Resenha de Arquivo: IRON MAN – Ramin Djawadi (Trilha Sonora)


ironmanCDMúsica composta por Ramin Djawadi
Selo: Lions Gate Records
Catálogo: LIOG200162PMI
Lançamento: 06/05/2008
Cotação: star_4

Depois de Homem-Aranha 3, havia ficado desencantado com as adaptações da Marvel. Parecia que o roteiro não fora escrito para ser coerente, mas sim para caber o máximo de informação possível. Por causa disso minhas expectativas para Homem de Ferro (Iron Man, 2008), primeiro filme da Marvel como estúdio independente, não eram grandes. Esperava um filmezinho mediano, com a mesma falta de dinâmica da série Spider-Man em geral, em que você torce para o filme acabar logo porque o enredo é cansativo, repetitivo e excessivamente dramático. Até concordo que é legal mostrar o drama de um super-herói por carregar esse grande fardo, mas se pensarmos bem todos nós temos fardos: trabalho, estudos, família, etc., e temos que enfrentá-los sem o auxílio de super-poderes. Por isso acho ridícula essa abordagem do super-herói se auto-penalizando. Acredito também que o grande problema está no fato de que a maioria dos diretores têm mostrado uma incompetência completa em dosar ação, aventura e drama.

No filme Iron Man houve uma abordagem diferente. Tivemos um roteiro extremamente divertido e consistente, que ao mesmo tempo fazia uma crítica séria à corrida armamentista americana e ainda mantendo um bom nível de ação e aventura. O filme me surpreendeu em todas as expectativas. Inclusive em relação à trilha sonora. Quando foi divulgado que o compositor seria Ramin Djawadi, pensei, “esse diretor enlouqueceu”. Dar o cargo de compositor de um filme blockbuster tão esperado para um músico então relativamente desconhecido, era uma atitude bem arriscada. Houve boatos inúmeros de que John Debney seria o compositor, o que havia me deixado muito contente, pois sou grande fã do estilo composicional e de orquestração de Debney. Posteriormente isso foi desmentido, e então foi anunciado que Djawadi é quem iria compor para o filme.

Eu esperava composições orquestrais clássicas, como Williams em Superman e Elfman em Batman e Spider-Man, mas qual foi a minha surpresa quando ouvi logo nas primeiras cenas do filme acordes pesados tocados por uma guitarra elétrica bem distorcida. Nesse tipo de situação, onde você é surpreendido por algo totalmente diferente do que se esperava, duas coisas distintas podem acontecer: ou você adora, ou você odeia. Eu, particularmente, me apaixonei. Devo confessar que até já esperava um momento ou outro com guitarra elétrica, uma vez que ouvi uma amostra da trilha no site http://www.hans-zimmer.com quase um mês antes do lançamento do filme – a faixa era “Fireman”. Só não sabia se trilha seria toda nesse ritmo, o que foi uma surpresa muito agradável.

Ouvi muitas críticas à trilha, dizendo que era ruim e que soava mais como o CD do Metallica S&M. Quem fez essa comparação provavelmente achou que seria uma forma de crítica negativa. Na minha opinião, a comparação é perfeita, assim como também é extremamente positiva. O conjunto Metallica, muitos anos atrás, gravou um álbum tocando ao vivo com a orquestra sinfônica de San Francisco. Quem fez todos os arranjos, orquestrações e ainda conduziu foi o falecido mestre Michael Kamen. O modo como Kamen fez a orquestra complementar as composições do conjunto de heavy metal foi impressionante, e também a melhor combinação de metal e erudito que já ouvi, superando de longe tentativas de bandas de metal melódico e progressivo, e até mesmo do sueco Yngwie Malmsteen, que se gabou por ter orquestrado ele mesmo suas músicas (gravadas ao vivo também com uma orquestra japonesa) e chegou a ofender o pessoal do Metallica por terem chamado Kamen para fazer arranjos. Malmsteen acrescentou ainda que não precisa chamar nenhum compositor para orquestrar, pois ele mesmo tinha o conhecimento para fazer tudo. Resultado: nunca vi orquestração mais amadora sendo tocada por uma orquestra renomada. Se eu disser que está ruim, estaria sendo amigável.

