Pacific_RimCÍRCULO DE FOGO (Pacific Rim, EUA, 2013)
Gênero: Ficção Científica
Duração: 132 min.
Elenco: Charlie Hunnam, Rinko Kikuchi, Idris Elba, Ron PerlmanMax MartiniRobert KazinskyCharlie Day, Burn Gorman
Trilha Sonora OriginalRamin Djawadi
Roteiro: Travis Beacham
Direção: Guillermo del Toro
Cotação***½

Em um futuro próximo o mundo é atacado por Kaijus (monstros gigantes), saídos de uma fenda localizada no Círculo de Fogo do Pacífico. Após os armamentos convencionais revelarem ser de pouca eficácia contra as criaturas, para combatê-las as potências mundiais se unem para construir os robôs Jaegers, que de tão grandes tem de ser controlados por dois pilotos conectados por uma ponte neural. Após sucessivas vitórias e considerando a ameaça sob controle, as nações resolvem suspender o programa Jaeger e investir na construção de uma gigantesca muralha para proteger os países mais próximos ao Círculo de Fogo. Os poucos Jaegers remanescentes são transferidos para Hong Kong, porém os ataques dos monstros, antes aleatórios, tornam-se mais frequentes e passam a obedecer um padrão. Com a muralha sendo incapaz de deter os Kaijus, um obsoleto Jaeger é recolocado na ativa, porém para pilotá-lo as únicas opções são o problemático Raleigh Becket (Charlie Hunnam) e a novata Mako Mori (Rinko Kikuchi).

Como se nota do resumo da trama de CÍRCULO DE FOGO (2013), este novo filme do diretor Guillermo del Toro é uma grande homenagem aos animes, filmes e tokusatsus japoneses com Mechas e monstros gigantes. É como se Del Toro pegasse GODZILLA, GUNDAM e NEON GENESIS EVANGELION, entre  outros, e os misturasse para criar o argumento e a parte visual de sua aventura sci fi de Us$ 180 milhões. Assim, o grau de satisfação do espectador com o longa dependerá basicamente de sua apreciação pelo material original.

No entanto, mesmo parte dos fãs dessas fontes torceram o nariz para o filme, já que Del Toro optou por uma trama simples com ênfase na ação, passando longe de questões existenciais mais profundas presentes nas melhores e mais modernas obras do gênero, como o citado EVANGELION. Além disso a construção geral dos personagens, sem o benefício da serialização, é feita de forma um tanto apressada, o que termina por destacar os estereótipos. E os clichês estão todos lá: o complicado herói relutante, a heroína assombrada pelo passado, o veterano comandante linha dura, a dupla de personagens engraçados, etc.

Fica claro que a ambição argumental ficou de lado e o propósito, aqui, é a aventura em alta escala direcionada ao público jovem, ou para os mais velhos que cresceram assistindo a filmes e séries japonesas antigos – que, justiça seja feita, tinham a profundidade de um pires. Ainda assim, para o que se propõe o filme, há algum desenvolvimento dos personagens principais, especialmente de Stacker (o excelente Idris Elba) e de Mako (a bela Rinko Kikuchi). O ator-fetiche de Del Toro, Ron Perlman, dessa vez tem participação secundária como um magnata do comércio de órgãos de Kaiju (sem dúvida o aspecto mais original do argumento), que aliás protagoniza uma cena oculta entre os créditos finais.

O principal problema de CÍRCULO DE FOGO talvez seja que, apesar de terem sido gastos muitos milhões para criar em CGI monstros e robôs, a maior parte dos combates se passa em ambientes escuros ou chuvosos (não raro escuros E chuvosos), como que para ocultar deficiências dos efeitos visuais. Mesmo que seja o caso, Del Toro deveria ter assumido o lado trash do gênero, que sempre se caracterizou por exibir desavergonhadamente dublês em fantasias de borracha, e mostrar os confrontos titânicos às claras, mesmo revelando alguns “defeitos” especiais. Assim não o fazendo deixou os combates confusos, tanto que mesmo em uma tela IMAX 3D muitas vezes não conseguia distinguir o que era Jaeger e o que era Kaiju.

De qualquer maneira, apesar desses senões, CÍRCULO DE FOGO é um bom e divertido programa, com uma interessante trilha sonora de Ramin Djawadi e que abre caminho para o novo GODZILLA norte-americano que estreia ano que vem – filme que, a propósito, é da mesma Legendary Pictures que produziu o de Del Toro.

Jorge Saldanha

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