Resenha: UMA PRIMAVERA COM MINHA MÃE (Filme em Destaque)


UMA PRIMAVERA COM MINHA MÃE (Quelques Heures de Printemps, França, 2012)
Gênero: Drama
Duração: 93 min.
Elenco:  Vincent LindonHélène VincentEmmanuelle Seigner
RoteiroStéphane Brizé
Direção: Stéphane Brizé
Cotação****

UMA PRIMAVERA COM MINHA MÃE (2012), de Stéphane Brizé, é mais um que engrossa a lista de títulos que promovem uma discussão sobre a eutanásia, que no mesmo ano teve um exemplar de peso, AMOR, de Michael Haneke. Se o filme de Haneke teve maior repercussão, isso se deve tanto à fama assegurada do cineasta, quanto, principalmente, à premiação em Cannes e às indicações ao Oscar. Assim, o trabalho de Brizé ficou um tanto apagado da mídia. No entanto, merece ser conhecido. Não apenas pelo tema interessante, polêmico e convidativo à reflexão, mas também pelo rigor formal que o cineasta imprime a seu trabalho.

Em UMA PRIMAVERA COM MINHA MÃE, temos a história de Alain Évrard (Vincent Lindon), um homem de meia idade que mora com a mãe e tem dificuldade em conseguir emprego. Mais adiante o filme nos mostra os motivos. A solidão do personagem em sua vida à deriva só não é maior do que a de sua mãe, Yvette (Hélène Vincent), que luta contra um câncer, recebendo regularmente sessões de radioterapia. Apesar disso, o relacionamento entre mãe e filho não é dos melhores. O vizinho idoso e amável é uma espécie de pacificador, quando conflitos maiores se manifestam.

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Na Trilha: A Dramaturgia Musical de PSICOSE


psycho_creditNão dá para falar de “Psicose” (Psycho, 1960) sem mencionar sua trilha sonora. O filme de 1960, dirigido pelo cineasta inglês Alfred Hitchcock, se tornou um marco do gênero suspense. A música do filme é um dos pontos mais expressivos deste trabalho. É interessante percebermos que Bernard Herrmann, o compositor, deixou de lado os complexos arranjos e a “grandiosidade” das orquestras sinfônicas (tão apreciados pelos clássicos hollywoodianos das primeiras décadas do cinema sonoro) em prol de um pequeno grupo de câmera, composto por instrumentos de cordas friccionadas. Bernard Hermman compôs, antes de “Psicose”, trilhas de filmes como “Cidadão Kane” e “Soberba”, do cineasta Orson Welles, que o convidou para trabalhar em Hollywood a partir de 1935. Desde muito cedo, o compositor revelou enorme talento musical. Aos vinte um anos compôs peças sinfônicas para o rádio, e pouco depois se tornou regente da CBS.  Trabalhou em oito filmes de Hitchcock: “O Terceiro Tiro” (1955), “O Homem que Sabia Demais” (1956, segunda versão), “O Homem Errado” (1957), “Um Corpo que Cai” (1959), “Intriga Internacional” (1959), “Psicose” (1960), “Os Pássaros” (1963), onde foi consultor de som, e “Marnie, Confissões de uma Ladra” (1964). O compositor chegou a compor a trilha de “Cortina Rasgada”, que foi rejeitada por Hitchcock.

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Perfil: BERNARD HERRMANN (1911-1975)


Bernard Herrmann
Bernard Herrmann

Muitos discutem se Bernard Herrmann foi o maior compositor de cinema que já existiu. Mas é indiscutível que Herrmann, graças ao seu legado em termos de estrutura musical, uso de instrumentação inovadora e estilo de composição, teve grande influência no modo como os filmes passaram a ser musicados, e conquistou seu lugar ao lado de Miklos Rozsa, Erich Wolfgang Korngold, Franz Waxman, Alfred Newman e Max Steiner na galeria dos grandes compositores da Era de Ouro de Hollywood. Nascido em Nova York no dia 29 de junho de 1911, Herrmann foi um prodígio que iniciou a compor ainda adolescente, e aos 20 anos de idade formou uma orquestra. A sua amizade com o então apenas promissor diretor Orson Welles levou-o a compor para muitos dos programas de rádio de Welles, e principalmente ao seu primeiro score cinematográfico em 1941 – CITIZEN KANE. Nos trinta anos que se seguiram, Herrmann compôs algumas das mais inovadores e marcantes trilhas que o cinema conheceu. A filmografia de Herrmann contém tantas obras-primas que é difícil destacar alguma: THE MAGNIFICENT AMBERSONS, THE GHOST AND MRS. MUIR, THE WRONG MAN, VERTIGO, NORTH BY NORTHWEST, PSYCHO, CAPE FEAR…

