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Resenha de Trilha Sonora: TEXAS RISING (TV) – John Debney, Bruce Broughton


Texas_Rising_CDMúsica composta por John Debney e Bruce Broughton
SeloUniversal Music Group Nashville
Catálogo: Download Digital
Lançamento: 18/05/2015
Cotaçãostar_4

Nova minissérie, em oito episódios, do canal History, Texas Rising (idem, 2015) conta a história da independência do estado norte-americano do título do México, governado pelo general Santa Anna. O elenco inclui Bill Paxton, Brendan Fraser, Ray Liotta e Jeffrey Dean Morgan, e a direção é de Roland Joffé, cuja carreira andava em baixa nos últimos anos, comparada com seu sucesso na década de 1980, quando ele foi indicado ao Oscar por Gritos do Silêncio (The Killing Fields, 1984) e A Missão (The Mission, 1986) – filme que rendeu uma das trilhas mais clássicas de Ennio Morricone. Para sua minissérie, Joffé pode não ter trazido o maestro italiano de volta, porém, ele contou com outros dois bons compositores: John Debney (um dos preferidos do History, já tendo trabalhado em Hatfields & McCoys, Bonnie & Clyde e Houdini para o canal) e outro mestre dos faroestes, Bruce Broughton.

Broughton, nos anos 1980 e 1990, experimentou o sucesso na Música de Cinema hollywoodiana, e ganhou uma legião de fãs. No gênero western, ele compôs trilhas memoráveis, como Silverado (idem, 1985), pelo qual recebeu uma indicação ao Oscar, e Tombstone: A Justiça está Chegando (Tombstone, 1993). Porém, nos últimos anos, ele estava praticamente afastado do universo das trilhas, ainda que não estivesse totalmente ausente – no Oscar do ano passado, Broughton se envolveu numa polêmica, quando sua canção Alone yet Not Alone, para o filme de mesmo nome, teve sua indicação ao prêmio revogada. Apesar disso, segundo os relatos, Debney foi capaz de tirá-lo da aposentadoria para que os dois compusessem juntos. E o resultado é um score que fará a alegria de qualquer um que gosta de trilhas de westerns.

Tem algo de especial em ouvir um score de faroeste depois de tantos anos, numa produção “séria” e não numa paródia, como foi o caso, no ano passado, em Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola (A Million Ways to Die in West, 2014). Como nos saudosos scores para o gênero, temos aqui também uma grande orquestra, interpretando o bom e velho estilo “Americana”, consagrado por Aaron Copland e, nas telas, por compositores como Jerome Moross e Elmer Bernstein, nos remetendo às grandes planícies desérticas do Oeste Selvagem. Além disso, assim como em suas próprias trilhas para faroestes, Broughton e Debney trouxeram seu próprio toque especial, aqui representado por instrumentos como violões e violinos tipicamente country, da região fronteiriça entre o Texas e o México, onde se passa a história. Não sei dizer se a dupla compôs junta, ou se cada um trabalhou em episódios diferentes, ou mesmo cenas diferentes. Mas isso, na verdade, não importa muito, pois a música flui maravilhosamente bem e de forma coesa.

O score começa com uma longa suíte, de mais de nove minutos, que já apresenta o tema principal, que irá dominar a partitura, bem como vários outros sub-temas menores. O tema, expansivo como uma partitura dessas pede, aparece de várias formas na suíte: com toda a orquestra, apenas com sopros e cordas, num andamento mais suave, ou em ritmo militar. Mais tarde, ele aparece tanto de forma dramática e sombria, como em Emily Arrives In Camp/Town Evacuation, transformado em uma espécie de love theme, em Truett & Yancey Flirt With Sarah, num country leve e divertido, em Gettin’ A Whippin’, de forma grandiosa em Rangers Run Into Mexican Army, e mesmo integrado em meio a muita ação, em The Battle of San Jacinto Part 1, antes de receber sua interpretação mais completa, em Texas Rising Main Title, que, estranhamente, é a última faixa do score.

A trilha é surpreendentemente bem balanceada entre momentos mais intensos e outros mais leves. Um violão solo responde por alguns dos momentos mais intimistas da partitura, como nas belas e similarmente nomeadas Deaf’s Goodbye to Lupe e Deaf Tries Talking to Lupe, que trazem um tema triste e melancólico para os dois personagens, no mencionado violão e orquestra. Enquanto isso, em Santa Ana And Emily Sex In The Bath, o destaque é uma bonita melodia para um violão tipicamente mexicano, com acompanhamento de cordas.

