Resenha: VIOLETA FOI PARA O CÉU (Filme em Destaque)


VIOLETA FOI PARA O CÉU (Violeta se fue a los Cielos, Chile/Argentina/ BrasiL, 2011)
Gênero: Drama
Duração: 110 min.
Elenco: Francisca Gavilán, Thomas Durand, Christian Quevedo, Gabriela Aguilera, Roberto Farías, Marcial Tagle, Juan Quezada, Sergio Piña, Daniel Antivilo, Pedro Salinas
Roteiro: Eliseo Altunaga
Direção: Andrés Wood
Cotação: ***½

O grande vencedor da 22ª edição do Cine Ceará, VIOLETA FOI PARA O CÉU (2011), do chileno Andrés Wood, já chegou com uma premiação no Festival de Sundance de 2012: o prêmio de melhor filme internacional. A princípio, parece se tratar de um filme um tanto panfletário, no sentido de abraçar o comunismo e colocar o capitalismo como grande inimigo, mas depois vemos que ainda que o seja, isso se faz com inteligência e sensibilidade. Não se trata de um filme fácil. Os vaivéns no tempo, a montagem um tanto confusa e a dificuldade de se gostar logo de cara da protagonista contribuem um pouco para isso. A personagem não é uma pessoa qualquer.

Trata-se de Violeta Parra, cantora e artista plástica chilena que defendia a bandeira socialista através da arte, de maneira radical. Sua canção mais famosa é a belíssima “Gracias a La Vida”, que chegou a ser gravada também por Mercedes Sosa, Joan Baez e Elis Regina. Violeta chegava a recusar que lhe cantassem “Parabéns pra você” por ser uma canção de origem americana. Aos poucos a personagem vai conquistando o espectador, especialmente quando viaja à Europa e mostra seus talentos. A vida amorosa é mais focada no romance com um homem mais jovem, um suíço que chegou ao Chile para conhecê-la.

Ainda que em entrevista para a televisão ela tenha dito que não sabia o que era amor, mas sabia o que era trabalho e esforço, a sequência em que ela canta uma canção amaldiçoando o mundo por causa de sua dor de amor é uma das mais belas do filme. A catarse provocada pela canção lembra o rock noventista. Lembrei, inclusive, de Kurt Cobain no MTV Unplugged, por mais que essa comparação possa ser até uma ofensa para ela, que não gostava dos Estados Unidos. Mas é que sentimento não tem nacionalidade.

E ao final, a metáfora da galinha e do gavião, que ela conta em entrevista a um programa de televisão, acaba ganhando todo o sentido. A forma como Wood mostra essa sequência intercalada com o momento mais doloroso da vida da artista é mesmo digno de aplauso. E foi, junto com a interpretação brilhante de Francisca Gavilán, provavelmente a razão de o filme ter conquistado reconhecimento internacional.

Ailton Monteiro

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