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SCORE NEWS: Lançamentos de 1º de Outubro a 10 de Dezembro


CD

1º de Outubro
Filth – Clint Mansell – Genepool
For Those I Loved – Maurice Jarre – Music Box
The Freshman – Carl Davis – Carl Davis Collection
Gravity – Steven Price – Watertower
Hocus Pocus – John Debney – Intrada Special Collection
Les Visiteurs/L’Homme Qui Revient De Loin – Georges Delerue – Music Box
The Miracle – Elmer Bernstein – Intrada Special Collection
Paranoia – Junkie XL – Sony

8 de Outubro
Captain Phillips – Henry Jackman – Varese Sarabande
Colette
 – Atli Orvarsson – MovieScore Media/Kronos
Romeo and Juliet – Abel Korzeniowski – Sony
The Tall Man – Christopher Young, Joel Drouek, Todd Bryanton – MovieScore Media/Kronos
Valhalla Rising – Peter Peter, Peter Kyed – Milan

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Lançamentos de Trilhas Sonoras – 26/09/2013


As seguintes trilhas sonoras já estão à venda nas principais lojas online internacionais: Adore – Christopher Gordon (Varese Sarabande 302 067 216 2) Getaway – Justin Burnett (Varese Sarabande 302 067 221 8) Outsiders (Reissue) – Carmine Coppola (Silva 1428) Rising Sun – Toru Takemitsu (Kritzerland KR 20026-5) Rush – Hans Zimmer (Water Tower 39470) Standing Up – Brian Tyler (Varese Sarabande 302 067 220 8) Continuar lendo Lançamentos de Trilhas Sonoras – 26/09/2013

Resenha: WYATT EARP: EXTENDED EDITION – James Newton Howard (Trilha Sonora)


wyatt-earp-CDMúsica composta por James Newton Howard
Selo: La-La Land Records
Catálogo: LLLCD 1250
Lançamento: 11/06/2013
Cotação: ****

Em 1994, a carreira de James Newton Howard estava numa curva ascendente, principalmente após as indicações ao Oscar recebidas por O Príncipe das Marés e O Fugitivo. Naquele ano, ele foi contratado para o ambicioso faroeste de Kevin Costner e Lawrence Kasdan, Wyatt Earp, e compôs um score que viria a ser um marco em sua carreira. Após ser lançada numa edição simples, num CD de 23 faixas, na época em que o longa saiu, a trilha agora ganha uma edição completa pela La La Land Records, com três discos, sendo dois dedicados à trilha e um para trechos alternativos e source music, comemorando o aniversário de 90 anos da Warner Bros. Outra obra comemorativa que também teve sua trilha completa lançada recentemente, foi Matrix Reloaded, de Don Davis.

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Resenha: HOMEM DE FERRO 3 (Blu-ray 2D+3D)


hf3BDHOMEM DE FERRO 3
Produção
: 2013
Duração: 130 min.
Direção: Shane Black
Elenco: Robert Downey Jr., Gwyneth Paltrow, Guy Pearce, Ben Kingsley, Paul Bettany, Rebecca Hall, Jon Favreau, Don Cheadle, James Badge Dale, Ashley Hamilton, William Sadler
Vídeo 2D: 2.40:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Vídeo 3D: 2.40:1 (1080p/MVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 7.1), Português, Espanhol (Dolby Digital 5.1), etc.
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, etc.
Região: A, B, C
Distribuidora: Disney / Paramount
Discos: 2 (50GB)
Lançamento: 28/08/2013
Cotações: Som: ***** Imagem 2D: ***** Imagem 3D: *** Filme: ***½ Extras & Menus: ***½ Geral: **** 

SINOPSE
Quando vê seu mundo reduzido a escombros pelo terrorista Mandarim (Ben Kingsley), Tony Stark / Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) precisa usar toda a sua engenhosidade para sobreviver, destruir seu inimigo e, de algum modo, proteger quem ama. Mas uma questão existencial o assombra: o homem faz o traje ou o traje faz o homem?

