CLASSICOS_SCIFI_VII_2SCANNERS – X: THE MAN WITH X-RAY EYES – THE THING FROM ANOTHER WORLD – SLAUGHTERHOUSE-FIVE – SOYLENT GREEN – ROBINSON CRUSOE ON MARS
Produção: 1981- 1963 – 1951 – 1972 – 1973 – 1964
Duração: 576 min.
DireçãoDavid CronenbergRoger Corman – Chrystian Nyby – George Roy Hill – Richard Fleischer – Byron Haskin
Elenco: Stephen Lack, Patrick McGoohan, Jennifer O’Neill, Michael Ironside, Ray Milland, Harold J. Stone, Kenneth Tobey, Margareth Sheridan, James Arness, Michael Sacks, Valerie Perrine, Ron Leibman, Charlton Heston, Edward G. Robinson, Leigh-Taylor Young, Paul Mantee, Adam West, Victor Lundin
Vídeo: 1.33:1 – 1.78:1 – 1.85:1 – 2.35:1 – 2.40:1 (Widescreen Anamórfico)
Áudio: Inglês (Dolby Digital 5.1, Dolby Digital 2.0)
Legendas: Português
Região: 0
Distribuidora: Versátil Home Video
Discos: 3 DVD-9
Lançamento: 05/11/2015
Cotações (Médias): Som: ***½ Imagem: **** Filmes: **** Apresentação e Extras: **** Geral: ****

SINOPSE
Disco 1
SCANNERS – SUA MENTE PODE DESTRUIR (1981, 103 min.) – De David Cronenberg. Um cientista envia um homem com poderes paranormais para caçar o perigoso líder de um movimento que reúne outras pessoas como ele, conhecidas como Scanners.
O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO-X (1963, 79 min.) – De Roger Corman. Um médico testa em si mesmo uma fórmula que lhe dá uma visão de raio-X, mas esse poder tem consequências terríveis.

Disco 2
O MONSTRO DO ÁRTICO (1951, 83 min.) – De Chrystian Nyby. Equipe de pesquisadores no Pólo Norte resgata, de uma nave extraterrena, uma criatura que volta à vida e começa a matar cães e seres humanos a fim de se alimentar do seu sangue.
MATADOURO 5 (1972, 104 min.) – De George Roy Hill. Um veterano da Segunda Guerra Mundial, que sobreviveu ao bombardeio de Dresden, é abduzido por alienígenas e fica “solto” no tempo, revivendo momentos da sua existência.

Disco 3
NO MUNDO DE 2020 (1973, 97 min.) – De Richard Fleischer. Em 2022, quando a Terra sofre com a poluição e a superpopulação, um policial investiga o assassinato de um executivo do ramo de alimentos, o que leva a descobertas chocantes.
ROBINSON CRUSOÉ EM MARTE (1964, 110 min.) – De Byron Haskin. Tendo apenas uma macaca como companhia, um astronauta tenta sobreviver em Marte. Logo descobrirá que ambos não estão sozinhos no inóspito planeta.

COMENTÁRIOS
E lá vamos nós em outra jornada por filmes clássicos ou cults de ficção científica, pertencentes a diferentes subgêneros.

O Monstro do Ártico
O Monstro Do Ártico

Começamos, em ordem cronológica, pelo memorável MONSTRO DO ÁRTICO (THE THING FROM ANOTHER WORLD), único exemplar sci-fi do lendário diretor Howard Hawks, aqui creditado apenas como produtor (apesar de muitos afirmarem ser ele, e não seu pupilo Chrystian Nyby, o verdadeiro diretor do filme). Em plena coqueluche dos discos voadores, a Fox lançara no final de 1951 O DIA EM QUE A TERRA PAROU, clássico pacifista protagonizado por um extraterrestre benévolo (ainda que incompreendido). Mas antes, no mesmo ano, a RKO inaugurou a ficção científica de terror com esta produção de Hawks baseada no conto “Who Goes There”, de John W. Campbell, onde o visitante de outro mundo era, indiscutivelmente, maligno. Aparentemente congelado e morto, o alienígena é retirado do seu disco voador, que estava coberto de gelo no Pólo Norte, e levado a uma base de pesquisas. Obviamente, a criatura logo revive e começa a matar. Certamente por limitações orçamentárias e tecnológicas da época, um dos conceitos mais originais do texto de Campbell, a capacidade de o alienígena adotar a aparência dos seres por ele absorvidos, foi deixada de lado. Assim, o monstro virou um vampiro vegetal interpretado por James Arness, da longeva série western GUNSMOKE. Nos anos 1980, o diretor John Carpenter fez uma refilmagem bem fiel do conto, e o resultado foi o melhor filme de sua carreira – O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (1982). Curiosamente, em seu lançamento, o transmorfo de Carpenter também dividiu as telas com um alienígena do bem, o E.T. de Spielberg.

