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Na Trilha: Ouvindo 007 – DIE ANOTHER DAY, CASINO ROYALE, QUANTUM OF SOLACE (Parte 7)


Antecedendo à chegada, aos cinemas, do novo filme de James Bond, 007 Contra Spectre, na parte final desta série de resenhas concluímos a viagem pelo universo musical do agente secreto mais famoso – e longevo – da história do cinema. O ano primeiramente indicado refere-se à edição da trilha sonora comentada, e não ao lançamento do filme.

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dieanotherday007 – Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, David Arnold, 2002, star_3_5) –   Em 2002, quatro décadas e vinte filmes depois, o agente secreto inglês com permissão para matar chegou com fôlego aos cinemas para atrair multidões e enfrentar a moderna concorrência. 007 – Um Novo Dia para Morrer mostrou que os produtores, ao longo dos anos, têm buscado preservar as características do personagem, ao mesmo tempo em que sutilmente adaptam Bond e suas aventuras às mudanças políticas e de costumes que vão ocorrendo.

Musicalmente a fórmula seguiu um padrão similar – canções e score refletem tendências da época da realização, mas nunca distanciando-se em demasia da fórmula que o compositor inglês John Barry desenvolveu até a perfeição. Desde 007 – O Amanhã Nunca Morre (1997), o também britânico David Arnold resgatara o estilo de Barry nas partituras da série, revitalizando-as com ritmos contemporâneos e eletrônicos. Neste aspecto, e do mesmo modo que em 007 – O Mundo Não é o Bastante (1999), Die Another Day caracterizou-se por, pela primeira vez, um músico distinto de Barry ter composto três trilhas sonoras para a série, e de forma consecutiva. Nesta terceira incursão de Arnold, temos uma trilha com as seguintes características:

  1. Existe uma canção principal, “Die Another Day”, composta por Madonna, Michel Colombier e Mirwais Ahmadazai e interpretada por Madonna, que acompanha as seqüências de créditos iniciais e finais;
  2. A canção principal não é utilizada como padrão para ser utilizada instrumentalmente dentro da trilha sonora, exceto quando ela é ouvida  brevemente na seqüência da recepção no Castelo de Gelo;
  3. Durante o filme escutamos bastante o “Tema de James Bond”.

Historicamente as canções ouvidas nos créditos de abertura são sempre o destaque musical destes filmes, via de regra elegantes e sensuais. Já a canção “Die Another Day” é tão elegante quanto um canguru, e tão sensual como um lambari. Certamente a escolha deste tema foi feita mais por um critério comercial do que por um sentido estritamente cinematográfico. Ela até inicia promissora com alguns acordes de violino, mas logo surge a voz distorcida de Madonna e uma batida eletrônica seca. Há de se reconhecer que este tema é uma típica canção composta para o estilo da cantora, portanto claramente é uma canção pop, mas que mesmo com esses atenuantes não convence muito. A interpretação de Madonna parece bastante artificial, notando-se em demasia a intervenção do computador, inclusive na distorção da voz da intérprete.

Adicionalmente, não há uma melodia propriamente dita, apenas a repetição da batida e da letra cantada por Madonna, algo impossível de ser utilizado no score de Arnold. Ou seja, dificilmente esta canção passará à historia como uma das mais destacadas da série, pelo menos em um sentido mais artístico. Porém, ela se encaixa bem nos créditos de abertura, que mostram Bond sendo torturado pelos norte-coreanos, e acabou tornando-se um enorme sucesso de execução em rádios e danceterias. Seguindo com a tendência, novamente a canção-tema não possui qualquer conexão com o argumento do filme, e ao contrário dos cinco anteriores, neste não houve um segundo tema (que habitualmente era utilizado para a sequência dos créditos finais), voltando-se à antiga tradição de usar o mesmo tema para os créditos iniciais e finais. A única diferença é que a canção é ouvida nos créditos finais em uma versão remix.

