Produção: 2010/2011
Duração: 1012 min.
Direção: Vários
Elenco: Anna Torv, Joshua Jackson, John Noble, Blair Brown, Lance Reddick, Kirk Acevedo, Christopher Lloyd, Joan Chen, Alan Ruck, Shawn Ashmore, Amy Madigan, Leonard Nimoy
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês, Holandês, Finlandês, Sueco, Norueguês
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner
Discos: 4 (50GB)
Lançamento: 06/09/2011
Cotações: Som: ****½ Imagem: ****½ Série: **** Extras & Menus: ***½ Geral: **** 

SINOPSE
O arco dos dois universos se aprofunda nos 22 episódios da aclamada terceira temporada de FRINGE. Fenômenos ainda mais bizarros e apavorantes ocorrem, e as consequências do segredo de 1985 ameaçam destruir nosso universo.

COMENTÁRIOS
Para começar, vamos estabelecer o seguinte fato: FRINGE é a melhor série de ficção científica atualmente em produção. Ponto. Não importa que o gênero esteja abertamente em crise na televisão, já que os poucos títulos contemporâneos flertam mais com o sobrenatural e a fantasia, e as duas novas séries de Steven Spielberg (FALLING SKIES e TERRA NOVA) e a quarta temporada de TORCHWOOD decepcionaram. Nada disso muda o fato de que a série criada por J.J. Abrams, Alex Kurtzman e Roberto Orci em 2008, que parecia mais um programa sci fi na linha de ARQUIVO X, tenha evoluído para se tornar algo melhor. A certo ponto os produtores e roteiristas tomaram a estrutura básica do programa – casal de agentes do FBI que semanalmente investigam casos paranormais – e a utilizaram para criar uma trama mais complexa e intrigante que, diferentemente de outras séries atuais do gênero, não evita conceitos científicos hardcore que envolvem física, filosofia e até religião. E isto, além de ser um ponto forte da série, infelizmente também é o seu ponto fraco.

Em sua terceira e melhor temporada até o momento (é cedo para julgar a quarta, ainda em exibição), conforme seus criadores passaram a explorar mais profundamente a mitologia do universo paralelo – uma espécie de expansão do conceito do universo espelho de JORNADA NAS ESTRELAS (e não por coincidência a mesma equipe de J.J. Abrams assumiu a franquia nos cinemas a partir de 2009) -, a qualidade da série cresceu na mesma proporção em que sua audiência diminuiu. Os argumentos “complexos” acabaram afastando os espectadores casuais, que pelo jeito preferem gastar seu tempo em frente aos televisores ou computadores com triângulos amorosos de criaturas sobrenaturais ou com algumas das quatrocentas variantes de CSI e LEI E ORDEM.

Durante a segunda temporada, as consequências do ato do Dr. Walter Bishop (John Noble, sempre roubando a cena), que abriu uma fenda para o universo paralelo a fim de salvar a vida da versão alternativa de seu filho Peter (Joshua Jackson), foram estabelecidas. Já o relacionamento entre Peter e a Agente do FBI Olivia Dunham (Anna Torv) começou a mudar da amizade para algo mais. E ao final a equipe, utilizando os poderes paranormais de Olivia, vai para o outro universo para sabotar os planos do Walter alternativo (o “Walternativo”) e lá fica presa. Todos conseguem retornar, mas eles não desconfiam que Olivia que voltou é a versão do outro universo (a “Falsolivia”), uma vez que a do nosso mundo foi capturada pelo “Walternativo” (que é Secretário da Defesa no outro universo). Nesta terceira temporada a “nossa” Olivia, no universo alternativo, sofre lavagem cerebral para pensar que é a Olivia de lá, já que o “Walternativo” pretende usá-la para viajar entre os dois mundos, em sua guerra contra o nosso universo.

