TE

Resenha: THE THEORY OF EVERYTHING – Jóhann Jóhannsson (Trilha Sonora)


TE_CDMúsica composta por Jóhann Jóhannsson
SeloBack Lot Music
Catálogo: 280
Lançamento: 04/11/2014
Cotação: ****

O filme A Teoria de Tudo (The Theory of Everything, 2014) é um drama biográfico que conta a história do cientista Stephen Hawking e seu relacionamento com a estudante de artes Jane Wilde. Bastante elogiado pela crítica, o filme já está cotado para conseguir algumas indicações ao Oscar, incluindo melhor filme e ator para Eddie Redmayne, que interpreta o físico. Uma das nominações que o longa certamente irá ter será o de Trilha Sonora, para a ótima música composta pelo islandês Jóhann Jóhannsson.

Descrito pela BBC como “um intrépido enigma musical”, Jóhannsson é um músico de raízes minimalistas que, em seus trabalhos (para o cinema, curtas, peças, televisão e discos) costuma fazer uma mistura entre o orquestral e o eletrônico. No ano passado, Jóhannsson chamou a atenção da crítica com seu score para o thriller Os Suspeitos (Prisoners, 2013), uma trilha quieta, sombria e atmosférica, perfeitamente adequada ao clima opressivo do longa. Já A Teoria de Tudo é um trabalho bem mais melódico e acessível do que os anteriores de Jóhannsson, porém, nem por isso deixa de ser menos belo.

Este é um score romântico e tocante, porém intimista e sutil, que demonstra um grande domínio das diferentes seções da orquestra. Lembra algo que Alexandre Desplat poderia ter escrito para um longa como esse (curiosamente, o francês este ano será um possível concorrente de Jóhannsson com seu score para O Jogo da Imitação, que também é a biografia de um gênio científico). Mesmo assim, o minimalismo tão característico de Jóhannsson se mostra presente em toda a trilha.

O disco pode ser dividido em duas metades. A primeira é mais otimista e voltada para o romance, enquanto a segunda acompanha a doença que acometeu Hawking e, portanto, é mais sombria. É como se houvesse um equilíbrio entre a música voltada para o gênio e suas descobertas científicas, e para seus problemas físicos  que o deixaram quase incapacitado de movimentar o corpo.

Para a primeira parte, nós temos faixas iniciais que superam uma a outra em qualidade. Cambridge, 1963 e Rowing são otimistas e contam com orquestra e piano. Domestic Pressures lembra uma versão moderna da clássica trilha de Elmer Bernstein pra O Sol é Para Todos (To Kill a Mockingbird, 1962), e Chalkboard tenta capturar a emoção e a empolgação da descoberta científica. Mais tarde, há a belíssima A Game of Croquet, que conta com piano e cordas num senso de melancolia que lembra Danny Elfman em seus momentos mais emocionais. É na certa uma das mais bonitas e tocantes faixas do ano. Já The Origins of Time possui cordas e sopros numa melodia doce e quase infantil, enquanto a romântica valsa The Wedding acrescenta uma guitarra clássica à orquestração. Já The Dreams That Stuff is Made Of é totalmente baseada em cordas e piano numa faixa melodiosa e agradável.

Porém, a partir da faixa The Stairs, a música toma um caminho melancólico e triste, aqui com orquestra e sutil acompanhamento eletrônico. Esse clima continua em A Normal Family, que traz de volta o belo motivo ouvido em A Game of Croquet, enquanto Camping inova ao ser completamente baseada num solo de violoncelo. Já Coma e The Spelling Board buscam retratar o sofrimento de Hawking, em uma melancólica escrita para cordas, enquanto A Brief History of Time tem uma percussão quase digna de um relógio, enquanto a orquestra guia o ouvinte pelas descobertas do cientista.

Para o final do disco, Jóhannsson retoma alguns dos motivos ouvidos anteriormente. Daisy, Daisy traz cordas românticas, A Model of the Universe é completamente baseada em piano e guitarra clássica, e The Theory of Everything é mais otimista e expressiva, além de ter algo de  música pop em sua melodia. A bela London, 1988 cria uma ambientação mais melancólica, e Epilogue retoma o ritmo de valsa. Já a última faixa, The Whirling Ways of Stars that Pass, é interpretada basicamente pela guitarra.

A música de Jóhannsson para A Teoria de Tudo consegue tocar o ouvinte sem ser melodramática, e certamente ajuda a amplificar as emoções da história de Hawking. Será uma tremenda injustiça se ele não for premiado com algumas indicações na próxima temporada de premiações.

Faixas:

1. Cambridge, 1963 1:41
2. Rowing 1:42
3. Domestic Pressures 2:37
4. Chalkboard 1:05
5. Cavendish Lab 2:31
6. Collapsing Inwards 2:17
7. A Game of Croquet 2:45
8. The Origins of Time 2:21
9. Viva Voce 1:36
10. The Wedding 1:42
11. The Dreams that Stuff Is Made Of 1:51
12. A Spacetime Singularity 2:16
13. The Stairs 1:07
14. A Normal Family 1:41
15. Forces of Attraction 2:03
16. Rowing – Alternative Version 0:37
17. Camping 1:18
18. Coma 1:03
19. The Spelling Board 0:59
20. The Voice Box 0:51
21. A Brief History of Time 2:02
22. Daisy, Daisy 2:21
23. A Model of the Universe 2:52
24. The Theory of Everything 1:08
25. London, 1988 2:52
26. Epilogue 1:49
27. The Whirling Ways of Stars That Pass 1:52

Duração: 48:59

Tiago Rangel

7 opiniões sobre “Resenha: THE THEORY OF EVERYTHING – Jóhann Jóhannsson (Trilha Sonora)”

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