Resenha de Trilha Sonora: AVENGERS – INFINITY WAR (DELUXE EDITION) – Alan Silvestri


Música composta por Alan Silvestri
Selo: Hollywood Records
Formato: Digital
Lançamento: 27/04/2018
Cotação:

Vingadores: Guerra Infinita é um filme norte-americano baseado no time de super-heróis da Marvel Comics, os Vingadores, produzido pela Marvel Studios e distribuído pela Walt Disney Studios Motion Pictures. É a continuação de Os Vingadores, de 2012 e de Vingadores: Era de Ultron, de 2015, sendo o décimo-nono filme no Universo Cinematográfico Marvel (MCU). Eu sou um grande fã do MCU e de seus filmes de super-heróis. Não importa o que as pessoas digam ou reclamem, estou ganhando minha dose de heroísmo épico e bombástico nesses filmes, e eu não perdi nenhum deles. Estou em dia com a cronologia, os personagens, tenho meus favoritos e estou emocionalmente conectado a esta franquia. Eu vejo isso como uma série e o último capítulo funcionou muito bem como o equivalente a um final de temporada na TV. Na verdade, eu estava pensando que quando essa fase do MCU terminar, eles poderiam lançar um box com as histórias organizadas cronologicamente e divididas em horas, como episódios de TV. Isso funcionaria perfeitamente também. Mas já estou divagando.

Musicalmente falando, o Universo Cinematográfico Marvel teve uma evolução mais na base da tentativa e erro. Se em certo período havia uma espécie de som consistente quando Brian Tyler costumava escrever as partituras e alguns temas memoráveis, algo mudou quando os irmãos Russo assumiram o comando e trouxeram Henry Jackman como compositor. Eu sou um grande fã do trabalho de baixo perfil de Jackman, mas quando ele recebe um blockbuster eu sinto que suas escolhas criativas são limitadas ou impostas pelos produtores, e seus scores para os dois últimos filmes do Capitão América foram genéricos e sem graça para mim, e isso significou que mesmo que os filmes fossem inegavelmente melhores e mais divertidos, as trilhas sonoras do MCU eram muito menos agradáveis do que as da DC. Felizmente com as mais recentes produções, Thor: Ragnarok e Pantera Negra, a Marvel deu aos compositores mais liberdade criativa e nós conseguimos duas das mais extraordinárias e especiais trilhas de super-heróis que trouxeram a música da franquia de volta à tona.

Nesse universo cinematográfico, os filmes dos Vingadores ocupam um lugar especial como marcos, os filmes-evento, e Guerra Infinita é o maior de todos, pois serve como culminação e conclusão de tudo que já existiu durante estes últimos 10 anos. Felizmente, eles compartilham um fio narrativo musical, assim como seu som não foi alterado ou misturado. Alan Silvestri escreveu a primeira partitura e o tema original de Os Vingadores, que ainda me dá arrepios depois de todos esses anos. Seu tema incorpora tudo o que eu adoro sobre esses heróis e seu poder. Silvestri não participou de A Era de Ultron e Brian Tyler, que reinava sobre o som da Marvel na época, deveria escrever todo o score. Algo aconteceu entre ele e os produtores, e Danny Elfman foi trazido como co-compositor e ele criou um tema que para mim era ainda melhor do que o original; ele usou o motivo principal de Alan Silvestri e escreveu algo que foi ainda mais poderoso e memorável. Eu considero “News Avengers” como um dos melhores temas dos últimos 10 anos.

Agora Alan Silvestri está de volta para Guerra Infinita e eu não poderia estar mais feliz. Ele se aqueceu no início de 2018 com o Jogador Nº 1 de Spielberg, onde afinou seu modo de ação. É legal, não é? É como se estivéssemos de volta aos anos 1980 ou 1990, quando Silvestri estava agitando a ação de blockbuster em blockbuster. Há duas edições desta partitura e estou resenhando a de luxo, que tem quase duas horas de duração, e aplaudo a decisão de lançar tanta música de um filme como este. Eu estou sempre procurando por longas partituras e longas suítes, e gosto de consegui-las quando o filme sai, não anos depois, quando a La-La Land ou a Intrada lançam edições mais completas.