COMENTÁRIOS
Sem dúvida a Marvel não pode ser acusada de falta de ousadia. Para os filmes do seu atual universo unificado, ela tem recorrido a diretores inesperadamente variados como Jon Favreau, Kenneth Branagh e Joss Whedon. Para este HOMEM DE FERRO 3 (2013), o eleito foi Shane Black, que como roteirista ganhou renome a partir da franquia MÁQUINA MORTÍFERA. Ator eventual, Black apareceu em filmes como O PREDADOR (1987) e ROBOCOP 3 (1993), tendo estreado na direção com BEIJOS E TIROS (2005), no qual dirigiu o próprio Tony Stark, Robert Downey Jr. (cuja influência deve ter sido decisiva para a sua contratação).

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Resenha de Arquivo: JAWS – ANNIVERSARY COLLECTOR’S EDITION – John Williams (Trilha Sonora)


jawsMúsica composta e regida por John Williams
Selo: Decca Records
Catálogo: 289 467 045-2
Lançamento: 01/07/2000
Cotação: star_5

Trata-se de um relançamento expandido da trilha sonora original de Tubarão em comemoração dos 25 anos deste filme, e que acompanhou o lançamento original em DVD. Como foi feito com outros trabalhos de John Williams (Caçadores da Arca Perdida, Contatos Imediatos do Terceiro Grau, E.T., O Extra-terrestre e Superman, O Filme), a Decca resolveu publicar as composições usadas no próprio filme neste relançamento, uma vez que o álbum original, que ganhou um Grammy em 1975 e tornou-se a trilha sonora mais vendida até então, apresentava regravações feitas por John Williams especialmente para o LP. Este é o trabalho do compositor que o tornou conhecido definitivamente, e que o consagrou como compositor de trilhas sonoras para o cinema, pois seu primeiro Oscar foi para a adaptação de um musical: Um Violinista no Telhado, que apesar de muito merecer o prêmio, não se tratava de uma composição sua. Veio, então, o seu segundo Oscar com Tubarão, e o reconhecimento por criar um tema tão simples, com apenas duas notas de base, que acabou entrando para o imaginário coletivo, não apenas cinematográfico, associado à aproximação gradativa de um ameaçador Tubarão Branco.

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Perfil: JOHN WILLIAMS


johnnyDesde a década de 1960, há um compositor cuja música não sai da cabeça dos amantes de trilhas sonoras. Sejam os temas televisivos de Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo ou Terra de Gigantes, a cadência ameaçadora de Tubarão, as harmonias de Contatos Imediatos do Terceiro Grau ou ainda as épicas marchas de Guerra nas Estrelas e Caçadores da Arca Perdida, a música de John Williams, muito imitada mas nunca igualada, possui tanto impacto quanto as imagens que surgem na tela. O homem parece ter o toque mágico para compor a música perfeita, e isso pode ser comprovado imaginando-se como seriam os filmes citados sem sua trilha musical. John (ny) Williams nasceu em Long Island, cidade de Nova York, em 8 de fevereiro de 1932, filho de um músico da orquestra da CBS. Aos 18 anos já era um talentoso estudante da Julliard School of Music, tendo inclusive composto seu primeiro concerto para piano. Originalmente tencionando ser reconhecido como músico clássico, Johnny mudou-se em 1955 para a Califórnia, onde posteriormente começou sua carreira no cinema. Sob contrato na 20th Century Fox, tocou piano sob a batuta de mestres como Alfred Newman, Dmitri Tiomkin e Bernard Herrmann, até conseguir um contrato de dois anos na Columbia Pictures, onde trabalhou na orquestração de diversos filmes, dentre os quais se destaca Os Canhões de Navarone. Williams logo começou sua carreira de compositor, inicialmente em comédias não muito memoráveis, mas que serviram para aprimorar a sua técnica. Com o passar dos anos, sua música chegou a filmes mais importantes, como a trilogia-catástrofe O Destino do Poseidon, Terremoto e Inferno na Torre, e os primeiros filmes de Steven Spielberg (Louca Escapada, Tubarão). Continuar lendo “Perfil: JOHN WILLIAMS”

