Resenha de Série: STAR TREK: DISCOVERY – Episódio “Lethe”


Star Trek: Discovery Episode 1×6 – Lethe (2017)
Elenco: Sonequa Martin-Green, Jason Isaacs, James Frain, Jayne Brook, Shazad Latif, Doug Jones, Anthony Rapp, Mary Wiseman, Wilson Cruz, Mia Kirshner, Kenneth Mitchell
Roteiro: Joe Menosky, Ted Sullivan
Direção: Douglas Aarniokoski
Cotação:

ATENÇÃO: caso você ainda não tenha assistido ao sexto episódio da primeira temporada de Star Trek: Discovery, o texto a seguir contém Spoilers

Este sexto episódio da primeira temporada Star Trek: Discovery (o anúncio da renovação da série saiu nesta segunda-feira) foi sem dúvida o mais “morno” até agora. Ele claramente prepara situações futuras, que provavelmente se relacionarão às previsões que farei no final desta resenha. Mas a espinha dorsal do episódio é a trama envolvendo o salvamento de Sarek (James Frain), que a caminho de uma negociação secreta de paz com os Klingons, tem a nave sabotada por um vulcano-bomba extremista, ficando gravemente ferido e à deriva em meio a uma nebulosa.

Graças ao elo mental que possui com seu pai adotivo, Michael Burnham (Sonequa Martin-Green) começa a reviver uma experiência marcante para ambos, que envolve o preconceito que os vulcanos nutrem pelos humanos e o desentendimento de Sarek com seu famoso filho mestiço, Spock. Nesses momentos temos as primeiras visões do Planeta Vulcano na série, bem como da esposa humana de Sarek, Amanda (Mia Kirshner). Confiante de que conseguirá localizar Sarek na nebulosa através do elo, Burnham solicita ao Capitão Lorca (Jason Isaacs) autorização para que a Discovery parta para salvá-lo.

Lorca, mesmo com a forte oposição da Almirante Cornwell (Jayne Brook), que não quer arriscar a “arma secreta” da Frota numa missão para salvar um vulcano, concede autorização a Burnham. Na áspera conversa de Lorca com Cornwell a respeito, descobrimos que a Frota Estelar ainda não esqueceu o tratamento dispensado pelos vulcanos à humanidade, visto na série Star Trek: Enterprise. Na nebulosa, Burnham, a bordo de uma nave auxiliar juntamente com a Cadete Tilly (Mary Wiseman) e o Tenente Tyler (Shazad Latif), agora o novo Oficial de Segurança da Discovery, consegue encontrar e salvar Sarek. Graças ao sucesso da missão, Burnham ganha de Lorca um posto auxiliar na ponte da Discovery, e isso encerra a parte mais previsível e menos interessante do episódio. Agora, vamos direto aos pontos que realmente me interessaram.

Lorca e Cornwell, que como já vimos tinham uma longa amizade (que agora sabemos era bem colorida), tem um encontro romântico na cabine do Capitão. Enquanto ele dorme, Cornwell toca numa estranha e desconhecida cicatriz triangular em suas costas, e nesse momento Lorca acorda sobressaltado e aponta um phaser para ela. Essa é a gota d’água para Cornwell, que já estava preocupada com o comportamento atípico e decisões nada convencionais do Capitão. Ela sai da cabine dizendo que irá destituí-lo do comando da Discovery. Lorca, em seus últimos momentos de comando, propõe que Cornwell substitua Sarek nas negociações com os Klingons, e a Almirante obviamente concorda em liderar a missão que poderia ser histórica.

Mas eis que – surpresa! – as tais negociações não passavam de um ardil de Kol (Kenneth Mitchell) para capturar um importante refém da Federação. Pela maneira que os fatos se desenrolaram e foram mostrados, podemos concluir que Lorca pelo menos desconfiava do ardil Klingon e aproveitou a oportunidade para livrar-se de Cornwell, que passara a ser uma ameaça aos seus planos. Na última cena do episódio em que vemos o Capitão ele está contemplando as estrelas, tendo sua imagem refletida no vidro da janela. E aqui aproveito para fazer uma analogia com a cena final do episódio anterior, que tem o Tenente Stamets (Anthony Rapp) como protagonista. As referências feitas a reflexos e espelhos estão sendo bem claras, e sugerem que tanto Stamets (que após sua experiência no motor de esporos passou de carrancudo a bem-humorado) como Lorca tem conexões com o Universo Espelho. Esta hipótese explicaria muito a respeito de Lorca, que parede ser o oposto (um reflexo) do típico Capitão da Frota Estelar que a franquia consagrou.

E chegamos ao Tenente Tyler, agora um membro oficial da tripulação da Discovery e homem de confiança de Lorca. Na resenha do episódio anterior fiz menção à possibilidade de ele ser um espião Klingon cirurgicamente alterado, e isso fica cada vez mais reforçado. E mais, caso isso se confirme ele é ninguém menos que o albino Voq, que sumiu da série após a introdução de Tyler, cumprindo um plano concebido por L’Rell (Mary Chieffo). Na última ocasião em que vimos os dois juntos, ela lhe diz que há um modo para que ele se vingue de Kol e da Federação, mas para isso ele terá de “sacrificar tudo”. Ela se referia, pelo jeito, a ele ter de sacrificar sua aparência, sua própria identidade Klingon, para se tornar humano. É bom lembrar a cena do episódio anterior onde L’Rell, na nave Klingon, encontra Tyler em fuga e lhe pergunta “Já vai embora, depois de tudo que passamos juntos?”. Sutil… Por fim, no início deste episódio, quando Tyler e Lorca estão combatendo Klingons numa simulação holográfica, o Capitão pergunta ao Tenente como ele conhece tão bem o estilo de combate dos inimigos. A resposta de Tyler é a de que ele passou muito tempo prisioneiro dos Klingons, e nesse período aprendeu muito sobre eles. Será?

Reforçando a tese de que Tyler é Voq, verificamos que o intérprete creditado do personagem é um tal de Javid Iqbal, ator desconhecido que nunca apareceu em nenhuma imagem promocional da série. Já Shazad Latif, o intérprete de Tyler, nos primórdios da produção havia sido escalado para interpretar um Klingon, mas depois seu papel foi trocado para Ash Tyler. Até mesmo a fonética dos nomes dos atores soa parecida, suspeito não? Tudo parece levar a essa conclusão, porém ainda fica a questão de como Voq, em apenas três semanas (o tempo decorrido entre o final do episódio “The Butcher’s Knife Cares Not for the Lamb’s Cry” e o início de “Choose Your Pain”, virou um humano perfeito e adquiriu tanto conhecimento sobre a Federação e a Frota Estelar. Vamos ver se essas teorias se confirmam, e em caso positivo algumas “revelações explosivas” pretendidas pelos produtores não nos pegarão de surpresa.

E você, o que achou do episódio? Deixe seu comentário abaixo, e até a próxima semana!

Jorge Saldanha

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2 comentários sobre “Resenha de Série: STAR TREK: DISCOVERY – Episódio “Lethe”

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