O Homem Com Olhos de Raio-X
O Homem Dos Olhos de Raio-X

Passando para a década de 1960, outro diretor lendário, Roger Corman, dirigiu O HOMEM DOS OLHOS DE RAIO-X (X: THE MAN WITH X-RAY EYES, 1963), onde o oscarizado Ray Milland interpretou o Dr. James Xavier, criador de um colírio que lhe permite ver através das camadas de pele e músculos – o que obviamente traria avanços incríveis para a medicina. Porém ele exagera na dose, e sua visão de Raio-X se amplifica de tal forma que, afetado pelo que enxerga, começa a perder a razão. Após cometer um assassinato, ele vira um fugitivo até que, atormentado, resolve tomar uma atitude drástica. O filme de Corman, assim como de outras realizações suas da época, possui um clima bem sessentista (época de profundas transformações sociais e científicas), e pode ser visto como uma alegoria sobre as consequências do uso do LSD – tema que Corman abordaria de forma direta quatro anos depois em VIAGEM AO MUNDO DA ALUCINAÇÃO. As coloridas visões de Xavier são equivalentes às de uma viagem de “ácido”, e a droga o leva a perder tudo – carreira, interesse amoroso e, por fim, sua própria integridade mental e física. O filme, tanto técnica como interpretativamente (a tentativa de Milland dançar o twist é constrangedora), ficou bem datado, porém conseguiu manter seu caráter perturbador – especialmente em seus momentos finais.

Robinson Crusoé Em Marte
Robinson Crusoé Em Marte

Um ano depois, a Paramount lançou uma nova adaptação cinematográfica do clássico livro de Daniel Defoe, ROBINSON CRUSOÉ EM MARTE (ROBINSON CRUSOE ON MARS, 1964). Como o título indica, é uma versão sci-fi que troca a ilha do náufrago Crusoé (aqui o astronauta Draper, interpretado por Paul Mantee) pelo planeta Marte. O filme do diretor Byron Haskin (da versão original de GUERRA DOS MUNDOS) é o legítimo precursor do recente PERDIDO EM MARTE (2015), porém é bom as comparações pararem por aqui. Os mais de 50 anos que separam ROBINSON CRUSOÉ EM MARTE do longa de Ridley Scott o tornam uma espécie de fantasia onde é possível respirar no Planeta Vermelho (ainda que por períodos limitados), sobreviver sem trajes espaciais e até mesmo encontrar um escravo fugitivo, batizado obviamente como Sexta-Feira (Victor Lundin). Vistos hoje, os efeitos visuais obviamente são toscos (ainda que algumas cenas rodadas no Vale da Morte, combinadas com pinturas matte, funcionem), e as naves dos alienígenas que caçam Sexta-Feira foram obviamente recicladas de GUERRA DOS MUNDOS (até os efeitos sonoros são os mesmos). Já o elenco é medíocre (o então totalmente desconhecido Mantee e Lundim são mais lembrados por papeis coadjuvantes na televisão), e o maior destaque é mesmo Adam West, o astro da clássica série BATMAN, que no entanto pouco aparece. Enfim, trata-se de uma curiosidade ainda cultuada mas que está longe de ser um verdadeiro clássico.

Matadouro 5
Matadouro 5

Já na década seguinte o diretor George Roy Hill, de filmes aclamados como BUTCH CASSIDY (1969) e GOLPE DE MESTRE (1973), aventurou-se na ficção científica com MATADOURO 5 (SLAUGHTERHOUSE-FIVE, 1972), adaptação do premiado livro homônimo de Kurt Vonnegut. Como de hábito na carreira de Hill, o longa foi bem recebido pela crítica, porém foi um fracasso de público. Sem dúvida é um dos menos vistos da carreira do diretor – eu mesmo só fui assisti-lo pela primeira vez agora, nesta coletânea da Versátil. O filme captura de forma fiel a sátira e o humor negro do livro de Vonnegut, mas certamente seria beneficiado com maiores valores de produção – o bombardeio da cidade alemã de Dresden, que é parte importante da trama, simplesmente não é mostrado (vemos apenas as consequências da destruição). Além disso, o roteiro não explica porque os alienígenas de Tralfamadore (que tem um enorme interesse em assistir aos atos reprodutivos humanos) ficam enviando Billy Pilgrim (Michael Sacks) ao passado, e nem como é feita a viagem no tempo. Mas, verdade seja dita, são detalhes secundários que não prejudicam a narrativa irreverente e pós-moderna de Vonnegut, levada com segurança à tela por Hill. Ah, detalhe importante: a exuberante atriz Valerie Perrine, totalmente “à vontade”, rouba a cena como a atriz pornô que é abduzida pelos aliens para  ser o par de Pilgrim.