Enquanto isso, em nosso mundo, a “Falsolivia” infiltrou-se na divisão Fringe, consumou seu relacionamento romântico com Peter, e está trabalhando para ocultar da equipe um mistério que une os dois universos. Quando finalmente a “nossa” Olivia retorna (e alguém duvidava disso?), sua confiança em Peter fica abalada e o relacionamento dos dois desmorona, mas mesmo assim eles têm de trabalhar com Walter para decifrar o enigma de uma antiga máquina, da qual Peter é a peça central.

Este é o arco principal da série, mas obviamente temos os episódios com o “fenômeno bizarro da semana”, e agora com um atrativo a mais: vários episódios passam-se integralmente no universo alternativo (nestes os créditos iniciais são diferentes, vermelhos), onde acompanhamos as investigações da equipe de lá, que ainda conta com Charlie (Kirk Acevedo), que na equipe daqui foi morto no início da segunda temporada. Isto dá à maior parte do elenco a rara oportunidade de interpretar regularmente duas versões do seu personagem, e é divertido ver as nuances empregadas pelos atores para diferenciar uma versão da outra.

Some a tudo isso os misteriosos Observadores, um episódio quase que totalmente feito em animação e mais outro passado em 1985, com visual e trilha sonora condizentes, e temos uma rara série de ficção científica contemporânea de qualidade, no momento em que atinge seu pico criativo. Caso FRINGE seja cancelada após a atual quarta temporada, ela certamente deixará saudades – se não no grande público, pelo menos na leal audiência que teve a coragem de, com ela, continuar a enfrentar o incomum e o desconhecido.

SOBRE O BD
Enquanto escrevia esta resenha, a Warner havia lançado a terceira temporada de FRINGE no Brasil apenas em DVD e ainda não confirmara sua chegada em Blu-ray por aqui. Pois bem, mesmo que isso eventualmente não aconteça, quem quiser possuir o box com a melhor qualidade de áudio e vídeo possível poderá importa-lo sem medo dos EUA (caso presente) ou da Inglaterra, já que a autoração dos discos é a mesma e está 100% localizada para o nosso mercado: assim como a segunda temporada em Blu-ray, esta possui opções de menus, áudio e legendas (inclusive nos extras) em PT-BR (apesar desta informação não constar na embalagem), e do mesmo modo os 22 episódios e os extras estão distribuídos em quatro BDs de dupla camada (50Gb), acondicionados em um estojo HD Case envolto por uma luva de cartolina (também faz parte um encarte com a lista e a descrição dos episódios, com fotos). Mas, em relação à anterior, esta temporada possui algumas vantagens, começando pelo vídeo.

Não sei se foi por causa da troca dos encodes 1080p/24 das transferências, que passaram de VC-1 para MPEG-4, mas notei uma melhoria na imagem em alta definição. A série, filmada em película Super-35mm, sempre teve uma elevada qualidade de vídeo, mas aqui tudo parece estar mais vívido, brilhante e nítido, mesmo nas normalmente complicadas tomadas de efeitos CGI. A imagem quase sempre é muito detalhada, com pretos fortes, tons de pele atraentes e detalhes de sombra abundantes. A exceção seria o episódio passado em 1985, que possui aquela aparência soft, esmaecida, típica dos seriados dos anos 1980/1990 que eram editados em vídeo: mas isto, obviamente, foi uma opção estilística dos realizadores. De resto, sem ter percebido a presença de ruídos, artefatos e outras imperfeições digitais, a terceira temporada de FRINGE está próxima da perfeição visual que toda série em alta definição deve almejar.

Quanto ao som, também houve mudança para melhor. Finalmente a Warner desistiu de, teimosamente, colocar em suas séries lançadas em Blu-ray somente áudio Dolby Digital comprimido da era do DVD. Esta temporada de FRINGE (assim como outros lançamentos da mesma época como a sexta temporada de SUPERNATURAL – esta já lançada em BD por aqui) traz uma exemplar faixa original em inglês lossless DTS-HD Master Audio 5.1 que soa cheia, forte e com grande fidelidade, não raras vezes ocupando todos os canais com explosões, tiros e efeitos sonoros variados. Enquanto as frequências altas são suaves e naturais, sem distorções, as baixas são robustas e envolventes. A única outra faixa de áudio existente é a nossa dublagem em um bem mais discreto Dolby 2.0, enquanto as legendas disponíveis são português do Brasil (aparentemente os responsáveis não foram brasileiros, já que de vez em quando temos erros de grafia e tradução – e isso inclui até os menus), inglês, espanhol, francês, holandês, finlandês, sueco, norueguês.

