fotrcompleteCDMúsica composta por Howard Shore
Selo:  Reprise Records
Catálogo: 49454
Lançamento: 2005
Cotação Geral: ****½

A Música: ****½

Desde que foi divulgado que o diretor Peter Jackson levaria às telas uma trilogia de filmes baseada na cultuada obra de Tolkien O Senhor dos Anéis, os fãs das trilhas sonoras começaram a especular sobre quem seria o melhor compositor para criar as músicas da Terra Média. Os óbvios prediletos sempre foram John Williams e Jerry Goldsmith, com um largo número de trabalhos no gênero, seguidos de perto por James Horner. que compusera as trilhas das fantasias Krull e Willow (filmes mais do que inspirados em O Senhor dos Anéis). Dinheiro não parecia ser o problema, já que Jackson contou com um generoso orçamento providenciado pela New Line Cinema para realizar os três filmes. Deste modo, houve uma grande surpresa quando anunciou-se que Howard Shore fora o compositor escolhido.

Shore, apesar de ter criado bons e elegantes scores como A Mosca e O Silêncio dos Inocentes, era lembrado por muitos principalmente por suas partituras eletrônicas ou experimentais para filmes de David Cronenberg (Scanners, Crash), o que levava à dúvida sobre a sua competência para compor para grande orquestra e coral, o estilo adequado à produção. Mas a verdade é que Shore é um autor versátil, como já demonstrara compondo para diversos gêneros cinematográficos, e o resultado do seu trabalho na primeira parte da trilogia The Lord Of The Rings provavelmente surpreendeu àqueles que duvidavam de sua capacidade.

Na melhor tradição da velha escola de Hollywood ele criou um score temático, com três motivos principais: um lírico em estilo celta, que representa os pequenos Hobbits e o seu Condado; outro que evoca os malignos Espectros do Anel com orquestra e coral, um dos mais ouvidos no filme; e uma fanfarra para a Sociedade do Anel que celebra os feitos dos heróis e a irmandade do grupo. O que permanece mais vivo na memória do ouvinte é  o tom dramático do score, que ao longo de 3 horas de música contínua (reduzidas para 70 minutos no CD original) é enriquecido por passagens líricas e emotivas. Ouvimos interessantes passagens para coro e metais que fazem lembrar o trabalho de Elliot Goldenthal em Alien 3, onde a voz surge como perdida por cima de uma delicada textura instrumental.

Shore, levando a história a sério, apresenta uma obra completa e de proporções épicas, proporções essas vistas pela última vez quando John Williams musicou as aventuras de cavaleiros Jedi. Shore faz um grande uso do coral, que contribui de forma definitiva para o tom mítico da música. Mas em vez de grandioso e empolgante como em Star Wars, o som que ouvimos é mais dramático. A música ajuda-nos a entender que a aventura que vamos assistir é uma de grandes provações e onde não é claro que o bem se sobreporá sobre o mal.

O chamariz comercial da trilha é a participação da cantora Enya, que colaborou com dua canções originais. Contudo, diferentemente do que ocorre com a maior parte das canções utilizadas atualmente em trilhas, as músicas da cantora, em “The Council Of Elrond Assembles” e “May It Be”, integram-se harmoniosamente à partitura. Além de surgirem integradas e de seguirem a mesma orientação estética, há breves citações deste material durante o resto do trabalho.

Shore criou um todo que bem poderia contar sozinho a história desta irmandade através da música, sem a presença das imagens de Jackson. E com certeza o faz. É uma trilha “convencional”, mas no bom sentido é bom frisar, e sem dúvida era o que o filme exigia: grande, ambiciosa e acima de tudo clássica.  Totalmente merecedora do Oscar de Melhor Trilha Sonora Original conquistado, na primeira indicação de Shore ao prêmio.