SCORE NEWS: Lançamentos de 24 de Setembro a 10 de Dezembro


CD

24 de Setembro
Adore – Christopher Gordon, Antony Partos – Varese Sarabande
Getaway 
– Justin Burnett – Varese Sarabande
The Grandmaster Shigeru Umebayashi, Nathaniel Mechaly – Lakeshore
I, the Jury – Bill Conti – La-La Land
Insidious, Chapter 2
 – Joseph Bishara – Void
Killer Crocodile 
Riz Ortolani – Kronos
Movie Legends: The Music of John Barry – John Barry – Naxos
Per Gracia Ricevuta
 – Guido & Maurizio DeAngelis – Digitmovies
Rush – Hans Zimmer – Watertower
Standing Up – Brian Tyler – Varese Sarabande
True Grit – Elmer Bernstein – La-La Land
We Are What We Are – Jeff Grace, Phil Mossman – Milan

1º de Outubro 
Filth – Clint Mansell – Genepool
For Those I Loved
 – Maurice Jarre – Music Box
Gravity – Steven Price – Watertower
Les Visiteurs/L’Homme Qui Revient De Loin
 – Georges Delerue – Music Box
Paranoia – Junkie XL – Sony

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Os Vencedores do Emmy 2013 nas categorias musicais


TRILHA SONORA ORIGINAL DE MINISSÉRIE, FILME OU ESPECIAL – WORLD WITHOUT END, “Medieval Life And Death” – Mychael Danna TRILHA SONORA ORIGINAL DE SÉRIE – DOWNTON ABBEY, “Episode 6” – John Lunn TEMA DE CRÉDITOS PRINCIPAIS – DA VINCI’S DEMONS – Bear McCreary CANÇÃO ORIGINAL – 66TH ANNUAL TONY AWARDS, “If I Had Time” – David Javerbaum, Adam Schlesinger DIREÇÃO MUSICAL – 66TH ANNUAL TONY AWARDS – Elliot Lawrence Continuar lendo Os Vencedores do Emmy 2013 nas categorias musicais

Lançamentos de Trilhas Sonoras – 19/09/2013


As seguintes trilhas sonoras já estão à venda nas principais lojas online internacionais: Justice League: The Flashpoint Paradox – Frederik Wiedmann (La-La Land LLLCD 1266) Raging Angels – Terry Plumeri (Intrada Signature Edition ISE1050) – 33:56 Texas, Addio – Anton Garcia Abril (Quartet QRMS024) The White Dawn – Henry Mancini (Intrada Special Collection Volume 253) – 61:10 X-Files Volume Two – Mark Snow (La-La Land LLLCD 1270, 4 CDs) Continuar lendo Lançamentos de Trilhas Sonoras – 19/09/2013

Resenha: INVOCAÇÃO DO MAL (Filme em Destaque)


INVOCAÇÃO DO MAL (The Conjuring, EUA, 2013)
Gênero: Terror
Duração: 112 min.
Elenco: Vera FarmigaPatrick WilsonLili TaylorRon LivingstonShanley CaswellHayley McFarland
Trilha Sonora Original: Joseph Bishara
RoteiroCarey Hayes, Chad Hayes
DireçãoJames Wan
Cotação****½

James Wan está com tudo. Além de ter feito um sucesso incrível de bilheteria com este INVOCAÇÃO DO MAL (2013), no último fim de semana nos Estados Unidos conseguiu chegar ao topo do ranking com o novo SOBRENATURAL – CAPÍTULO 2 (2013). Ainda por cima, foi convidado a dirigir o sétimo filme da franquia VELOZES E FURIOSOS, previsto para estrear no próximo ano. Assim, teremos finalmente um cineasta de respeito comandando a cinessérie. Mas falemos deste que, por enquanto, detém o título de melhor filme de horror lançado nos cinemas em 2013, INVOCAÇÃO DO MAL.

