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Na Trilha: GAME MUSIC – SURVIVAL HORROR Parte 2


renNeste artigo em duas partes (leia a Parte 1 AQUI), comentamos algumas trilhas de videogames do gênero Survival Horror, cujas edições físicas na maior parte encontram-se esgotadas e são verdadeiros itens de colecionador.

shillSILENT HILL ORIGINAL SOUNDTRACK – Konami Records (Japão, KICA 7950) –  Talvez o jogo para Playstation mais assustador surgido após Resident Evil, com o qual possuía muitos elementos em comum (jogabilidade similar, mas com cenários gerados em tempo real), Silent Hill trouxe uma das trilhas mais peculiares já compostas para um game – uma pequena pérola de originalidade. O game foi levado ao cinema em 2006 pelo diretor Christophe Gans, com algumas adaptações (como a mudança do sexo do personagem principal) – porém mesmo assim manteve sua estrutura básica. O jogo inicia no cenário bucólico de Silent Hill, uma cidadezinha do interior americano. Na pele do protagonista Harry Mason, você parte em busca de sua pequena filha desaparecida, envolvendo-se com realidades alternativas, monstros, bruxaria e personagens bizarros. O game investiu mais no terror grotesco e psicológico que seu concorrente da Capcom, e a softhouse Konami encarregou Akira Yamaoka de produzir sons literalmente de outro mundo. A música é utilizada como um efeito sonoro integrado à ação, criando um clima de pesadelo. Nos momentos mais “tenebrosos” do jogo, ouvimos muitos sons eletrônicos, batidas e percussões que irrompem inesperadamente. Alguns temas (“Silent Hill”, “She”, “Silent Hill (Otherside)” – esta última inicia após transcorridos 5 minutos de puro silêncio! -, com seu clima retrô, guitarras tremollo e chiados de um vinil arranhado,  lembram a música da série de TV Twin Peaks. Para completar a originalidade (ou estranheza) do score, o tema final ficou a cargo da compositora Rika  Muranaka, que compôs e produziu um legítimo tango com letras em espanhol, gravado em Buenos Aires!

dcrisisDINO CRISIS ORIGINAL SOUNDTRACK – Mars Colony Music (EUA, MCM 101022) – A Capcom expandiu seu leque Survival Horror para o Playstation com Dino Crisis,  uma espécie de Resident Evil em que os zumbis foram substituídos por dinossauros. Com um acompanhamento musical forte, a mesma equipe que criou o Resident Evil original (também foi criado por Shinji Mikami) e substituindo os fundos pré-texturizados por cenários renderizados em tempo real, totalmente em 3D, o jogo foi um dos grandes sucessos de 1999, e a exemplo dos jogos da franquia RE posteriormente também foi convertido para o console Dreamcast e para PC. Com jogabilidade semelhante à do seu “irmão” mais velho, você assume a personagem Regina, integrante de um grupo militar de salvamento que deve resgatar o Dr. Kirk, criador do experimento que infestou uma ilha remota com famintos dinossauros. O game possui um clima totalmente Jurassic Park, e a música, composta por Makoto Tomozawa, Sayaka Fujita e Akari Kaida, retorna ao padrão ambiental de Resident Evil – porém com características mais adequadas à performance dos monstros jurássicos. Ela é eminentemente eletrônica e percussiva, visceral, e os 70 minutos da trilha não são cansativos, uma vez que a duração média de cada faixa é de 1 minuto.

