Resenha: THE IMITATION GAME – Alexandre Desplat (Trilha Sonora)


IG_CDMúsica composta por Alexandre Desplat
SeloSony Classical
Catálogo: 501212
Lançamento: 24/11/2014
Cotação: ****

Alexandre Desplat vem tendo um ano incrível: ele já lançou o inteligente e peculiar score de O Grande Hotel Budapeste (The Grand Budapest Hotel, 2014) e a poderosa Godzilla (idem, 2014). Seu novo filme é O Jogo da Imitação (The Imitation Game, 2014), a biografia do gênio matemático Alan Turing, que, durante a Segunda Guerra, ajudou a desvendar os códigos dos alemães, o que permitiu aos Aliados vencerem batalhas decisivas. O filme (cujo compositor original era Clint Mansell, que saiu do projeto por razões desconhecidas) tem sido cotado como um dos principais candidatos ao Oscar, e certamente ganhará uma indicação ao prêmio de Melhor Trilha Sonora, pois Desplat fez um belo trabalho para o longa.

Como já seria de se esperar, todas as “marcas registradas” que Desplat consolidou em seus trabalhos anteriores estão aqui: a colaboração com a London Symphony Orchestra (novamente gravada nos estúdios Abbey Road), e o senso rítmico, em que cada faixa lembra uma pequena valsa. Além disso, a abordagem cuidadosa e precisa de Desplat casa perfeitamente com o universo de um matemático. Seu trabalho aqui remete a outro clássico score de James Horner, Uma Mente Brilhante (A Beautiful Mind, 2001).

O tema principal do álbum, introduzido na primeira faixa, The Imitation Game, retrata tanto a genialidade de Turing quanto seu sofrimento interno por ser um homossexual durante um período extremamente conservador na Inglaterra. Conduzido por piano e baixos, e com a melodia principal interpretada por cordas e sopros, sua orquestração é incrível, assim como a execução da famosa orquestra. Este belo tema depois retornará em faixas como Mission, a empolgante Running e o incrível encerramento do disco, Alan Turing’s Legacy, que, com toda a orquestra e o piano, demonstra que, apesar da trágica morte do matemático, ele ainda foi uma das maiores mentes do século.

Outro tema de destaque no álbum representa as partes mais sombrias e dramáticas da vida de Turing. Ele é apresentado em Alone With Numbers, uma melodia melancólica interpretada pelo piano, ao qual depois se juntam sutis madeiras. Sua aparição seguinte é na triste The Apple, em que as cordas se juntam à orquestração, criando um clima melancólico e capaz de tocar o ouvinte com sua simplicidade (uma das especialidades de Desplat).

O álbum pode ser dividido em dois conjuntos de estilos, e o primeiro retrata os trabalhos de Turing e sua equipe, e de seus desafios frente à moderna máquina de criptografia alemã, Enigma. Para isso, Desplat utiliza orquestrações complexas e o seu já famoso senso de ritmo, que mantém a música em constante movimento. Lembra um pouco o seu trabalho em trilhas como O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil, 2006), A Rainha (The Queen, 2006) e O Escritor Fantasma (The Ghost Writer, 2010). Faixas como Crosswords, The Machine Christopher e Becoming a Spy ilustram bem isso. A primeira possui um baixo acompanhando a melodia principal, interpretada por cordas e madeiras, enquanto a segunda possui violinos e violas enérgicos e ideias percussivas que seriam retomadas em Decrypting, a mais vívida faixa de ação do disco. Esta tem uma sonoridade mecânica que remete ao funcionamento de uma máquina da década de 1940, demonstrando a criatividade do músico.

Becoming a Spy é menos energética, porém tem uma atmosfera ameaçadora de suspense conduzida pelas cordas. Outra interessante faixa deste tipo é Joan, que segue num crescendo até incorporar percussão ao final. Enigma e U-Boats, por sua vez, trazem dissonâncias e uma atmosfera mais ameaçadora para representar os alemães. A segunda, inclusive, traz um interessante motivo, inicialmente com piano e depois desenvolvido pelas cordas, que lembram um radar de um submarino.

O segundo conjunto busca retratar todo o drama que o matemático sofreu ao longo de sua vida. Além de incorporar os dois temas principais, descritos acima, ele também apresenta belos momentos em faixas como Alan e Carrots and Peas. Porém, a melancolia se torna mais proeminente durante as excelentes faixas finais. Começando com a já citada The Apple, ela é seguida pela linda Farewell to Christopher, a levemente otimista End of War e a tocante Because of You, culminando numa reapresentação do tema do protagonista na última faixa.

Apesar de esse ser um gênero já estabelecido para Desplat, ele ainda consegue impressionar com suas melodias tocantes. O Jogo da Imitação pode não trazer nada de novo para quem já conhece o compositor, mas isso não faz com que esta seja uma trilha menos impressionante.

Faixas:

1. The Imitation Game 2:37
2. Enigma 2:50
3. Alan 2:57
4. U-Boats 2:12
5. Carrots and Peas 2:19
6. Mission 1:36
7. Crosswords 2:52
8. Night Research 1:39
9. Joan 1:45
10. Alone with Numbers 2:58
11. The Machine Christopher 1:57
12. Running 3:01
13. Christopher is Dead 2:27
14. Decrypting 2:01
15. A Different Equation 2:54
16. Becoming a Spy 4:08
17. The Apple 2:20
18. Farewell to Christopher 2:41
19. End of War 2:07
20. Because of You 1:36
21. Alan Turing’s Legacy 1:56

Duração: 50:53

Tiago Rangel

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