EXTRAS
Os quatro discos da terceira temporada de FRINGE, como de hábito, não trazem muitos extras – dois comentários em áudio e aproximadamente uma hora de vídeos – mas são de qualidade e incluem uma novidade nas séries da Warner lançadas em Blu-ray: um episódio com o recurso PIP Maximum Episode Mode. Exceto pelos comentários em áudio, o material possui legendas em português.

  • Comentários em Áudio – Dois episódios da temporada podem ser assistidos acompanhados de comentários bem informativos: um no Disco 1, com o produtor executivo Jeff Pinkner, a roteirista/co-produtora executiva Monica Owusu-Breen e o editor Timothy A. Good, e outro no Disco 4, com a produtora Tanya Swerling, o editor Luyen Vu e o supervisor de efeitos visuais Jay Worth. De lamentar a ausência do elenco principal, mas como de hábito as faixas não foram legendadas, isso não fará mesmo diferença para quem não domina o inglês;
  • Um Lampejo do Outro Lado – Extras para o Episódio 16 (Disco 3, HD, 46 min.) – Os produtores executivos Jeff Pinkner e J.H. Wyman conduzem o recurso Maximum Episode Mode no episódio 16 “OS”, e é uma pena que outros não receberam o mesmo tratamento. Ao longo dele o espectador tem acesso a um variado material de produção como entrevistas, cenas de bastidores, featurettes de produção adicionais e análise de efeitos visuais (tudo legendado, é bom frisar), através de um recurso PIP dinâmico – às vezes a janela menor passa o conteúdo extra, às vezes o próprio episódio, dando espaço na tela maior para o featurette. É o melhor extra do box;
  • Dualidade de Mundos (Disco 4, HD, 30 min.) – Erroneamente traduzido no menu em português como “Dualidade de Palavras”, temos aqui uma espécie de making of dividido em quatro featurettes de produção: “Seu Outro Eu”, “Visualizando um Mundo Alternativo”, “Máquina do Futuro” e “A Psicologia da Dualidade”;
  • Desenvolvendo Um Escapismo Sonoro Extra-Sensorial (Disco 4, HD, 7 min.) – Featurette dedicado à trilha sonora (com depoimentos do compositor Chris Tilton) e efeitos sonoros da série;
  • Segredos de Fringe: As Primeiras Pessoas (Disco 4, HD, 2 min.) – Outro extra erroneamente traduzido no menu em português como “As Primeiras Sessões”, no qual Jeff Pinkner e Jay Worth esclarecem algumas dúvidas sobre As Primeiras Pessoas e o seu lugar na mitologia da série;
  • Erros de Gravação (Disco 4, HD, 3 min.) – Simples, divertidos e na maior parte genuínos erros de gravação;
  • Making Of: Animando “Ácido Lisérgico Dietilamida” (Disco 4, HD, 8 min.) – Mais um extra erroneamente traduzido no menu em português, onde ele aparece como “Making Of Animado de Ácido Lisérgico Dietilamida”, que dá a entender tratar-se de um featurette feito em animação. Na verdade trata-se de um extra dedicado às cenas feitas em computação gráfica para o episódio 19;
  • Promos da Rede (Disco 4, HD, 6 min.) – Encerrando o extras (que desconfio mais uma vez foram mal traduzidos no menu como “Rede de Promos”), temos aqui três interessantes vídeos promocionais para a 3ª temporada de FRINGE, que adotam o estilo e a duração de trailers de cinema;
  • BD-Live – Funcionalidade de conexão ao portal da Warner – que, para variar, é totalmente dispensável.

Jorge Saldanha

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