A trilha de Iron Man, em linhas gerais, é extremamente original já que eu nunca tinha ouvido uma trilha que tivesse totalmente essa abordagem: guitarra e orquestra, em um conceito de metal progressivo. Não é fácil compor música nesse estilo, eu que o diga, já trabalhei bastante tempo fazendo arranjos orquestrais em músicas de heavy metal. Djawadi foi corajoso utilizando essa abordagem, pois há muito preconceito em relação a essas misturas. Inclusive dos mais eruditos, que são a favor da preservação da musica orquestral, sem essa coisa de colocar eletrônica em tudo que é lugar, quase como sendo naipe da orquestra. Eu penso assim também, mas devo dizer que este disco foi uma grande exceção, porque foi tudo bem dosado.

Um aspecto forte da Remote Control (extinta Media Ventures) é o caráter encorpado e aveludado das trilhas. A mixagem também é sempre impecável. E isso todas as trilhas que vêm de compositores como Klaus Badelt, Steve Jablonsky, Harry Gregson-Williams e até do Djwadi tem em comum, já que todos são egressos dessa “família” como eles mesmo chamam. Alem disso, Iron Man é uma trilha que não tem aqueles eletrônicos excessivos de Tyler Bates, Marco Beltrami e Mark Isham, e por isso já ganha muitos pontos. Não tem enganação aqui, não tem aquele tipo de faixa de cinco minutos apenas com ruídos e barulhos ambientais, é música o tempo todo. Outra característica é que os temas são bem diretos, sem muita enrolação, não é como nas trilhas do Horner, onde ele escreve uma faixa de cinco minutos, com dois minutos de introdução, para só depois expor o tema principal.

Mas vamos comentar algumas faixas. Eu diria que o tema principal do filme é a primeira faixa do CD, “Driving with The Top Down”, já que seus motivos orquestrais e riffs de guitarra são tocados várias vezes durante o filme todo. Essa é minha faixa favorita. Se bem que é complicado chamar uma faixa de favorita, pois todas são favoritas pra mim. “Merchants of Death” começa com um baixo elétrico cheio de efeitos, que parece clichê de jogos de ação de Playstation. Em 1:10 começa um motivo descendente, que será tocado em outras faixas nas cordas. A música termina com quebradeira total.

“Trinkets to Kill a Prince” apresenta uma espécie de variação do tema principal da trilha, com um motivo descendente de cordas que inicia ao 1:34 em cima do ritmo pesado. Depois desse momento temos uma passagem mais sombria, com baixo bem grave, e no solo entra um som que parece waterphone tocado junto com glass harmonica. Talvez seja um sintetizador. Os baixos provavelmente foram criados a partir de mixagens de baixo elétrico com efeitos, contrabaixo de orquestra e mais alguns sintetizadores. Isso é bem comum quando se trabalha com música eletrônica, você soma diversos sons para conseguir um timbre de mais massa sonora. “Fireman” foi a primeira composição que ouvi da trilha, como já citei antes, e desde então eu já sabia que a trilha seria surpreendente. A faixa é densa, cheia de camadas orquestrais. Cordas, metais, guitarra e bateria, tudo junto numa pauleira incessante.

“Vacations Overs” é extremamente linda. Tem algo de Zimmer e Horner na harmonia e nos contornos melódicos. A faixa começa com umas texturas sintetizadas, até que aos 28 segundos o tema se inicia nas cordas. Enfim, Iron Man ainda é dos melhores trabalho, sem sombra de dúvida, do então “novato” Ramin Djawadi. É também, na minha opinião, das melhores trilhas de 2008, empatando com O Orfanato.

Faixas:

  1. Driving With The Top Down
  2. Iron Man [2008 Version] (John O’Brien & Rick Boston)
  3. Merchant Of Death
  4. Trinkets To Kill A Prince
  5. Mark I
  6. Fireman
  7. Vacation’s Over
  8. Golden Egg
  9. DamnKid (DJ Boborobo)
  10. Mark II
  11. Extra Dry, Extra Olives
  12. Iron Man
  13. Gulmira
  14. Are Those Bullet Holes?
  15. Section 16
  16. Iron Monger
  17. Arc Reaktor
  18. Institutionalized (Suicidal Tendencies)
  19. Iron Man (Jack Urbont)

Duração total: 54:02

Renan Fersy
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3 opiniões sobre “Resenha de Arquivo: IRON MAN – Ramin Djawadi (Trilha Sonora)”

  1. Apesar de preferir a trilha de Homem de Ferro 3, essa do primeiro filme é muito bacana. Por sinal, o Djawadi voltará logo, logo com a trilha de Warcraft. Gostei muito do trabalho dele em Pacific Rim.

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