Doctor Who Series 2

Resenha: DOCTOR WHO – A SEGUNDA TEMPORADA COMPLETA (DVD)


dw_s2_DVDDOCTOR WHO – THE COMPLETE SECOND SERIES
Produção
: 2006
Duração: 502 min.
Direção: Vários
Elenco: David Tennant, Billie Piper, Noel Clarke
Vídeo: Widescreen Anamórfico 1.78:1
Áudio: Inglês (Dolby Digital 2.0).
Legendas: Português
Região: 4
Distribuidora: Paris Filmes
Discos: 4 DVDs
Lançamento: 19/11/2014
Cotações: Som: *** Imagem: **½  Série: ****½ Extras & Menus: **½ Geral: ***

SINOPSE
Após a regeneração o Doutor (David Tennant) está com um novo corpo, pronto para continuar suas fantásticas viagens pelo universo e pelo tempo com sua companheira, Rose (Billie Piper). Nelas os dois encontrarão novos e velhos amigos e inimigos, e sua aventura culminará numa batalha épica pela sobrevivência da Terra.

doctor_who_2-1COMENTÁRIOS
A britânica DOCTOR WHO é a mais longa série sci fi da TV, tendo completado 50 anos em novembro de 2013. Ao longo dos anos os atores principais foram sendo substituídos, mas com uma boa e conveniente explicação para justificar a troca de rostos do personagem. Quando o primeiro Doutor, William Hartnell, teve de ser substituído, os roteiristas estabeleceram que todos os da sua raça (Senhores do Tempo) podiam regenerar ou mudar seu corpo quando estivessem para morrer. Foi o que ocorreu no episódio final da primeira temporada da nova fase iniciada em 2005, quando o nono Doutor (Christopher Eccleston) regenerou-se mais uma vez, agora assumindo as feições e os trejeitos de David Tennant.

O novo ator injetou mais energia e humor à décima encarnação do personagem, contrastando com a interpretação um tanto sombria e séria de Eccleston – mas que, por sua vez, já trazia o caráter mais emocional e humano atribuído à atual versão do Doutor. De modo similar à temporada anterior, há um elo de ligação entre quase todos os episódios. Se antes eram as palavras “Bad Wolf” (que teria seu significado explicado ao final), agora temos as referências ao Instituto Torchwood, organização criada para defender a Inglaterra de ameaças alienígenas. Torchwood (anagrama de “Doctor Who”) ganhou no final de 2006 uma série própria estrelada por John Barrowman, que na primeira temporada interpretou o Capitão Jack Harkness.

De um modo geral esta segunda temporada é excelente, com um ou dois episódios abaixo da média mas contando com várias obras-primas como “Dente e Garra” (após um atentado envolvendo um lobisomem alienígena e o Doutor, a Rainha Vitória decide criar Torchwood), “Reunião da Escola” (o Doutor reencontra seus antigos companheiros de viagens, Sarah Jane Smith e o cãozinho robô K-9), “A Garota da Lareira” (uma comovente história de amor entre Madame de Pompadour e o Doutor, que dura uma vida), “A Ascensão do Homem Cibernético” e “A Era do Aço” (testemunhamos o nascimento dos clássicos inimigos cibernéticos Cybermen numa Terra paralela), “O Planeta Impossível” e “O Poço do Diabo” (no interior de um planeta orbitando um buraco negro, o Doutor se vê face a face com uma entidade maligna que pode ser o Demônio), e os episódios finais da temporada “Exército Fantasma” e “Dia do Juízo Final” (os Cybermen e os maiores inimigos do Doutor, os também cibernéticos Daleks, travam uma batalha pelo domínio da Terra).

A série mantém o humor e a ironia que lhe são típicos, em muito beneficiados pelo histrionismo de Tennant. Por exemplo, sua atuação quando o corpo do Doutor é possuído pela vilã Cassandra é impagável. O programa continua satirizando a própria televisão – se na temporada anterior tínhamos uma estação espacial que manipulava toda a programação, e vimos um espantado Doutor no confessionário de uma versão futurista do Big Brother, agora no episódio “A Lanterna do Idiota” (o título já é sugestivo) um alienígena usa a televisão para sugar o rosto e as mentes dos espectadores.

Mas diferentemente de boa parte da programação idiotizante que vemos na TV, DOCTOR WHO é uma excelente, bem humorada, inteligente e não raro emocionante diversão para toda a família. Além do humor, a série é capaz de trazer vários conceitos de ficção científica bem interessantes, e por vezes ganha grande dramaticidade e emotividade ao tratar de temas como solidão, amor, vida, morte e perda. O episódio final “Dia do Juízo Final” provocou comoção entre os fãs, por marcar a despedida de um dos personagens principais da série de forma, para alguns, excessivamente melodramática.

doctor_who_2-2SOBRE O DVD
A primeira temporada da atual fase de DOCTOR WHO  chegou a ser lançada em DVD no Brasil pela Log On, juntamente com alguns documentários e séries da BBC, porém sua saída do mercado este ano deixou os fãs que pretendiam colecioná-la órfãos. Alguns meses depois a Paris Filmes anunciou ter adquirido os direitos de distribuição do catálogo da BBC em home video, e seus primeiros lançamentos chegaram ao mercado em novembro deste ano – a terceira temporada de SHERLOCK, esta segunda de DOCTOR WHO e o especial comemorativo dos 50 anos da série, O DIA DO DOUTOR. Infelizmente, as previsões de lançamentos ao mesmo tempo precários e caros – R$ 99,90 por um box com quatro DVDs. O pior é que a Paris parece ter tabelado os boxes da BBC em DVD nesse preço, independentemente da quantidade de discos (a terceira temporada de SHERLOCK, com apenas 2 discos, custa a mesma coisa). E nada de previsões de lançamento em Blu-ray.