bluestingercdBLUE STINGER ORIGINAL SOUNDTRACK – Columbia Records (Japão, COCX 30238) – Primeiro Survival Horror produzido especialmente para o Dreamcast, na verdade Blue Stinger, da Climax Graphics, estava mais para Survival Sci-Fi: a trama, envolvendo a colisão do meteoro que extinguiu os dinossauros, uma ilha remota, alienígenas, clonagem e experimentos, é definitivamente de ficção científica. Os ambientes são mais claros e coloridos que os da série Resident Evil, e o visual dos personagens principais (o herói Elliot G. Ballade, seu companheiro Dogs e a gracinha Janine) é menos realístico, tendendo para o anime.  Apesar de alguns ângulos de câmera problemáticos, os cenários totalmente em 3D e efeitos visuais gerados pelos 128 bits do console fizeram de Blue Stinger um jogo bonito, que valeu a pena experimentar. Além do mais, a ação era acentuada pela ótima trilha sonora composta por Toshihiko Sahashi, que arrisco-me a dizer, foi a melhor composta para um jogo do gênero naquele período. Ouvindo a trilha lançada originalmente apenas no Japão, conclui-se que Sahashi indiscutivelmente ficou inspirado com o material que lhe foi colocado. Com harmonias variadas, belas melodias e orquestração por vezes majestosa, a música de Blue Stinger, em suas excelentes sequências-chave (em CG) é interpretada por uma orquestra verdadeira – no restante das faixas são utilizados samplers sintetizados. Sahashi nunca deixa o ouvinte aborrecido, já que sua música, praticamente do início ao fim, é bem dinâmica. Os 45 minutos do score, divididos em 17 faixas, fornecem música para momentos de terror, suspense e ação, alternados por algumas seções mais calmas, elegantes. Há até mesmo uma agradável faixa natalina (“Hello Market”), que se no jogo chega a ser repetitiva, em disco, principalmente nos créditos finais, reveste-se de uma elegância inesperada. A propósito, a faixa “Ending”, ouvida nos créditos finais do jogo, é uma pequena suíte de alguns temas ouvidos na trilha, nos moldes do padrão estabelecido por John Williams originalmente em Star Wars. Em suma, se você aprecia música orquestral de ação, com criatividade, vale a pena ouvir Blue Stinger.

sh2CDSILENT HILL 2 ORIGINAL SOUNDTRACK (Japão, KMCA-120) – Ainda que mantendo muitas das características do jogo original (como o visual de abandono e decomposição, além do horror psicológico), Silent Hill 2 chegou em 2001 para o console Playstation 2 trazendo diferenças que iam além das melhorias nos gráficos. O protagonista continuou sendo um homem, mas nota-se uma forte influência feminina na trama. A busca do personagem James Sunderland por sua esposa morta (?) Mary na cidade de Silent Hill é mais melancólica, emocional, principalmente por causa das problemáticas personagens femininas que lá encontra, como Maria (perturbadoramente parecida com Mary), Angela e a menina Laura. Ainda que recheado de criaturas assustadoras e bizarras (como o antológico Cabeça de Pirâmide), e que frequentemente provoque sustos no jogador, é o tom mais triste e emocional da história – ainda que, no final, seja difícil de entendê-la – que mais marca Silent Hill 2. E isso, certamente, se reflete em sua trilha sonora. Dessa vez o compositor Akira Yamaoka retirou um pouco o sound design caracterizado por batidas e sons “industriais”, a fim de que mais melodias e harmonias acentuassem o aspecto feminino-melancólico da trama. Como resultado, temos uma trilha menos ameaçadora, com mais ritmos e guitarras e que também inclui momentos delicados e tristes. O destaque, sem dúvida, é a faixa de abertura do CD, “Theme Of Laura”, que estruturalmente (na base de guitarra, baixo e percussão) é similar ao tema principal do jogo original (que surge em determinado momento da música), mas que Yamaoka, com competência, conduz a novos rumos. Este tema retorna em “Theme Of Laura (Reprise)”, mas de forma mais sombria e triste, com um belíssimo acompanhamento de violinos e piano. Aliás, um dos grandes méritos deste trabalho é o brilhante uso do piano, também presente em faixas como a nostálgica “Promise (Reprise)”, “Null Moon” ou “Pianissimo Epilogue”, que acentua o clima de tristeza e desolação. De um modo geral, mantendo algumas faixas com os sons típicos do jogo original, juntamente com interessantes composições para guitarra e criações belas e melancólicas, Yamaoka realizou um trabalho tão bom quanto o anterior, mas que sem dúvida revela ser uma experiência auditiva mais agradável. Tanto que no filme Silent Hill, que utiliza partes das trilhas originais dos jogos, foi a que se fez mais presente.

