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Resenha de Blu-ray: O DESPERTAR DOS MORTOS


despertar_BDDAWN OF THE DEAD
Produção: 1978
Duração: 139 min. (Versão Estendida), 127 min. (Versão Original), 119 min. (Versão de Dario Argento)
Direção: George A. Romero
ElencoKen Foree, David Emge, Gaylen Ross, Scott H. Reiniger
Vídeo: 1.78:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1, Dolby Digital 5.1)
Legendas: Português
Região: A, B, C
Distribuidora: Versátil
Discos: 2 (1 BD-50GB, 1 DVD-9)
Lançamento: 05/05/2015
Cotações: Som: star_3_5 Imagem: star_3 Filme: star_4 Extras & Menus: star_3 Geral: star_3_5 

SINOPSE
Nesta continuação do clássico de horror de George A. Romero, A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (NIGHT OF THE LIVING DEAD, 1968), a civilização começa a ruir depois que uma epidemia que transforma os mortos em zumbis devoradores de carne humana espalha-se pelo mundo. Dois funcionários de uma estação de TV da Filadélfia, Stephen (David Emge) e Francine (Gaylen Ross), juntamente com os policiais da S.W.A.T. Roger (Scott H. Reiniger) e Peter (Ken Foree), roubam o helicóptero da emissora e tentam fugir do holocausto. Eles acabam encontrando o abrigo ideal em um shopping center, e decidem ficar lá à espera de que a crise seja superada. Após eliminarem os mortos-vivos que estavam dentro do shopping, eles bloqueiam todas as entradas e vivem por um tempo em relativa segurança. Porém, não tarda para que eles tenham de enfrentar um bando de saqueadores e uma nova horda de zumbis.

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COMENTÁRIOS
Este O DESPERTAR DOS MORTOS (DAWN OF THE DEAD, 1978), lançado nos cinemas do Brasil em 1979 com o título de ZOMBIE – O DESPERTAR DOS MORTOS, sempre foi um dos meus filmes preferidos dos anos 1970. Ele me lembra os ciclos de terror e de ficção científica do saudoso Cine Bristol, aqui em Porto Alegre, onde eram exibidos filmes de gente como Romero, Carpenter, Cronenberg, Dante, etc. Hoje, apesar dos quase 40 anos de avanços cinematográficos e de uma infinidade de produções do gênero (em especial a bem sucedida série de TV THE WALKING DEAD), este segundo título da Trilogia dos Mortos de Romero (que após um longo hiato desde DIA DOS MORTOS retornou com novas produções, mas sem o mesmo pique de antigamente) ainda mostra porque teve tanta importância e influência para um sem número de cineastas e profissionais que passaram a se dedicar aos filmes de horror e suspense.

Além de contar uma história de horror, Romero, e outros cineastas da época que se aventuraram no gênero, buscavam provocar o espectador, tirando-o da experiência passiva que é, normalmente, assistir a um filme. Assim, além do susto e do nojo provocado pelas cenas mais violentas (que hoje ganham um ar até divertido, graças aos efeitos de maquiagem primitivos), o espectador de O DESPERTAR DOS MORTOS é levado a refletir sobre o que está vendo, e mais, sobre o que está por trás da narrativa – que também inovou ao mesclar elementos de terror e podreira com humor, e introduziu uma personagem feminina forte (Gaylen Ross) cuja função não era apenas gritar, fugir dos monstros e ser salva pelos homens. Nos seus filmes de zumbi, e em especial neste, Romero buscava satirizar a sociedade através dos seus patéticos desmortos, que em sua ânsia de aplacar a fome, eram transformados no consumidor ideal e definitivo – por mais carne humana que ingerissem, sua fome nunca era aplacada.

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Em O DESPERTAR DOS MORTOS a sociedade de consumo é cutucada em dois níveis – um de ambientação, que é o shopping onde transcorre a maior parte da ação; o outro é o do comportamento de zumbis e humanos em pleno templo do consumo. Os primeiros, movidos pelo instinto, reproduzem mecânica e atrapalhadamente o que faziam no shopping quando vivos: sobem e descem as escadas rolantes, olham abobalhados as vitrines, perambulam pelos corredores… os humanos, por sua vez, quando livres da ameaça dos zumbis, satisfazem seus sonhos de consumo sem precisarem gastar um único tostão. A mensagem de tudo isto é que vivos, mortos ou mortos-vivos sempre terão um alto preço a pagar por uma vida baseada apenas no consumismo.

Mesmo na competente (e ótima, caso raro) refilmagem de 2004 MADRUGADA DOS MORTOS, dirigida por Zack Snyder, a metáfora canibalismo / consumismo foi suavizada, sendo tratada de forma mais discreta e com bem menos humor. E falando na refilmagem, é bom deixar registrado que Ken Foree (Peter) e Tom Savini (o líder da gangue de saqueadores e responsável pelas maquiagens dos zumbis) nela fizeram pequenas pontas, em homenagem ao filme original. Por fim, merece destaque a trilha sonora do cultuado grupo de rock progressivo italiano Goblin (que criou a trilha de muitos filmes de horror do diretor Dario Argento, que aqui, além de ajudar na trilha sonora, também é um dos produtores e montou a versão europeia do filme).