Como já assinalado em outro comentário, a experiência musical de O Amanhã Nunca Morre deixou grandes expectativas a respeito do que Arnold poderia agregar musicalmente à serie. Estas expectativas não foram plenamente satisfeitas com a música de O Mundo não é o Bastante, não por ser uma trilha sonora ruim, mas porque Arnold começou a mostrar seu estilo mais pessoal para este tipo de produção, cuja principal característica é a combinação de seções eletrônicas com fragmentos sinfônicos, o que nem sempre resulta muito atraente. A trilha sonora de Um Novo Dia para Morrer claramente vai neste mesmo sentido, o que é bastante lógico se consideramos que cada autor trata de fixar seu próprio estilo de música, deixando de basear-se unicamente no trabalho de outros. Porém muitos não consideram deste modo, e acham que a receita de Arnold desandou francamente em favor dos sintetizadores e ritmos techno. Contudo é bom frisar que na aclamada partitura de Tomorrow Never Dies uma das partes mais celebradas era uma vibrante faixa de ação, “Backseat Driver”, onde para acompanhar uma perseguição de carros Arnold colocou junto à orquestra uma destacada base de acompanhamento eletrônico e pop, que concluía com uma gloriosa interpretação do famoso “James Bond Theme”, de Monty Norman, na guitarra – algo similar ao que o próprio Barry já fizera na trilha de 007 Marcado Para a Morte (1987), sua última colaboração para a série.

A respeito da utilização do “James Bond Theme”, constata-se que nesta trilha se produz um “justo” equilíbrio entre o excesso de O Amanhã Nunca Morre e a escassez de O Mundo Não é o Bastante. Neste disco Arnold baseia duas de suas composições no tema (“On The Beach” e “Overcraft Chase”) e o incorpora sutilmente dentro de outras composições. Também foi incluída no CD uma versão do “Tema de James Bond” que nunca foi utilizada no filme, interpretada por Paul Oakenfold e que se denomina “Bond vs. Oakenfold”. Esta prática já havia sido implementada nas mesmas condições na trilha sonora de O Amanhã Nunca Morre, com a versão do mesmo tema interpretada por Moby. Em ambos os casos teria sido preferível incorporar uma composição da trilha sonora ao invés de um remix que sequer faz parte do filme.

Com uma análise das faixas principais da partitura de Die Another Day, constata-se que ela sofre com a virtual impossibilidade do compositor em valer-se da canção-tema na partitura. A primeira faixa do score, “On The Beach”, inicia com o tema de James Bond sempre ouvido na abertura, onde o agente dispara contra a tela. Os efeitos de sintetizadores já nos dão uma pista do que virá a seguir. Em “Hovercraft Chase” Arnold mais uma vez entrega uma de suas músicas de ação típicas, onde a orquestra interpreta variações do “James Bond Theme” acompanhada por uma base eletrônica de ritmo forte e quebrado. “Welcome To Cuba” é uma conveniente e acústica salsa, com piano e metais. Mas o que realmente se destaca no score é o tema romântico dedicado à Bond Girl Jinx, interpretada por Halle Berry. Em “Jinx Jordan” e “Jinx & James”, temos momentos românticos com violinos e flauta nos quais este tema é apresentado em uma melodia estruturalmente similar ao tema de Com 007 só se Vive Duas Vezes (1967), significativa homenagem à nobre herança musical de Barry.

Mas ainda há o suspense, que surge principalmente em “A Touch of Frost” e “Icarus”, sendo que nesta temos um bom desenvolvimento orquestral e, em destaque, o coral London Voices interpretando o motivo musical relativo à arma conhecida como “Projeto Icarus”. Logo em seguida voltamos à ação com metais e eletrônicos, nas movimentadas “Laser Fight” e “Iced Inc.”. A ótima “Antonov”, em seus 12 minutos de duração, consegue o melhor balanceamento do álbum entre a orquestra e o acompanhamento eletrônico, onde além do destaque da instrumentação acústica, temos a participação da soprano Natacha Atlas. Outro fator que prejudica o CD desta trilha sonora é que, a exemplo de casos anteriores, mais da metade do score está ausente do CD, em favor da versão remix do “James Bond Theme” de Oakenfold e de uma seção em CD-Rom que inclui o clipe e um making-of da canção de Madonna.