fotrcompleteboxA Caixa****½

A duração das partituras nos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis exigia uma edição com no mínimo três CDs. Após os CDs simples lançados simultaneamente aos filmes, veio esta caixa com as gravações completas do primeiro filme, A Sociedade do Anel. O formato das embalagens que trouxeram trilhas sonoras completas tão míticas como Krull ou A Conquista do Oeste, oferecia a possibilidade de nelas incluir três CDs, como acabou ocorrendo com O Grande Motim de Kaper, da FSM, ou a reedição pela Varese Sarabande de A Maior História de Todos os Tempos, de Newman, onde obviamente se incluíram extensos livretos sobre a música e a edição. Então, porque aumentar o tamanho da edição para uma “caixa”, em vez de lançá-la numa embalagem de três discos? A resposta é evidente: apenas para incluir o DVD como elemento que justifique a valorização de um produto que, de outro modo, seria mais econômico e provavelmente mais prático, ainda que não tão bonito ou de feitura tão original. Mas consumado o fato, conclui-se que a opção de editar nesta caixa toda a música da versão estendida do filme, tanto em formato CD como DVD, foi a mais lógica. Pois não resta dúvida, este produto é dirigido aos amantes da saga e de sua música, e estes provavelmente quererão possuí-lo para desfrutá-lo em um ou outro formato.

Isto não elimina aquela que seria a opção mais lógica, a de lançar em separado ambos os formatos, propiciando desta forma a aquisição de um DVD musical em caixa de CD simples, no estilo do magnífico Lean by Jarre editado pela Milan (que inclui o concerto em ambos os sistemas, além de entrevistas, informações, etc…), onde toda a informação do livreto (e muito mais) poderia ter sido incluída em forma de texto digital. E haveria também a opção da caixa tradicional de três CDs, sem o DVD, o que tornaria mais barata a aquisição de qualquer uma das opções. Não obstante, e como mencionado antes, ficaríamos sem este capricho de colecionador que é a caixa, onde ao modo de um livro escrito por Bilbo, nos são apresentados de forma elegante os CDs em três compartimentos, o DVD e o livreto. A título pessoal, a caixa é uma maravilha, apesar de possuir elementos de inconveniência, como seu tamanho e fragilidade, além é claro do seu preço elevado. Mesmo assim, não se pode negar o valor meramente estético do objeto e o prazer de possuir uma edição única, até agora, no mercado de trilhas sonoras.

fotrcompletediscsOs CDs: ****

A distribuição da música em três CDs torna impossível seguir a segmentação do livro de Tolkien ou do próprio filme (apesar de que este teria sido o desejo de muitos), claramente dividido em duas partes. No entanto, toda a primeira parte até Rivendel poderia ter sido incluída em um só disco, já que toda a continuação exigiria em qualquer caso de mais dois CDs. Então, como fazer para criar uma audição coerente? A resposta que o selo Reprise nos deu parece bastante acertada em termos de lógica interna, bem como na distribuição da quantidade de música, ainda que não muito inteligente em relação à narração musical da história. O mais interessante talvez fosse incluir, como já mencionado, toda a música da primeira metade (livro 1) da história no disco 1, mesmo que isso tornasse sua duração demasiado longa em relação aos outros CDs. Mas a gravadora optou por incluir uma quantidade de música proporcional em cada disco e equilibrar a duração dos três sem levar em conta as divisões narrativas da história. Deste modo os CDs possuem uma duração, aproximada e respectivamente, de 58 minutos, 59 minutos e 62 minutos, solução estética adequada para não saturar alguns discos e sub-aproveitar outros, ainda que escassamente interessante em sua audição, como progressão sonora da narração.

Caso a distribuição tivesse obedecido ao que sugeri, o disco 1 teria uns 70 minutos de duração e incluiria todo a viagem de Frodo até Rivendel (desde a primeira faixa do disco 1, “Prologue: One ring to rule them all”, até “Give up the Halfling” do disco 2). O disco 2 teria 55 minutos e incluiria toda a jornada de Rivendel até a saída de Moria (de “Orthanc” do disco 2 até “Khazad-Dum” do disco 3), restando ao disco 3 outros 55 minutos, desde “Caras Galadhon” até a dissolução da Sociedade e o final do filme. Não teria sido, na minha humilde opinião, uma má distribuição, e inclusive seria mais interessante em certos aspectos que a realizada pela Reprise. Ainda assim, a audição que os CDs nos propõem é estupenda, pois apesar de tudo inclui toda a música do filme, e é isso que todos queriam. Mas, um momento… eu disse toda? Caso formos meticulosos (e muitos adoram ser), notaremos a ausência dos títulos de crédito dedicados aos fãs da saga e membros da Sociedade de Tolkien, que nas versões estendidas dos DVDs contam com música de Shore. Esta extensa peça (na maior parte, variações sobre os temas centrais da partitura) não aparece nestes discos, o que se poderia justificar pelo fato de que não faz parte do filme e por isso não se incluiria dentro da música da partitura. Mas se dermos validade a este argumento, talvez também não devesse ter sido incluída, na música do disco 2, a seção final da perseguição de Arwen e Frodo pelos Nazgûl, na faixa “Give up the Halfling” e que na edição original se chamava “Flight to the Ford”, já que no filme este fragmento final, a modo de crescendo fanfárrico para sopros, não era ouvido e dava lugar para a passagem seguinte, onde Frodo desfalecia perante Arwen. Este momento é, portanto, música que não está no filme e por isso tampouco deveria ter sido incluído nos discos, o que se agradece não ter ocorrido pois foi parte da contribuição de Shore à continuidade musical da cena, ainda que não tenha sido utilizada com as imagens.

