Produção: 2010
Duração: 101 min.
Direção: Breck Eisner
Elenco: Timothy Olyphant, Radha Mitchell, Joe Anderson, Danielle Panabaker, Christie Lynn Smith
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês, Português (DTS-HD HR 5.1)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol
Região: A, B, C
Distribuidora: Imagem Filmes
Discos: 1 (25Gb)
Lançamento: 22/06/2011
Cotações: Som: **** Imagem: ***½ Filme: **** Extras & Menus: ½ Geral: ***

SINOPSE
A primavera acaba de chegar numa tranquila cidade do interior, onde a simplicidade toma conta das pessoas e suas rotinas. Mas neste ano, a estação trouxe algo além de flores. Misteriosamente, os moradores tornam-se pessoas silenciosas e extremamente agressivas. O casal David (Timothy Olyphant) e Judy (Radha Mitchell) se veem cercados por aqueles que um dia já foram seus vizinhos e amigos, mas agora vagam pela cidade com um único objetivo em mente: matar, destruir, aniquilar.

COMENTÁRIOS
A EPIDEMIA (THE CRAZIES, 2010) é a refilmagem do longa homônimo que o diretor George A. Romero lançou em 1973, conhecido aqui no Brasil como O EXÉRCITO DO EXTERMÍNIO e que é provavelmente o melhor filme “sem zumbis” do veterano mestre do horror. Esta nova versão, dirigida por Breck Eisner (SAHARA, 2005) e que tem Romero como um dos produtores executivos, é quase tão boa quanto MADRUGADA DOS MORTOS (DAWN OF THE DEAD), a refilmagem de O DESPERTAR DOS MORTOS dirigida em 2004 por Zack Snyder. O segredo de ambas as produções foi saber preservar os sustos e, principalmente, as ideias dos originais, empregando recursos de produção que o cineasta não possuía nos anos 1970. Para se ter ideia, em valores atualizados, o original de Romero custou 250 mil dólares, enquanto a refilmagem saiu por 20 milhões.

O roteiro de A EPIDEMIA foi escrito por Scott Kosar e Ray Wright, e se por um lado traz alterações em relação à trama original, por outro mantém sua linha mestra. A ação agora acompanha o Xerife David Dutton (Timothy Olyphant, atualmente em destaque na série de TV JUSTIFIED), sua esposa Judy (Radha Mitchel, de TERROR EM SILENT HILL) e seu auxiliar Russell Clank (Joe Anderson), que tentam fugir de uma cidadezinha de Iowa cujo suprimento de água foi contaminado por uma cepa do vírus da raiva que transforma as pessoas em homicidas enlouquecidos – os “Crazies” do título original. Ocorre que o tal vírus foi criado pelo governo para ser utilizado como arma biológica, e logo aparecem no local agentes e militares encarregados de conter a epidemia. Contudo, o trio não demora para descobrir que as forças governamentais são mais perigosas que os infectados, já que elas começam a dizimar indiscriminadamente os habitantes da cidade.

Apesar do filme não ter zumbis, na fase final do contágio os infectados se assemelham bastante aos mortos-vivos “turbinados” do remake MADRUGADA DOS MORTOS. A vantagem dos “loucos” sobre os zumbis é que eles não são meros comedores de carne e cérebros: eles mantêm lucidez e habilidades motoras suficientes para portar armas e, portanto, são muito mais perigosos e imprevisíveis. Mas a ideia central do longa é que essas criaturas não são meras vilãs, mas acima de tudo vítimas do governo e dos programas secretos bélicos que, vira e mexe, servem principalmente para dizimar populações civis.

Com um bom elenco, a direção competente de Breck Eisner e recursos de produção tímidos se comparados à média do que Hollywood produz hoje, mas ainda assim suficientes e eficazes para conduzir sua trama, A EPIDEMIA é um filme mais do que recomendado aos fãs da obra de George A. Romero ou para quem gosta de tramas paranoicas na linha de INVASORES DE CORPOS, onde seus vizinhos e amigos poderão a qualquer momento se tornar ameaças mortais.

