Resenha de Filme: ANNABELLE 2 – A CRIAÇÃO DO MAL


Annabelle – Creation, EUA, 2017
Gênero: Terror
Duração: 109 min.
ElencoAnthony LaPaglia, Samara Lee, Miranda Otto, Brad Greenquist, Lulu Wilson, Talitha Bateman, Stephanie Sigman
Trilha Sonora Original: Benjamin Wallfisch
Roteiro: Gary Dauberman
Direção: David F. Sandberg
Cotação:

Em tempos de discussão sobre o pós-terror, ver um filme que dialoga com o terror tradicional como ANNABELLE 2 – A CRIAÇÃO DO MAL (2017) quase passa a impressão de estarmos vendo uma obra ultrapassada. Mas será que é mesmo verdade? De todo modo, não deixa de ser admirável o quanto o diretor David F. Sandberg conseguiu transformar um roteiro banal em algo elegante na construção formal e que sabe equilibrar a sutileza de mostrar o mal aos poucos, no começo do filme, até ter que mostrá-lo de forma explícita em seu terceiro ato.

Sabemos que o primeiro filme sobre a boneca Annabelle já havia sido feito para explorar o sucesso que a criatura teve em INVOCAÇÃO DO MAL (2013). Mas os produtores, entre eles o cineasta James Wan, um dos grandes diretores do gênero na atualidade, souberam fazer de ANNABELLE (2014), dirigido por John R. Leonetti, uma obra bem decente e com seus encantos, embora pouco memorável.

Com um cineasta melhor, como é o caso de Sandberg, de QUANDO AS LUZES SE APAGAM (2016), a tendência seria mesmo uma obra melhor, mais caprichada, pelo menos na condução narrativa. E assim ocorreu, por mais que saibamos que o teor caça-níquel seja ainda maior ao buscar um novo prequel, sendo que o primeiro ANNABELLE já era uma apresentação de fatos que antecederam o filme de Wan. E aqui voltamos à verdadeira origem da boneca.

Felizmente, o modo como o diretor e o roteirista Gary Dauberman resolvem contar essa história é bem satisfatória. Somos apresentados inicialmente a uma família composta por um pai (Anthony LaPaglia), uma mãe (Miranda Otto) e uma garotinha, filha deles (Samara Lee). O modo como eles a perdem é brutal e funciona como um prólogo para a verdadeira história que viria a seguir, passando-se 12 anos após o trágico evento.

Assim, conhecemos um grupo de meninas que serão abrigadas em uma casa que funcionará como orfanato. As meninas que mais contarão para o espectador são as mais jovens, Linda (Lulu Wilson) e Janice (Thalita Bateman). Esta segunda convive com uma sequela da poliomielite e tem dificuldade de locomoção. As duas são muito amigas e sonham em ser adotadas pela mesma família, para que sejam, oficialmente, irmãs. Há a personagem de uma amável freira que cuida das meninas (Stephanie Sigman) e as demais meninas mais velhas, que já pensam em garotos e namoros, mesmo estando em um ambiente totalmente distante desse tipo de tentação.

E o filme, nesse sentido, prefere não adicionar personagens masculinos, o que acaba por ser uma boa escolha, já que isso dá mais força às várias personagens, mesmo à misteriosa Sra. Mullins (Miranda Otto), que vive o tempo todo trancada em um quarto, sem ser vista pelos demais habitantes do novo orfanato.

Há um cuidado especial na apresentação da casa, no quanto ela é grande e composta por lugares proibidos, como o quarto dos Mullins e, principalmente, o quarto onde habitava a garotinha morta Bee. O horror propriamente dito já começa no silêncio, ou melhor, no ainda não-dito, mas já sabido pelos espectadores, que é o fato de que aquela casa tem uma energia negativa. Aos poucos, pequenos eventos como janelas que se abrem sozinhas ou coisas do tipo vão ajudando a compor a narrativa de horror.

As explicações sobre o porquê de haver aquela boneca são rápidas, mas funcionam bem, embora o mais importante seja o quanto a direção sabe lidar com os ataques que as forças malignas impõem às crianças, aproveitando-se de sua inocência e curiosidade. Há uma opção por evitar sustos fáceis, o que fornece dignidade à obra, embora estejamos diante de uma série de convenções que os filmes de horror trataram de usar como códigos. Os próprios movimentos de câmera já antecipam que o que veremos a seguir é algo assustador.

Para o bem e para o mal, isso funciona, levando em consideração que estamos diante de um filme que oferece ao público aquilo que ele espera encontrar. Assim, o espectador até mesmo já sabe que, mais cedo ou mais tarde, verá a figura de uma freira maligna, que foi apresentada em INVOCAÇÃO DO MAL 2 (2016), e que até ganhará também um filme spin-off, THE NUN (2018), a ser dirigido por Corin Hardy (A MALDIÇÃO DA FLORESTA, 2015). Ou seja, estamos diante de uma franquia que não se diferencia muito dos filmes de super-heróis da Marvel, havendo até mesmo uma cena pós-créditos. Ao menos é uma franquia que tem sido tratada com carinho por seus realizadores. Que continue assim.

Ailton Monteiro

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Um comentário sobre “Resenha de Filme: ANNABELLE 2 – A CRIAÇÃO DO MAL

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