvel quase resvalam no nonsense, além de serem bastante violentas. Dessa forma, uma trilha que una orquestra com elementos de rock e pop, bastante humorada e enérgica, se encaixaria bem no longa, e Lennertz tem o potencial perfeito para criar um score tão divertido quanto o personagem. Além de que, claro, isso poderia finalmente alavancar a carreira cinematográfica deste bom compositor – e, se tudo der certo, afastá-lo para bem longe dessas comédias esquecíveis.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Heróis (no caso, vilões): Esquadrão Suicida
Lançamento: 05 de agosto de 2016
Diretor: David Ayer
Compositor ideal: Steven Price

O terceiro filme do Universo Cinematográfico DC não será centrado nos heróis mais icônicos da editora, mas em alguns dos seus vilões. Neste longa, figuras como o Pistoleiro, Arlequina, Rick Flagg e Capitão Bumerangue que, apesar de pouco confiáveis, serão recrutados pelo governo para uma missão perigosa e “suicida”, que envolverá também o terrível Coringa. Interpretado aqui pelo oscarizado Jared Leto, esta será a primeira versão do Palhaço do Crime nos cinemas desde que Heath Ledger ganhou um Oscar póstumo por sua performance como o vilão.

Seu diretor é David Ayer que, no ano passado, escalou o vencedor do Oscar de Melhor Trilha Sonora de 2013, Steven Price, para musicar seu épico de guerra Corações de Ferro (Fury, 2014). Price fez um belo e competente trabalho no longa, e demonstrou mais uma vez que é uma das vozes mais peculiares a surgir na Música de Cinema em muito tempo. Seria extremamente interessante ver qual abordagem ele daria para o Esquadrão Suicida. Um filme como esses certamente merece uma partitura tão original quanto, e Price é o sujeito certo para entregá-la. Torçamos para que Ayer tenha apreciado trabalhar com Price em Corações de Ferro, e o traga de volta em seu novo longa.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Herói: Doutor Estranho
Data de lançamento: 04 de novembro de 2016
Diretor: Scott Derrickson
Compositor ideal: Christopher Young

Para a alegria geral da nação Scoretracker, este é um que já está praticamente garantido. Scott Derrickson, o diretor de Doutor Estranho (Doctor Strange, 2016), já trabalhou com Christopher Young diversas vezes, e deverá chamá-lo para ser o compositor de seu filme, que irá introduzir a magia e elementos sobrenaturais no Universo Cinemático Marvel, através de seu herói, o mago mais poderoso da Terra.

As histórias do Doutor Estranho sempre estiveram ligadas a elementos sobrenaturais e de terror, o que faz de Young o músico ideal para acompanhá-lo no cinema. O principal nome de trilhas de terror e fantasia da atualidade, a carreira de Young inclui desde grandiosos scores góticos, como os de Hellraiser II: Renascido das Trevas (Hellbound: Hellraiser II, 1988), Arraste-Me Para o Inferno (Drag me To Hell, 2009) e a épica Padre (Priest, 2011), a trilhas mais discretas, mas que nunca deixam de gelar a espinha do ouvinte, como A Filha da Luz (Bless the Child, 2000) e O Exorcismo de Emily Rose (The Exorcism of Emily Rose, 2005). Sendo assim, Young pode finalmente introduzir alguma fantasia nos scores da Marvel, enquanto simplesmente faz o que faz de melhor. Por enquanto, é a trilha de blockbusters mais aguardada de 2016.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Heroínas: Mulher Maravilha ou Capitã Marvel
Diretores(as): Patty Jenkins; ainda não contratado
Lançamento: 23 de junho de 2017; 02 de novembro de 2018
Compositora ideal: Deborah Lurie

Sejamos sinceros: filmes de super-heróis são voltados basicamente para homens, dos meninos aos mais velhos. Ainda que personagens femininas fortes apareçam aqui e ali, como a Mulher Gato de Batman: O Retorno (Batman Returns, 1992) e a Viúva Negra da Marvel Studios, eles são, em sua maioria, estrelados por figuras masculinas, e tendem a atrair mais esta audiência para suas produções. Porém, isso promete mudar a partir de 2017, quando aportarem nos cinemas as primeiras aventuras de heroínas como a Mulher Maravilha e, no ano seguinte, a Capitã Marvel (ex-Miss Marvel). Sabendo da importância de atrair as mulheres para esses blockbusters, a DC e a Marvel já começaram a se mexer para que os longas não sejam apenas estrelados por mulheres, mas também as tenham no comando. A primeira contratou a diretora Patty Jenkins para trabalhar na aventura da Amazona, enquanto a outra fechou um acordo com as roteiristas Nicole Perlman e Meg LeFauve para escrever a produção protagonizada por Carol Danvers.