Vamos primeiro esclarecer, se houver alguma dúvida: Avengers: Infinity War é um espetacular e cativante score orquestral de super heróis. É Alan Silvestri e todos os equívocos dos filmes do MCU dos irmãos Russo anteriores são esquecidos, porque é disto que se trata esta música; não importa se é discreta ou marcante, emocional ou estrondosa, ela é uma celebração sinfônica, bela e rica e com um sentimento da Época de Ouro da Música do Cinema sobre ela; tenho aquela nostalgia e gratidão inconfundíveis que um som como esse sempre evoca. É Alan Silvestri e ele permanece fiel à sua lenda orquestral do começo ao fim, então quaisquer dúvidas que você possa ter dado ao universo musical do MCU devem ser descartadas desde o início.

A duração não é a única coisa que a trilha e o filme têm em comum; a música de Alan Silvestri segue de perto a narrativa e o humor do longa. Se eu não tivesse visto o filme, eu poderia ter ficado um pouco desapontado com a primeira parte lenta e sombria da partitura, mas faz sentido no contexto. Antes de ir ao cinema, minhas expectativas eram de um filme de ação em que os Vingadores lutassem implacavelmente contra seu inimigo unidimensional, poderoso e cruel, e eu esperava que o score combinasse, sendo todo ele de ação épica. Eu estava errado. Os irmãos Russo surpreenderam a mim e a todo mundo, escrevendo o vilão mais complexo e convincente do MCU até agora e dando o filme para ele, Thanos; é por isso que a música é lenta em longas passagens, é por isso que mais da metade da partitura é encoberta por uma escuridão espessa, com uma sensação de desgraça iminente que aparece em quase todas as faixas. Thanos, o Titã Louco, é maior que a vida e tem um plano claro para acabar com metade do universo, e a fatalidade de tudo, a sensação de que ele e essa destruição não podem ser detidos, está sempre presente na música de Alan Silvestri. Seja Thanos ou um dos seus filhos adotivos da Ordem Negra, não importa. A escuridão é a mesma, a presença deles é o que define o mundo da “Guerra Infinita” e a música reflete isso. Também, a maior parte do filme acontece em ambientes sombrios, muitas vezes vazios e devastados, onde tudo esta quebrado em pedaços, e Alan Silvestri capta tudo isso com trompas graves e seções de metais que ecoam uma era diferente da Música do Cinema. O uso dos metais, aliás, é um dos meus elementos favoritos em Infinity War.

Por outro lado, há os momentos mais calorosos e emocionais, que são raros nesta trilha; há pouca esperança e poucas razões para alegria neste filme, então o compositor raramente deixa um pouco de luz penetrar em sua partitura. Não há nem mesmo faixas completas escritas dessa forma, livres da ameaça, mas meros trechos dentro de composições como “A Lot to Figure Out” ou “We Both Made Promises”. A primeira metade do filme é construída a partir de cenas separadas, menores em escala, onde vários grupos de Vingadores lutam contra seus inimigos, muitas vezes no escuro, nas sombras, muitas vezes depois de compartilharem momentos entre si, e é por isso que a música soa mais íntima durante a primeira metade da partitura; não há praticamente nenhuma ação espetacular até (e não há spoiler aqui, já que a cena está no trailer) o Capitão América sair das sombras e a partitura repentinamente ganha vida com o lendário tema de Silvestri para os Vingadores, que significa o despertar tanto para o filme como para o álbum em “Help Arrives”. É um dos três casos em que o tema dos Vingadores é isolado e recebe destaque no filme.

Há uma cena, a minha favorita, que define Thanos e seu personagem, uma das cenas mais emocionantes do MCU até agora; você saberá quando assistir o filme. É quando o engenho único e genial de Alan Silvestri brilha ainda mais com uma de suas melhores faixas, eu não tenho receio de dizer isso. Enquanto assistia ao filme eu tinha certeza de que seria uma suíte longa e épica, mas o compositor conseguiu concentrar toda aquela emoção, toda a tristeza dessa cena magnífica em uma peça de dois minutos, “Even for You” (após a preparação em “A Small Price”, um título maravilhosamente dúbio) que é verdadeiramente algo impressionante. A construção, o senso épico, maior que a vida, a esplêndida combinação de tristeza e determinação, de desgosto e perdição, a seção de coral de outro mundo, é um hino épico que apenas um compositor como Alan Silvestri poderia ter escrito e que faz justiça ao personagem incrível para o qual foi escrito. Eu simplesmente não consigo parar de ouvir e sei que tem mais a caminho.

