thehomesman

Resenha: THE HOMESMAN – Marco Beltrami (Trilha Sonora)


homesman_CDMúsica composta por Marco Beltrami
SeloVarèse Sarabande
Catálogo: 302 067 317 8
Lançamento: 09/12/2014
Cotação: ****

Muitas pessoas costumam taxar o ítalo-americano Marco Beltrami como apenas um compositor de trilhas de ação genéricas e esquecíveis. De fato, boa parte de sua obra é composta de longas do gênero, de Duro de Matar – Um Bom Dia Para Morrer (A Good Day to Die Hard, 2013) a Max Payne (idem, 2008). Porém, quem olhar mais a fundo verá que Beltrami é um compositor inteligente, que não tem medo de arriscar e vir com novas e ousadas ideias.

Sua mais nova trilha, para o drama de western The Homesman (que ainda não tem data de lançamento no Brasil), dirigido por Tommy Lee Jones, é um ótimo exemplo disso. Seu trabalho tem sido elogiado pelos principais críticos de trilhas sonoras, e está bem cotado para receber uma indicação ao Oscar. O filme se passa no Nebraska, na década de 1850, e conta a história de Mary Bee Cuddy (Hillary Swank), que resolve transportar três jovens mulheres que enlouqueceram devido à um duro inverno, por milhares de quilômetros rumo à Iowa, onde um pastor e sua esposa concordaram em recebê-las. Sabendo dos perigos da viagem, ela contará com a ajuda de George Briggs (o próprio diretor) para acompanhá-la.

Recebendo carta livre de Jones, Beltrami resolveu retratar com sua música o horizonte infinito e as imensas paisagens que compunham o Oeste americano selvagem e inexplorado. Afinal, os pioneiros que resolviam se aventurar pelo interior dos Estados Unidos encontravam duras condições de vida e vastos espaços vazios e despovoados. Para demonstrar isso através de sua música, Beltrami utilizou diversas inovações. A primeira foi a criação, junto com seu parceiro Buck Sanders, de alguns novos instrumentos. O principal deles é uma espécie de harpa eólica, feitas a partir das cordas de um piano velho esticadas ao longo de uma colina perto de seu estúdio, em Malibu, e ligadas a um tanque de água. Assim, Beltrami era capaz de capturar o som do vento soprado através do seu estranho instrumento.

Além disso, Beltrami também utilizou uma nova espécie de violão criada por Sanders, além de um pequeno grupo de cordas (regida pelo próprio compositor), banjos, bandolins e um acordeão. Boa parte de sua música foi gravada ao ar livre, a fim de capturar os sons da natureza e do vento. O resultado é um dos mais belos e desafiadores scores de Beltrami nos últimos tempos, e certamente o mais inventivo.

Um tema principal conduz toda a trilha sonora. Ele aparece logo na primeira faixa, o Main Title, inicialmente interpretado na tal harpa eólica e depois por cordas, piano e, ao final, um bandolim. É um belo tema, bem folk e bastante característico da música produzida naquele tempo e lugar. Ele depois é reprisado nas bonitas Bathtime e Entering Town (onde recebe um acompanhamento de violão que lembra trilhas feitas para o cinema nacional), bem como em It’s Abandoned, aqui interpretada por um fiddle (espécie de violino, muito usado pelos povos da América do Norte e Europa para suas canções típicas e folclóricas). Para os End Credits, ele retorna em mais uma bela interpretação a cargo das cordas.

Há também outras faixas que mostram um lado lírico de Beltrami que poucos conhecem. Em Picking Up Arrabella Sours, ele introduz um tema secundário a cargo de um violoncelo, em dueto com o tema principal num violino solo e depois complementado por uma triste passagem para acordeão. Já em River Crossing e Travel Montage o tema principal assume um papel secundário, enquanto a melodia varia do atmosférico ao lirismo, para retratar a dura viagem dos personagens pelo interior dos Estados Unidos. Enquanto isso, Briggs Moves On utiliza guitarra, bandolim, percussão e violino, numa faixa divertidamente country.

Entretanto, não é apenas lirismo que a trilha possui. Há diversas faixas bem abstratas e atmosféricas, que procuram retratar a dureza das imensas paisagens naturais. Bons exemplos são On the Plains, que é dominada pela tal guitarra inventada por Sanders, Newborn e Bury Doll. Nestas duas últimas, quase dá para sentir o vento soprando ao longo do horizonte sem fim. Além disso, Pawnee e Cuddy Lost são duas faixas que mantém o clima de ameaça sem utilizar orquestrações grandiosas, enquanto Sod Buster, que conta com cordas ligeiramente Herrmannianas e banjo, é o mais perto que a trilha chega de ter um cue de ação.

No geral, o score de The Homesman pode ser considerado um dos mais desafiadores dos últimos tempos – mas também um dos mais gratificantes. Claro, não espere uma trilha dramática e melodiosa, pois aqui o mais importante é retratar a dureza das condições de vida nos EUA do século XIX. Porém, sua beleza e criatividade fazem com que ela mereça ser escutada.

Faixas:

1. The Homesman Main Title 3:52
2. On The Plains 1:35
3. Newborn 1:31
4. Picking Up Arrabella Sours 1:33
5. Sod Buster 1:32
6. Bathtime 2:53
7. Pawnee 2:13
8. Bury Doll 1:55
9. River Crossing 2:52
10. Leaving Home Flashback 1:06
11. Are You Crazy? 1:46
12. Travel Montage 0:46
13. It’s Abandoned 1:53
14. Cuddy Lost 3:13
15. Where’s Cuddy? 1:35
16. I’ll Be Back Directly 3:03
17. Entering Town 2:21
18. Briggs Moves On 2:00
19. Onto The Ferry 2:10
20. The Homesman End Credits 3:18
21. Wind Haiku 2:27

Duração: 45:34

Tiago Rangel

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