Vê-se que temos um disco de James Bond que poderia ser bem melhor – no caso, se tivesse mais do score e menos material de apelo puramente comercial. Talvez algum dia possamos ter o score completo, como ocorreu com o relançamento de algumas das trilhas mais antigas de Bond em versões estendidas, que incluem praticamente todas as composições que permaneciam inéditas em disco. No mais, mantendo o rumo de O Mundo Não é o Bastante, David Arnold continuou estabelecendo seu estilo para Bond, e este trabalho se sustém mais do que satisfatoriamente, dando ao filme o complemento emocional requerido para cada cena em que a música faz-se necessária.

casinoroyaleCD007 – Cassino Royale (Casino Royale, David Arnold, 2006, star_4) – O filme nº 21 de James Bond estava programado para estrear no final de 2005. Pierce Brosnan esperava tranqüilo ser chamado para a sua quinta incursão como o agente 007, e nada fazia supor que algo fosse mudar na franquia da mais exitosa da história do cinema. O filme anterior, Die Another Day, fora um grande sucesso de bilheteria mas não uma grande contribuição à série, já que houve a convicção que ela estava caindo num abismo demasiadamente profundo, devido ao roteiro inverossímil e às inacreditáveis proezas do herói (a cartunesca sequência do surfe / pára-quedas foi o símbolo deste aspecto). Die Another Day claramente se colocou na linha mais fantasiosa da série, quase no nível que atingiu Moonraker no final dos anos 1970.

Apesar da calmaria os primeiros alarmes começaram a soar em 2004, quando começou a circular a notícia de que Pierce Brosnan ainda não assinara seu contrato. Além disso, o ator começou a fazer algumas declarações não muito felizes, relacionadas principalmente com a orientação que os produtores estavam dando à série. Estranhamente a produção de “Bond 21” não iniciava e não se dava nenhuma explicação a respeito, até que finalmente foi comunicado o adiamento da sua estréia para 2006. Logo em seguida foi informado que Brosnan não continuaria no papel, e que havia começado a busca por um novo Bond. Durante o ano 2005 foram feitos três anúncios importantes:

  • O novo filme se basearia no livro original de James Bond escrito por Ian Fleming e traria seu mesmo nome: Casino Royale. Também foi informado que seria um regresso às origens do personagem;
  • O diretor seria Martin Campbell, que em 1995 havia dirigido o sucesso Goldeneye;
  • O novo James Bond seria o quase desconhecido – e loiro – ator britânico Daniel Craig.

Apesar da resistência a este novo Bond, a decisão dos produtores já estava tomada: a série mudaria de rumo e voltaria às suas origens, e o que seria melhor do que fazê-lo com o livro original de 1953 Casino Royale? Para este recomeço de Bond, novamente foi convocado para encarregar-se da música o compositor David Arnold. Com esta designação Arnold assumiu seu quarto trabalho consecutivo compondo a música para Bond. Musicalmente, Casino Royale  também marca algunas mudanzas de rumo no que se refere à tradicional estrutura musical da série:

  1. Mesmo havendo uma canção principal chamada “You Know My Name”, composta por David Arnold e interpretada por Chris Cornell que acompanha a sequência dos créditos principais, ela não faz parte do álbum com a trilha sonora do filme;
  2. Durante o filme quase não ouvimos o “Tema de James Bond”. Apenas alguns acordes sugerem o tradicional tema, que não se escuta em toda a sua intensidade até o final da aventura;
  3. No seu lugar David Arnold acompanha as sequências de Bond com variações instrumentais do tema principal “You Know My Name”.

