Resenha de Filme: MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR


cineclick-posterMoonlight, EUA, 2016
Gênero: Drama
Duração: 111 min.
ElencoMahershala AliNaomie Harris, Shariff Earp,  Ashton Sanders, Duan Sanderson,  Alex R. Hibbert, Janelle Monáe
Trilha Sonora: Nicholas Britell
Roteiro: Barry Jenkins, Tarell McCraney
Direção: Barry Jenkins
Cotação: star_4

MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR (2016), de Barry Jenkins, é um dos filmes mais aplaudidos pela crítica da atual temporada de premiações. É o que faz um contraste com LA LA LAND – CANTANDO ESTAÇÕES, filme branco, é verdade, embora preste tributo e respeito ao jazz, gênero criado pelos negros. Mas até que há elementos em comum entre os dois filmes, como a divisão por capítulos, por assim dizer.

MOONLIGHT se divide em três capítulos que mostram três diferentes fases da vida de Chiron, um garoto que cresceu na Miami negra dos anos 1970, convivendo com a mãe dependente de drogas e um traficante gentil. Já criança, por algum motivo, ele sofria bullying dos demais colegas da escola, que o chamavam de bicha, embora no filme não se verifique nenhum aspecto efeminado no personagem. Ele chega a perguntar ao casal de amigos adultos o que é ser gay.

O filme de Jenkins tem um interesse em contar a história apenas com a força das imagens e dos poucos diálogos, bem espaçados e sem muita pressa, semelhante ao personagem, menino/adolescente/homem de poucas palavras. Esse jeitão meio calado de Chiron talvez comprometa um pouco sua aproximação com boa parte do público, que precisa ter a sensibilidade para desvendar a tristeza em seu olhar e no que a câmera opta por mostrar.

Apesar da temática forte, que mistura bullying, ser negro e pobre nos Estados Unidos e homossexualidade, até que as cenas homoafetivas são bem poucas, tímidas, até, mas o suficiente para demonstrar a força do filme. MOONLIGHT consegue transmitir a magia do encontro de Chiron na praia com o amigo Kevin, com simplicidade e beleza. O reencontro, no terceiro ato, também é carregado de sutileza e poesia, tanto que pode até despertar algum sentimento de insatisfação por parte do espectador que espera algo parecido com uma catarse. A opção por um registro mais seco, sem uma trilha sonora “manipuladora”, tem os seus prós e contras, mas depõe mais a favor do filme, até por lhe dar um caráter diferencial dentro do que se costuma ver nos cinemas. Se não fosse a indicação ao Oscar, por exemplo, jamais um filme como MOONLIGHT seria visto nos cinemas de shopping.

Trata-se também da chance de conhecer a obra de um jovem cineasta que possivelmente ainda tem muito a nos oferecer. MOONLIGHT é seu segundo longa-metragem. O primeiro, MEDICINE FOR MELANCHOLY (2008), está sendo descoberto por muitos graças à visibilidade que o diretor alcançou no mainstream. Por isso é importante que o Oscar, uma festa do cinema comercial e americano, principalmente, também seja uma ponte saudável para o reconhecimento de talentos pouco conhecidos e que merecem a nossa atenção.

Na cerimônia de ontem, marcada pela constrangedora gafe no final, MOONLIGHT – SOB A LUZ DO LUAR conquistou três Oscar: filme, ator coadjuvante (Mahershala Ali) e roteiro adaptado.

Ailton Monteiro

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