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Resenha de Filme: CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL


capitão_américa_guerra_civil_posterCaptain America: Civil War, EUA, 2016
Gênero: Aventura, Ficção Científica
Duração:  146 min.
Elenco: Chris Evans, Robert Downey Jr., Scarlett Johansson, Anthony Mackie, Sebastian Stan, Chadwick Boseman, Elizabeth Olsen, Tom Holland, Jeremy Renner, Paul Bettany, Don Cheadle, Paul Rudd,  Daniel Brühl, Emily VanCamp, Frank Grillo, Martin Freeman, William Hurt, Marisa Tomei
Trilha Sonora: Henry Jackman
RoteiroChristopher Markus, Stephen McFeely
Direção: Anthony Russo, Joe Russo
Cotação: star_4

A direção de CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL (2016) teria que ser mesmo dos irmãos Anthony e Joe Russo, que fizeram tão bonito em CAPITÃO AMÉRICA 2 – O SOLDADO INVERNAL (2014), impondo mais dramaticidade e seriedade em uma série de filmes cujo humor tem predominado e nem sempre tem se mostrado eficiente – a melhor e mais feliz exceção é HOMEM-FORMIGA (2015), de Peyton Reed, que tinha mesmo a intenção de entrar com mais força por esse território, mas sem destoar do conjunto.

Em CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, desde já um dos melhores filmes dos estúdios Marvel, o humor se equilibra bem com o drama. Afinal, desde o começo, com uma missão de parte dos Vingadores em uma cidade da Nigéria que acaba terminando em tragédia, o mundo como um todo e também o Governo dos Estados Unidos passam a exigir do grupo uma legalidade. Até porque essa não foi a única perda de vários civis vítimas de lutas entre os super-heróis e seus inimigos.

O trabalho dos irmãos Russo é meio que um filme dos Vingadores: preferiram não perder de todo as piadinhas características do maior grupo de heróis da Marvel. Até porque o filme ia trazer também o Homem-Aranha, em acordo com a Sony, e como o “amigão da vizinhança” luta fazendo piadas, eis que teríamos mais um motivo para que o humor se fizesse presente. Aliás, que baita bônus a participação do Aranha, hein. E Marisa Tomei como Tia May é uma coisa difícil de aceitar, por ser muito nova, mas tudo bem.

Anthony e Joe Russo se mostraram muito fãs do Universo Marvel, ao incluir várias referências que talvez só os fãs dos quadrinhos perceberiam, como a nação Wakanda, Sharon Carter, a prisão Balsa, o Barão Zemo, o Ossos Cruzados, a Joia do Infinito etc. E tudo muito bem interligado com os filmes dos Vingadores, do Capitão América, do Homem de Ferro e do Homem-Formiga. Então, é já uma posição perfeitamente consolidada e de bastante sucesso, que talvez só esteja esperando uma obra-prima de verdade no currículo, mas nem sabemos se a Marvel quer isso: que um grande autor venha se intrometer de modo a ofuscar o bom andamento das realizações.

Apesar disso, é sempre bom lembrar que o estúdio tem procurado diretores que julgam ideais para certas produções, como um cineasta de filmes de horror como Scott Derrickson para o vindouro filme do Doutor Estranho, ou terem escalado um cineasta que já filmou Shakespeare para o primeiro filme do Thor (2011) e um diretor da série GAME OF THRONES, Alan Taylor, para THOR – O MUNDO SOMBRIO (2013), dois filmes, aliás, que representam pontos baixos na lista de títulos da Marvel, mas isso não vem muito ao caso. Deslizes são inevitáveis.

Quanto a CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL, trata-se de uma obra que é devedora direta da minissérie Guerra Civil, de Mark Millar e Steve McNiven, que marcou bastante os quadrinhos americanos dos anos 2000 e que repercutiu em vários outros títulos da Marvel (Vingadores, Homem-Aranha, Capitão América etc.). A guerra civil nos quadrinhos fez valer esse título mesmo, de verdade, com dezenas, talvez centenas de super-heróis se digladiando e fechando com uma tragédia.

Já no filme, seria impossível fazer algo próximo disso, já que com uma duração de menos de três horas mal dá para administrar doze super-heróis em luta, e ainda tendo que apresentar o Pantera Negra para a audiência. Inclusive, a luta dos doze heróis foi filmada em IMAX e isso é percebido com a mudança da razão de aspecto da tela e da melhor qualidade de imagem. (Lembrando que, apesar da beleza do IMAX, o 3D convertido dos filmes da Marvel continua fajuto e caça-níquel.)

Pena que no fim dessa luta tudo pareça uma mera brincadeira. Eficiente e divertida, mas que falta mais dramaticidade e motivos mais fortes para que aqueles grupos entrassem em conflito. Porém, como vivemos atualmente numa sociedade também dividida, é até natural que esse tipo de coisa aconteça, por mais que as razões pareçam um tanto nebulosas.

A luz que se oferece está na figura do Soldado Invernal. Se o ator Sebastian Stan não tem o mesmo carisma dos demais, seu drama é o mais trágico. Apesar de estar sob controle dos inimigos, ele se sente culpado por ter executado tantas vidas inocentes sob o comando dos terroristas. E, no fim, é ele o principal eixo pelo qual GUERRA CIVIL gira em torno, embora isso não tire o protagonismo do Capitão América e do Homem de Ferro, vividos por atores cada vez mais à vontade em seus papéis.

Um dos grandes méritos do filme é nos convencer mais uma vez da força desses heróis, do que eles são capazes. O Capitão América não é só um sujeito forte com um escudo, como bem mostrado já no primeiro filme solo do herói, de 2011. Assim como a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro compensam suas faltas de superpoderes com grande força física e agilidade. E tudo é muito bem coreografado durante as lutas. Talvez só a Feiticeira Escarlate destoe dos demais por ter um poder ainda difícil de compreender para quem nunca leu a minissérie Dinastia M, mas o filme apresenta um bocado de seu incrível poder numa cena dela com o androide Visão.

CAPITÃO AMÉRICA – GUERRA CIVIL é um filme mais de grandes e memoráveis momentos soltos do que exatamente um conjunto coeso e eficientemente emocionante, especialmente na parte mais dramática, envolvendo uma ação executada pelo Soldado Invernal em 1991. É um dos momentos que mais podem levar o espectador às lágrimas. E isso não é pouco em se tratando de um estúdio que não tem muitas pretensões de transformar seus filmes em dramas pesados ou muito sérios, como os de sua maior concorrente. Por enquanto a fórmula tem funcionado. Que continuem oferecendo belos trabalhos como esse, então.

Ailton Monteiro

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