Portanto, diríamos que, em Casino Royale, o tema de Bond é “You Know My Name”. Esta canção é um rock bastante atípico para uma película de Bond. Desde “Live And Let Die” (Paul McCartney), de 1973, não havia algo parecido. Pessoalmente, a primeira audição do tema não me provocou grande impacto, ainda que sua utilização instrumental no filme e seu acompanhamento nos créditos iniciais me convenceu de que foi uma boa alternativa para musicar este renascimento de Bond. Ao contrário das canções anteriores, desta vez o texto tem algo a ver com o filme, especialmente no que se refere ao tipo de vida que leva o personagem. Neste filme tampouco há um segundo tema (que vinha sendo utilizado na sequência de créditos finais), mantendo-se a antiga tradição de usar o mesmo tema para nos créditos iniciais e finais. A única diferença é que desta vez seu uso nos créditos finais é na continuação do “Tema de James Bond”.

Em relação ao score há que se assinalar que David Arnold ratificou sua habilidade e talento para musicar Bond. O grande valor desta partitura é que, como se trata de um recomeço para o personagem, Arnold também tratou de reforçar esse intento. Dessa vez não existiu a camisa de força de usar obrigatoriamente o “Tema de James Bond”, e em seu lugar utilizou abundantemente a versão instrumental da canção principal, composta por ele mesmo. Tampouco recorreu ao uso excessivo de instrumentos eletrônicos combinados com a orquestra. 007 – Casino Royale é talvez a trilha sonora mais sinfônica que Arnold compôs para Bond (inclusive mais ainda que Tomorrow Never Dies). Nesse sentido, este trabalho de Arnold superou significativamente seus dois predecessores, com uma trilha sonora mais coerente e de audição mais fácil.

Quanto ao estilo de composição de Arnold, este não varia significativamente. Em várias passagens se sente certa semelhança com suas composições anteriores, como o predomínio de metais e percussão para as cenas de ação. Neste aspeto as faixas “African Rundown”, “Miami Internacional”, “Stairwell Fight” “The Switch” e “Fall Of A House In Venice” são um claro exemplo. Cada um destes temas complementa cada sequência, adicionando a adrenalina e emotividade necessárias, claro que desta vez sem a contaminação eletrônica.

Como já mencionado em comentários anteriores, uma das grandes habilidades de Arnold está na composição de temas românticos. Em Casino Royale, Arnold incluiu pelo menos seis temas para acompanhar este tipo de cenas. Destaca-se neste grupo a belíssima melodia de “Solange”, cuja sonoridade de cordas é realmente comovente (ainda que no filme se perca um pouco dela). Também é muito bela a melodia e os arranjos em cordas que Arnold fornece para Vesper Lynd, destacando-se claramente as faixas “Vesper” e “City Of Lovers”. Adicionalmente Arnold incorpora outras destacadas melodias baseadas nos temas de Solange e Vesper (“Trip Aces“, “Dinner Jacket” y “Death Of……..”).

Quanto à utilização do “Tema de James Bond”, desta vez não há muito o que dizer a respeito. Somente algumas insinuações da tradicional melodia, as que inexoravelmente desembocam surpreendentemente bem no tema “You Know My Name”, surgem em “Blunt Instrument”, “I’m The Money”, “Aston Montenegro” e “Dinner Jacket”. O tema de James Bond somente é ouvido em toda sua extensão ao final da película como um sinal da consolidação do agente com licença para matar James Bond 007. O arranjo do tema não difere muito do que Arnold nos mostrara em seus trabalhos anteriores, baseando-se principalmente no arranjo original que John Barry compusera em 1962 para Dr. No.

