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Perfil: MAX STEINER (1888-1971)


ms_01Um dos maiores compositores de trilhas sonoras de todos os tempos, Max Steiner nasceu em Viena, Áustria, no dia 10 de Maio de 1888. Filho e neto de empresários do entretenimento, ele herdou o nome Maximilian do avô, dono do Teatro de Viena, onde foram apresentadas operetas clássicas de Johann Strauss Jr. e Franz Lehár. Uma criança prodigiosa, Steiner completou o curso de quatro anos da Imperial Academy of Music em apenas um. Além disso, aos 16 anos de idade, escreveu trilha (música e letra) e libretto de The Beautiful Greek Girl, opereta apresentada durante um ano na capital austríaca. Curiosamente, The Beautiful Greek Girl e The Crystal Cup, outra opereta, foram dois raros trabalhos de Steiner como compositor antes de chegar à Hollywood.

Após anos trabalhando como maestro no teatro inglês – com a Primeira Guerra, teve que abandonar a Inglaterra – ele imigrou para os Estados Unidos. Pouco tempo depois de sua chegada à Nova York, Steiner estabeleceu-se como orquestrador e regente da Broadway, onde, durante quinze anos, esteve envolvido com os shows de alguns dos principais nomes do teatro musical americano, como George Gershwin. Durante esse período, seu único trabalho significativo como compositor foi a fracassada comédia musical Peaches (1923). Com a chegada do cinema sonoro, em 1927, houve, naturalmente, uma demanda por músicos, e foi assim que Max Steiner chegou a Hollywood. Em 1929, o estúdio RKO adaptou o show Rio Rita (1929), e, a pedido do compositor Harry Tierney, chamou Steiner para repetir, no filme, o trabalho de orquestração que ele havia realizado no teatro. Logo, Max foi nomeado chefe do departamento musical da RKO.

Em 1931, Steiner teve a oportunidade de musicar Cimarron, faroeste que acabou ganhando o Oscar de Melhor Filme. Ele não foi creditado por sua eficiente contribuição, mas era o início de uma das mais admiráveis carreiras da história do cinema e da música. Inicialmente, a maioria nos inúmeros filmes musicados por Steiner só tinha alguns compassos de abertura e encerramento, pois o recurso da trilha sonora ainda não era prática comum. Mas era o suficiente para evidenciar seu dom melódico, como demonstra, por exemplo, The Animal Kingdom. A partir de trabalhos como o drama médico Sinfonia dos Seis Milhões (Symphony of Six Million, sua primeira grande trilha), Ave do Paraíso (Bird of Paradise) e Zaroff – O Caçador de Vidas (The Most Dangerous Game), todos de 1932, as contribuições de Steiner começaram a ficar mais substanciais.

ms_kongNo ano seguinte, ele musicou o famoso King Kong, um de seus trabalhos mais celebrados. Sua trilha ajuda a transformar um filme potencialmente risível numa aventura de fantasia envolvente, de final clássico. Com A Patrulha Perdida (The Lost Patrol, 1934), Steiner assinou a primeira trilha não proveniente de um musical a concorrer ao Oscar. 1935, o último ano de Max Steiner na RKO, foi glorioso. Além de ser diretor musical de O Picolino (Top Hat, com Fred Astaire e canções de Irving Berlin), ele escreveu três trilhas memoráveis: Ela, a Feiticeira (She), Os Três Mosqueteiros (The Three Musketeers) e O Delator (The Informer), que deu ao compositor o primeiro de seus três Oscars. No ano de 1936, Steiner trabalhou para a empresa do produtor David Selznick, escrevendo as adoráveis O Jardim de Alá (The Garden of Allah), Um Garoto de Qualidade (Little Lord Fauntleroy) e Nasce uma Estrela (A Star is Born). Nesse período, também musicou, sob empréstimo à Warner Bros, A Carga da Brigada Ligeira, aventura com Errol Flynn. A trilha rendeu um novo e mais interessante contrato.

