terminator-genisys

Resenha de Trilha Sonora: TERMINATOR GENISYS – Lorne Balfe


t-gen-CDMúsica composta por Lorne Balfe, regida por Gavin Greenaway
Selo: Skydance Productions
Catálogo: Download Digital
Lançamento: 25/06/2015
Cotação: star_1_5

Na onda de revivals de sucessos passados que está atingindo o cinema hollywoodiano em 2015, a mais nova franquia a retornar é O Exterminador do Futuro. Contando com novos rostos para personagens clássicos da franquia, e, claro, a volta de Arnold Schwarznegger ao papel que o levou ao estrelato, O Exterminador do Futuro: Gênesis (Terminator Genisys, 2015) altera drasticamente a já complicada linha de tempo da franquia. Assim como no primeiro filme, a humanidade encontra-se perto da batalha final contra as opressoras máquinas da Skynet, quando a maléfica inteligência artificial envia para o passado um dos seus Exterminadores para matar a mãe do líder dos humanos, John Connor, antes que ele nasça. Ao descobrir isso, Connor também envia um de seus principais tenentes, Kyle Reese, para encontrar e proteger sua mãe Sarah, em 1984. Acontece, porém, que ela já tem o seu protetor e mentor na figura de um Exterminador bonzinho (mais ou menos como no segundo e melhor longa da saga). A partir daí, segue-se uma sucessão de reviravoltas que confundiu público e crítica ao redor do mundo, com muitos dizendo que, apesar do potencial, o filme não foi capaz de ressuscitar a combalida franquia criada por James Cameron.

Os dois primeiros longas tiveram um score bastante percussivo e mecânico de Brad Fiedel, que se encaixavam bem no contexto do filme, com seu tema principal, lembrado até hoje, se tornando um dos mais famosos de sua época. Para as sequências, porém, Marco Beltrami e Danny Elfman, respectivamente no terceiro e quarto filmes da saga, seguiram por um caminho mais orquestral e, mesmo que seus scores para a franquia dificilmente possam ser considerados como as obras-primas de suas carreiras, eles ainda eram dinâmicos o suficiente para manter o interesse. Em Gênesis, entretanto, o responsável pela música é Lorne Balfe, mais um saído da fábrica de compositores de Hans Zimmer (que, por alguma obscura razão contratual, aparece como “produtor executivo musical” nos créditos do filme). Isto, claro, é só um detalhe: sou capaz de apostar que, fosse ali o nome de Steve Jablonsky, Henry Jackman, Ramin Djawadi, ou qualquer outro que Zimmer queira empurrar guela abaixo do público, o resultado seria o mesmo.

Pois esta, aparentemente, parece ser toda a razão da existência da Remote Control, a equivalente da Skynet no mundo das trilhas sonoras: fazer com que toda trilha, para todo blockbuster hollywoodiano, siga o mesmo padrão estabelecido, não importando gênero, estilo ou qualidade do filme. Afinal, se este é o estilo que os jovens adolescentes, fãs de Zimmer e seus minions, amam e idolatram, vamos repetir em todos os filmes então, para atrair esse público e engordar nossos cofres. É tão fácil quanto fazer um bolo: coloque um pouco dos scores de Zimmer para os filmes do Nolan, acrescente os trabalhos de Steve Jablonsky na franquia Transformers (que por si só já são derivados de dezenas de trabalhos anteriores do messiânico alemão), uma tonelada de eletrônicos, e voilá: temos uma trilha pronta para agradar ao público jovem que é atraído em massa aos cinemas. Porque, afinal, eu não vejo qualquer razão, fora a puramente comercial, para o mesmo estilo de música, com pouquíssimas variações, ser repetido de novo e de novo.

Originalmente, o compositor escolhido para musicar o novo Exterminador era Christophe Beck que, no ano passado, já tinha feito sua própria tentativa no estilo Remote Control em No Limite do Amanhã (Edge of Tomorrow, 2014). Porém, ele acabou sendo substituído por Balfe, provavelmente contratado para prover ao filme exatamente aquilo que seus produtores queriam: mais uma cópia do que, comercialmente, deu tão certo em outros blockbusters. Assim, sua música acabou saindo exatamente de acordo com a encomenda: ostinatos de cordas, muita percussão, sintetizadores e, claro, o já irritante horn of doom, que hoje em dia é mais uma piada do que um recurso impactante (não sei como ainda continuam apostando nele).

Balfe, por sua vez, contribui com a trajetória musical da franquia com alguns temas, utilizados esparsamente. Há um tema principal, um autêntico power anthem, que aparece logo na primeira (e melhor) faixa do álbum, Fate and Hope. Tirando o fato de que ele também poderia servir como tema para Optimus Prime ou qualquer outro Transformer, tal tema é, de longe, a melhor coisa do disco, e sua apresentação na primeira faixa é grandiosa como só um autêntico guilty pleasure da Remote Control consegue ser. Composto por, basicamente, três notas, ele aparece geralmente de forma dramática e (pretensamente) épica, em especial ao fim do disco, como em Sacrifice e What If I Can’t?. Há também uma variação melancólica, ao início de If You Love Me You Die, e de ação, em Work Camp.

