Resenha de Filme: GREEN BOOK – O GUIA


Green Book, EUA, 2018
Gênero: Drama
Duração: 130 min.
Elenco: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, Sebastian Maniscalco
Trilha Sonora Original: Kris Bowers
Roteiro: Brian Hayes Currie, Nick Vallelonga, Peter Farrelly
Direção: Peter Farrelly
Cotação: 4/5

O “The Negro Motorist Green Book”, também conhecido como “The Negro Travelers’ Green Book”, foi um guia publicado de 1936 até 1966 com a função de ajudar o afrodescendente a encontrar estabelecimentos nos quais fosse aceito para se hospedar, alimentar, abastecer o carro e resolver outras necessidades diárias sem embaraçar o branco com a sua presença. Este guia chegou a cobrir a maior parte dos Estados Unidos, Bermuda e, até, o Caribe.

Este histórico pedaço impresso de racismo dá título ao filme GREEN BOOK – O GUIA, sobre a amizade nascida entre um homem que sobrevivia contornando a lei e a miséria em empregos temporários e apostas, e um artista excepcional de assombrosa criatividade e habilidade ao piano. O primeiro, branco, é pressionado a aceitar a muito bem remunerada função de ser motorista para o segundo, negro. E assim eles iniciam uma turnê pela então problemática região sul dos Estados Unidos.

Viggo Mortensen sopra vida em Tony Vallelonga, mais conhecido como Tony Lip, um tipo essencialmente urbano hábil em improvisar o seu caminho pela vida. Mahershala Ali ilumina o virtuoso Doutor Don Shirley, cuja vida longe dos aplausos que recebe no palco é um desafio permanente à sua dignidade.

O roteiro de Nicky Vallelonga (filho de Tony Lip, para quem Don Shirley era apenas um amigo da família), Brian Hayes Currie e Peter Farrelly, teve acesso aos protagonistas (ambos faleceram em 2013 com uma diferença de apenas 3 meses entre as datas), suas recordações, as cartas de Tony Lip à esposa, contendo itinerário e detalhes da turnê, e depoimentos de amigos e familiares que conheceram a ambos. Assim, as cenas revelam de forma autêntica a intimidade dos protagonistas.

Mais conhecido no cenário da comédia, no qual costuma atuar em parceria com seu irmão Bobby, Peter Farrelly, após sofrer na carreira o embaraço de tentar estabelecer uma nova versão cinematográfica de OS TRÊS PATETAS, dá a volta por cima em sua estréia solo na direção deste delicado drama.

Farrelly nos transforma no terceiro passageiro do Cadillac Sedan Deville 1962, tamanha a intimidade na captura dos diálogos entre Tony Lip e Don Shirley, nos deixando testemunhar passo a passo o nascimento da amizade entre estes dois homens com quase nada em comum. Farrelly encontra espaço para o humor nascido deste choque cultural e revela como o universo de cada personagem começa a fascinar o outro.

O diretor demonstra sensibilidade e eficiência incomuns ao registrar a mecânica do racismo em movimento. Seja no iluminado saguão do hotel ou na penumbra da estrada, Farrelly nos intima a testemunhar atos discriminatórios praticados com chocante naturalidade pelos personagens. Apesar de não ter sido ele mesmo indicado, Farrelly colaborou decisivamente para colocar seu filme, astros e editor no páreo do Oscar.

A trilha sonora faz jus a um filme que tem a música como pano de fundo. Expoentes do final da década de 1950 e começo da de 1960 foram selecionados por Kris Bowers para emoldurar as viagens entre as virtuosas apresentações de Don Shirley. Flertando com o erudito e o jazz, as composições originais de Bowers se mesclam perfeitamente aos clássicos de todos os gêneros presentes na trilha do filme. Kris Bowers foi, ainda, o dublê de Mahershala Ali nos closes de Don Shirley ao piano.

Seja por Viggo Mortensen, tornando Tony Lip real desde a primeira cena, pela dignidade inabalável de Mahershala Ali como Don Shirley, pela intimidade capturada por Farrelly, OU AINDA pela deliciosa trilha sonora de Kris Bowers, GREEN BOOK – O GUIA merece ser visto. O filme é um hino composto para despertar a humanidade em nós.

Denis Winston Brum

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2 comentários sobre “Resenha de Filme: GREEN BOOK – O GUIA

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