ms_goneMas, grande admirador do compositor, Selznick requisitou seus serviços quando produziu seus filmes mais ambiciosos: E o Vento Levou (Gone With the Wind, 1939, o trabalho mais famoso de Max Steiner, e cujo tema principal, parte de uma trilha riquíssima, é imortal), e Desde que Partiste (Since You Went Away, 1944, Oscar pela belíssima música de Steiner). Na Warner, o compositor continuou exibindo versatilidade, produtividade e talento espantosos, e ajudou a estabelecer, definitivamente, o padrão da música orquestral hollywoodiana da primeira metade do século. Praticante do estilo “europeu clássico”, Steiner escrevia trilhas melodiosas, ricamente orquestradas. Com o estúdio, para o qual criou a fanfarra-tema, ele firmou-se para sempre na história de Hollywood, musicando os filmes de Bette Davis, Humphrey Bogart, Errol Flynn e James Cagney. Destacam-se em sua longa lista de ótimas trilhas para a Warner: Luz de Esperança (Green Light, 1937), A Vida de Emile Zola (The Life of Emile Zola, 1937), Jezebel (1938), Uma Cidade que Surge (Dodge City, 1939), Vitória Amarga (Dark Victory, 1939), A Vida do Dr. Ehrlich (Dr. Ehrlich’s Magic Bullet, 1940), Dois Contra uma Cidade Inteira (City for Conquest, 1940), Gloriosa Vitória (Shining Victory, 1941), A Estranha Passageira (Now Voyager, 1942, ganhadora do Oscar, sua melodia principal originou a canção “It Can’t Be Wrong”, sucesso que recebeu versão em português), As Aventuras de Mark Twain (The Adventures of Mark Twain, 1944), À Beira do Abismo (The Big Sleep, 1946), Nossa Vida com Papai (Life With Father, 1947, ganhadora do Globo de Ouro), Centelha de Amor (The Voice of the Turtle, 1947), O Tesouro de Sierra Madre (The Treasure of the Sierra Madre, 1948), Belinda (Johnny Belinda, 1948), As Aventuras de Don Juan (Adventures of Don Juan, 1949) e Algemas de Cristal (The Glass Menagerie, 1950).

Também é preciso lembrar sua adaptação orquestral de “As Time Goes By” (de Herman Hupfeld) em Casablanca (1943), fator considerável para o enorme apelo do filme. Max Steiner foi contratado da Warner Bros. até 1953, mas o fim do contrato pouco mudou a trajetória do compositor. Excetuando-se alguns trabalhos para a Columbia Pictures e a Republic, por exemplo, ele musicou filmes do seu antigo estúdio até o final da carreira. E embora sua produtividade tivesse começado a diminuir, a capacidade para criar trilhas sonoras arrebatadoras permaneceu, como exemplificam A Nave da Revolta (The Caine Mutiny, 1954), Helena de Tróia (Helen of Troy, 1956) e Meu Pecado foi Nascer (Band of Angels, 1957).

ms_13Em 1959, Steiner trabalhou em Amores Clandestinos (A Summer Place, 1959), que eliminou qualquer possível dúvida quanto ao apelo que a música do velho compositor ainda poderia exercer; o tema do filme chegou ao primeiro lugar na parada de sucessos na gravação da orquestra de Percy Faith. Amores Clandestinos foi um dos sete filmes que Steiner musicou, entre 1959 e 1965, para o veterano diretor Delmer Daves, quase todos fracos. Mas o compositor nunca deixou de cativar o ouvinte. Os trabalhos de Steiner na década de 1960 incluem algumas de suas mais encantadoras criações: Sombras no Fim da Escada (The Dark at the Top of the Stairs”, 1960), O Erro de Susan Slade (Susan Slade), Candelabro Italiano (Rome Adventure, 1962), cujo tema é usado em cerimônias de casamento, e O Preço da Ambição (Youngblood Hawke, 1964). Em 1965, foram lançados seus dois últimos filmes: Somente os Fracos se Rendem (Those Calloways, da Disney), e o terror Sete Noites de Agonia (Two on  a Guillotine). O genial Max Steiner morreu no dia 28 de Dezembro de 1971.

Informações Adicionais: Entre 1936 e 1947, as trilhas de Steiner foram orquestradas por Hugo Friedhofer, e a partir de 1947 por Murray Cutter. Steiner foi casado quatro vezes, a última delas com Leonnette Blair, sua companheira de 1947 até o final da vida. O único filho do compositor, Ronald (nascido em 1940), cometeu suicídio em 1962. “Notes to You”, autobiografia iniciada em 1963, não foi concluída.

Fábio Massaine Scrivano

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