No Mundo de 2020
No Mundo de 2020

Em 1973, o já então experiente diretor Richard Fleischer (20.000 LÉGUAS SUBMARINAS, VIAGEM FANTÁSTICA) levou para o cinema o futuro sombrio retratado por Harry Harrison no livro “Make Room! Make Room!” em NO MUNDO DE 2020 (SOYLENT GREEN, 1973). O filme tem algumas similaridades com o clássico da década seguinte, BLADE RUNNER, já que se situa em uma época semelhante (da qual aliás já estamos bem próximos) e tem, no centro da trama, as investigações de um policial. Mas as semelhanças param por aí, já que nesse futuro pessimista (apesar do título em português, a ação se passa no ano 2022) não há androides, e a tecnologia, de um modo geral, é bem menos evoluída. A ênfase está na degradação social e do nível de vida, ocasionada pela superpopulação que transformou o mundo em uma grande favela: as pessoas se amontoam nas ruas e moradias, e apenas os ricos tem direito a apartamentos individuais – cuja mobília, aliás, inclui uma verdadeira mulher-objeto para atender todas as necessidades do morador. Alimentos naturais são artigos de luxo, e o povo faz filas enormes e muitas vezes se engalfinha para conseguir suas barras coloridas de proteína feitas pela empresa Soylent. O último lançamento da empresa, o Soylent Verde, é alegadamente feito de algas marinhas, porém hoje não são necessários mais do que cinco minutos (se tanto) para deduzirmos o que o policial, interpretado pelo grande Charlton Heston, leva o filme todo para descobrir. Mas à época a revelação chocava, e isso acabou dando ao filme a condição de clássico, que persiste até hoje. Foi a última aparição nas telas de um dos maiores atores da história de Hollywood, Edward G. Robinson.

Scanners - Sua Mente Pode Destruir
Scanners – Sua Mente Pode Destruir

Finalmente chegamos à década de 1980 e a SCANNERS – SUA MENTE PODE DESTRUIR (SCANNERS, 1981), o filme que revelou o diretor canadense David Cronenberg ao mundo. Em obras anteriores como CALAFRIOS (1975) e FILHOS DO MEDO (1979), Cronenberg já flertara com o terror e a ficção científica, mas foi a partir de SCANNERS que ele tornou-se referência no gênero que posteriormente revisitou, em obras focadas em mutações ou transformações do corpo humano como VIDEODROME (1983), NA HORA DA ZONA MORTA (1983), EXISTENZ (1999) e o aclamado remake A MOSCA (1986).  Tramas envolvendo pessoas com poderes mentais ou paranormais hoje são comuns, mas desde que CARRIE – A ESTRANHA (1976) iniciou a moda, o filme de Cronenberg continua sendo o que mais esteve à frente do seu tempo. Em comparação a outras obras do diretor, o longa tem uma trama enxuta, simples até, mas que se estabelece firmemente já de início com a cena pela qual é mais conhecido – a explosão da cabeça – e segue por outros grandes momentos, como a excelente cena do telefone e o confronto final entre os dois Scanners interpretados por Stephen Lack e Michael Ironside. A propósito, os excelentes efeitos de maquiagem de Chris Walas tiveram a consultoria do lendário Dick Smith, responsável por, entre outros filmes, O EXORCISTA (1973). O filme, ao mostrar que os Scanners foram criados devido a um medicamento tomado por suas mães durante a gravidez, faz referência direta a um dos maiores escândalos da indústria farmacêutica mundial – a Talidomida -, e isso origina outra ótima sequência, quando a personagem de Jennifer O’Neill é “escaneada” por um feto na sala de espera de um obstetra. Acertos à parte, o espectador terá de relevar certas falhas ou “conveniências” do roteiro, como o fato de o personagem de Lack, no início um sem-teto, transformar-se, muito rapidamente em um “Mestre Scanner” entendido em computadores a serviço do britânico Patrick McGoohan. Mas são detalhes menores que não retiram a força de um dos melhores títulos no gênero, que conta com uma eficaz trilha eletrônica de Howard Shore (trilogias O SENHOR DOS ANÉIS, O HOBBIT), habitual colaborador do diretor. E por favor esqueça as duas fracas continuações, que não tiveram o envolvimento de Cronenberg.

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SOBRE O DVD
A série de ótimas coletâneas temáticas da Versátil continua com este CLÁSSICOS SCI-FI VOL. 2. Como sempre, inclui títulos que dificilmente teríamos disponíveis em home video no Brasil – e com ótima qualidade técnica e apresentação caprichada – não fosse pela iniciativa da distribuidora. Dos seis filmes incluídos, creio que apenas SCANNERS – SUA MENTE PODE DESTRUIR já fora disponibilizado aqui, por outra distribuidora pequena. A exemplo do VOL. 1, temos três DVDs de dupla camada contendo seis filmes e extras, acondicionados em uma embalagem digistack envolta por uma luva de cartolina. Novamente foram incluídos seis cards, que reproduzem cartazes de cinema de cada longa.

