Resenha de Filme: SUBMERSÃO


Submergence, Alemanha, EUA, 2017
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 112 min.
Elenco: Alicia Vikander, James McAvoyAlexander Siddig, Jannik SchümannReda Kateb 
Trilha Sonora OriginalFernando Velázquez
RoteiroErin Dignam
Direção: Wim Wenders
Cotação:

Provavelmente o último bom filme de ficção de Wim Wenders tenha sido O CÉU DE LISBOA (1994). E ainda assim não é uma unanimidade. Já nessa época sua carreira estava sendo vista como em declínio. E de fato estava. O que tem salvado sua carreira atualmente são seus documentários. O último, O SAL DA TERRA (2014), sobre o fotógrafo Sebastião Salgado, é uma beleza. É triste testemunhar a decadência de um dos mais importantes cineastas de sua geração, a geração dos novos nomes do cinema alemão surgida no final dos anos 1960.

Mesmo assim, aceitando que o que temos agora é apenas a sombra do que foi o diretor de PARIS, TEXAS (1984), é possível enxergar neste novo trabalho, SUBMERSÃO (2017), pontas de paixões e obsessões que são muito bem trabalhadas num todo irregular. Mas é muito melhor se apegar ao que há de positivo no filme do que no que há de negativo. Até porque o que há de positivo é muito bom de ver.

Refiro-me ao modo como o filme trabalha a construção do relacionamento da bióloga marinha Danielle Flinders (Alicia Vikander) e o espião britânico James More (James McAvoy). Ele não informa a ela sua verdadeira ocupação. Diz que é um engenheiro. Eles se conhecem e se apaixonam em uma espécie de hotel de luxo à beira-mar. E o que há de mais sólido no filme é justamente esses momentos em que os dois estão juntos e se conhecendo.

Wim Wenders é feliz em tornar crível cada momento de aproximação dos dois, cada detalhe dos diálogos, do quanto cada momento é importante (em certa cena, ela fala de uma marca de expressão que ele tem, enquanto se tocam; ele diz que vai se lembrar disso). E, de fato, a separação dos dois, para ambos irem a missões perigosas, à sua maneira, é um tanto dolorosa, mas é também enternecedora.

Os obstáculos que funcionam como um elemento de motivação e torcida por parte do espectador só se estabelecem por causa desse ponto de partida. O primeiro beijo dos dois é muito gostoso de ver. Por isso os instantes de separação, quando ele é sequestrado por um grupo jihadista e fica sem comunicação com ela, são dolorosos. Há quem vá achar o filme tedioso ou até insuportável.

E isto não é nem novidade para uma obra contemporânea de Wenders. Mas é possível sim entrar no clima de SUBMERSÃO, naquele misto de tristeza pela separação e de alegria pelo apego à recordação. Se as partes mais existencialistas, científicas e metafísicas do filme não conseguem atingir o que almejam, a gente pode dar sim um desconto.

Quanto às belas imagens, trata-se da terceira parceria de Wenders com o diretor de fotografia Benoît Debie. Os anteriores foram em TUDO VAI FICAR BEM (2015) e OS BELOS DIAS DE ARANJUEZ (2016).

Ailton Monteiro

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