Resenha de Série: BLACK MIRROR – Episódio “Bandersnatch”


Black Mirror – “Bandersnatch” (2018)
ElencoFionn WhiteheadWill PoulterCraig ParkinsonAsim ChaudhryAlice Lowe
RoteiroCharlie Brooker
DireçãoDavid Slade
Cotação:

Dentre as antologias televisivas de ficção científica, a série britânica Black Mirror já alcançou o merecido status de clássico moderno. Mas diferentemente de programas como Além da Imaginação e Quinta Dimensão, não espere ver na série extraterrestres, espaçonaves (exceção honrosa: o episódio “USS Callister”, onde temos um mundo virtual semelhante a Star Trek) ou elementos de fantasia delirante. Afinal, o que diferencia a criação do roteirista Charlie Brooker de produções similares é que ela emprega temas sombrios e muitas vezes satíricos para examinar a sociedade moderna, essencialmente no que se refere às consequências imprevistas das tecnologias atuais ou de um futuro próximo.

Lançada em 2011 no Reino Unido pelo Channel 4 e após duas temporadas com poucos mas celebrados episódios, Black Mirror foi resgatada do cancelamento em 2015 pela Netflix, que produziu as terceira e quarta temporadas. A quinta será lançada este ano, mas antes, no último dia 28 de dezembro, foi disponibilizado este episódio especial de noventa minutos, “Bandersnatch“. Nele acompanhamos um jovem programador (Fionn Whitehead, de Dunkirk) que, na década de 1980, corre contra o tempo para produzir um jogo interativo de computador baseado em um livro que ganhou na infância.

O que distingue este episódio, escrito por Brooker, dos demais da série, é sua interatividade: assim como no jogo que lhe dá o nome, em determinados momentos o espectador deverá escolher entre algumas opções que surgem na tela, e o desenrolar da trama dependerá destas escolhas. Algumas não permitem que o episódio avance, e o espectador terá de retornar para refazer a escolha; já outras dão seguimento à história, mas podem alterar seu desfecho.

Apesar de não ser o primeiro conteúdo interativo do serviço de streaming, provavelmente a Netflix fez história com “Bandersnatch”. Obviamente nem tanto pela trama, que não é das mais inovadoras de Black Mirror, mas pela interatividade aplicada a um título de alto perfil e à inserção da metalinguagem (em determinado momento o protagonista se convence de que seus atos estão sendo controlados por uma tecnologia de entretenimento do futuro), que inclusive gera momentos divertidos de auto paródia se você escolher a opção “Netflix” na tela de um computador. Quem está acostumado com os games da Telltale e da Quantic Dream não vai encontrar aqui nada muito original, mas com certeza para muitos será uma experiência ímpar.

Dependendo das escolhas feitas, os noventa minutos do episódio poderão se desdobrar em até três horas e cinco finais diferentes, portanto aconselho que a experiência “Bandersnatch” seja vivenciada da forma mais imersiva possível, sem interrupções e, portanto, com tempo de sobra.

Será esta a primeira de muitas outras produções no estilo, tanto na Netflix como na concorrência? Estaremos vivendo em uma realidade alternativa, sendo controlados por uma adolescente em seu smartphone? Assista Black Mirror e tire suas próprias conclusões.

Jorge Saldanha

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