Resenha: THE INTERVIEW / THIS IS THE END – Henry Jackman (Trilha Sonora)


Música composta por Henry Jackman
SeloLa La Land Records
Catálogo: LLLCD 1337
Lançamento: 10/02/2015
Cotaçãostar_4

A polêmica comédia A Entrevista (The Interview, 2014) causou um enorme problema para seu estúdio, a Sony Pictures, no final do ano passado, que incluiu o vazamento de e-mails secretos dos funcionários e ameaças de atentados contra os cinemas que exibissem o filme. O estúdio acabou sendo obrigado a cancelar o lançamento, mas, depois de mais protestos, optou por distribuí-lo em circuito limitado e via vídeo on demand na internet. Tudo isso porque a desbocada comédia, estrelada por Seth Rogen e James Franco, conta a história de um apresentador de TV sem noção e seu produtor, que viajam á Coréia do Norte para entrevistar o ditador Kim Jong-un, e acabam sendo cooptados pela CIA para eliminá-lo. O score é composto por Henry Jackman, em sua segunda colaboração com Rogen e seu co-diretor Evan Goldberg após É o Fim (This is the End, 2013).

A La La Land, notando que ambas as trilhas eram curtas demais para um disco só, decidiu lançar um único álbum contendo as duas. Foi uma aposta bem sucedida, que rendeu um dos discos mais divertidos de Jackman em bastante tempo, e provavelmente a(s) sua(s) melhor(es) trilha(s) desde a ótima Detona Ralph (Wreck-It Ralph, 2012). Afinal, comédias possuem um potencial para música que, sem ser tão sombria quanto a de thrillers mais “sérios”, soam mais expansivas e coloridas do que as trilhas destes, ainda que seja tudo pastiche. É a lição que nos ensina Elmer Bernstein, datando desde seu clássico Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! (Airplane!, 1980) e, mais recentemente, Joel McNeely em Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (A Million Ways to Die in West, 2014).

As onze primeiras faixas do disco compreendem a trilha de A Entrevista, que começa com Kim Jong-un, o tema do ditador coreano. É uma melodia aristocrática, pomposa, mas também ameaçadora, para toda a orquestra. Servindo de fio condutor do score, o tema depois reaparece em notas graves e sinistras a cargo de sopros em Me So Sorry, com percussão militar em Panic at the Palace e de forma melancólica em Skylark Discovers the Truth, onde é interpretado por piano e depois pela orquestra, além de na conclusiva Grand Finale. Além disso, representando a trama de espionagem do longa, Jackman usa motivos graves nos metais e cordas, além de um “tique-taque” de relógio, lembrando uma versão “light” da trilha de A Origem (Inception, 2010). Eles aparecem em Operation Dung Beetle e Backdoor Rendezvous.

A música de ação não é nada menos que impressionante: no final de Panic at the Palace e a climática The Wrath of Kim, Jackman não dá descanso à sua orquestra, com melodias poderosas e enérgicas. Nesta última (que pode ser muito bem a melhor faixa de ação do compositor inglês), há um duelo também entre os temas de espionagem e o de Kim, mostrando o confronto final entre os apresentadores e o ditador. Além disso, merecem destaque também a divertida canção de estilo oriental East Meets West, o heavy metal de Guns’N’Girls e a romântica e singela So Long Look.

Em seguida vem a trilha de É o Fim, ainda menor do que a anterior, mas igualmente interessante. Nesta comédia, Rogen e Franco interpretam a si mesmos no longa, celebridades hollywoodianas que são pegas em meio ao próprio Apocalipse bíblico. Para o longa, Jackman decidiu parodiar as grandes trilhas góticas de terror, repletas de corais profanos e cânticos em latim, que ficaram famosas graças a Jerry Goldsmith e seu influente A Profecia (The Omen, 1976), além dos trabalhos no gênero de Christopher Young. E não é que Jackman revela ser muito bom nisso?

Inferno on Melrose e Celebrity Sinkhole trazem a orquestra a toda potência, acompanhada de cânticos do coral, que não fariam feio num filme de terror propriamente dito. Book of Revelations traz um breve interlúdio, que traz cordas ameaçadoras, seguido por Feeling Horny, que parodia outro clichê de trilhas de terror: o “pianinho” sinistro. A música grandiosa, porém, retornam na ótima faixa de ação The Exorcism of Jonah Hill, repleta de orquestrações poderosas. The Final Rapture conclui a trilha, reprisando alguns dos motivos anteriores, e seguindo num potente crescendo com orquestra e coral, que culmina num… trecho de abertura de pop romântico (?!).

As trilhas de A Entrevista e É o Fim mostram que Jackman compõe muito melhor em filmes que não se levam tão a sério. Pode ser tudo pastiche e paródia, é claro, mas não deixa de ser menos impressionante por isso.

Faixas:

THE INTERVIEW
1. Kim Jong-un 4:09
2. Me So Sorry 1:16
3. Operation Dung Beetle 1:03
4. East Meets West 1:13
5. Backdoor Rendezvous 2:54
6. Guns N Girls 0:42
7. Panic At The Palace 2:41
8. Skylark Discovers The Truth 1:46
9. The Wrath Of Kim 3:41
10. So Long Sook 1:27
11. Grand Finale 1:19
THIS IS THE END
12. Inferno On Melrose 1:44
13. Celebrity Sinkhole 2:57
14. Book Of Revelations 1:29
15. Feeling Horny? 0:57
16. 15. The Exorcism Of Jonah Hill 3:05
17. 16. The Final Rapture 2:45

Duração: 35:08

Tiago Rangel
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2 opiniões sobre “Resenha: THE INTERVIEW / THIS IS THE END – Henry Jackman (Trilha Sonora)”

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