Não esperava uma apresentação esmerada como os lançamentos estrangeiros, mas como tenho os bonitos boxes digipack da série lançados nos EUA, é inevitável compará-los. Esta segunda temporada da Paris tem quatro discos (dois a menos que as edições EUA e UK – mais adiante volto a isso), enfiados num escanavo branco. Nada de encarte, arte diferenciada dos discos, luva de plástico transparente e muito menos a imagem lenticular da TARDIS. Pelo menos colocaram uma luva de papelão envolvendo o estojo, que no entanto, acima do logo da série, traz escrito em pequenas letras brancas “Sherlock – Complete Series Three”. Mas, infelizmente, as más notícias realmente vem a seguir.

Para começar, o episódio especial “Invasão Natalina” sumiu. Este episódio, o primeiro completo de David Tennant como o Doutor e que abre os boxes EUA e UK, não foi incluído. Além de ser até hoje um dos melhores especiais da série, ele é importante por mostrar a consolidação do relacionamento do Doutor de Tennant com Rose (Billie Piper), e principalmente por definir as características desta encarnação do Senhor do Tempo. O episódio não está listado na embalagem do box mas consta no rótulo do disco 1, o que parece indicar que a distribuidora decidiu retirá-lo na última hora. Dificilmente vai adiantar reclamar alguma coisa para a Paris, certamente dirão que o que está errado é o rótulo do disco… mas enfim, a triste realidade é que o episódio foi eliminado certamente para ajudar a economizar na quantidade de discos.

Os problemas seguem no vídeo dos episódios. A  qualidade da imagem do box da Paris, em comparação com o dos EUA que tenho, é inferior. Não que ela originalmente fosse uma maravilha – a série, até começar sua quinta temporada, era gravada pela BBC em vídeo PAL SD. Mas para piorar a situação a Paris, além de eliminar o episódio especial de Natal, também comprimiu o vídeo a ponto de, nas cenas em movimento (principalmente nas sequências dos créditos de abertura, onde a TARDIS voa pelo vórtice temporal), a imagem ficar com artefatos de compressão. Em TVs menores isso não será tão percebido, mas em telas a partir de 40″ não tem como não notar. Como único consolo, o formato original 16:9 anamórfico dos episódios (não letterbox, como informado erroneamente pela distribuidora) foi preservado.

Quanto ao som também temos perdas, porém não tão graves. O áudio original nos boxes EUA e UK é Dolby Digital 5.1, enquanto aqui a Paris fez um downgrade para 2.0 certamente para também economizar espaço em disco. Pelo menos o áudio traz diálogos claros e boa fidelidade, apesar das esperadas restrições em efeitos surround e graves. Além disso, não foi incluído áudio em português – e isso que a dublagem existe, já que a série foi exibida dublada na TVE. Mas a Paris não a incluiu provavelmente pela mesma razão acima. Para mim a dublagem é desnecessária, mas sei que muitos a consideram essencial em lançamentos no Brasil. Há, obviamente, legendas em português (acionadas automaticamente), e só.

doctor_who_2-3EXTRAS
Também no material suplementar, sem surpresa, nosso box sofreu alguns prejuízos. Perdemos, em relação às edições EUA e UK, comentários em áudio e “In Vision” (aqueles em que, durante os episódios, podemos ver os convidados numa pequena janela no alto do lado direito da tela), erros de gravação e os vídeo diários de Billie Piper. O material que sobrou, em vídeo 16:9 legendado mas de péssima qualidade (a compressão foi tão grande para enfiá-lo nos discos que a qualidade equivale à de um vídeo 240p do Youtube), é o que segue:

Disco 1

  • Especial Crianças Necessitadas (7 min.) – Mini-episódio que liga o final da primeira temporada com o omitido especial de Natal “A Invasão Natalina”. Nele temos a primeira interação entre a inicialmente incrédula Rose e o regenerado Doutor.

Disco 2

  • Cenas Deletadas (16 min.) – 23 cenas eliminadas, incluindo, ironicamente, trechos do integralmente deletado “A Invasão Natalina”. Pela lógica da coisa, teriam que ter incluído aqui todo o Especial de Natal.

Disco 3

  • Os Vídeo Diários de David (75 min.) – 25 segmentos em sequência (cada um constituindo um capítulo) que trazem depoimentos do ator à sua câmera, e cenas de bastidores gravadas antes e durante as filmagens. Mais um grande contraste entre a quase ausência de Eccleston dos extras da primeira temporada, e o comprometimento de Tennant não só de participar, mas até de produzir este material para a segunda.

Disco 4

  • Doctor Who Confidencial (148 min.) – Este grande bloco, como no box da primeira temporada, contém os documentários da extinta série “Doctor Who Confidential” originalmente disponibilizados no site oficial. De modo geral são muito interessantes e informativos, e mantém o padrão de focarem aspectos específicos da produção – roteiro, efeitos visuais, etc. – tendo como pano de fundo um episódio da temporada. Uma pena estarem com péssima qualidade de imagem.

Jorge Saldanha

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