Resenha: GODZILLA (Blu-ray 3D+Blu-ray)


god_BDGODZILLA
Produção
: 2014
Duração: 123 min.
Direção: Gareth Edwards
Elenco: Aaron Taylor-Johnson, Bryan Cranston, Ken Watanabe, David Strathairn, Elizabeth Olsen, Juliette Binoche
Vídeo 2D: Widescreen Anamórfico 2.40:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Vídeo 3D: Widescreen Anamórfico 2.40:1 (1080p/MVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 7.1), Português, Espanhol, Francês (Dolby Digital 5.1), etc.
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês, etc.
Região: A, B, C
Distribuidora: Warner
Discos: 2 BDs (50GB)
Lançamento: 25/09/2014
Cotações: Som: ***** Imagem: ****½ 3D: ***½  Filme: ***½ Extras & Menus: *** Geral: ****

SINOPSE
Joe Brody (Bryan Cranston) criou o filho Ford (Aaron Taylor-Johnson) sozinho, desde a morte da esposa (Juliette Binoche) em um estranho acidente na usina nuclear japonesa onde ambos trabalhavam. Ele nunca aceitou a catástrofe e quinze anos depois continua remoendo o acontecido, tentando encontrar alguma explicação. Já adulto, Ford Brody é um soldado do exército americano que precisa lutar desesperadamente para salvar a população mundial – e em especial sua família – de dois kaijus (monstros gigantes) que despertam uma força da natureza ainda mais temível: Godzilla.

COMENTÁRIOS

O mais antigo e famoso dos kaijus (monstros gigantes) japoneses, Godzilla, surgiu no clássico homônimo de 1954 e por décadas protagonizou uma série de filmes produzidos em seu país de origem. Extremamente populares no Japão mas com efeitos especiais abaixo dos padrões de Hollywood, eles possuíam aceitação restrita no Ocidente, o que cedo ou tarde levaria a uma “americanização” do monstro. Isso finalmente aconteceu com o lançamento pela Columbia, em 1998, do GODZILLA dirigido por Roland Emmerich. Tecnicamente esmerado, o filme rendeu bem nas bilheterias mas foi muito criticado por seus personagens mal escritos, por ser demasiadamente inspirado no JURASSIC PARK de Steven Spielberg e, acima de tudo, por descaracterizar Godzilla.

Assim, os planos de uma continuação foram arquivados por mais de uma década, até que a Legendary Pictures e a Warner Bros., após negociar os direitos de adaptação com a produtora Toho, decidiram trazer o monstro de volta, tomando todo o cuidado para evitar os equívocos do longa anterior. Para a direção foi escolhido um diretor pouco conhecido, o britânico Gareth Edwards, mas que em seu longa de estreia, o independente MONSTROS (2010), demonstrou perícia com efeitos visuais e soube valorizar a aparição de criaturas gigantescas. Edwards, que como Emmerich é fã assumido dos filmes dos anos 1970 e 1980 de George Lucas e Spielberg, soube dosar melhor suas inspirações que o alemão.

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Assim, podemos ver ecos em seu GODZILLA (2014) de CONTATOS IMEDIATOS DO TERCEIRO GRAU e, principalmente, TUBARÃO (1975). Como nesses filmes, a trama humana baseia-se em um núcleo familiar, e Edwards acentua o suspense evitando mostrar totalmente, na maior parte do tempo, os monstros – especialmente Godzilla. Isso funcionou perfeitamente em TUBARÃO, e aqui mostra ser eficaz para valorizar os embates entre os kaijus que acontecem no terço final do filme. Além disso, quando totalmente revelado, Godzilla, feito com GCI de ponta e com um design clássico, é mostrado com um senso de peso e escala simplesmente épico.

Isso, contudo, não evitou que o filme recebesse várias críticas. Afinal, ao contrário do tubarão de Spielberg, Godzilla não é um vilão: é o herói do filme de Edwards, e seria legítimo esperar que ele não fosse relegado na maior parte do tempo a uma função tão secundária. Além disso, apesar de os personagens humanos sem dúvida terem sido melhor desenvolvidos que os do longa de Emmerich, eles falham em cativar o espectador. Caso fosse dado mais espaço aos papéis dos ótimos Bryan Cranston, Juliette Binoche e Ken Watanabe, a trama certamente ficaria mais enriquecida. De qualquer sorte, GODZILLA é um filme que respeita o original (incluindo a alegoria aos ataques nucleares ao Japão na Segunda Guerra Mundial), dá um tom mais épico e evolucionário à origem do Rei dos Monstros e seus antagonistas, e abre caminho para a continuação (já confirmada e que novamente terá Edwards na direção), que certamente terá condições de satisfazer mais plenamente os fãs.

godzilla4SOBRE O BD
A mais nova encarnação norte-americana do célebre monstro japonês Godzilla chega ao mercado brasileiro em duas edições: Blu-ray simples e neste combo que inclui mais um disco trazendo a versão em 3D do filme (além da dispensável cópia digital). Os dois BDs, como de praxe nos lançamentos da Warner, estão acondicionados em um estojo plástico com suporte para o disco adicional, envolto por uma luva que traz, em sua parte frontal, o cartaz do filme com efeito lenticular, simulando o 3D.

