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Resenha de Arquivo: THE OMEN – THE DELUXE EDITION – Jerry Goldsmith (Trilha Sonora)


omenCDMúsica composta por Jerry Goldsmith
Selo:  Varèse Sarabande
Catálogo:  302 066 822 2
Lançamento: 09/10/2001
Cotação: *****

Este é o meu score predileto de Goldsmith, e por muito tempo apenas o possuí em fita cassete, gravada de um LP todo arranhado. Quando finalmente, no início dos anos 1990, coloquei as mãos no CD original da Varèse Sarabande e comecei a ouvi-lo, já nas primeiras notas de “Ave Satani”  senti uma forte emoção. E certamente com esta nova edição expandida da própria Varèse, que celebrou o 25º aniversário do filme com 15 minutos de músicas adicionais e som remasterizado, esta magia se repetiu para outros colecionadores.

A Profecia (1976) veio na esteira do sucesso de O Bebê de Rosemary (1969) e O Exorcista (1973), filmes que possuíam o demônio como tema. Porém, além do terror e da religiosidade inerentes, The Omen também retratava a dramática e gradual destruição de uma família, o que inspirou Goldsmith a criar o que talvez seja o score definitivo para filmes de horror. No longa que originou mais duas continuações cinematográficas, Damien (Harvey Stephens) é o adorável garotinho filho de um embaixador americano, que vive na Inglaterra. O que Robert Thorn (Gregory Peck) e sua esposa Kathy (Lee Remick) não sabem é que, no dia do parto, seu filho verdadeiro foi assassinado e trocado por Damien. Em breve, a verdade sobre o menino – ele é o Anti-Cristo – será revelada a Thorn, em cenas de forte suspense muito bem dirigidas por Richard Donner e engrandecidas pela música de Goldsmith.

O álbum com a partitura premiada com o único Oscar do veterano compositor, inicia com a versão de “Ave Satani” ouvida ao final do filme, onde algumas notas do tema de amor do score (dedicado a Thorn e sua esposa), interpretadas ao piano, são contrapostas por um coro sombrio em uma perfeita representação da luta entre o Bem e o Mal. A composição logo evolui para full orchestra, enquanto o coro segue seu canto profano em latim. Segue-se a primeira faixa inédita, “On This Night”, onde Goldsmith introduz um tema de seis notas que representa a angústia de Thorn quando ele resolve adotar Damien. Ouvimos em seguida o tema de amor, onde harpa e flauta acompanham o piano. O love theme continua em “The New Ambassador”, já o triste tema de Thorn é expandido em uma peça de sete notas para cordas graves, sopro e sino em “I Was There”, outra inédita.

A sinistra e curta “Where Is He?”, com violinos e flauta em glissando, é outra faixa que fez aqui sua primeira aparição em disco. “Broken Vows”, uma das mais sentidas omissões do álbum original, é por esta razão o ponto alto do material inédito. É ouvida na cena em que Damien está sendo levado de carro para uma igreja: iniciando com violinos em pizzicato e sinos, logo segue-se um ritmo percussivo, e em um crescendo, a faixa passa para uma explosão do coral quando o menino entra em pânico e ataca a sua mãe, Kathy. “Safari Park” foi expandida com a inclusão da música para o ataque dos babuínos, que essencialmente repete “Broken Vows” em um ritmo um pouco mais rápido.

Presentes na edição anterior, as faixas “A Doctor, Please”, “The Killer Storm”, “The Fall”, e “Don’t Let Him” agora estão seqüenciadas como no filme. A inédita “Beheaded” contém a música para a famosa cena de decapitação do fotógrafo Jennings (David Warner). No álbum original, “The Bed” fora combinada com “A Doctor, Please” para formar a faixa “The Homecoming”, com flauta, glissando de harpa e piano proporcionando um dos momentos mais emocionais do score. “666” é a última faixa inédita, onde cordas, sopro e xilofone acompanham a cena onde Thorn descobre, sob os cabelos de Damien, o número da Besta.

