john-wick-2-cartazJohn Wick – Chapter 2, EUA, 2017
Gênero: Ação
Duração: 118 min.
Elenco:  Keanu Reeves, Bridget Moynahan, Riccardo Scamarcio, Ruby Rose, Peter Stormare, Lance Reddick, Laurence Fishburne, Franco Nero
Trilha Sonora: Joel J. Richard, Tyler Bates
Roteiro: Derek Kolstad
Direção: Chad Stahelski
Cotação: star_4_5

Há uma enorme diferença entre JOHN WICK – UM NOVO DIA PARA MATAR (2017) e os filmes de ação genéricos produzidos nos Estados Unidos atualmente. A segunda parte da história do assassino por aluguel John Wick, vivido por Keanu Reeves, foi pensada e funciona como algo novo e vibrante, tanto na violência quanto nas brilhantes coreografias das cenas de ação, que unem cenas com carros, armas de fogo, facas e lutas corpo a corpo.

Acompanhamos mais uma vez a história do homem amargo que quer se aposentar e enfrentar de maneira mais calma os próprios demônios interiores, mas que tem sua paz perturbada pela visita de um membro da Camorra, uma das maiores organizações criminosas da Itália e do mundo, Santino D’Antonio, vivido por Riccardo Scarmacio. Santino deseja contratar os serviços de Wick para que ele possa executar a morte da irmã, de modo que possa, assim, assumir o lugar dela na liderança da organização. A contratação de um homem extremamente competente e quase invencível como Wick seria um passo e tanto para a realização de seus planos. Mas inicialmente Wick diz não e isso custa caro para ambos.

Fazer com que acreditemos em John Wick como uma espécie de lenda é um trabalho que é feito já nos primeiros minutos do filme. Quem nunca viu o primeiro filme com o personagem, DE VOLTA AO JOGO (2014) não vai sentir muita falta, pois esta sequência trata de apresentar, através do excelente prólogo, do que ele é capaz. Assistimos, de boca aberta e com entusiasmo raro, o impacto de carros batendo violentamente uns nos outros, bem como lutas físicas e com armas de fogo contra vários outros homens.

O diretor, Chad Stahelski, foi buscar a inspiração em produções de ação orientais e em animes. Stahelski tem um extenso currículo como dublê e coreógrafo de cenas de luta em alguns grandes filmes (já trabalhou com o próprio Reeves na trilogia MATRIX). A sorte é que ele se revelou também um excelente diretor. Seu filme tem uma elegância admirável, da primeira à última cena. Não se trata apenas de reproduzir pessoas bem vestidas e carros bonitos, mas de filmar de maneira elegante também, embora a elegância tenha tudo a ver com os ternos estilosos usados por Wick e seus inimigos, bem como com a própria Itália, berço de estilistas famosos. A beleza da fotografia e da direção de arte também é destaque.

A violência e a preferência por uma trilha sonora que foge das habituais orquestrações que dão sono em geral contribuem para que o filme seja sempre atraente e vibrante, mesmo quando corre o risco de cansar na grande quantidade de cenas de ação, o que nos faz lembrar os melhores momentos de John Woo e seus filmes com muitas balas, sangue e lutas em quase toda a metragem.

Mas podemos dizer que Stahelski toma o devido cuidado, pois embora o foco seja a ação, o universo dessa vez ampliado dos assassinos não deixa de ser fascinante, assim como o próprio sentimento de vazio da alma de John Wick. Além do mais, o respeito pelo que há de melhor no gênero aparece até mesmo no convite a alguém como Franco Nero, o eterno Django, que integra o elenco de apoio, e em uma homenagem à cena da sala de espelhos de OPERAÇÃO DRAGÃO, estrelado por Bruce Lee. Por esses e outros motivos é que já termos o mais sério candidato a melhor filme de ação do ano e um dos melhores da década.

Ailton Monteiro

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