Uma novidade que também trouxe este filme foi a presença de várias sequências de suspense, exigindo que Arnold incorporasse algumas composições de menor efeito mas que refletem e transmitem a tensão de cada cena (particularmente as do cassino). Destacam-se neste grupo “The Tell”, “Bond Loses It All”, “Bond Wins It All” e “Dirty Martini”. O disco contém 25 faixas, e dura quase 75 minutos, por isso fica difícil analisá-lo em sua totalidade. Mas, em resumo, este é um trabalho muito bom. Talvez a melhor trilha sonora de Arnold para a série, devido à maior liberdade criativa que ele teve para compor. E foi a prova de que à época ele continuava sendo o compositor melhor capacitado para ser o responsável pela música de James Bond. Isso pelo menos até…

quantumCD007 – Quantum of Solace (Quantum of Solace, David Arnold, 2008, star_2_5) – Depois do arrebatador êxito de sua estréia em Casino Royale, Daniel Craig regressou para encarnar pela segunda vez o agente 007 em Quantum Of Solace. Casino Royale não havia sido apenas um grande filme de Bond, mas sim um grande filme de um modo geral. Como poucas vezes acontece, foram reunidos diversos elementos que funcionaram coordenadamente quase à perfeição: um roteiro muito bom, atuações convincentes, uma direção acertada, locações atraentes e uma ótima trilha sonora.

Devido ao acerto anterior, a expectativa nesta continuação era bastante alta, porém tudo o que Casino Royale tinha de bom se diluiu rapidamente em Quantum Of Solace. Recordo que na conferência de imprensa do lançamento do filme, o produtor Michael Wilson anunciou que ele teria o dobro de ação em relação ao seu antecessor. E foi precisamente assim, mas em detrimento do roteiro, das atuações e do filme em geral. Deste contratempo não escapou nem o experiente compositor David Arnold, já que sua quinta partitura consecutiva para Bond é a mais fraca. Em cada partitura que Arnold compôs para a franquia, sempre havia um ou mais pontos destacados, sejam pela composição, os arranjos ou pela inovação. Mas nesta ocasião, pela primeira vez, me entediei ouvindo uma trilha sonora de Bond. Não fui capaz de escutá-la duas vezes seguidas, fiquei esperando que chegasse o tema que salvaria a partitura, mas isso não aconteceu. Isto nunca havia me acontecido antes, nem mesmo com Goldeneye.

O que houve com esta partitura? Na verdade não tenho muita certeza, os tradicionais sons de Arnold estão presentes como sempre, as sequências de ação estão musicadas em seu estilo tradicional, mas há algo neste score que não o faz decolar. Tenho algumas teorias que podem explicar esta situação:

  • A falta de um motivo principal para liderar a partitura – Parece que, na estrutura musical de Arnold para Bond, é imprescindível a existência de um tema principal que guie a partitura. Claros exemplos disso são: “Surrender” de Tomorrow Never Dies, “The World Is Not Enough” e “Only Myself To Blame” de The World is Not Enough e “You Know My Name” de Casino Royale. Não é por acaso então que, em seus trabalhos mais fracos, David Arnold não tenha recorrido aos temas principais (“Die Another Day” e “Another Way To Die”), entre outras razões, porque não os compôs. Em Quantum Of Solace Arnold nunca utiliza o tema principal “Another Way To Die”.
  • A ausência quase total do “Tema de James Bond” – Em Casino Royale esta situação tinha uma razão argumental, e ainda assim Arnold compensou esta ausência muito acertadamente com versões instrumentais do tema principal “You Know My Name”. Em Quantum Of Solace, além da quase ausência do “Tema de James Bond”, tampouco há um tema identificável que o substitua. Esta situação é curiosa, já que Arnold sempre declarou que o tema de James Bond deve ser utilizado nas sequências típicas de Bond, e além disso o público espera ouvi-lo nessas ocasiões (principalmente em momentos de ação), porém em Quantum Of Solace isto não ocorre. Apenas o escutamos nos créditos finais (não incluído no álbum) e brevemente, quase oculto em algumas faixas (“Time To Get Out”, “Pursuit At Port Au Prince”, “Perla De Las Dunas”, “Bond In Haiti”, Field Trip, etc.).
  • Não há tema romântico – Uma das características de Arnold é a de compor temas românticos muito bons (como exemplos podemos mencionar os de The World is Not Enough e Casino Royale), mas nesta película não há romance nem insinuações deste tipo, e portanto não houve espaço para este tipo de composições. O mais próximo de um tema romântico é a faixa “What’s Keeping You Awake”, que contém algumas breves notas do tema de Vesper de Casino Royale.
  • Os temas alusivos às locações tampouco funcionam – Ainda que nunca tenham sido muito proeminentes nas partituras, os temas alusivos à locação têm seu encanto e novidade (quase sempre acompanham a chegada de Bond a algum país ou cidade). Porém em Quantum Of Solace são temas sem nenhum sabor ou atrativo. Atrever-me-ia a dizer que das faixas deste tipo, “Bond In Haiti” e “Bolivian Taxi Ride” tendem mesmo a ser um tanto depreciativas para os locais. Parece ser uma constante crer que a música alusiva à América Latina tem que basear-se em violões, percussões e sopros. A exceção é “Talamone”, que tem um som mais bondiano.
  • Esgotamento do estilo Arnold – Finalmente, e o que provou ser o ponto decisivo, foi a falta de renovação de Arnold. Os temas de ação, como “Time To Get Out”, “The Palio”, “Pursuit At Port Au Prince”, “Target Terminated” e “Perla De Las Dunas”, respondem ao típico estilo de musicalização e arranjos do compositor, incluindo novamente a combinação de orquestra e instrumentos eletrônicos. Mesmo assim eles não soam atraentes, não há um tema guia que os conduza ou os distinga. Em outras palavras são mais do mesmo que já conhecemos anteriormente, mas com melodias menos atrativas. Neste campo provavelmente o mais inovador seja o tema “Somebody Wants To Kill You”, onde Arnold incorpora um novo segmento baseado fortemente em percussão, acompanhado de metais e guitarra. O único tema identificável nesta partitura é o alusivo ao vilão Dominic Greene, que podemos escutar nas faixas “Greene & Camille”, “No Interest In Dominic Greene” e “Night At The Opera”. Esta última, na minha opinião, é a melhor de toda a trilha sonora.

