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Resenha de Trilha Sonora: TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES: OUT OF THE SHADOWS – Steve Jablonsky


18191Música composta por Steve Jablonsky
Selo: Paramount Music
Formato: Download Digital
Lançamento: 03/06/2016
Cotação: star_3_5

Nova aventura dos répteis combatentes do crime mais famosos do mundo, Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Teenage Mutant Ninja Turtles: Out of the Shadows, 2016) é a continuação do reboot lançado em 2014, que reintroduziu os personagens nos cinemas. Na trama, Rafael (Alan Ritchson), Michelângelo (Noel Fisher), Donatello (Jeremy Howard) e Leonardo (Pete Ploszek) precisam enfrentar alguns de seus vilões mais famosos, como o samurai Destruidor (Brian Tee), o alienígena Krang (Brad Garret), os bizarros Bebop (Gary Anthony Williams) e Rocksteady (Stephen Farrelly) e o cientista Baxter Stockman (Tyler Perry). Para ajudá-los, estão alguns de seus antigos aliados, como a repórter April O’Neil (Megan Fox) e o vigilante Casey Jones (Stephen Amell). Assim como seu predecessor, o longa foi produzido por Michael Bay, embora o diretor não seja o mesmo: sai Jonathan Liebesman, entra Dave Green. E, como é de lei em Hollywood, um novo diretor significa também um novo compositor, no caso, Steve Jablonsky, que substitui Brian Tyler (imagino que Bay, antigo colaborador de Jablonsky, deva ter tido alguma influência nisso).

Para o primeiro filme das Tartarugas, Tyler escreveu um de seus melhores e mais vigorosos scores em blockbusters de ação – o que é muita coisa, considerando que o sujeito faz filmes do tipo há mais de uma década. Dessa forma, quando Jablonsky foi anunciado como o compositor da continuação, não pude deixar de me sentir ligeiramente frustrado. Afinal, o sujeito, uma das maiores promessas da Remote Control quando despontou com seu belíssimo score para o anime Steamboy (idem, 2004), logo seguiu uma carreira decepcionante justamente quando conheceu Bay, no ano seguinte. Assim, ainda que trilhas como o primeiro Transformers (idem, 2007), Sua Alteza? (Your Highness, 2011) e O Jogo do Exterminador (Ender’s Game, 2013) tivessem seus momentos, nenhuma conseguia atingir o nível alcançado pelo seu trabalho na animação nipônica. Parecia que Jablonsky estava condenado a apenas repetir em seus scores os piores clichês e manias dos seus colegas na infame Remote Control. Assim, foi uma grata surpresa perceber que Jablonsky conseguiu realizar um colorido e extremamente divertido trabalho para Fora das Sombras – talvez por ser justamente o tipo de score que eu não esperaria do compositor.

Afinal, ainda que ele infelizmente não tenha mantido os grandiosos temas do filme anterior, ao menos ele honrou o colega ao seguir basicamente no mesmo estilo de Tyler para seu predecessor. E, claro, se você fizer bem, não é um estilo que tenha como dar muito errado: fanfarras para os heróis, motivos sinistros para os vilões, uma orquestra grande e, claro, muita ação. Sem o tom supostamente auto importante ou grandioso dos Transformers, as Tartarugas Ninjas são algumas das criações mais absurdas da cultura pop – ou seja, a oportunidade perfeita para Jablonsky, tal como Tyler antes dele, realmente se divertir com o material apresentado. Com isso, o resultado é uma das trilhas mais energéticas e mais puramente divertidas do ano até agora.

As Tartarugas possuem nada menos que dois temas principais: o primeiro é uma heroica fanfarra para metais, especialmente o trompete, que, ouvido aos 0:57 da primeira faixa, é um primo próxima da famosa Arrival to Earth, do primeiro Transformers. Já o segundo, introduzido pela metade de Shredder Escape e desenvolvido melhor em Turtle Power, é mais orquestral, com uma melodia que reflete principalmente a amizade e a camaradagem entre as Tartarugas. Talvez intencionalmente, tal tema tenha me lembrado um pouco do tipo de música que poderíamos ouvir em desenhos animados ou mesmo em jogos de arcade nos anos 80 e 90 – estaria Jablonsky remetendo  às origens das tartarugas, como a animação exibida na época que as popularizou? Além disso, há também um outro motivo para os quatro quelônios, um ostinato para taiko drums e baixos introduzido em Tartaruga Brothers, não muito diferente do icônico tema de Brad Fiedel para O Exterminador do Futuro (The Terminator, 1984). Em seguida, o compositor combina seu trio de temas para os heróis de forma particularmente interessante: a citada Tartaruga Brothers traz a fanfarra do quarteto em metais claramente inspirados nas trilhas de Goldsmith ou Poledouris em filmes de ação dos anos 80, enquanto a gigantesca Shredder Escape mistura os três temas em meio à tanta ação que permeia os mais de seis minutos da faixa. Por outro lado, Become Human traz uma interpretação mais triste da fanfarra das tartarugas, e é um dos poucos momentos de respiro no disco.