Porém, nem tudo é romance. Em Anderson Wakes Rangers, temos um tema militar, com percussão e sopros, numa versão levemente pomposa, que depois reaparece, com o acompanhamento do violão, em Lupe Watches Deaf Ride Off, e como uma melodia de ação, nas faixas desse tipo. Já The Alamo And Lorca e Lorca’s Hanging Bodies trazem sombrios momentos de suspense, espelhando os próprios trabalhos de Broughton no gênero, que inovaram por trazer uma ação mais intensa, quase “Goldsmithiana”, para o estilo. Falando em ação, o disco concentra suas músicas do gênero em Mexican Ambush, uma faixa muito rítmica para toda a orquestra, e as duas partes de The Battle of San Jacinto, em que há uma confluência de temas, como o principal, o militar e o mexicano, numa longa batalha. Após esse clímax, vem a surpreendente Emily Rescue, que funciona quase como um country instrumental, com violão, violino, baixo e percussão, lembrando um pouco o trabalho de Debney em Hatfields & McCoys (idem, 2012), no qual ele também deu seu melhor com um elenco reduzido de músicos. Seu estilo mais “moderno” pode surpreender após mais de 45 minutos de música primariamente orquestral, porém a melodia é bela o suficiente para se destacar no disco.

Se há uma crítica a ser feita ao score, é que ele nunca parece ser tão grandioso ou expansivo quanto de seus outros pares em trilhas de westerns, que, mesmo gravadas há décadas atrás, ainda hoje soam tão enormes quanto na época. Não sei se, por razões orçamentárias, Debney e Broughton tiveram de trabalhar com uma orquestra menor. Por outro lado, pode ser que o problema esteja em mim, que, depois de tanto tempo ouvindo o som dos músicos ao vivo ser “turbinado” com eletrônicos, me desacostumei com uma boa e velha orquestra sinfônica. Assim, a orquestração merece palmas por ser basicamente orquestral, em que cada seção do elenco de músicos tem sua chance para brilhar, além do bom tempero de instrumentação típica.

O disco ainda inclui canções interpretadas por Kris Kristofferson, Jose Feliciano e George Strait, todas muito boas. E, contando com elas, o álbum de Texas Rising rende uma das melhores audições do ano até agora. Quem der uma chance será levado por Broughton e Debney a uma viagem para outro tempo e lugar, tão emocionante que, tão logo o disco termine, você vai querer ouvi-lo de novo. Imperdível.

Faixas:

1. I Won’t Back Down (03:49)
Kris Kristofferson
2. Igual Que Yo (04:22)
Jose Feliciano
3. Texas Rising Suite (09:17)
4. Emily Arrives in Camp / Town Evacuation (02:00)
5. Anderson Wakes Rangers (01:49)
6. Truett & Yancey Flirt with Sarah (01:36)
7. The Alamo and Lorca (01:57)
8. Sam Talks Strategy (01:15)
9. Deaf’s Goodbye to Lupe (02:23)
10. Lupe Watches Deaf Ride off (00:33)
11. Gettin’ a Whippin’ (01:05)
12. Houston Addresses the Troops (01:37)
13. Rangers Run into Mexican Army (02:33)
14. Mexican Ambush (02:42)
15. Santa Ana and Emily Sex in the Bath (02:29)
16. Bigfoot and Hayes at the Waterfall (01:23)
17. Lorca’s Hanging Bodies (02:30)
18. Wykoff’s New Home (01:02)
19. Deaf Tries Talking to Lupe (02:06)
20. The Battle of San Jacinto – Pt 1 (04:02)
21. The Battle of San Jacinto – Pt 2 (04:32)
22. Emily Rescue (06:06)
23. Yellow Rose of Texas (01:23)
24. Yellow Rose of Texas – Alternate Version (01:26)
25. Come to the Bower (01:46)
26. Come to the Bower – New Orleans version (03:58)
27. Texas Rising Main Title (01:34)
28. Take me to Texas (03:32)
George Strait

Duração total: 74:47

Tiago Rangel

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