blackmirror-posterBlack Mirror – Series 3 (2016)
ElencoBryce Dallas Howard, Alice Eve, Wyatt Russell, Hannah John-Kamen, Alex LawtherJerome FlynnMackenzie Davis,  Malachi Kirby, Kelly McDonald, Madeline BrewerGugu Mbatha-Raw
Roteiro: Charlie Brooker
Direção: Vários
Cotação:

Uma das melhores notícias nos últimos tempos, no que se refere a séries de televisão, foi a de que BLACK MIRROR voltaria com o dobro de episódios em 2016. Enquanto as duas primeiras temporadas tinham apenas três, esta terceira vem com seis episódios, desta vez em parceria com o Netflix, que além de contribuir na produção, ajuda e muito na divulgação e popularização da série, que ainda é considerada obscura por muitos espectadores.

A pergunta é: será que eles conseguiram manter o grau de excelência das temporadas de 2011 e 2013? Digamos que sim, levando em consideração o número de episódios, mas há uns dois que poderiam ser descartados para que a terceira temporada de BLACK MIRROR (2016) mantivesse o alto nível. De todo modo, como não são ruins, mas medianos ou pouco impactantes, acabam sendo bem-vindos também.

“Nosedive” (foto) é o episódio inicial, que é a cara da série e que tem tudo a ver com este momento atual, embora se passe no futuro. Neste episódio dirigido por Joe Wright (olha, como até um diretor de renome eles conseguiram), temos uma personagem que tem obsessão por popularidade em uma sociedade cujos valores são construídos a partir de curtidas. Neste mundo, Bryce Dallas Howard é Lacie, uma mulher disposta a tudo para conseguir uma casa melhor. Mas para isso ela precisará conseguir mais pontos. É um episódio que nos faz refletir sobre o quão conectados estamos às redes sociais e até onde isso pode nos levar.

“Playtest” é um dos episódios menos brilhantes. Até foge um pouco do estilo de BLACK MIRROR, parecendo mais um ALÉM DA IMAGINAÇÃO ou similar. Na trama, um rapaz (Wyatt Russell) deixa sua casa e parte para um país da Europa. Chegando lá, ele conhece uma garota em um aplicativo de relacionamentos e fica sem conseguir voltar pra casa. A saída acaba sendo servir de cobaia para um experimento de um novo jogo de horror ligado ao cérebro. O episódio é bom, mas fica aquém do que estamos acostumados a ver na série.

“Shut Up and Dance” é outro dos melhores, e tão tenso quanto o hoje clássico “The National Anthem”, ainda que um pouco mais simplificado. Rapaz é vítima de um vírus que o filma se masturbando vendo pornografia proibida. Os responsáveis pelo vírus o chantageiam para que ele faça o que eles pedem. É um jogo ao mesmo tempo divertido (só para quem assiste, claro), perigoso e perturbador. É o mais tenso desta temporada.

Um dos melhores, senão o melhor, é “San Junipero”, uma perturbadora história de amor nos moldes de “The Entire History of You”. Na trama, duas moças se conhecem em um lugar que inicialmente se passa na década de 1980. Aos poucos vamos vendo que aquele lugar é mais estranho do que imaginávamos. O ideal é ver a história se descortinando e descobrindo aos poucos as suas surpresas, ao mesmo tempo em que também nos envolvemos com o relacionamento amoroso das duas. Há cenas de deixar o coração apertado.

“Men Against Fire” é o menos inspirado da temporada. Possivelmente de toda a série, até agora. Poderia ter sido deixado de fora. Mas não deixa de ser interessante, tanto pela sua semelhança inicial com TROPAS ESTELARES, de Paul Verhoeven, quanto por ser mais uma história sobre universos de mentira, como em MATRIX. Pena que ele seja previsível e até um pouco chato.

Ao menos a série encerra em grande estilo, ainda que com um episódio não tão bom quanto o primeiro, o terceiro ou o quarto. “Hated in the Nation” é fascinante. Conta a história de uma investigação policial envolvendo pessoas que aparecem mortas depois de serem alvos de raiva por usuários do twitter, em geral por cometerem algum ato deplorável. É o episódio mais longo da temporada (cerca de uma hora e meia) e até poderia passar nos cinemas. Teria uma recepção calorosa de crítica e público.

Ailton Monteiro

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