Afinal, se os dois estúdios planejam ter mulheres no comando dessas adaptações, porque não estender isso à trilha também? O mundo da Música de Cinema pode ser dominado por homens, mas há também diversas mulheres talentosas por aí. Idealmente, Shirley Walker seria a melhor opção para qualquer uma das aventuras, mas, infelizmente, esta grande maestrina faleceu em 2006. Há também as famosas e premiadas Rachel Portman (a primeira a ser lembrada quando as pessoas pensam em mulheres compositoras de cinema) e Anne Dudley, mas é difícil (embora não impossível) imaginá-las trabalhando num blockbuster de ação e aventura como esses. Dessa forma, a compositora Deborah Lurie poderia ser uma opção interessante. Para quem não a conhece, ela compôs scores como 9: A Salvação (9, 2009), e trabalhou como orquestradora e compositora adicional em trilhas de Danny Elfman, inclusive MIB: Homens de Preto 3 (MIB 3, 2012), Homem-Aranha 2 (Spider-Man 2, 2004) e Hellboy 2: O Exército Dourado (Hellboy 2, 2008) – o que a deixa com um bom background para musicar um filme como esses.

Além de Deborah, outras compositoras interessantes seriam Debbie Wiseman e Jane Antonia Cornish, também autoras de bons scores orquestrais.

Seria interessante, e extremamente benéfico ao machista mundo da Música de Cinema, ver uma abordagem feminina para uma trilha de super-heróis. Desde já, qualquer uma dessas moças tem a minha torcida.

Conheça um pouco do trabalho da compositora:

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Heróis: Homem-Aranha ou Flash
Diretores: ainda não contratados
Lançamento: 28 de julho de 2017; 23 de março de 2018
Compositor ideal: David Arnold

Nos anos 1990, David Arnold surgiu como uma das grandes promessas no cinema. Com a ajuda inestimável de seu maestro e orquestrador Nicholas Dodd, ele passou de ser um atendente de locadora a uma das vozes mais quentes da Música de Cinema, compondo grandiosos scores para os filmes de Roland Emmerich, como Stargate (idem, 1994), Independence Day (idem, 1996) e Godzilla (idem, 1998). Além disso, ele foi recomendado pelo próprio John Barry para ser o novo compositor de James Bond, e Arnold acabou trabalhando em cinco filmes seguidos do espião inglês, começando a partir de 007: O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies, 1997). Logo, o tempo passou, ele e Emmerich se separaram e Bond arrumou um novo e incomum compositor para suas mais recentes aventuras, no caso, Thomas Newman. Assim, hoje em dia, Arnold vive afastado do mundo dos caros blockbusters hollywoodianos, musicando apenas produções de seu país natal, a Inglaterra, como a famosa série Sherlock (idem, 2010-).

O que é uma pena, visto que seus épicos trabalhos orquestrais fazem muita falta na Música de Cinema de hoje. Alguns dos filmes de herói a serem lançados seriam ideais para resgatar a sua carreira. No caso, Arnold seria uma escolha ousada e inteligente para produções como a do novo Homem-Aranha, ou o vindouro filme do Flash (não confundir com a atual série televisiva, também estrelada pelo velocista). Ele poderia compor algum tema marcante para qualquer um dos heróis, no estilo de seus scores dos anos 1990, e ainda povoar os longas com música de ação de ótima qualidade. Vamos lá, Hollywood, está esperando o que para telefonar para o agente de David Arnold?

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Herói: Thor
Diretor: Ainda não contratado
Lançamento: 03 de novembro de 2017
Compositor ideal: Brian Tyler

É improvável que Brian Tyler retorne para compor para as duas vindouras sequências dos Vingadores, e também não é provável termos um Homem de Ferro 4 em breve (ainda mais considerando o cachê cada vez mais astronômico de Robert Downey Jr.). Sendo assim, a melhor chance de Tyler continuar a desenvolver seu bom trabalho com a Marvel Studios é no terceiro longa do Deus do Trovão, intitulado Thor: Ragnarok.

