Resenha de Filme: GAGARIN – O PRIMEIRO NO ESPAÇO


Gagarin. Pervyy v kosmose, Rússia, 2013
Gênero: Biografia, Drama
Duração: 108 min.
Elenco: Yaroslav ZhalninMikhail FilippovOlga Ivanova
Trilha Sonora Original: George Kallis
Roteiro: Andrey DmitrievOleg Kapanets
DireçãoPavel Parkhomenko
Cotação:

Gagarin, O Ícaro Humano

Em 12 de Abril de 1961, pela primeira vez na história, um ser humano viajou pelo espaço: Yuri Alekseievich Gagarin. Em seus 108 minutos, o mesmo tempo de duração do voo do cosmonauta, incluindo decolagem, órbita e pouso da espaçonave Vostok, Gagarin – O Primeiro No Espaço oportuniza viver o sonho de voar de Yuri. E revela um pouco do programa espacial desenvolvido pela, então, União das Repúblicas Socialistas Soviéticas – U.R.S.S., comandada por Nikita Khruschchev.

Gagarin é mostrado como um sonhador a ambicionar os céus, cuja carismática inocência contagia e provoca ciúmes nos colegas e chama a atenção de seus superiores. Na véspera do lançamento, dominado pela ansiedade a caminho do Cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão, Gagarin relembra sua jornada até ali. A missão espacial do cosmonauta é entremeada pela infância pobre em território ocupado pelos nazistas, a vida simples com a família e o permanente desejo de subir aos céus.

O filme é romantizado, lembrando as cinebiografias feitas por Hollywood em glorioso Technicolor na década de 1950, tal a vivacidade de suas imagens e a sincera ingenuidade de seu protagonista. Contribuindo para isso e sublinhando o caráter épico da façanha do cosmonauta, a música repleta de corais de George Kallis é grandiosa.

O filme não defende ou ataca o regime comunista, abordando o assunto apenas quando é relevante ao biografado. O programa espacial soviético é exibido em toda a sua precariedade técnica, tornando o heroísmo do cosmonauta quase suicida. Ambientada nos dias da “corrida espacial” entre o “Mundo Livre” e a “Cortina de Ferro”, a produção evita pintar os americanos como vilões.

A ótima recriação de época, as locações fantásticas e os efeitos especiais de primeira linha, principalmente na recriação da viagem da Vostok, contribuem para tornar o longa convincente. A direção de Pavel Parkhomenko não inventa nada, mas inspira boas interpretações em todo o elenco. Nesse aspecto, o protagonista Yaroslav Zhalnin empresta seu talento e juventude a Gagarin, impregnando o herói soviético de entusiasmo.

O excesso de flashbacks, porém, acaba por cortar demais o ritmo do filme. A estratégia rouba um pouco do suspense e impacto dos momentos de maior tensão da missão espacial, quando se opta em voltar desnecessariamente ao passado em vez de seguir a trajetória do voo de Gagarin.

Focando na personalidade de seu protagonista, Gagarin – O Primeiro No Espaço é um registro em alguns momentos ingênuo, em outros quase didático, mas inegavelmente humano desta ousada, arriscada e histórica façanha. O filme está disponível no serviço de streaming Netflix.

Denis Winston Brum

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