Resenha: SPLICE – A NOVA ESPÉCIE (Blu-ray)


Produção: 2010
Duração: 103 min.
Direção: Vincenzo Natali
Elenco: Adrien Brody, Sarah Polley, David Hewlett,
Delphine Chanéac, Brandon McGibbon, Simona Maicanescu
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1 (1080p/VC-1)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português
Região: A, B, C
Distribuidora: California
Discos: 1 (25GB)
Lançamento: 03/08/2011
Cotações: Som: **** Imagem: ***½ Filme: ***½  Extras & Menus: * Geral: *** 

SINOPSE
Clive (Adrien Brody) e Elsa (Sarah Polley) são dois brilhantes cientistas especializados na combinação de DNA e se dedicam a criar espécies híbridas de animais para um laboratório farmacêutico. Depois do sucesso de seu ultimo experimento, decidem em segredo dar um passo mais adiante e usar DNA humano para a criação de um novo ser que os ajude a revolucionar a medicina moderna. Mas a espécie resultante é muito mais que uma nova escala na árvore evolutiva: uma surpreendente criatura que excede seus sonhos mais ambiciosos.

COMENTÁRIOS
O canadense Vincenzo Natali ganhou notoriedade com o barato mas criativo CUBO (CUBE, 1997), e de lá para cá alternou trabalhos como roteirista, diretor e produtor na TV e no cinema. Nada, contudo, que tenha chamado maior atenção – exceto talvez pela direção de um dos segmentos do longa PARIS, EU TE AMO (PARIS, JE T’AIME, 2006). Este SPLICE – A NOVA ESPÉCIE (SPLICE, 2010), seria o projeto seguinte de Natali após CUBO, mas dificuldades como o alto orçamento exigido pelos efeitos visuais causaram seu adiamento. Finalmente em 2010, tendo Guillermo Del Toro na produção, o realizador pôde finalmente lançar esta interessante ficção científica (ainda que menos original que CUBO). No Brasil o filme foi distribuído pela California Filmes no início de 2011 em um circuito limitado – creio que inclusive muitas capitais ficaram de fora. Agora, com sua chegada em DVD e Blu-ray, mais apreciadores do gênero poderão conferir esta nova e boa investida na linha “o Homem brinca de Deus, cria a Vida e se dá mal”.A trama de SPLICE bebe, como tantos outros títulos sci fi, da fonte do Frankenstein de Mary Shelley, além de possuir pontos em comum com A EXPERIÊNCIA (SPECIES, 1995). Adrien Brody e Sarah Polley, em competentes desempenhos, interpretam um casal de geneticistas que trabalha para uma multinacional farmacêutica. Eles criam uma nova forma de vida semelhante a uma grande lesma, mas pressionados por seus empregadores decidem deixar de lado as questões morais e partem para uma nova criação, agora combinando genes animais e humanos. O resultado é uma criatura híbrida batizada de Dren (Delphine Chanéac). Possuindo uma taxa de crescimento acelerada Dren (“Nerd” escrito de trás para frente…) é criada em segredo pelo casal, e conforme os dias passam mais ela adquire a aparência e o comportamento de uma fêmea humana. Enquanto Dren rapidamente passa da infância à adolescência, o casal se vê cuidando dela como se fosse uma filha. Eles mudam Dren do laboratório para a fazenda abandonada da família de Elsa, e têm dificuldades em convencê-la da necessidade de que seja mantida oculta. Quando atinge a maturidade sexual a garota demonstra interesse pelo único macho disponível – Clive.

Um dos grandes méritos de Natali nesta produção foi ter conseguido, na maior parte do tempo, evitar os clichês que assolam os filmes do gênero ao concentrar-se principalmente no dilema do casal de cientistas para com a sua criação – afinal, seria ela apenas mais uma de suas experiências ou, de fato, uma substituta para a filha natural que Elsa não quisera ter com Clive? O grande trunfo do filme é, exatamente, a longa construção do arco de Dren, que se torna cada vez mais humana e graciosa – ainda que sua aparência, mesmo quando adulta, lembre uma felina bípede sem pelos – e, concomitantemente, o progressivo aprofundamento dos sentimentos do casal para com ela, que praticamente equivalem ao amor dos pais por uma filha até que o fator Freudiano / incestuoso entre em cena.

O melhor de SPLICE está nos seus dois primeiros atos, ao lidar com as questões éticas da experimentação com DNA humano, a criação da vida em laboratório e o fascínio pelo desconhecido, tudo enriquecido pelo crescente afeto dos cientistas para com a sua criação. A dupla de atores principais comanda a trama, e os efeitos visuais utilizados para tornar Dren real e convincente são ótimos, combinando maquiagem especial e computação gráfica para criar imagens bizarras, delicadas e até sensuais (às vezes tudo isso ao mesmo tempo). Já no ato final há uma reviravolta e entramos no terreno mundano do filme de horror com monstros, provavelmente para aumentar o apelo comercial do filme. A conclusão abre caminho para uma possível continuação.

Não sei se é apenas pelo fato de Natali ser canadense e de o filme ter sido rodado no Canadá, mas para mim ele me lembrou as primeiras produções sci fi de seu conterrâneo David Cronenberg. E os fãs de STARGATE ATLANTIS gostarão de ver David Hewlett, que naquela série interpretava o cientista Rodney McKay, em um papel relevante. Pesando os prós e os contras SPLICE – A NOVA ESPÉCIE merece ser conferido, já que possui qualidades que o destacam em meio à mediocridade reinante. E como é bom ver um filme de ficção científica recente que não trate de invasões alienígenas!

SOBRE O BD
A California lança no Brasil SPLICE – A NOVA ESPÉCIE em um Blu-ray tecnicamente correto, preservando as características da edição original norte-americana lançada pela
Warner. A transferência anamórfica 1080p/VC-1, na proporção de tela 1:78:1, reproduz a contento a fotografia de Tetsuo Nagata, que possui uma paleta de cores esmaecida, onde muitas vezes predominam os brancos e os tons azuis e esverdeados típicos do ambiente estéril de um laboratório. Os tons de pele são naturais, e os pretos são fortes. O nível de detalhes varia, destacando-se mais nas texturas que vemos nos closes. Já algumas tomadas a média e longa distância parecem suavizadas, ainda que a leve granulação fílmica seja preservada durante todo o tempo. Fora isso, inexistem problemas com filtros e artefatos digitais. Não temos aqui uma apresentação visual em alta definição deslumbrante ou de referência, mas ela é limpa e, não raramente, agradável.

Já a imersiva faixa de áudio original em inglês DTS-HD Master Audio 5.1 é mais satisfatória, servindo bem ao filme. Os canais surround são muito bem empregados, criando uma atmosfera sonora evocativa e de suspense. A música é envolvente, e os graves cumprem sua missão com louvor nos momentos de ação com Dren. Os diálogos, apesar de por vezes soarem um pouco abafados, são via de regra claros. Além da faixa lossless, temos disponível a dublagem lossy em português Dolby Digital 5.1. Os menus principal e pop-up, assim como as legendas, estão em português.

EXTRAS
Em sua edição norte-americana o Blu-ray 50Gb de SPLICE traz como extra um documentário de pouco mais de 30 minutos. Aqui a California disponibilizou apenas o trailer de cinema em SD, na proporção 16×9 e com legendas em português. Foi só o que coube no BD 25Gb utilizado aqui.

Jorge Saldanha

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