Muito já foi dito sobre a inconsistência da Marvel na hora de manter seus compositores – Homem de Ferro, Capitão América e o próprio Thor tiveram um músico diferente para cada filme seu. Isso pode mudar em breve, com Henry Jackman já marcado para retornar em Capitão América: Guerra Civil (oh, Deus, por quê?), e o provável retorno de Tyler Bates na sequência de Guardiões da Galáxia (também dirigida por James Gunn, que usou Bates em todos os seus filmes). Assim, já que o trabalho de Brian Tyler em O Mundo Sombrio foi superior ao desses dois, seria uma decisão esperta chamá-lo de volta para Ragnarok. A não ser, é claro, que a confusão

na trilha de Era de Ultron tenha colocado um ponto final no relacionamento entre a Marvel e o compositor – o que seria uma pena para nós, Scoretrackers.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Heróis: Liga da Justiça ou Vingadores
Diretores: Zack Snyder; Anthony e Joe Russo
Lançamento: 17 de novembro de 2017 (Liga da Justiça: Parte 1), 14 de junho de 2019 (Liga da Justiça: Parte 2); 04 de maio de 2018 (Vingadores: Guerra Infinita – Parte 1), 03 de maio de 2019 (Vingadores: Guerra Infinita – Parte 2)
Compositor ideal: Michael Giacchino

Certo, eu sei que aqui já é um sonho impossível. Os futuros filmes da Liga da Justiça e dos Vingadores já tem seus diretores escolhidos, e estes já possuem seus compositores preferidos – no caso, Hans Zimmer (e mais uma dúzia de compositores adicionais, orquestradores e sabe-se lá mais o quê) para Zack Snyder, e Henry Jackman para os irmãos Russo. Tanto o homem forte da DC Comics quanto as novas pratas da casa da Marvel Studios já demonstraram ser musicalmente iletrados: Tyler Bates e Zimmer foram massacrados pela crítica por seus trabalhos nos filmes do diretor (não espere uma coleção como The Music from the films of Zack Snyder com regravações da City of Prague Philharmonic Orchestra num futuro próximo); e os outros dois conseguiram a façanha de fazer com que seu filme, Capitão América 2: O Soldado Invernal (Captain America: The Winter Soldier, 2014) tivesse a pior trilha sonora já composta para um blockbuster de super-heróis em muitos anos (e olha que no mês seguinte ainda tivemos John Ottman e o próprio Zimmer em trabalhos medíocres).

Porém, se, por algum milagre, eles resolvessem que querem algo mais do que muitos sintetizadores e percussão em seus longas, talvez mudassem suas escolhas de compositores. No caso da Liga, uma excelente escolha seria Michael Giacchino. Ao contrário de muitos dos seus companheiros vencedores do Oscar, ele não sossegou depois de ganhar sua estatueta, e segue produzindo trabalhos de ótima qualidade ao longo dos anos. Em 2015, ele escreveu a melhor trilha sonora para um filme de grande orçamento do ano até agora, a gloriosa O Destino de Júpiter (Jupiter Ascending, 2015), que elevou exponencialmente o nível de grandiosidade de suas trilhas, unindo o senso de aventura dos clássicos de Williams dos anos 1970/1980 com os corais épicos dignos das trilhas de Howard Shore para a Terra-Média. Seria incrível ver os feitos do famoso grupo de heróis da DC Comics acompanhados de uma música gloriosa do ítalo-americano.

Os Vingadores, entretanto, já tem história nas telas do cinema. Dessa forma, não seria má ideia se a Marvel resolvesse chamar de volta Alan Silvestri, responsável pelo primeiro longa dos heróis, Brian Tyler e/ou Danny Elfman, do segundo, para musicar as duas partes de Guerra Infinita, que prometem ser o clímax do Universo Cinematográfico Marvel até agora. Porém, se não for o caso (e nós já sabemos que nenhum dos três teve muitas chances para trabalhar direito nos dois anteriores), Giacchino poderia entrar para providenciar o acompanhamento épico para o encerramento (?) da saga dos heróis mais poderosos da Terra.

Nos dois casos, entretanto, Giacchino seria uma escolha inteligente para as produções, que prometem ter a maior escala já vista até aqui. Vamos torcer para que Snyder e os Russos acordem para o desperdício musical que têm feito em seus longas até aqui, e decidam corrigir isso em suas próximas produções.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Heróis: Inumanos
Diretor: ainda não contratado
Lançamento: 12 de julho de 2019
Compositor ideal: David Newman

Mais um supergrupo da Marvel a ganhar as telas, os Inumanos ainda são desconhecidos do grande público que não acompanha os quadrinhos, mas quem duvida de que o longa renderá absurdos nas bilheterias quando estrear, em 2019? Afinal, se até os personagens dos Guardiões da Galáxia evoluíram da classe Z da editora para heróis amados pelo público, é bem provável que o grupo comandado por Raio Negro, Medusa e companhia, embalados por Guerra Infinita: Parte 2, também faça o mesmo sucesso.