Outro elemento a destacar, logicamente, é a união dos segmentos musicais compactos em longos blocos sonoros, que musicalmente proporcionam uma audição mais satisfatória que a separação da música em dezenas de breves momentos – sem exagerar, devem ser centenas -, e que aqui foram combinados com bastante acerto. Ainda que no filme muitas vezes eles sejam ouvidos com pausas feitas por diálogos ou mesmo silêncios entre eles, a estruturação dos fragmentos musicais nos discos é notável; neste aspecto, o único fator mais criticável seria a audição em conjunto da música, pois todas as faixas dos CDs são praticamente contínuas, sem um par de segundos nos que permita remeter à seqüência, ao momento cinematográfico e/ou narrativo da viagem de Frodo, na qual a música se encontra.

E finalmente temos a inclusão de música source, seja na forma de música de festa hobbit ou canções de Fran Walsh, que por sua escassa profundidade musical ou sua discutível intrusão no milimétrico discurso de Shore poderia ter sido colocada após o score, em forma de bonus tracks ou similar. Não que esta música comprometa demasiadamente o desenvolvimento temático da partitura, mas sem dúvida o enfraquece e quase parece (em especial o sussurro de Gandalf en “Bag end”) intrometer-se na narração musical da partitura. Em qualquer caso a idéia final da edição é incluir tal e qual aparece no filme absolutamente toda a música, e de uma forma ou outra isso foi cumprido à perfeição. Ainda, merecem destaque os momentos inéditos incluídos nos discos. Os melhores momentos da partitura, cuja ausência na primeira edição oficial em CD era sentida por sua tremenda força e enorme brilhantismo musical (omissão à época inevitável, dada a impossibilidade de incluir toda a música de destaque num só disco), são:

Disco 1:
“Farewell dear Bilbo”: Os parentes de Bilbo comparecem à sua festa de aniversário e os fogos artificiais de Gandalf simulam um grande dragão. Um par de breves momentos que ficaram na memória do aficionado.
“Keep it secret, keep it safe”: Bilbo desaparece diante dos atônitos hobbits de sua festa e vai embora do Condado, enquanto Gandalf investiga os segredos do Anel e seu passado. O início deste bloco é antológico, em seu emprego da seção de cordas.
“The passing of the Elves”: Frodo e Sam contemplam a migração de alguns elfos do bosque, acompanhados de uma belíssima e etérea melodia composta e interpretada (como na cena da festa na faixa “Flaming red hair”) pelo grupo Plan 9.

Disco 2:
“Orthanc”: Gandalf recorda em Rivendel, diante de Frodo, sua fuga das garras de Saruman voando em uma águia gigante. Um breve mas intenso momento onde se ouve uma fanfarra imponente.
“The great eye”: Primeira aparição do tema de Gondor no Conselho de Elrond, enquanto Boromir fala de sua terra. Melodia essencial para o desenvolvimento temático da terceira parte da saga.
“Gilraen´s memorial”: Aragorn medita diante da tumba de sua mãe e a Sociedade do Anel parte de Rivendel acompanhada de um dos temas mais emocionantes de toda a partitura (incluído nos concertos que Shore realizou com a “Sinfonia do Anel” em várias partes do mundo), que dá seguimento à faixa “The ring goes south”, já presente no CD simples.
“The Doors of Durin”: A Sociedade chega às portas de Moria e o Kraken os ataca, enquanto os heróis entram nas minas. Uma passagem musical arrebatadora em sua seção final, de uma contundência selvagem.