Assim como Beltrami fez em seu score, Balfe também entrega seu próprio tema para John Connor, que, neste filme, foi alvo de uma polêmica reviravolta. Aparecendo primeiro como uma grandiosa melodia de ação, logo após o tema principal, na mesma Work Camp, ele é desenvolvido em John Connor, primeiramente em trompetes tristes, e depois de forma dramática, com trompas. Estas duas variações também retornam em, respectivamente, I Am More e Family. Destaca-se também um love theme para Sarah e Kyle, primeiramente introduzido na faixa de mesmo nome, um motivo sintetizado de duas notas. Ele aparece esporadicamente ao longo do disco, como em Alcove e ao final, em What if I Can’t?. Quanto ao tema de Fiedel, além de sua curta e melancólica participação ao início de Better Days, ele só reaparecerá de novo em Terminated, num arranjo orquestral/eletrônico da melodia.

Fora estes temas, boa parte do disco é repleta de ação. Porém, o que poderia ser excitante, como nos scores de Beltrami e Elfman, acaba se revelando uma verdadeira decepção, pois Balfe se contenta em repetir os mesmos clichês da Remote Control que estamos cansados de ouvir. A música é tão absurdamente genérica que ela poderia aparecer em qualquer longa da trilogia do Batman e da franquia Transformers, ou mesmo em O Homem de Aço (Man of Steel, 2013), Capitão Phillips (Captain Phillips, 2013), O Jogo do Exterminador (Ender’s Game, 2013)… Não há quase nada que distinga essa obra de Balfe das outras antes feitas por seus colegas . Como tal estilo já se torna cansativo para qualquer um que tenha ouvido uma ou duas trilhas além daquelas que a Remote Control entrega, passar pelos mais de 70 minutos do disco se torna um verdadeiro suplício.

O mais assustador é ver o nome de Zimmer associado a coisas como essas. Não duvido que ele apareça ali apenas como uma estratégia de marketing para ajudar a vender o nome de Balfe junto ao público (“se você gostou das trilhas do Batman, espere só até ouvir esta!”). Porém, o sujeito, por mais polêmico que seja, ao menos tenta fazer coisas novas de vez em quando, visto Interestelar (Interstellar, 2014), por exemplo. Já seus minions se contentam, seja por opção comercial, seja por opção artística, em repetir tudo o que já foi feito antes, sem um pingo de criatividade, ou mesmo algo que torne seus trabalhos únicos.

Por mais “antiquada” que a trilha original de Fiedel possa agora soar, ela possuía um estilo único e característico, que a torna lembrada mesmo hoje, mais de trinta anos após o primeiro longa da saga. Quanto ao score de Balfe, duvido que, daqui a um ano, alguém se lembre de qualquer coisa, ou mesmo associe a música a este filme – “como assim essa faixa não é do último Transformers?”. Não gosto de pensar que sou um reviewer de trilhas sonoras pessimista, que vive reclamando do “estado atual das coisas”, e ainda acho que tem muitos ótimos compositores por aí, dentro e, principalmente, fora de Hollywood. Mas fica difícil de acreditar quando péssimas trilhas como a do novo Exterminador se tornam, cada vez mais, o padrão a ser seguido. Deprimente.

Faixas:

1. Fate and Hope 3:57
2. Better Days 3:05
3. Work Camp 3:37
4. Bus Ride 2:03
5. Sarah & Kyle 4:36
6. Alley Confrontation 2:33
7. Sarah Kicks Ass 1:53
8. Cyberdyne 3:41
9. Still After Us 2:52
10. Come With Me 3:42
11. John Connor 2:56
12. It’s Really Me 2:36
13. Alcove 2:17
14. I Am More 2:40
15. If You Love Me You Die( 5:52
16. Judgement Day 2:56
17. Family 3:14
18. Fight 3:01
19. Sacrifice 4:21
20. Guardianship 3:26
21. What If I Can’t? 4:23
22. Terminated 2:00

Duração total: 71:41

Tiago Rangel

14 opiniões sobre “Resenha de Trilha Sonora: TERMINATOR GENISYS – Lorne Balfe”

  1. Tiago, quanto à sua afirmação sobre Zimmer “o sujeito, por mais polêmico que seja, ao menos tenta fazer coisas novas de vez em quando”, tenho sérias dúvidas já desde a época da Media Ventures. Cheguei à conclusão de que a maior parte das trilhas assinadas pelo alemão são, de fato, um trabalho coletivo apenas por ele assinado, e as “inovações” que por vezes nelas surgem são criações de outros compositores que, em eventuais trabalhos solo posteriores, as reutilizam e acabam sendo acusados de reaproveitar esse material. De resto, compositores como Lorne Balfe e Rolfe Kent são, para dizer o mínimo, dos mais medíocres dessa turma toda.

