agente_uncleThe Man From U.N.C.L.E., EUA, 2015
Gênero: Ação
Duração: 116 min.
ElencoHenry CavillAlicia Vikander, Armie Hammer, Hugh Grant, Jared Harris
Trilha Sonora: Daniel Pemberton
Roteiro: Guy Ritchie, Lionel Wigram
Direção: Guy Ritchie
Cotação: star_3_5

Interessante quando alguns filmes se tornam melhores e maiores à medida que pensamos neles. É o caso de O AGENTE DA U.N.C.L.E. (2015), de Guy Ritchie, um cineasta que não é exatamente um exemplo de maestria, mas que aqui consegue obter um resultado tão elegante e bonito que não tem como não gostar, mesmo considerando que se trata de uma obra irregular em sua condução narrativa. Ou talvez o problema seja mesmo entrar em sintonia com aquele estilo peculiar de aventura de espionagem bem humorada.

Por isso acredito que o filme de Ritchie se beneficiaria de uma revisão, agora que já entendemos o flerte com o cinema de ação europeu, em contraste com o cinema de ação americano, que parece mais redondo e bem resolvido, mas também mais convencional em sua abordagem. E digo isso como um elogio ao charmoso O AGENTE DA U.N.C.L.E., adaptação de uma série de televisão que durou quatro temporadas nos anos 1960 e que teve alguns episódios duplos exibidos nos cinemas como longas-metragens.

O filme apresenta a união de dois agentes inimigos, o agente americano Solo, da CIA, vivido por Henry Cavill (de O HOMEM DE AÇO), e o agente soviético Ilya, da KGB, vivido por Armie Hammer (de O CAVALEIRO SOLITÁRIO). Depois de um interessante e divertido jogo de gato e rato inicial, os dois descobrem que precisam se aliar contra uma poderosa organização criminal de origens nazistas, que tem o interesse de obter armas nucleares.

No meio disso tudo há a presença crucial da alemã Gaby, vivida pela sueca Alicia Vikander (de O AMANTE DA RAINHA). Impressionante como Alicia consegue se sobressair em graça, simpatia, presença de cena, beleza e elegância naquelas roupas estilosas da primeira metade dos 1960. E isso a gente fala de um ponto de vista dos homens (ou de mulheres que gostam de mulheres), já que é perfeitamente natural boa parte do público se encantar por Cavill e Hammer, que estão, além de bonitos, muito à vontade nos papéis (Hammer, inclusive, convence muito bem como um russo).

A trama é um tanto confusa, mas isso é normal em se tratando de filmes de espionagem, ainda mais quando são filmes que não tentam se levar tão a sério no que se refere ao enredo – mais uma característica bem europeia, aliás. Nisso, o que temos é um conjunto de cenas memoráveis e saborosas, somadas a uma trilha sonora igualmente de dar água na boca.

O que dizer da cena em que a câmera se afasta do quarto de Gaby ao som de “Jimmy renda-se”, do Tom Zé? E que maravilha que é ouvir essa música dentro daquele contexto e em uma sala IMAX! E aí lembramos também da cena da perseguição em um lago enquanto o personagem de Cavill entra um caminhão, ao som de “Che vuole questa musica stasera”, de Peppino Gagliardi. A cena é impressionante e a junção com esta bela canção é especialmente feliz. Outro momento feliz inclui “Cry to me”, de Solomon Burke, quando Gaby tenta seduzir, no quarto de hotel, o agente da KGB que está lá para fingir que é seu noivo.

Ah, e o filme ainda traz o querido e sumido Hugh Grant no papel de um homem que age nos bastidores, mas que é fundamental para a história. Enfim, O AGENTE DA U.N.C.L.E. acabou crescendo tanto em minha memória afetiva nesses últimos dias que, eu que tinha birra com o Guy Ritchie, vou passar a cogitar ver outros trabalhos dele que não vi, e talvez até perdoe um dia aquele seu SHERLOCK HOLMES (2009), cuja sequência de 2011 eu nem tive coragem de ver, na verdade. Que redenção é melhor para um artista do que ganhar a simpatia dos desafetos?

Ailton Monteiro

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