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Exceto por O MONSTRO DO ÁRTICO, rodado em preto e branco na proporção 1.33:1, os demais receberam transferências anamórficas coloridas de aspect ratio variável, sendo que as de SCANNERS, O HOMEM DOS OLHOS DE RAIOS X, NO MUNDO DE 2020 e ROBINSON CRUSOÉ EM MARTE tomaram por base as remasterizações feitas para seus lançamentos em Blu-ray no exterior. Sem surpresa trazem a melhor apresentação visual do pacote, respeitadas as características inerentes à produção original e a natural limitação da resolução SD. Os “patinhos feios” do pacote são O MONSTRO DO ÁRTICO (imagem nítida em preto e branco, porém com riscos e sujeiras em várias cenas) e MATADOURO 5 (cores esmaecidas e aplicação de DNR) – coincidentemente, filmes disponíveis apenas em DVD mesmo no exterior, e que ainda não receberam uma nova restauração. Novamente deve ser destacado o ótimo trabalho de autoração no que se refere à compressão, já que mesmo colocando dois filmes e, por vezes, extras em um único disco, artefatos e outras anomalias digitais são praticamente inexistentes. Como de hábito, para poupar espaço em disco, não foram incluídas dublagens em português, apenas faixas Dolby Digital em inglês, de qualidades diversas. Apenas o filme mais novo do pacote, SCANNERS, recebeu uma mixagem multicanal, mas apenas 5.0. e, portanto, fica a dever nos graves. Os demais possuem áudio original Dolby 2.0 (mono). Temos legendas apenas em português, e os menus, estáticos mas bonitos, reproduzem imagens dos filmes.

EXTRAS
O material suplementar de CLÁSSICOS SCI-FI VOL. 2 está distribuído pelos três discos, e foi extraído das correspondentes edições em DVD ou Blu-ray disponíveis no exterior. Os vídeos possuem formatos de tela variados (widescreen ou standard), conforme a fonte original, e todos foram legendados em português:

Disco 1

  • Documentário sobre Scanners (23 min.) – Membros da equipe técnica original do filme, além do oscarizado especialista em efeitos de maquiagem Rick Baker, discutem tópicos como efeitos especiais, processo de filmagem, a direção de David Cronenberg, etc;
  • Entrevista de Michael Ironside sobre Scanners (19 min.) – O ator Michael Ironside, que inaugurou sua carreira de vilão cinematográfico em SCANNERS, relembra sua experiência no filme, a colaboração com Cronenberg e outros assuntos;
  • Depoimento de Joe Dante sobre O Homem dos Olhos de Raio-X (6 min.) – O diretor cult Joe Dante (GRITO DE HORROR, GREMLINS) começou sua carreira trabalhando com Roger Corman, e aqui ele faz uma breve análise sobre o filme e os temas que aborda;
  • Prólogo alternativo de O Homem Dos Olhos de Raio-X (4 min.) – Didática sequência sobre os sentidos humanos que servia de introdução ao filme nas cópias originais de cinema, mas que posteriormente foi eliminada em suas exibições na TV e lançamentos em home video.

Disco 2

  • Depoimento de John Carpenter sobre O Monstro do Ártico (24 min.) – O cultuado diretor Carpenter dá o seu depoimento sobre o filme que, trinta anos depois, ele refilmou. Entre os tópicos abordados, a participação de Howard Hawks (só produtor ou também diretor?), o tom do filme, suas diferenças em relação à refilmagem, e mais;
  • Especial sobre O Monstro do Ártico (10 min.) – Featurette onde os grandes diretores Martin Scorcese, Steven Spielberg, George Lucas e James Cameron falam sobre a relevância do filme e variados aspectos da produção.
  • Trailer de O Monstro do Ártico (1:35 min.) – Trailer original de cinema, em condição medíocre.

Disco 3

  • Making of de No Mundo de 2020 (10 min.) – Pequeno documentário exibido na época do lançamento, que mostra os bastidores das filmagens de algumas de suas principais cenas. O detalhe é que ele revela muito da trama, portanto é aconselhável que seja assistido somente após o filme;
  • A Ciência em Robinson Crusoé em Marte (19 min.) – Documentário realizado pelo especialista em história espacial Michael Lennick, dedicado aos conceitos científicos presentes no filme, baseados em projetos que a NASA desenvolvia na época;
  • Trailers de Robinson Crusoé Em Marte e No Mundo de 2010 (7:20 min.) – Trailers originais de cinema, sendo que o de ROBINSON CRUSOE possui melhor qualidade de imagem.

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Jorge SaldanhaEnhanced by Zemanta

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