    Curtir

    1. Jorge, essa é uma teoria que eu já tenho a algum tempo e que, infelizmente, a cada trilha, parece que se torna verdade. Imagino que o Zimmer, nas trilhas assinadas por ele, compõe apenas alguns temas ou uma suíte, e depois entrega pros seus colaboradores distribuírem o material pelo filme. Na trilha do Homem de Aço, por exemplo, não duvidaria que a única coisa que ele compôs foi aquela faixa “Original Hans Sketchbook”, de 28 minutos, deixando a tarefa de realmente colocar a música no filme a seus compositores adicionais, orquestradores, etc.

      Claro, há algumas exceções. A própria Interestelar, por exemplo, parece ter sido uma trilha mais pessoal dele, com a qual ele teve um envolvimento maior e realmente compôs diretamente para o filme.

      Hoje em dia, ele age mais como astro pop do que como compositor, vendendo seus próprios discos e os de seus colegas na RC, E o fato é que, com Jackman, Jablonsky, Djawadi e os irmãos Gregson-Williams com as carreiras consolidadas, as bolas da vez na RC são Balfe e Junkie XL. E assim continua o plano de dominação mundial da RC…

      Curtir

      1. Bem, talvez minha generalização tenha sido rigorosa, mas não citei Gladiador por acaso. Tome-se uma das composições mas marcantes desse score, “Gladiator Waltz”: sabe-se que o principal colaborador de Zimmer nessa trilha foi o Klaus Badelt, e posteriormente na trilha de Badelt para o primeiro Piratas do Caribe, na qual não há crédito oficial para Zimmer, ela ressurge sem muito disfarce no tema do Capitão Jack Sparrow. E aí fica dúvida – afinal, quem compôs a “Gladiator Waltz”, Zimmer ou Badelt? Deduzo que foi este último… e isso deve se repetir em muitos dos trabalhos atribuídos a Zimmer, que se “adonou” das trilhas posteriores de Piratas do Caribe, inclusive do mesmo tema de Jack Sparrow e sem crédito algum ao Badelt.

        Curtir

        1. O tema do Piratas do Caribe em um filme sobre paraquedas. De onde tiraram a ideia de o por em um filme de Piratas é nada mais nada menos que o velho reaproveitamento que o pessoal da RC faz e refaz com as trilhas que eles compõem. Esse tema é velho, ele aparece na franquia do Rei Leão também, na cena da morte do Mufasa.

          Curtir

          1. Na boa mas essa trilha Drop Zone do Hans Zimmer é muito bacana. Esse tema com 1:20 deste video acima foi durante um bom tempo usado em trailers de filmes de ação. Como por exemplo: A Máscara do Zorro com Antônio Banderas. Show. Piratas do Caribe é sensacional e marcante. Agora, por mais que os produtores queiram um mesmo estilo nada impede o compositor de criar temas interessantes e utilizar da vasta variedade de instrumentos musicais e criar o seu estilo sem fugir do que os produtores estão esperando. Agora nem todo compositor tem qualidade, se o cara não aproveita a oportunidade e mostra seu diferencial, só lamento. Eu curti a trilha do Exterminador mas é bem verdade que lembrei do Tron, Transformers e outros. Enfim, tenho diversos cds de Zimmer e não me arrependo, bem como torço para que seus pupilos mostrem mais criatividade sem fugir do estilo que os produtores desejam. No mais temos Brian Tyler, Alexandre Desplat, e muitos outros nomes recentes que nos engrandecem com suas obras. Abraços.

            Curtir

  2. Para ser franco, musicamente falando, o filme é bem medíocre. O tema original de Lorne é esquecível, mas quando cometou sobre a trilha sonora de Transformers(Steve Jablonsky), na época lebro que saí da sala de cinema com a música na cabeça, do tema principal pelo menos. Abraços.

    Curtir

  3. Quando vi o nome do Zimmer com esse crédito aí, o imaginei ‘guiando’ o Lorne Balfe durante as sessões de gravação da trilha sonora. Falando no Christophe Beck, tô bem curioso para ouvir o que ele fez em O Homem-Formiga. Em uma entrevista no início do ano, ele disse que queria fazer uma trilha sinfônica com um tema reconhecível como os dos seus filmes de super-heróis prediletos.

    Curtir

  4. E aí fãs de trilhas sonoras. Sinto um distúrbio na força em vocês…rs Confiram uma entrevista com o próprio Lorne Balfe em seu estúdio comentando sobre esta trilha do Exterminador do Futuro, também podem ver no site do “adorado” Hans Zimmer em
    http://www.hans-zimmer.com/index.php
    E no Youtube do Balfe

    Como disse vai do potencial de cada compositor mostrar a sua qualidade. Muita calma nesta hora…rs Abraços.

    Curtir

  5. Mesmo vocês não curtindo Hans Zimmer vale a pena conferir este documentário. Porque sei que como eu adoram trilha sonora e respeito a opinião de vocês apaixonados como eu por Score.
    Hans Zimmer Revealed – The Documentary

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s