A beleza de uma partitura tão complexa e longa é que dá ao compositor tempo e espaço para realçar verdadeiramente os momentos mais pungentes e emocionais do filme; ele não desperdiça seus motivos épicos e não ativa os motores do coral a menos que a cena seja memorável de modo que eu possa isolar na partitura as ações mais heroicas de cada um dos personagens, como “More Power” ou “Forge”, no caso de Thor, ou a única faixa que rivaliza “Even for You”, “Get That Arm/I Feel You”, que domina o final do longa. Silvestri também inteligentemente usa seu tema dos Vingadores apenas em momentos precisos e raros, como se ele mesmo estivesse tentando motivar os heróis. Quanto mais ouço essa partitura, mais sinto que se tornará um clássico nos próximos anos, estilo Star Wars.

E então vem a conclusão, a seção final do filme, quando se trata de lutar. Como eu disse antes, a partitura segue a narrativa e as últimas faixas são tudo o que você estava esperando, tudo que você poderia pedir de uma trilha sonora de super-heróis dessa magnitude; Alan Silvestri não escreve mais scores de ação e aventura há mais de 30 anos. Ele apenas liga os jatos e dispara todos os motores para as batalhas finais. Há também algo mais que é brilhante na música, os momentos em que se acalma, quando parece se desintegrar e virar pó. Essas passagens curtas podem parecer estranhas quando você está ouvindo a partitura, mas elas fazem sentido no contexto do filme.

Com Vingadores: Guerra Infinita e o retorno de Alan Silvestri à franquia, finalmente recuperamos o senso de identidade musical para este universo; não é sobre os personagens individuais, enquanto Thanos e seu som escuro e denso afoga tudo o mais, mas é sobre a fanfarra, o som de marcha heroica que costumávamos ter nos primeiros filmes do MCU antes que as coisas começassem a ficar confusas. Alan Silvestri está de volta à sua habitual, espetacular e ilimitada personalidade quando se trata de música de filme de ação, ao mesmo tempo em que entende as necessidades musicais dessa história em particular e como sua partitura se encaixa na visão dos diretores. Ela é perfeitamente equilibrada em todos os seus momentos e, se você ouvi-la, você sabe muito bem como se sentirá sobre o filme. Eu também aprecio como Alan Silvestri entendeu a magnitude de Thanos e não simplesmente escreveu um único tema para ele, pois teria sido inútil e decepcionante; em vez disso, ele sangra a essência desse personagem em toda a partitura à medida que a sensação de destruição inevitável que vem dele domina o álbum. Seu coração pode apertar algumas vezes enquanto você ouve essa partitura, mas acredite, vale a pena.

Não há nada mais que eu poderia pedir de um filme épico e heroico. O score me satisfez tanto emocional quanto intelectualmente, e posso me ver voltando a ele muitas vezes no futuro; para mim, a versão estendida de luxo funcionou perfeitamente, mas tudo bem se você começar com o lançamento regular. Espero que Alan Silvestri retorne para a continuação do ano que vem, e agora, para mim, o universo musical da MCU está finalmente de volta aos trilhos.

Faixas:

1. The Avengers  0:25
2. Travel Delays (Extended)  4:43
3. Undying Fidelity  5:05
4. No More Surprises  4:04
5. He Won’t Come Out (Extended)  3:39
6. Field Trip  3:36
7. Wake Him Up  4:04
8. We Both Made Promises (Extended)  4:27
9. Help Arrives (Extended)  5:38
10. Hand Means Stop/You Go Right (Extended)  7:18
11. One Way Ticket  3:27
12. Family Affairs (Extended)  5:37
13. What More Could I Lose? (Extended)  5:07
14. A Small Price  3:17
15. Even for You  2:15
16. Morning After  2:08
17. Is He Always Like This?  3:23
18. More Power  4:07
19. Charge!  3:28
20. Forge  4:22
21. Catch  6:04
22. Haircut and Beard (Extended)  3:51
23. A Lot to Figure Out (Extended)  3:08
24. The End Game (Extended)  2:34
25. Get That Arm/I Feel You (Extended)  4:45
26. What Did It Cost? (Extended)  3:35
27. Porch  0:59
28. Infinity War  2:35
29. Old Tech  1:06
30. End Credits  7:31

Duração: 116:18

Mihnea Manduteanu

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2 comentários sobre “Resenha de Trilha Sonora: AVENGERS – INFINITY WAR (DELUXE EDITION) – Alan Silvestri

  1. “Espero que Alan Silvestri retorne para a continuação do ano que vemEspero que Alan Silvestri retorne para a continuação do ano que vem…”

    Silvestri fora confirmado nos dois filmes ainda em 2016!

    Curtir

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