Alex North

O dia 8 de setembro de 2017 marcou o 26º aniversário da morte de Alex North, que apesar de não possuir a mesma popularidade de outros seus colegas contemporâneos, é considerado pelos críticos como um dos maiores compositores da moderna música para o cinema. North nasceu em Chester, Pennsylvania, EUA, em 4 de dezembro de 1910, filho de pais que emigraram da Rússia. Seus primeiros anos em Chester foram de muita dificuldade, principalmente após a morte do seu pai. Mesmo assim, os extraordinários e reconhecidos dotes musicais do jovem lhe garantiram convites para estudar no Curtis Institute e na Julliard School. De 1932 a 1940, North estudou com renomados compositores de todo o mundo, como Anton Weprik, Victor Bielyi, Silvestre Revueltas, Aaron Copland e Ernst Toch. Nessa época ele foi diretor musical do Latvian State Theatre e lecionou nas universidades de Bennington, Briarcliff e Finch. Além disso, compôs balés para Martha Graham, Hanya Holm, Agnes de Mille e Anna Sokolow.

North também iniciou a compor para documentários, principalmente no período em que serviu como capitão do exército norte-americano. No início dos anos 1950, Benny Goodman pediu-lhe que compusesse um concerto, “Revue for Clarinet and Orchestra”, que tornou-se a sua primeira sinfonia. Seu trabalho para a versão de 1949 da peça de Arthur Miller A Morte do Caixeiro Viajante (Death of A Salesman) levou o compositor a construir uma vitoriosa carreira na TV e no cinema. North foi indicado ao Oscar já pela sua primeira trilha sonora original, Uma Rua Chamada Pecado (A Streetcar Named Desire, 1951). Neste filme dirigido por Elia Kazan (que trabalhara com North no teatro de Nova York), pela primeira vez o jazz foi integrado de forma funcional à partitura, ao invés de servir apenas como elemento secundário ou source music. Neste mesmo ano, ele também musicou a versão cinematográfica de A Morte do Caixeiro Viajante, e graças ao sucesso desses primeiros scores de North, uma nova geração de compositores pôde ter acesso ao mercado de Hollywood.

Durante a era da “Lista Negra” de Hollywood, North foi tratado como um “suspeito” porque estudou no Conservatório de Moscou no período de 1934-36. Kazan testemunhou perante o Comitê de Atividades Anti-Americanas em 1952, e classificou North e outros profissionais de Hollywood como “amigáveis” ao comunismo. A partir de então  North recusou-se a trabalhar novamente com Kazan, já que o testemunho do diretor prejudicou vários de seus amigos. Em 1961, com Desajustados (The Misfits, 1961), North começou a sua colaboração com o diretor John Huston, para quem posteriormente compôs os scores de Sangue Selvagem (Wise Blood, 1979), À Sombra do Vulcão (Under the Volcano, 1984) e A Honra do Poderoso Prizzi (Prizzi’s Honor, 1985).

Em 1967 o diretor Stanley Kubrick contratou North para criar a trilha original daquele que seria um marco da ficção científica, 2001: Uma Odisseia no Espaço (2001: A Space Odyssey, 1968). O compositor, no prazo acertado, concluiu o trabalho, recebeu seu cachê e foi para casa. Imagine a sua decepção quando, pouco antes da estreia do filme, descobriu que a sua trilha havia sido completamente substituída por obras de música clássica compostas por, entre outros, Aram Khatchaturian (“Gayane Ballet Suite”), Richard Strauss (“Thus Spake Zarathustra”), Johann Strauss (“Blue Danube Waltz”), etc. Felizmente esta perda foi corrigida graças ao colega e amigo Jerry Goldsmith, que regravou para a Varèse Sarabande o score original de North para 2001.

Entre as partituras mais conhecidas de North incluem-se Fuga Desesperada (Unchained, filme de 1955 mais lembrado pela popular “Unchained Melody”), Viva Zapata! (1952), Agonia e Êxtase (The Agony and the Ecstasy, 1965) e Quem Tem Medo de Virginia Woolf? (Who’s Afraid of Virginia Woolf?, 1966). O compositor ganhou um Emmy pela música da série Rich Man, Poor Man, durante a temporada de 1975-76. Na diversidade dos temas abordados pela música de North, incluem-se dramas, discussões sociais e filmes leves. Seus scores para épicos históricos – Spartacus (idem, 1960), Cleópatra (Cleopatra, 1963) e Agonia e Êxtase – demonstram admiráveis profundidade e complexidade, comparados a trabalhos similares de compositores da mesma época. Muitos poderão imaginar que North era naturalmente atraído para os grandes filmes de Hollywood, mas segundo a sua viúva, Anne North, “Os grande épicos não eram realmente a sua grande paixão. O que ele sempre quis foi compor para filmes nos quais ele pudesse relacionar-se com os personagens”.

North compôs mais de 50 trilhas sonoras originais que lhe valeram 15 indicações ao Oscar por, entre outros filmes, A Rosa Tatuada (The Rose Tattoo, 1955), Quem Tem Medo de Virginia Woolf? e O Dragão e o Feiticeiro (Dragonslayer, 1981), porém apenas conquistou  a estatueta em 1986, pelo conjunto de sua obra. Já em uma entrevista da época, o compositor declarou que “o medo é um problema para a música de filmes; as pessoas querem ser convencionais, hoje tudo é mais comercial. Se você decide arriscar em sua arte, pode acabar falido”.

Além dos filmes e discos, a música de North também pode ser ouvida nos vários concertos que continuam a ser apresentados nos EUA. Sua canção de sucesso “Unchained Melody” foi gravada mais de 500 vezes, por artistas tão variados como Righteous Brothers (a versão utilizada no sucesso Ghost: Do Outro Lado da Vida) e Elvis Presley, LeAnn Rimes, Sarah Mclachlan, John Lennon e James Galway. A sinfonia épica de North Africa, originalmente composta para um documentário de 1967, foi lançada em CD em 2001. Neste mesmo ano, o score de Cleópatra foi relançado pela Varèse Sarabande, em versão integral e remasterizada.

Jorge Saldanha

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