Resenha: THE LONE RANGER – Hans Zimmer (Trilha Sonora)


Lone_Ranger_CDMúsica composta por Hans Zimmer
Selo: Walt Disney Records / Intrada
Catálogo: D001809402
Lançamento: 25/06/2013
Cotação: ****

Após compor a heroica e enérgica trilha de O Homem de Aço, Hans Zimmer foi contratado para trabalhar no faroeste de aventura O Cavaleiro Solitário, dirigido por Gore Verbinski (que já havia colaborado com o compositor em seus filmes anteriores), substituindo o roqueiro Jack White. Para a partitura, o músico alemão, apesar de ainda utilizar algumas de suas experimentações, nos trouxe um de seus scores mais orquestrais dos últimos anos, ou melhor, a versão de Zimmer para uma trilha à moda antiga.

A trilha de O Cavaleiro Solitário é uma mistura dos scores de Rango e Sherlock Holmes, tanto o primeiro quanto o segundo. Além disso, também encontramos influências de compositores como Ennio Morricone (do qual Zimmer é fã) e John Barry. Apesar de não ser um trabalho tão original do compositor, ainda assim encontramos alguns bons momentos, que tornam esta uma partitura que vale a pena ser ouvida.

O álbum inicia com “Never Take Off the Mask”, que traz um violino solo, percussão, guitarras, sintetizadores e flautas étnicas indígenas, numa melodia atmosférica. As mesmas flautas retornam logo em “Absurdity”, junto à guitarra acústica, trompete solo, pianos e a orquestra, desenvolvendo um dos temas principais do score, que lembram o estilo de Zimmer nos já citados Sherlock Holmes.

A terceira faixa, intitulada “Silver”, introduz outro dos principais temas da partitura. Este é inicialmente executado por um violino solo, ao qual se juntam as cordas e a percussão, que interpretam o tema de forma grandiosa, de maneira que lembra um filme de faroeste antigo. Já “Ride” inicia com uma melodia no melhor estilo de Morricone, executada por guitarra e orquestra, com destaque para os solos de trompete, até se desenvolver num cue melodioso e lírico, bem à moda antiga. Em seguida, temos “You’ve Looked Better”, no qual a orquestra executa uma melodia sinistra e ameaçadora, até a entrada do tema atmosférico ouvido na primeira faixa.

Na sequência, vem “Red’s Thetater of Absurd”, que foi composta pelo antigo responsável pela trilha, Jack White. Ela emprega trompetes, violão e sanfona para dar um clima de “saloon”, a fim de descrever o local que a personagem de Helena Bonham Carter administra no filme. Ela é seguida por “The Railroad Waits for No One”, faixa de ação repleta de energia e interpretada por toda a orquestra, retomando alguns temas ouvidos na segunda faixa. A boa orquestração presente aqui traz um interessante jogo entre os metais e as cordas, acompanhados por muita percussão, e pratos para realçar a grandiosidade.

O tema da primeira faixa retorna na árida “You’re Just a Man in a Mask”, que é seguido pelas cordas numa melodia repleta de suspense. Ouvimos então os temas apresentados em “Silver” e “Absurdity”, porém de forma mais lenta e melancólica. A nona música do álbum é “For God and for Country”, faixa de ação executada por toda a orquestra e coral. Em seguida, entra uma melodia triste conduzida por cordas e vozes femininas.

Para o clímax do filme, Zimmer utilizou a famosa “William Tell Overture”, de Rossini, a abertura da série de televisão do Cavaleiro Solitário na qual o filme se inspira. O compositor faz sua própria releitura da música, e nos entrega um medley entre a obra de Rossini e seus próprios temas de ação. Muitos podem criticar o compositor pela decisão, mas ele se sai bem ao retrabalhar o famoso tema do músico italiano. Além disso, ele já havia feito algo parecido no score de Rango (também dirigido por Verbinski), para a sequência da perseguição no cânion, onde Zimmer nos entrega um pout porri entre a Cavalgada das Valquírias de Wagner, o Danúbio Azul de Strauss e seus próprios temas. Voltando a O Cavaleiro Solitário, o resultado é um longo e enérgico Finale de quase dez minutos de ação, e uma das melhores faixas de ação de Zimmer dos últimos anos.

Finalizando o álbum temos a bela “Home”, que, em estrutura, lembra a famosa faixa “Time”, da trilha de A Origem. Além disso, é aqui que a influência de John Barry se faz mais presente, pois essa faixa claramente traz inspirações de scores como Entre Dois Amores e principalmente Dança com Lobos, mas sem deixar de ser uma típica faixa de Zimmer. Barry, que foi uma grande influência para compositores como James Horner, Howard Shore e o próprio Hans Zimmer, é aqui homenageado pelo compositor alemão, que faz sua própria releitura do estilo do inglês.

O maior defeito desse score é sua falta de originalidade. Muitos poderão afirmar que O Cavaleiro Solitário foi feito apenas com as sobras de trilhas anteriores de Zimmer. Mesmo assim, essa partitura ainda possui suficientes qualidades para se firmar como mais um bom trabalho do alemão. É surpreendente como o compositor consegue, num mesmo ano, entregar trilhas tão díspares quanto essa e O Homem de Aço. Esperemos que ele continue assim em seus próximos projetos.

Faixas:

  1. Never Take Off The Mask (01:07)
  2. Absurdity (04:58)
  3. Silver (04:00)
  4. Ride (04:17)
  5. You’ve Looked Better (03:09)
  6. Red’s Theater Of The Absurd (03:02) – Pokey LaFarge & The South City Three
  7. The Railroad Waits For No One (03:09)
  8. You’re Just A Man In A Mask (04:14)
  9. For God And For Country (04:53)
  10. Finale (09:51)
  11. Home (06:55)

Duração: 49:35

Tiago Rangel
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6 opiniões sobre “Resenha: THE LONE RANGER – Hans Zimmer (Trilha Sonora)”

  1. Com certeza Hollywood deve estar mesmo com falta de bons compositores, só isso pode explicar como um único compositor, medíocre por sinal, pode musicar quase todos os filmes de ação e de heróis. Mas sei que o problema sou eu, cresci assistindo filmes musicados por John Williams, Jerry Goldsmith, John Barry, Ennio Morricone, e por aí vai. Zimmer era um péssimo compositor de música eletrônica nos anos 80 e hoje ele até concorre ao Oscar. Mas o Tiago Rangel fez minha cabeça, acho que vou colocar o meu preconceito de lado e ouvir um cd inteiro dele, claro que antes vou precisar tomar um Dramin.

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  2. Sinceramente Hans salvou o filme. É inegável durante a projeção a presença marcante da trilha sonora de Zimmer, trazendo muito mais emoção do que o próprio filme mostrava. O compositor incluiu também o tema clássico dos seriados de tv do Cavaleiro Solitário junto a novas composições que lembram em alguns momentos sua trilha para Sherlock Holmes. O cd oficial lançado lamentavelmente é curto, provavelmente em sua edição completa ou estendida será possível ouvir todo o seu trabalho. Já o filme acabou com o herói solitário, lenda nos Estados Unidos, foi merecidamente um fracasso de bilheteria.

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