Para acompanhar sua primeira aventura nas telas, um bom compositor seria David Newman. O sujeito é descendente daquele que é provavelmente o clã mais poderoso da Música de Cinema: seu pai é o legendário Alfred Newman, seus tios incluem Lionel e Emil Newman, e seu irmão mais novo e primo são ninguém menos que Thomas e Randy Newman.

Da nova geração de sua família, David é provavelmente o menos conhecido. Ainda que tenha composto para quase 100 filmes e possua uma indicação ao Oscar, sua carreira inclui comédias idiotas, como A Creche do Papai (Daddy’s Day Care, 2004) e Norbit (idem, 2007), e infantis, no caso dos filmes live-action do Scooby-Doo; além de desastres de bilheteria baseados em quadrinhos, como O Fantasma (The Phantom, 1996) e The Spirit: O Filme (The Spirit, 2008) – compare, por exemplo, com seu irmão, que todo ano trabalha em um filme com potencial para Oscar. Apesar disso, David não deixa de ser um ótimo compositor, quando tem a chance de mostrar todo o seu talento. A Era do Gelo (Ice Age, 2002), por exemplo, é um belíssimo score, e, no ano passado, ele mostrou o que pode fazer num filme de aventura, com seu trabalho em Tarzan: A Evolução da Lenda (Tarzan, 2013) recebendo excelentes críticas. Assim, um filme como Inumanos pode ser uma excelente oportunidade para Newman flexionar seus músculos e escrever uma ótima trilha como a de Tarzan.

Antes de ter seu compositor anunciado, Newman aparentemente estava cotado para trabalhar em Guardiões da Galáxia – o que seria uma escolha interessante por parte da Marvel. Pode ser que tudo não passe de especulação de fãs, mas, se de fato ele tiver sido considerado, vamos torcer para Kevin Feige e seus comandados não tenham perdido o telefone de Newman.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

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Heróis: Shazam, Ciborgue ou Lanterna Verde
Diretores: ainda não anunciados
Lançamento: 05 de abril de 2019; 03 de abril de 2020; 19 de junho de 2020
Compositor ideal: Frederik Wiedmann

Apesar de estar iniciando agora seu Universo Cinematográfico, a DC já tem uma longa lista de filmes animados, lançados direto para home vídeo, baseados em seus heróis. O principal compositor de tais animações é Frederik Wiedmann, um jovem músico que recebeu aclamação por seu excelente trabalho em filmes como Liga da Justiça: Ponto de Ignição (Justice League: The Flashpoint Paradox, 2013), O Filho do Batman (Son of Batman, 2014) e a série animada Lanterna Verde (Green Lantern: The Animated Series, 2011).

São produções menores, é claro, cujo orçamento permite que Wiedmann use geralmente apenas uma orquestra de cordas e eletrônicos. Porém, no ano passado, ele já mostrou do que é capaz quando tem um elenco maior à sua disposição, com a bela (apesar de pouco conhecida) trilha de Field of Lost Shoes (idem, 2014). Dessa forma, um dos vindouros filmes live action com os heróis da DC lhe daria uma excelente oportunidade. Afinal, além de talentoso, ele já é familiarizado com os personagens da casa, o que faz dele uma ótima escolha para um dos futuros blockbusters.

Naturalmente, graças ao seu merecidamente popular trabalho na série do Lanterna Verde, Wiedmann estaria em casa se fosse contratado para o reboot do herói, que deve ganhar as telas em 2020 (nove anos depois do seu lamentável primeiro filme). Porém, outros heróis da DC, que farão sua estreia no cinema, como o Shazam e o Ciborgue, também fornecem uma bela tela para Wiedmann fazer sua mágica. Ele já está praticamente em casa na WB/DC, agora só falta o estúdio querer “promovê-lo” das telinhas para a telona.