Biohazard-4-ostBIO HAZARD 4 – ORIGINAL SOUNDTRACK – Capcom (Japão, CPCA-10126-7) Resident Evil 4, lançado no início de 2005 nos EUA primeiramente para o console Game Cube, foi a maior revolução da série após CODE: Veronica – seja em termos de trama, seja em termos de gráficos e jogabilidade, e acabou sendo o maior sucesso de vendas e de crítica da franquia da Capcom até então. O que, nos jogos seguintes, levou à predominância dos elementos de ação sobre os de terror – mas aqui, ainda, bastante presente. Dessa vez o protagonista é Leon S. Kennedy que, seis anos após ter sobrevivido aos eventos de Resident Evil 2, é um agente a serviço do governo dos Estados Unidos da América. A missão de Leon é encontrar Ashley Graham, a filha do presidente, seqüestrada por pessoas desconhecidas e levada para uma pequena vila da Espanha. Em sua busca Leon reencontra Ada Wong (também de RE2), sem saber que ela está a serviço do vilão Albert Wesker, cujo objetivo é usar os parasitas Las Plagas para restaurar a Umbrella. A trama abandona o Vírus-T e seus zumbis, em favor dos parasitas que transformam seus hospedeiros em assassinos, e de outras mutações deles derivadas. Os gráficos são similares aos das versões de Resident Evil e Resident Evil 0 para Game Cube, porém retornando aos cenários gerados em tempo real de CODE: Veronica (aqui bem mais detalhados, especialmente em sua recente conversão HD). A inteligência artificial das criaturas foi aprimorada, a jogabilidade trouxe várias novidades e o som ambiente ficou excepcional – se ouvido através de um Home Theater, o áudio fornece imersão total. Houve um grande cuidado com tudo, desde o barulho dos passos, dos objetos das vilas e dos animais, até as músicas climáticas e o linguajar em espanhol, que ainda inclui alguns xingamentos ao jogador e o tão famoso “Mierda!”, um dos gritos dos sanguinários moradores da vila na qual se passa a parte inicial da trama. A trilha sonora do jogo foi lançada unicamente no Japão em dezembro de 2005, em dois CDs contendo 62 faixas, com uma duração total de mais de 138 minutos. A música incidental foi composta por Misao Senbongi e Shusaku Uchiyama, que mesmo mantendo algumas características da série (como a relaxante save music), procuraram em vários momentos criar um sound design similar ao da série Silent Hill. À exceção da faixa “The Drive – First Contact”, uma típica música flamenca com vocais em espanhol, violão e palmas, o restante do score é eletrônico, onde inexistem temas ou motivos recorrentes. Não há a preocupação de a música soar orquestral, seu forte reside em criar uma ambientação poderosa nos momentos de suspense e terror.  E nas partes de ação ela é brutal, percussiva, crua. O que indiscutivelmente colabora para a sensação de desespero quando nos vemos cercados por enxames de inimigos que nos atacam com forcados e machadinhas. É difícil encontrar destaques em um trabalho homogêneo, mas particularmente a composição que mais permaneceu na minha memória durante o jogo é “Infiltration”, que como o nome sugere acompanha Leon em algumas de suas incursões nas instalações de Los Illuminados. Trata-se em essência de acordes e instrumentação simples sobre uma base percussiva hipnótica, mas que é muito eficaz. “Regenerator” é arrepiante, servindo de tema para uma das criaturas mais ameaçadoras do jogo. “Back-Up” é eminentemente militar, e “Sorrow” é um dos típicos End Credits da série – melancólico e, ao mesmo tempo, esperançoso. Os minigames The Mercenaries e Assigment Ada também receberam músicas próprias.

Jorge Saldanha

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