Resenha: UNBROKEN – Alexandre Desplat (Trilha Sonora)


unbrokenCDMúsica composta por Alexandre Desplat
Selo: Download Digital
Catálogo: 501212
Lançamento: 15/12/2014
Cotação: ****

Segundo filme da famosa estrela Angelina Jolie como diretora, o drama Invencível (Unbroken, 2014) conta a história de Louis “Louie” Zamperini, um atleta olímpico que, enviado para lutar na Segunda Guerra Mundial, sobrevive a um acidente de avião que o deixa à deriva por 47 dias no Pacífico e depois é enviado para um período de dois anos num campo de concentração japonês. O filme já recebeu alguns prêmios e tem sido apontado como um dos prováveis concorrentes ao Oscar. Para a música do filme, Jolie contou com o ocupado francês Alexandre Desplat, ao invés de Gabriel Yared, que compôs para o seu primeiro filme, Na Terra de Amor e Ódio (In the Land of Blood and Honey, 2011).

A música de Desplat pode ser dividida em algumas subcategorias: as explosões orquestrais para os blockbusters hollywoodianos (como Godzilla e as duas partes de Harry Potter e as Relíquias da Morte), as delicadas composições para dramas europeus (que, compondo a imensa maioria de sua obra, vai de Moça com o Brinco de Pérola até Philomena) e a música de guerra mais patriótica e menos agradável para longas como Argo (idem, 2012) e A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012). A trilha de Invencível se encaixa nesta última categoria, embora, felizmente, seja melhor que as outras duas.

Não espere, porém, ouvir as valsas delicadas pelas quais Desplat é famoso. Seu score aqui é bem mais grave e pesado, com o drama bem ressaltado e representado pela orquestra. Ainda há, claro, os momentos patrióticos, mas, no geral, a aura de melancolia domina a trilha. É o tipo de partitura que, se estivéssemos nos anos 1990, seria delegada a James Horner, e não seria de se espantar se o compositor de Titanic (idem, 1997) tiver sido considerado pelos produtores e pela diretora. Porém, com Horner sumido do cinemão hollywoodiano (não se preocupem, ele volta no ano que vem com três filmes novos), a tarefa coube a Desplat, atualmente a escolha preferida para este tipo de produção.

O álbum começa de forma solene, com cordas e trompas, em We Are Here, logo incorporando uma misteriosa voz feminina (que deixaria o citado Horner orgulhoso). O tema principal, porém, aparece na segunda faixa, Torrance Tornado, uma melodia patriótica para toda a orquestra. Ao final, há uma ótima passagem para cordas, metais e percussão que lembra um pouco a trilha de James Newton Howard para O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010). Em Coming Home, há o aparecimento de outro tema recorrente, heroico, que aparentemente representa a bravura de Zamperini, interpretado por toda a orquestra e encerrado com um ótimo trecho para violoncelo solo e piano.

A quarta faixa, Olympic Kick, começa com baixos e sintetizadores, até a entrada do tema principal, com a música seguindo num crescendo com toda a orquestra, culminando numa violenta passagem para metais, seguido por um trecho sutil a cargo do piano. Em God Made the Stars o tema para voz da primeira faixa se converte numa dramática melodia para cordas e piano. Na sequência, Surprise Mac Attack assusta o ouvinte com um início brutal, mas depois parte para um estranho (e incomum na carreira de Desplat) trecho com cordas e sintetizador. Albatross é uma típica faixa do compositor, para cordas e piano, enquanto Mac’s Death recupera os temas da bravura de Zamperini e da voz feminina.

Como já seria de se esperar de um filme com essa temática, instrumentos japoneses não poderiam ficar de fora. Assim, Solitary tem como destaque a famosa flauta shakuhachi, além de instrumentos de percussão, numa faixa relativamente dissonante. Making Gnocchi é provavelmente a melhor do disco. Ela traz o tema do filme interpretado num piano melancólico, com acompanhamento de cordas e harpa, uma bela e triste composição de Desplat. O shakuhachi e a percussão conduzem Drive to Radio Tokyo, juntamente com a orquestra, e Japanese Attack começa de forma lírica, mas depois apresenta acordes mais ameaçadores e trechos sinistros para percussão, pratos e piano.

Trip to Omori é uma faixa bastante dramática, com uma escrita desoladora para cordas e trompas. Já Bombing Tokyo é uma bela e sutil faixa, com piano, cordas e alguns instrumentos típicos. Em Rain, o tema principal é belamente interpretado por toda a orquestra, e Dead Comrades começa de forma triste, mas depois incorpora um bonito trecho mais otimista com piano, metais e percussão. To Naoetsu introduz um novo motivo, um padrão de doze notas que se repete ao longo de toda a faixa, seguindo num crescendo, e finaliza com orquestra e o shakuhachi. Em seguida, Broken Ankle possui longas notas a cargo das cordas, que mesmo assim variam entre o suspense e o drama.

The Bird’s Farewell é uma faixa tensa, em que a melodia principal é interpretada pelo shakuhachi e depois pelo piano, sempre com o acompanhamento do baixo. Radio Reading, por sua vez, é outra bela faixa, que conta basicamente com violinos e piano para tocar o ouvinte. Em seguida vem The Plank, dominada pelo tema principal, numa ótima interpretação com toda a orquestra. Para o final do disco, temos The War is Over, que começa de forma repleta de suspense, antes da entrada de motivos triunfantes para toda a orquestra, destacando-se os metais, indicando, como o próprio título anuncia, que o conflito finalmente chegou ao fim. A faixa finaliza de forma misteriosa com violinos e piano. Na sequência, Unbroken, que provavelmente serve de suíte dos créditos finais, reprisa os principais temas do score. O disco ainda inclui a mediana canção Miracles, da banda Coldplay, mas lembre-se que você sempre pode apertar stop quando a música de Desplat se encerra.

Novamente, eu volto a afirmar que 2014 foi o ano de Alexandre Desplat. Tirando, provavelmente, a mediana (ou “menos boa”) Caçadores de Obras Primas (The Monuments Men, 2014), todas as suas trilhas neste ano não foram menos que muito boas. E, mesmo que ele já tenha se juntado ao clubinho de James Newton Howard, Danny Elfman e Thomas Newman, de compositores que sempre aparecem no Oscar sem nunca vencer (a Academia prefere premiar músicos menos conhecidos ou que ainda não tenham sido indicados), desde já ficam registradas suas grandes contribuições para o mundo da Música de Cinema.

Faixas:

1. We Are Here 1:49
2. Torrance Tornado 2:55
3. Coming Home 2:16
4. Olympic Kick 3:47
5. God Made The Stars 1:39
6. Surprise Mac Attack 1:38
7. Albatross 1:01
8. Mac’s Death 2:39
9. Solitary 1:42
10. Making Gnocchi 1:10
11. Drive To Radio Tokyo 1:18
12. Japanese Attack 3:30
13. Trip To Omori 2:51
14. Bombing Tokyo 1:42
15. Rain 1:27
16. Dead Comrades 2:19
17. To Naoetsu 3:53
18. Broken Ankle 2:20
19. The Bird’s Farewell 2:25
20. Radio Reading 1:12
21. The Plank 4:53
22. The War Is Over 6:01
23. Unbroken 2:26
24. Miracles (Coldplay) 3:55

Duração: 60:48

Tiago Rangel

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