Conheça um pouco do trabalho do compositor:

Outros compositores que também merecem uma chance “super-heroica”:

Alexandre Desplat – o atual compositor preferido de muita gente (principalmente depois de sua temporada matadora em 2014) é uma escolha óbvia, dado que o francês transita com facilidade nos caros blockbusters hollywoodianos e em filmes mais intimistas. Tudo teria de depender de sua agenda, pois o francês já está confirmado no primeiro spin off de Star Wars, intitulado Rogue One, e também provavelmente retornará na sequência de Godzilla (idem, 2014). Não que isso seja lá um grande problema, afinal, todos os anos estreiam incontáveis longas com trilha de Desplat. Haja disposição para trabalhar…

John Powell – Sem compor para um filme live action desde 2010, Powell talvez se sinta mais à vontade numa das futuras animações de super-heróis, como The Lego Batman Movie (2017) ou Homem-Aranha (não o novo longa em live action, esta aqui será uma animação produzida pela dupla Phil Lord & Chris Miller, e estreará em 2018).

John Debney – Sua experiência anterior em filmes de heróis, com Homem de Ferro 2 (Iron Man 2, 2010), não foi ruim, mas também não foi plenamente satisfatória. Caso a Marvel não tenha desistido completamente dele, Debney poderia fazer um retorno triunfal a um dos filmes da Casa das Ideias.

Don Davis – Um dos grandes compositores a surgir nas últimas décadas, Davis tem estado inexplicavelmente ausente do cinema já há um bom tempo. Com tantos blockbusters e universos compartilhados sendo anunciados a torto e a direito, ele poderia voltar a brilhar da mesma forma que nos anos anteriores caso Hollywood lhe dê uma chance (e ele próprio aceite, é claro).

Elliot Goldenthal – Ver “Don Davis” acima.

Joel McNeely – Se o mundo fosse perfeito, McNeely já estaria contratado para trabalhar em pelo menos um dos spin-offs de Star Wars, a serem lançados nos próximos anos. Porém, se a LucasFilm preteri-lo em favor de alguém de maior “nome”, talvez as produtoras de longas de herói possam resgatá-lo do ostracismo dos filmes da Tinker Bell (que, nos EUA, são lançados diretamente em home vídeo). Antes de começarem as gravações, porém, seria bom passar sal grosso na sua batuta de maestro. McNeely costuma ser um ímã para desastres de crítica e bilheteria.

-Algum compositor espanhol – É consenso entre os críticos de Música de Cinema que a Espanha é hoje o maior celeiro de grandes compositores do planeta, que seguem produzindo obras orquestrais de excelente qualidade. Com ótimos músicos como Fernando Velázquez e Roque Baños já encaminhados dentro do cinemão americano, Hollywood agora pode voltar seus olhos para figuras talentosas como Zacarías M. de la Riva, Federico Jusid, Arnau Bataller, Lucas Vidal, entre outros – e sem esquecer dos pioneiros Alberto Iglesias e Javier Navarrete.

E você? Qual compositor você gostaria de ver trabalhando num filme de super-heróis? Deixe sua opinião abaixo.

Tiago Rangel

10 opiniões sobre “Na Trilha: Quem salvará os Super-Heróis?”

  1. Eita, depois de tantos nomes citados fica até difícil salientar algo, mas vamos lá. Steve Jablonsky (Transformers, A Ilha), Klaus Badelt (Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra) e Trevos Jones (Cidade das Sombras, 1998). Acho que seriam compositores que fizeram bons trabalhos e poderiam acrescentar à Música de Cinema.

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  2. Monica, acrescente suas opiniões de quem poderiam ser os compositores dos respectivos filmes, pra incentivar o debate. Seria legal :D
    Só estranhei vc encrencar justamente com o Giacchino, um dos compositores com a carreira mais sólida ate aqui, em matéria de blockbusters, que o Tiago Rangel citou, rsrs.

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    1. Retratação aceita ;-D
      Boa. Conheci o trabalho do XL na continuação de 300 e virei fã depois de Mad Max. Trabalho de percussão muito bom!

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    2. Quando vc diz 99%, é porque a trilha ainda pode ser rejeitada, como a do Marianelli recentemente ? Ou porque não é oficial mesmo? Não consigo ver outro além do Young.

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      1. Scott Derickson, diretor de Doutor Estranho, trabalhou mais vezes com Christopher Young. Por isso que o Tiago tem certeza de que ele fará este filme. E eu também :)

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    3. E aí, vc errou de novo, mas não posso ser injusto, essa ninguém imaginava né? kkk Michael Giacchino em Doutor Estranho foi bem inesperado. Alguma notícia sobre o porquê da ausência do Young? É possível que essa entrada do Giacchino no MCU cresça como aconteceu com o Brian Tyler, entre 2013 e 2015?

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