Pode-se até dizer que não há tanta originalidade assim neste trabalho de Wan. Mas o que não dá para negar é a habilidade do diretor em construir uma obra ao mesmo tempo assustadora e cheia de qualidades fílmicas, com um domínio de câmera incrível, seja pelos ângulos inusitados, seja pelas elegantes movimentações. E quanto ao medo, este elemento tão querido quando se trata de filmes de horror, ele está presente principalmente na escuridão, nos momentos em que a personagem de Lili Taylor está no sótão e segue um barulho naquela casa recém-comprada e que só depois eles descobrem ter sido palco de uma grande tragédia, envolvendo bruxaria.

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Na Trilha: GOBLIN – Musica Dalla Tenebre


goblin3 Depois da febre e da exaustiva produção pop dos anos 60, o mercado de rock italiano viu o florescimento do gênero progressivo que no início dos anos 70 mostrava-se como uma renovação (ou evolução natural) ao rock internacional.  Somando o apelo rítmico da chamada segunda geração do rock (Beatles, Rolling Stones, Kinks) e as experiências lisérgicas do psicodelismo (Pink Floyd, Jefferson Airplane) a uma proposta musical mais ampla, o rock progressivo encontrou rápida receptividade de público apesar de sua postura mais experimental e “erudita”. Grandes nomes do progressivo inglês como Yes, King Crimson e Genesis, marcaram época com sua música rebuscada e ambiciosa. O mercado italiano, que raramente tendeu ao punk ou ao heavy metal (será uma benção?), encontrou no gênero progressivo a chance de renovação e um caminho alternativo ao do pop, consolidado e consagrado junto ao público desde o final dos anos 50, na carreira de uma constelação de grandes nomes como Gianni Morandi, Gino Paoli, Pepino Di Capri, Nico Fidenco e Lucio Dalla. 

Nesse momento de mudança (comecinho dos anos 70) grupos como o Premiata Forneria Marconi, Acqua Fragile, Area, Era Di Acquario e Museo Rosenbach entre tantos outros que partiram dos modelos ingleses para um idioma próprio, encontrariam seu lugarzinho ao sol e o gênero progressivo se tornou tão popular na terra das pizzas que praticamente caracterizou uma etapa da música popular italiana. Também é notório que o gênero progressivo foi o que mais esteticamente se aproximou das trilhas sonoras de cinema, por sua ambição sugestiva e climática, às vezes até com narrativas ficcionais com início, meio e fim.

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Perfil: JERRY GOLDSMITH (1929-2004)


Pouquíssimos compositores de trilhas sonoras alcançam o reconhecimento do público em geral. Dentre os compositores que despontaram em Hollywood entre o final da década de 50 e o final da de 60, Henry Mancini, John Williams, Ennio Morricone e John Barry tornaram-se mundialmente conhecidos, tendo inclusive frequentado as paradas de sucesso com seus temas. Jerry Goldsmith pode ser considerado um notável membro dessa elite, e mesmo o espectador ocasional reconhecerá facilmente alguns de seus trabalhos feitos para a TV e o cinema. Tendo sido um dos mais prolíficos compositores norte-americanos do meio, listar apenas uma parte das suas trilhas originais é uma tarefa árdua. O público e os críticos em geral sem dúvida mencionariam Patton: Herói ou Rebelde?, The Sand Peebles, A Pach of Blue, Instinto Selvagem, Lancelot, além de sua inestimável contribuição para filmes de ficção científica, terror e fantasia, como Jornada nas Estrelas, Planeta dos Macacos, Fuga do Século 23, A Profecia, Alien, O Vingador do Futuro, etc. Ao longo do tempo, Goldsmith formou uma escola no meio musical cinematográfico, e mesmo tendo formação clássica nunca teve receio das inovações, sendo o primeiro compositor a manter uma seção fixa de instrumentos eletrônicos em sua orquestra. Jerrald Goldsmith nasceu em Los Angeles em 29 de fevereiro de 1929, e aprendeu a tocar piano aos 6 anos de idade. Depois de estudar no Dorsey High School e Los Angeles City College durante os anos 40, incluindo aí um semestre de aulas sobre música de cinema com o lendário Miklos Rosza, juntou-se ao departamento musical da CBS em 1950. Inicialmente em um papel secundário, passou em seguida a compor em tempo integral para o rádio e, posteriormente, TV. Sua entrada no cinema deu-se no final dos anos 50 a convite de Alfred Newman, e após um começo hesitante, teve um crescimento surpreendente nos anos 60 ao agarrar todos os tipos imagináveis de assuntos, com alto domínio estilístico. Continuar lendo “Perfil: JERRY GOLDSMITH (1929-2004)”

