Resenha de Filme: LADY BIRD – A HORA DE VOAR


Lady Bird, EUA, 2017
Gênero: Drama
Duração: 132 min.
ElencoSaoirse RonanLaurie MetcalfTimothée Chalamet, Tracy LettsLucas Hedges, Odeia Rush, Beanie Feldstein
Trilha Sonora OriginalJon Brion
RoteiroGreta Gerwig
Direção: Greta Gerwig
Cotação:

A personagem Christine ‘Lady Bird’ McPherson, vivida pela brilhante Saoirse Ronan, em LADY BIRD – A HORA DE VOAR (2017) possui algo em comum com outra jovem em um filme indie recente: Casey (Haley Lu Richardson), em COLUMBUS, de Kogonada. São como dois lados de uma mesma moeda: enquanto Lady Bird tem uma vontade imensa de sair de sua cidade natal, Sacramento, e apesar de suas notas baixas fazer algum curso superior em Nova York, sua contraparte tem dificuldades de sair de sua cidade para não deixar a mãe.

Claro que as circunstâncias são totalmente distintas, mas não resisti em fazer essa comparação, até por serem personagens que dialogam com a juventude de hoje, mesmo levando em consideração que LADY BIRD, a estreia na direção de Greta Gerwig, se passa no ano de 2002, sendo, portanto, a história de alguém que está um tanto perdida naquele momento pós 11 de setembro, mas ainda com um pé na década anterior – um dos momentos mais bonitos e simples do filme é quando a protagonista está no carro com o pai ouvindo a agridoce “Hand in my Pocket”, de Alanis Morrissette, e fazendo a observação de que a cantora compôs esta faixa em apenas 10 minutos.

Isso diz muito da personagem, de sua vontade de dar um salto, mesmo sabendo de suas dificuldades em ser tão boa quanto suas colegas de classe, que conseguem tirar melhores notas em Matemática. A ida para a universidade está bem aí e ela se sente frustrada com a difícil possibilidade de ingressar em uma universidade do lado leste do país, de preferência longe de sua família, como forma de cortar o mais rápido possível o cordão umbilical com a mãe, Marion (Laurie Metcalf), que é excessivamente preocupada com a filha única.

Lady Bird acha que a mãe, apesar de amá-la muito, não gosta dela, não a aceita como ela é, com suas imperfeições. São coisas como essas que tornam a jovem protagonista tão encantadora, tão apaixonante. E um dos grandes méritos da direção de Greta Gerwig é conseguir nos deixar com aquele friozinho na barriga em situações de novidade da protagonista: a espera pela correspondência das universidades, a autoafirmação através de novas amizades na escola, a busca de namorados que façam de sua primeira transa algo especial.

E nesse sentido nem sempre ela é bem-sucedida. O que não quer dizer que não nos solidarizemos e nos alegremos com suas pequenas conquistas. Estar com o nome na lista de espera de uma universidade não deixa de ser uma vitória. Ou quase. Falando em vitória, LADY BIRD é desses filmes que também lidam com o fracasso com muita ternura: há a melhor amiga gordinha que sofre com a solidão e há o pai desempregado (Tracy Letts, sempre ótimo) que sofre com depressão. Há também um outro jovem com um problema complicado que encontrará a compreensão da jovem.

O que temos em nossa frente não é simplesmente um filme que conseguiu quase 100% de aprovação no Rotten Tomatoes; é uma obra simples e pequena, mas com sutilezas e sensibilidades que o tornam especial para uma boa parcela da audiência. O curioso é que, assim como COLUMBUS, o filme tenta o possível para não carregar no sentimentalismo e provocar choro fácil. O que não impede que o amor transborde e sintamos tanto a relação de amor e ódio de Lady Bird com sua cidade, quanto nos importemos com as brigas que ela tem com a mãe.

Greta Gerwig está cercada por atores ótimos, tanto os veteranos já citados, como dois jovens presentes em filmes marcantes do cinema americano contemporâneo: Lucas Hedges, que brilhou em MANCHESTER À BEIRA-MAR; e o genial Timothée Chalamet, que nem precisa provar mais nada para ninguém depois do que mostrou em ME CHAME PELO SEU NOME. Sem falar em jovens garotas que ainda podem se destacar futuramente, como Odeia Rush e Beanie Feldstein.

LADY BIRD – A HORA DE VOAR foi indicado ao Oscar em cinco categorias: melhor filme, melhor direção, melhor atriz (Saoirse Ronan), melhor atriz coadjuvante (Laurie Metcalf) e melhor roteiro original (Greta Gerwig).

Ailton Monteiro

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