x_files_2016The X-Files – Season 10 (2016)
ElencoDavid Duchovny, Gillian Anderson, Mitch Pileggi, Joel McHale, William B. Davis, Lauren Ambrose, Robbie Amell, Annabeth Gish
Roteiro:  Vários
Direção:  Chris Carter, Vários
Cotação: star_3_5

Uma das series mais marcantes dos anos 1990, ARQUIVO X retornou para uma tímida (em número de episódios) décima temporada (2016). A última até então havia encerrado em 2001, mas ainda renderia dois longas-metragens para o cinema: ARQUIVO X – O FILME (1998) e o mais apagado ARQUIVO X – EU QUERO ACREDITAR (2008), que eu até já escrevera a respeito mas tinha esquecido, o que não é bom sinal no que se refere à qualidade do trabalho e ao seu teor oportunista.

A nova e curta temporada de ARQUIVO X funciona mais para que o criador Chris Carter e a emissora Fox vejam se ainda há um apelo popular, o que se provou positivo, ainda que os episódios sejam irregulares na qualidade, principalmente levando em consideração o fato de serem só seis. Por outro lado, acaba sendo uma amostra do quanto o público quer ver mais aventuras de Mulder e Scully, o quanto os dois agentes são queridos.

O primeiro episódio “My Struggle”, dirigido e roteirizado pelo próprio Chris Carter, parece um bêbado tentando executar uma tarefa complicada. O próprio David Duchovny, aliás, pareece estar bêbado ou passando por um processo de reabilitação, com sua voz e seu jeito de atuar, que destoa de Gillian Anderson, que consegue trazer de volta a sua Scully como num passe de mágica.

O episódio também oferece informação demais para apenas 44 minutos de duração. Talvez funcionasse bem em pelo menos uma hora e meia. De todo modo, é um início. E o segundo episódio, com Mulder e Scully reassumindo os Arquivos X, com o apoio de Skinner (Mitch Pileggi), e sabendo de uma grande conspiração envolvendo o Governo, que estaria utilizando tecnologia alienígena para fins pouco nobres, já começa com um caso especial, fugindo aos poucos da trama principal e oferecendo episódios do monstro da semana, como era de hábito na série.

O melhor dos episódios é justamente o terceiro, “Mulder & Scully Meet the Were-Monster”, uma comédia sobre o misterioso caso de uma estranha criatura que aparece em uma cena de crime. É desses episódios para assistir com um sorrisão no rosto do início ao fim, tanto de contentamento por estar vendo algo especial, como por ser engraçado mesmo, além de ter um belo teor de humanidade e solidariedade em sua conclusão. Mas como as coisas precisam voltar à trama principal, o quarto episódio retoma o caso do filho que Mulder e Scully tiveram juntos, mesmo que muito ainda precise ser dito sobre o caso.

Chris Carter volta à direção no quinto episódio, “Babylon”, que funciona como uma dobradinha com a season finale. “Babylon” brinca com o fato de haver dois agentes com características muito parecidas com os jovens Mulder e Scully – aquele que acredita e aquela que duvida. O quinto episódio envolve o caso de um terrorista em coma que pode ser a chave para que Mulder consiga descobrir os novos planos do grupo a que ele pertence.

Mas legal mesmo é ver “My Struggle II”, que fecha a temporada muito bem. Se o primeiro “My Struggle”, que abre a temporada, é atabalhoado, este, apesar de muito movimentado, tem um timing muito bom, com uma beleza de narrativa que se inicia com o desaparecimento de Mulder e segue com um interessante caso de uma doença mortal e o uso de DNA alienígena para salvar a humanidade. Sem falar na maior presença em cena do terrível Canceroso (William B. Davis) na temporada. No final, somos deixados com um gancho e um gosto de “quero-mais”, o que prova que a série tem, sim, que retornar pelo menos para mais uma mini-temporada como essa e fechar as pontas soltas.

Ailton Monteiro

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