A transferência 1080p na proporção de tela 2.40:1, que utiliza o encode AVC-MPEG 4, é excelente, mas a apresentação visual deixa de levar nota máxima por apenas um detalhe: o filme,  intencionalmente, possui um tom escurecido mesmo nas cenas à luz do dia. Sem dúvida, é um Blu-ray esmerado tecnicamente mas que irá exigir alguma reclibragem de sua TV, ou no mínimo terá de ser assistido em um ambiente com o mínimo de iluminação possível, especialmente na versão 3D. A paleta de cores original não é muito variável, e mesmo assim a reprodução de tons de pele, e cores de um modo geral, é vibrante e estável. O nível de detalhamento é elevado, permitindo distinguir as partículas de destroços nas cenas de destruição, bem como as escamas e ranhuras na couraça de Godzilla. Nas cenas mais escuras, onde os monstros estão parcialmente ocultos pelas sombras, poeira ou fumaça, não foram percebidos ruídos ou artefatos digitais. Os pretos são fortes, e mesmo nesses momentos inexiste black crush. Sem surpresa, principalmente em decorrência da opção estilística do diretor Gareth Edwards de abusar da escuridão, a transferência 3D MVC-MPEG 4 é menos impressionante. Como a maioria dos blockbusters que chegam hoje aos cinemas, GODZILLA foi convertido em 3D na pós-produção, e os efeitos pop-up praticamente inexistem. Já o efeito de profundidade é bom, principalmente nas cenas urbanas diurnas. Mazelas frequentes em conversões 3D, especialmente ghosting e aliasing, não foram percebidas, e nem anomalias digitais como macroblocking, banding e ringing.

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Se algum reparo existe na apresentação visual, no que se refere ao áudio GODZILLA é invencível em sua espetacular faixa lossless DTS-HD Master Audio 7.1 em inglês. Do icônico rugido do monstro, passando pelos sons de destruição e o ameaçador score de Alexandre Desplat, toda a trilha sonora do filme é reproduzida com extrema clareza, fidelidade, envolvimento surround e potência (os graves irão exigir o máximo do seu subwoofer). Se o seu sistema for 7.1 nativo, provavelmente você terá que, frequentemente, reduzir o volume, sob pena de prejudicar sua audição ou até mesmo ser preso por perturbar a ordem pública – não raro, a transição de um segmento mais calmo e imersivo para outro de ação terá consequências, digamos, explosivas. Há também opções de dublagens lossy (Dolby Digital 5.1) em português, espanhol e francês, entre outros idiomas, e legendas equivalentes (os menus simples, contudo, estão apenas em inglês).

EXTRAS
GODZILLA é mais um dos grandes lançamentos recentes de Hollywood que chega ao Blu-ray com um material suplementar discreto. Temos apenas três vídeos virais (estes agrupados na seção MONARCH: Declassified) e quatro featurettes de produção, todos em alta definição e com legendas em português. O único trailer disponível é de NO LIMITE DO AMANHÃ, que é reproduzido antes da entrada do menu no disco 2D.

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  • Operation Lucky Dragon (2:44 min.) – Apresentação da agência internacional secreta Monarca, que aparece em ação na abertura do filme e tem relevância para o desenvolvimento da trama;
  • Monarch: The M.U.T.O. File (4:29 min.) – Vídeo da Monarca sobre a origem dos kaijus M.U.T.O. (Massive Unidentified Terrestrial Organism);
  • The Godzilla Revelation (7:25 min.) – Terceiro e último vídeo viral, ilustrado com cenas “reais” e que, após os eventos do filme, especula se Godzilla e outros kaijus visitarão novamente a humanidade. Bem, como a continuação já está confirmada, a resposta é: sim!;
  • Godzilla: Force of Nature (19:18 min.) – Neste making of, que é o melhor extra do disco, o diretor Gareth Edwards e sua equipe falam sobre o filme original de 1954, o que representa Godzilla e as intenções criativas do novo longa;
  • A Whole New Level of Destruction (8:24 min.) – Featurette focado nos desastres naturais que inspiraram as cenas de destruição vistas no filme. Também inclui uma visita a algumas locações e vários desenhos de produção;
  • Into the Void: The HALO Jump (5:00 min.) – Vídeo dedicado à criação do climático salto de para-quedas, muito utilizado na campanha promocional do filme;
  • Ancient Enemy: The M.U.T.O.s (6:49 min.) – Encerrando os extras temos este featurette focado na criação dos dois mostros parasíticos e radioativos combatidos por Godzilla, os M.U.T.O.s.

Jorge Saldanha

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