Como no filme, a memorável “The Demise of Mrs. Blaylock” vem logo em seguida, e a nova mixagem valorizou sobremaneira o ritmo da orquestra, o agudo dos violinos e os sussurros do coral. “The Altar”, a última faixa do score, é completada com uma versão mais curta de “Ave Satani”, que no filme foi utilizada nos créditos iniciais. “The Piper Dreams”, gravada especialmente para a primeira versão do álbum e que agora encerra o CD, é o tema de amor com letras e vocais da hoje viúva de Goldsmith, Carol.

O conhecedor da partitura notará que, mesmo nesta versão expandida, algumas cues ainda ficaram de fora: a música eletrônica que assinala as primeiras aparições do rotweiller de Damien (apesar de que não tenho certeza de que ela seja, de fato, de Goldsmith), o coral que sussurra “Sanguis bibimus, corpus edimus” enquanto o cão procura o embaixador Thorn na casa escura, e o tema com órgão ouvido ao final da versão cinematográfica de “The Altar” (a versão do CD foi gravada para o álbum original) . Mesmo assim, as faixas resgatadas preencheram importantes lacunas do score, e a remasterização deu nova dimensão às interpretações da National Philharmonic Orchestra and Chorus. Também vale destacar o encarte contendo notas descritivas de cada faixa, escritas por Robert Townson.

Faixas:

1.        Ave Satani (02:31)
2.        On This Night (02:33)
3.        The New Ambassador (02:35)
4.        Where Is He? (00:54)
5.        I Was There (02:25)
6.        Broken Vows (02:09)
7.        Safari Park (03:22)
8.        A Doctor, Please (01:42)
9.        The Killer Storm (02:53)
10.      The Fall (03:43)
11.      Don’t Let Him (02:46)
12.      The Day He Died (02:13)
13.      The Dogs Attack (05:52)
14.      A Sad Message (01:42)
15.      Beheaded (01:45)
16.      The Bed (01:06)
17.      666 (00:44)
18.      The Demise Of Mrs. Baylock (02:53)
19.      The Altar (02:02)
20.      The Piper Dreams (02:39)

Duração: 48:29

Jorge Saldanha

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16 opiniões sobre “Resenha de Arquivo: THE OMEN – THE DELUXE EDITION – Jerry Goldsmith (Trilha Sonora)”

  1. Provavelmente o melhor trabalho de Jerry Goldsmith, o que quer dizer muita coisa. Certamente, é uma das trilhas que melhor utilizam a combinação orquestra/coral da história do cinema. Pena que, nos dias de hoje, o recurso do coro, capaz de engrandecer qualquer trilha sonora, esteja sendo abolido ou subutilizado por compositores sem imaginação.

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  2. Ah… Eu escuto Goldsmith há uns dez anos. Não diria que este é o melhor trabalho dele, mas um dos melhores. Total Recall, O Planeta dos Macacos, Balada para Satã, Jornada nas Estrelas – O Filme, Alien, Caboblanco. Ele tinha uma sutileza incrivel com filmes grandes ou pequenos, ele enxergava coisas ali que nenhum outro compositor via. Ele adorava um desafio e sempre melhorava a sua arte.

    Lembro claramente de uma resenha feita aqui sobre Star Trek – Insurrection. E nela foi dita que, “era um dos trabalhos mais fracos do Goldsmith para a serie Jornada”. Se comparada com o primeiro, sim. Entretanto, passado 15 anos, você nota que esta trilha é muito superior a qualquer coisa que tem saído ultimamente. O tempo, é o maior aliado de uma obra artistica e, sem sombras de duvidas, as musicas feitas por Jerry Goldsmith resistiram (e resistirão) por muitos anos.

    Saudades, Mestre.

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  3. A melhor trilha sonora de suspense já realizada em todos os tempos. Não só esta bem como a trilogia completa composta por Goldsmith. Pra mim a única trilha que realmente arrepia ao ouvi-lá na calada da noite. Conheço muita gente que nem viu o filme, mas treme ao poderoso som stereo desta obra imortal.

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  4. “…a música eletrônica que assinala as primeiras aparições do rotweiller de Damien (apesar de que não tenho certeza de que ela seja, de fato, de Goldsmith).”

    Há um tempo, estava conversando com um amigo meu sobre isso. E ele me disse exatamente a mesma coisa: que esse cue não tinha sido feito por Goldsmith.

    Então, Titio Jorge, pergunto: quem seria o real autor deste cue pra você?

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