SOBRE O BD
Quisera poder avaliar este Blu-ray nacional de A EPIDEMIA sem fazer qualquer paralelo com a edição original lançada nos EUA pela Anchor Bay. Após uma rápida verificação, contudo, vi que isto é impossível, já que claramente, tanto no aspecto técnico como no de conteúdo, a Imagem Filmes (sem surpresa, diga-se de passagem) disponibilizou no Brasil um produto muito inferior ao similar estrangeiro. O BD norte-americano é de dupla camada (50Gb), de modo que lá o filme ganhou uma apresentação em alta definição impecável acompanhada de vários extras. Mas segundo a nossa distribuidora, o filme e o consumidor brasileiro não merecem tamanha consideração, mas apenas um BD de camada simples (25Gb), com imagem e som mutilados e total ausência de extras.

Nos EUA, A EPIDEMIA foi lançado em Blu-ray com uma transferência de vídeo que respeita o formato original de tela do filme, na proporção 2.40:1. Em nossa edição, como é praxe em praticamente todos os lançamentos da Imagem Filmes, o aspect ratio foi mutilado para a proporção 1.78:1, a fim de preencher toda a tela dos televisores 16×9 e eliminar as tarjas pretas acima e abaixo da imagem. Provavelmente foi empregada a mesma transfer com a qual o filme foi exibido na TV por assinatura – aliás, a prática do “fullscreen de alta definição” começou exatamente na TV HD paga, onde atualmente praticamente todos os filmes são adaptados para preencherem completamente a tela da TV. No caso de A EPIDEMIA, mesmo com a imagem mutilada a transferência preserva muito da qualidade original, com pretos sólidos e alto nível de detalhes. O longa foi originalmente rodado em vídeo digital e filme Super 35mm, porém não notamos variação na qualidade da imagem – exceto pela leve granulação nas partes que foi empregada película. A paleta de cores é no geral dessaturada, mas em alguns momentos torna-se vibrante. Não foram notados filtros digitais, ruídos ou artefatos.

Também no áudio a distribuidora aprontou: trocou a faixa lossless original em inglês PCM 5.1 por uma lossy DTS-HD HR 5.1. É comum este tipo de áudio ser confundido com o DTS-HD Master Audio, que é um codec de alta definição sem perdas que praticamente virou padrão nos lançamentos em Blu-ray. Contudo o DTS-HD High Resolution Audio, apesar de ser capaz de reproduzir até 7.1 canais e de ter definição e bitrate tão altos como o do DTS-HD MA, utiliza um stream de áudio compactado – com perdas de compressão, portanto. Mas dito isso, confesso que, caso não soubesse desse detalhe, confundiria o áudio em inglês deste BD nacional com um legítimo DTS-HD MA de ótima qualidade. Tanto os efeitos sonoros como a trilha sonora de Mark Isham são reproduzidos com acurada fidelidade e envolvimento por todos os canais. Os graves são potentes do início ao fim, e os diálogos sempre são límpidos, mesmo em meio à mixagem sonora agressiva. Já a dublagem em português também é DTS-HD HR, porém ela já soa como uma típica faixa com perdas – sem brilho, abafada e com menor presença dos canais surround. As legendas disponíveis são português, inglês e espanhol.

EXTRAS
O BD norte-americano de A EPIDEMIA traz como material adicional comentários em áudio do diretor Breck Eisner, quatro featurettes (um deles é um tributo a George A. Romero), três Motion Comics, storyboards, fotos de bastidores e três easter eggs. Provavelmente se questionada, a Imagem vai dar as desculpas comuns a todas as distribuidoras independentes nacionais – que não pode alterar as especificações da transfer recebida do exterior (que, aliás, foi aprovada pelo próprio diretor!!!), que não conseguiu “adquirir os direitos” para reproduzir os extras, etc. Mas a verdade, tendo em vista o que se constata na grande maioria dos lançamentos em Blu-ray das distribuidoras independentes, é que elas buscam reduzir os custos ao máximo para lançar no Brasil um produto barato – em todas as acepções da palavra.

Jorge Saldanha

Anúncios