CD NEWS: Lançamentos de 17 de Setembro a 10 de Dezembro


CD

17 de Setembro
Arrow: Season One – Blake Neely – Watertower [CD-R]
Luther – Paul Englishby, songs – Silva
Raging Angels – Terry Plumeri – Intrada Special Collection
Salinger – Lorne Balfe – Decca
The White Dawn – Henry Mancini – Intrada Special Collection

24 de Setembro
Adore – Christopher Gordon, Antony Partos – Varese Sarabande
The Grandmaster Shigeru Umebayashi, Nathaniel Mechaly – Lakeshore
Killer Crocodile Riz Ortolani – Kronos
Movie Legends: The Music of John Barry  John Barry – Naxos
Rush – Hans Zimmer – Watertower
Standing Up – Brian Tyler – Varese Sarabande
We Are What We Are – Jeff Grace, Phil Mossman – Milan

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Lançamentos de Trilhas Sonoras – 12/09/2013


As seguintes trilhas sonoras já estão à venda nas principais lojas online internacionais: Hemlock Grove –  Nathan Barr (Varese Sarabande 302 067 217 2) Jimmy P. – Howard Shore (Howe 1010) The Ultimate Life – Mark McKenzie (Varese Sarabande 302 067 219 8) Windjammer – Morton Gould (SEPIA 1234, 2 CDs) Continuar lendo Lançamentos de Trilhas Sonoras – 12/09/2013

Resenha: O ATAQUE (Filme em Destaque)


O ATAQUE (White House Down, EUA, 2013)
Gênero: Ação
Duração: 131 min.
Elenco:  Channing Tatum,  James Woods, Jamie FoxxMaggie Gyllenhaal, Lance Reddick, Anthony Lemke, Jason Clarke, Michael Murphy
Trilha Sonora OriginalHarald Kloser, Thomas Wanker
Roteiro: James Vanderbilt
DireçãoRoland Emmerich
Cotação**

Na inevitável comparação entre O ATAQUE (2013), de Roland Emmerich, e INVASÃO À CASA BRANCA, de Antoine Fuqua, que chegou antes aos cinemas, o filme de Fuqua sai ganhando. É mais emocionante, tem menos patriotada, tem um pouco mais de violência, o herói (Gerard Butler) é mais convincente. Mas é impressionante como os dois filmes são parecidos em vários aspectos. Há até mesmo uma criança em perigo e o tal suspense a respeito de mísseis sendo lançados pelos inimigos com o objetivo de instigar a terceira guerra mundial.

E enquanto Fuqua soube dosar humanidade a seu herói, o máximo que Emmerich fez com Channing Tatum foi torná-lo simpático. Tatum faz o papel de um policial que leva a filha entusiasta da Casa Branca e outros assuntos políticos americanos para visitar o lugar, enquanto se prepara para uma entrevista a fim de ser aceito como membro do Serviço Secreto e guarda-costas do Presidente (Jamie Foxx). A entrevistadora (Maggie Gyllenhaal), porém, não o considera capacitado o suficiente para exercer o cargo. Ele acaba tendo que provar o contrário da maneira mais difícil, já que a Casa Branca é invadida por terroristas.

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