Disco 3:
“The mirror of Galadriel”: Boromir fala sobre o passado glorioso de Gondor e Shore introduz pela primeira vez o tema associado a este passado, ao da espada que cortou o dedo de Sauron e separou o Anel de seu dono, Anduril, seguido da seqüência onde Galadriel é tentada pelo poder do Anel, um momento musical comovente.
“The fighting Uruk-Hai”: A passagem mais longa da presente edição, que em mais de 11 minutos aglutina toda a viagem da Sociedade desde sua saída de Lorien até seu desembarque nas fronteiras de Amon Hen. Um tremendo bloco sonoro que dá continuidade musical às cenas com força e sem perder sua intensidade e inspiração em nenhum momento, incluindo a faixa “Farewell to Lorien”, anteriormente presente na edição especial em CD de As Duas Torres.
“The departure of Boromir”: Boromir tenta tirar o Anel de Frodo e cai protegendo Merry e Pippin, Aragorn vai em sua ajuda antes que um Uruk-Hai o mate, mesmo assim Boromir morre em seus braços. A intensidade e emotividade desta seção musical é realmente prodigiosa.

O DVD: *****

Para os amantes da qualidade sonora, o DVD que acompanha a caixa possui uma qualidade de som superior àquela que pode nos dar os CDs convencionais, por melhor que sejam gravados e produzidos. Ao incluir em apenas um DVD toda a música dos três CDs com qualidade de áudio superior, sem o inconveniente (para aqueles que não possuem equipamento CD changer), de ter que trocar cada disco ao seu término, deve-se perguntar: então, porque não escutar toda a partitura diretamente em DVD?

A resposta é evidente; se possuirmos o equipamento apropriado para desfrutarmos a música no DVD, obviamente é o que faremos, já que as vantagens são tão abundantes que o formato do CD não pode competir com ele. Além de ganharmos em comodidade e qualidade de audição, o menu do DVD inclui o nome das faixas e as diversas opções de escolha do tipo de áudio com que iremos ouvir a música. A verdade é que o CD não resiste à comparação com o DVD, e deste modo sua disponibilidade é um claro acerto, ainda que apenas para quando esta opção seja disponível para todos os aficionados.

fotrcompletebookletO Livreto****½

Provavelmente por já ter em mente, antes mesmo do lançamento no mercado da caixa, a publicação de um livro sobre a música dos filmes da trilogia O Senhor dos Anéis, seu autor Doug Adams nos obsequia com informações e dados fantásticos no livreto incluído nesta edição comentada, mas que nos deixam com a sensação de haver muito mais para dizer. Por exemplo, o aficionado mais curioso poderá sentir a necessidade (que somente será satisfeita com a compra do citado livro) de aprofundar-se no universo musical criado pelo compositor, buscando os textos das passagens de corais interpretados nas diferentes línguas dos povos da Terra Média, ou então de descobrir a razão da escolha de certo tipo de orquestração para uns e outros personagens.

Ou ainda, conhecer as biografias dos envolvidos no processo de criação musical da obra, algo que à primeira vista seria algo supérfluo, mas por exemplo nunca é demais conhecer os trabalhos anteriores do compositor (via biografia ou discografia) com os quais possam ser associadas partes desta obra monumental, como as líricas melodias de Nobody´s fool ou os elementos corais de Looking for Richard. Seja qual for o interesse ou curiosidade do aficionado, o livreto é mais um impecável aperitivo temático sobre a música que uma leitura definitiva sobre o tema, inclusive indicando a página da web onde poderão ser satisfeitas muitas das dúvidas não solucionadas por ele e onde, obviamente, se anuncia o livro e se recomenda a sua aquisição. Contudo o texto, as fotografias, as partituras incluídas, o cuidado gráfico, todo o livreto enfim, merece a mais alta consideração, principalmente em razão do que estamos acostumados em produtos relativos à música do cinema.