Quanto à canção principal “Another Way To Die”, após a sequência de créditos de abertura, nunca mais voltamos a ouvi-la. Não acrescenta nada à trilha sonora, além de não ter nenhuma incidência na partitura. Inclusive no álbum ela chega no final, situação nunca antes vista, já que sempre os temas principais estão no início do disco. Não é um tema que vá entrar para a história como um dos melhores da série, e provavelmente não terá nenhuma importância com o passar do tempo. Também há outros temas no álbum que não têm maior transcendência, além de não serem muito agradáveis de ouvir (“Camille’s Story”, “Oil Fields”, “Restrict Bond’s Movements”, etc.). Dentro deste grupo há um par de temas (“Inside Man” e “The Dead Don’t Care About Vengeance”) que incorporam como novidade segmentos dominados por baixos que quebram de alguma maneira o contexto da faixa completa. Em resumo, creio que esta partitura é bastante coerente com a qualidade do filme. Quantum Of Solace foi uma das películas de Bond mais fracas dos últimos tempos, e sua partitura foi a pior já composta por Arnold.

Anteriormente sempre afirmei que não havia ninguém melhor preparado que Arnold para compor as partituras de Bond. Mas depois desta quinta incursão ficou provado que chegara a hora de mudar os rumos musicais da série, e isso se concretizou com a improvável – e que mostrou ser acertada – escolha de Thomas Newman para compor a trilha sonora de 007 – Operação Skyfall e 007 Contra Spectre.

Hugo Moya Arancibia
Jorge Saldanha

3 opiniões sobre “Na Trilha: Ouvindo 007 – DIE ANOTHER DAY, CASINO ROYALE, QUANTUM OF SOLACE (Parte 7)”

  1. Saudações. Tomorrow Never Dies e Day Another Day já tem score completo duplo e limitado. Tem que garimpar na internet. Após conseguir pode jogar na gaveta a versão simples de Day Another Day porque a completa é Espetacular. Já The World is Not Enough nada até o momento. Pelo menos não achei. Detalhe primeira versão duplo em dvd capa branca de Die Another Day tem score isolado. O mesmo para o Tomorow Never Dies mas somente o importado.

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