Aliás, Jablonsky também não se esqueceu dos vilões do longa: o Destruidor e Krang ganharam suas próprias suítes com seus temas. A do primeiro é Shredder, que introduz o motivo do vilão, uma melodia ameaçadora em seis notas ouvida principalmente em cordas graves, percussão ou em coros masculinos malevolentes. Depois, ele traz uma presença forte e agressiva para faixas como Shredder Escape, Foot Clan Chase e Launch the Beam, por exemplo. Já o tema de Krang é mais abstrato e eletrônico, beirando o trabalho de Jablonsky em Battleship: A Batalha dos Mares (Battleship, 2012) ou o infame tema do Soldado Invernal no segundo longa do Capitão América. Mesmo Casey Jones tem seu próprio tema: ouvido na faixa que leva o nome de seu personagem, ele não é muito original, e parece ter sido pesadamente influenciado pela presença na temp track da trilha de Junkie XL para Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015).

A segunda metade do disco, a partir de Jump, é completamente dominada por música de ação densa e complicada, com orquestra, coral e eletrônicos. Embora tais cues lembrem um pouco o trabalho de Henry Jackman, colega de Jablonsky na RC, em trilhas como Kingsman: Serviço Secreto (Kingsman: The Secret Service, 2015) e X-Men: Primeira Classe (X-Men: First Class, 2011), elas são energéticas o suficiente para impedir que a audição do disco seja tediosa. Na enorme Jump!, a dramática Just One Sip, a sinistra Turtles Meet Krang e as épicas Fight on the Technodrome e Close the Portal, o compositor traz de volta todos os seus temas estabelecidos até então, tanto os motivos heroicos das Tartarugas e o de Casey Jones quanto os da dupla de vilões, para um gigantesco confronto final. A seguir, Brothers conclui a trilha com mais uma bela e grandiosa performance do tema principal dos heróis, enquanto a faixa final, Half Shell, vai agradar aos fãs mais nostálgicos das Tartarugas com uma versão orquestrada do tema de abertura da antiga série animada.

A trilha de Jablonsky para As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras é tudo o que você poderia esperar de um score para um longa tão absurdo como esse: sem sutileza alguma, barulhenta, repleta de ação, aventura e sem nenhum momento tedioso. Porém, embora eu ainda prefira o trabalho de Tyler (que também possuía todas essas qualidades), ela é também um score repleto de temas, emoção e muita energia, além da maior demonstração de criatividade de Jablonsky em um bom tempo. Pode não ser nenhuma obra prima, mas, numa época onde a música para filmes de heróis de quadrinhos parece querer retratar apenas a escuridão e o tom supostamente épico de seus longas, Fora das Sombras ganha pontos por ser extremamente despretensioso, com o único objetivo de divertir. Assim, pode ter demorado, mas finalmente o músico entregou um score que eu possa realmente apreciar (e recomendar), do início ao fim.

Faixas:

1. Squirrel Formation 3:02
2. Shredder 3:38
3. Tartaruga Brothers 3:00
4. Baxter Stockman 2:25
5. Shredder Escape 6:27
6. Krang 5:01
7. Turtle Power 2:30
8. Transformation 3:11
9. Foot Clan Chase 3:05
10. Casey Jones 2:28
11. Become Human 1:48
12. The Falcon 3:04
13. Jump! 5:16
14. Launch the Beam 1:10
15. Technodrome Assembles 1:53
16. Just One Sip 4:42
17. Toy Chest 2:26
18. Turtles Meet Krang 4:18
19. Fight on the Technodrome 2:13
20. Close the Portal 2:34
21. Brothers 2:51
22. Half Shell 1:49

Duração: 68:51

Tiago RangelEnhanced by Zemanta

Uma opinião sobre “Resenha de Trilha Sonora: TEENAGE MUTANT NINJA TURTLES: OUT OF THE SHADOWS – Steve Jablonsky”

  1. Não acredito que você me convenceu a baixar esse score! Eu também torci o nariz quando o Jablonsky foi escalado. Mas, sua resenha me deu uma esperança.

    O score do Tyler é, simplesmente, perfeito para se ouvir na academia (não sai da minha Playlist). Ele dá a energia necessária na hora da musculação. Verei se terei uma experiência semelhante com este do Steve.

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