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SOBRE O BD
Foi preciso que a independente Versátil, conhecida pelos nossos colecionadores como a “Criterion Brasileira”, tomasse a iniciativa para que O DESPERTAR DOS MORTOS fosse lançado em Blu-ray por aqui – ainda que numa edição limitada que, até o momento em que escrevi esta resenha, é exclusiva da Livraria Cultura. A apresentação deste lançamento, para os padrões do nosso mercado, é acima da média. Os dois discos estão acondicionados em um estojo Amaray HD Case , juntamente com um cartaz 35 x 43,7 cm. O estojo é envolto numa bonita luva que, em sua frente, traz a arte vermelha do filme, e no verso destaca as especificações técnicas (já a capa do estojo, em suas duas faces, traz mais quatro artes, também vermelhas). 

Nosso lançamento aparentemente toma por base a edição japonesa comemorativa dos 35 anos do filme, que assim como a nossa contém três cortes: no Blu-ray, a versão original com 127 minutos (que traz o melhor equilíbrio entre trama, diálogos e ação) e uma versão estendida (com 12 minutos de cenas adicionais, nenhuma delas particularmente relevante e com boa parte da trilha do Goblin substituída por músicas de arquivo), ambas selecionáveis a partir do menu principal; e no DVD, a inferior versão criada pelo produtor Dario Argento para o mercado europeu (com apenas 119 minutos). E como naquela edição, a da Versátil apresenta o filme com uma leve alteração de aspect ratio: ao invés de o formato da tela ser o original 1.85:1, ele foi alterado para 1.78:1, a fim de eliminar as finas tarjas pretas que surgiriam acima e abaixo da imagem. É uma alteração que provoca cortes desprezíveis na área visível, mas que poderá descontentar os mais exigentes. Não ajuda o fato de a proporção de tela estar erradamente informada como 1.85:1 nas especificações da nossa edição.

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No que se refere à qualidade do vídeo, consideradas a idade do filme e suas próprias limitações orçamentárias, ela é satisfatória. A transfer 1080p/AVC MPEG-4 preserva algo da granulação original, porém ela varia em várias sequências. Nelas, os detalhes finos também são menos acentuados, o que indica a aplicação de DNR. Alguns danos de película (pontos e linhas verticais) ocasionalmente se fazem presente, porém não chegam a ser um fator de distração. Assim como na granulação, também constatamos variações nos níveis de preto, que por vezes estão mais para um azul escuro. As cores são vivas e estáveis, porém sua paleta deixa quase sempre azul a simplória maquiagem cinza original dos zumbis. Felizmente, não foram percebidos ruídos digitais / artefatos de compressão. Já a versão de Dario Argento, incluída no DVD, está boa para uma apresentação em SD, mas por razões óbvias é de qualidade inferior. Pesando todos os prós e os contras, temos uma boa apresentação visual deste clássico, e creio que dificilmente veremos aqui algo melhor no futuro.

Quanto  ao áudio, tanto a versão original como a estendida trazem faixas em inglês DTS-HD MA 5.1 com uma espacialidade limitada, praticamente restrita aos canais frontais. O subwoofer é utilizado de forma discreta, e principalmente na trilha musical. Apesar de uma leve variação de volume em algumas cenas, a qualidade na reprodução de diálogos, efeitos sonoros e trilha sonora é boa, reproduzindo com fidelidade o modesto sound design de 1978. Não há opção de dublagem no nosso idioma em nenhuma das versões (sendo que a de Argento, no DVD, possui uma faixa em inglês Dolby Digital 5.1), e as únicas legendas disponíveis são português.

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EXTRAS
Todos os extras de O DESPERTAR DOS MORTOS, legendados em português, estão no DVD que acompanha o Blu-ray com as versões original e estendida do filme. Em relação às edições internacionais, perdemos uma quantidade considerável de material, como comentários em áudio, cenas eliminadas e dois documentários (sendo o mais relevante Document of the Dead, rodado na época das filmagens). Para efeitos desta resenha também considerei como extra a versão montada por Dario Argento, que está no mesmo disco:

  • Making Of (75 min.) – Com o título original de The Dead Will Walk, este ótimo documentário foi produzido em 2004 para o lançamento em DVD daquele ano. Inclui raras cenas de bastidores e depoimentos de Romero e de vários membros do elenco e equipe. Os entrevistados relembram com satisfação suas experiências no filme, em contraste às dificuldades de uma produção de baixo orçamento. O diretor cita de passagem a refilmagem de Zack Snyder, salientando não ter tido nenhum envolvimento nela, e fala um pouco sobre seu próximo filme de zumbi, que acabaria sendo TERRA DOS MORTOS (LAND OF THE DEAD, 2005);
  • Trailers e Spots de TV (8 min.) – Foram incluídos o trailer original norte-americano, um trailer alemão, dois comerciais de TV britânicos com o título ZOMBIES e alguns comerciais de rádio (obviamente, apenas em áudio);
  • Versão de Dario Argento (119 min.) – Este é o corte criado pelo produtor Dario Argento para ser exibido no mercado europeu. Além de estar em SD, é uma versão demasiadamente truncada do filme, que pelo menos preserva toda a trilha original do Goblin. Mas, por ser a versão mais fraca e até por estar em qualidade SD, vale ser assistida no máximo uma única vez, por curiosidade.

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Jorge Saldanha

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