Conclusão

Pouco mais se pode dizer sobre a edição completa da música de A Sociedade do Anel. Apenas cabe lançar uma pergunta final ao aficionado em geral e aos colecionadores/completistas em particular, baseando-nos na seguinte reflexão: se é inegável que Howard Shore realizou um trabalho musical impecável durante o processo de criação desta primeira trilha sonora, nela aportando ideias, variações, soluções inteligentes a cada novo desafio sonoro que as imagens propunham, crescendo no desenvolvimento das bases mais importantes do score (que dúvida há sobre a qualidade e importância capital destas trilhas sonoras na história da música do cinema?), não é menos certo que a obrigatoriedade do acompanhamento das cenas leva a música de Shore, por momentos, ao incômodo da saturação. Isto é comprovado em segmentos musicais destacados, como por exemplo “Parth Galen”, onde um ostinato se sucede sem variação significativa, mantendo o pulso dramático da cena (Frodo decide prosseguir sozinho sob os olhares Merry e Pippin, que impotentes apenas protegem sua partida), mas fazendo musicalmente um fraco favor à progressão da peça ao nível de intensidade ou maleabilidade sonora.

Agora, a música de filmes é delimitada e influenciada por por este tipo de situações, que se não baixam o nível geral da qualidade da composição; claramente estes momentos são muito menos destacados e interessantes que o resto da criação. Então, a pergunta: porque este lançamento de absolutamente toda a música? Não teria sido mais inteligente uma edição expandida que polisse o conjunto, deixando fora momentos dispensáveis ou repetitivos (como a música do Condado, com a repetição e variações do tema de Frodo)? Os fãs não seriam melhor servidos com versões alternativas, trechos rejeitados, etc…? Ou ainda, quantas trilhas sonoras desta dimensão – em questão de quantidade de música – suportariam tão bem a edição massiva de sua partitura? Adicionalmente, a magnificência da composição de A Sociedade do Anel, praticamente em sua totalidade, põe em nossa mente uma dúvida acima de qualquer outra: se as partes seguintes resistem, com tanta sustentação e qualidade, audições de mais de três horas. Questões a levar em conta e para que reflitamos um pouco, enquanto desfrutamos de tão magna composição saída do gênio de Howard Shore.

Faixas:

Disco 1
1. Prologue: One Ring to Rule Them All (07:16)
2. The Shire (02:29)
3. Bag End (04:35)
4. Very Old Friends (03:12)
5. Flaming Red Hair (02:39)
6. Farewell Dear Bilbo (01:45)
7. Keep It Secret, Keep It Safe (08:53)
8. A Conspiracy Unmasked (06:09)
9. Three is Company (01:58)
10. The Passing of The Elves (02:39)
11. Saruman the White (04:09)
12. A Shortcut to Mushrooms (04:07)
13. Strider (02:34)
14. The Nazgûl (06:04)

Disco 2
1. Weathertop (02:14)
2. The Caverns of Isengard (04:54)
3. Give Up the Halfling (04:49)
4. Orthanc (01:06)
5. Rivendell (03:26)
6. The Sword That Was Broken (03:34)
7. The Council of Elrond Assembles (04:01) – Featuring “Aníron (Theme for Aragorn and Arwen)” Composed & performed by Enya
8. The Great Eye (05:30)
9. Gilraen’s Memorial (05:01)
10. The Pass of Caradhras (05:04)
11. The Doors of Durin (06:03)
12. Moria (02:27)
13. Gollum (02:26)
14. Balin’s Tomb (08:30)

Disco 3
1. Khazad-dûm (08:00)
2. Caras Galadhon (09:20) – Featuring “Lament For Gandalf” performed by Elizabeth Fraser
3. The Mirror Of Galadriel (06:21)
4. The Fighting Uruk-hai (11:32)
5. Parth Galen (09:13)
6. The Departure Of Boromir (05:29)
7. The Road Goes Ever On… Pt. 1 (05:58)
8. May It Be (03:26) – Composed & performed by Enya
9. The Road Goes Ever On… Pt. 2 (03:41) – Featuring “In Dreams” performed by Edward Ross

Disco 4
DVD com o mesmo conteúdo dos discos 1 a 3

Duração: 180:34
Música: Jorge Saldanha. Miguel Andrade
EdiçãoIgnacio Garrido, com a colaboração de dois grandes amantes das obras de J. R. R. Tolkien e Howard Shore, David RodríguezJosé Luis Martín

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