guardians-galaxy

Resenha: GUARDIANS OF THE GALAXY DELUXE – Tyler Bates (Trilha Sonora)


Guardians_Galaxy_D002014802Música composta por Tyler Bates
SeloHollywood Records
Catálogo: D002014802
Lançamento: 29/07/2014
Cotação: ***½

A edição dupla Deluxe da trilha sonora de Guardiões da Galáxia inclui a seleção de canções ouvida no filme, bem como o score incidental de Tyler Bates. Esta resenha destacará o score.

O compositor Tyler Bates se tornou uma espécie de vilão entre a comunidade das trilhas sonoras, devido às suas pobres escolhas na carreira. Isso começou em 2007, quando sua trilha para 300 foi extremamente criticada por copiar temas do score de Elliot Goldenthal para Titus. Em retaliação, ele desafiou os seus críticos compondo para remakes de filmes cujas trilhas de suas versões originais se tornaram clássicas (O Dia em que a Terra Parou e Conan), mas, ao invés de se redimir, apenas piorou sua situação, já que nenhuma dessas partituras se tornou particularmente bem sucedida. Tudo isso somado a trabalhos pouco inspirados para filmes que mereciam uma música melhor (Watchmen), além de entregar scores absolutamente horrendos, como o de A Hora da Escuridão, o tornaram um verdadeiro pária para os scoretrackers.

Assim, muita gente ficou decepcionada (eu próprio incluso) quando ele foi anunciado como o compositor responsável por Guardiões da Galáxia, o filme responsável por expandir o universo Marvel para o espaço sideral. Seus personagens principais consistem em um terráqueo que insiste em ser chamado como Senhor das Estrelas (Chris Pratt), uma assassina de pele verde de nome Gamora (Zoe Saldana), o forte e vingativo Drax (Dave Bautista), e uma dupla formada por um guaxinim mutante nervoso e uma árvore humanoide, Rocket e Groot (cujas vozes são de, respectivamente, Bradley Cooper e Vin Diesel). Esse estranho grupo, apesar da desconfiança inicial, deve se unir para enfrentar a ameaça de Ronan (Lee Pace), um vilão espacial que ameaça devastar a galáxia. Apesar da premissa um tanto incomum, o filme recebeu ótimas críticas e quebrou recordes de bilheteria em sua estreia nos cinemas. E um dos pontos mais elogiados do filme é certamente a sua trilha sonora.

Não, não o score de Bates, mas sim as canções, escolhidas a dedo pelo próprio diretor, James Gunn, que fazem parte da edição Deluxe da trilha sonora. Estas são verdadeiros clássicos dos anos 1970 e 1980, e dão um divertido ar de aventura oitentista para o longa. Enquanto muitos diretores pagam fortunas para os astros pop do momento comporem canções exclusivas para o filme, Gunn apostou em marcos do rock, pop e soul e foi bem sucedido.

Mas, e quanto à trilha original? Bem, esta se revela como uma pequena surpresa. Ao contrário do esperado, o score de Bates é uma trilha orquestral (com o inevitável acompanhamento eletrônico) repleto de temas heroicos e, ainda que ele exagere um pouco em determinados momentos, ela contém um bom senso de aventura.

O problema, entretanto, é a falta de originalidade da música de Bates. Toda a música do compositor parece gritar suas influências a cada segundo. Temos construções melódicas e orquestrações no estilo de James Newton Howard, lembrando um pouco o trabalho do músico nas animações da Disney como Atlantis: O Reino Perdido; melodias e acordes que poderiam ter saído das trilhas para os filmes direto para home vídeo da DC Comics, de autoria de compositores como Christopher Drake, Frederik Wiedmann e Robert J. Kral; e, como não poderia deixar de ser, a influência de nomes famosos do momento como Brian Tyler e Hans Zimmer se mostra presente o tempo todo. É preocupante a vontade de Bates de simplesmente copiar o trabalho dos outros – ainda que, provavelmente, ele tenha sido orientado a fazer isso pelos grandes chefões do estúdio. Além disso, o talento de Bates é, infelizmente, limitado e, ao tentar soar como suas inspirações, acaba parecendo apenas uma versão pobre delas.

Mesmo assim, a música do compositor ainda oferece muito o que se aproveitar, para quem se dispuser a ignorar esses problemas. Por exemplo, as faixas de ação são enérgicas, bem escritas, repletas de ação e heroísmo, como The Final Battle Begins, What a Bunch of A-Holes, a ótima The Kyln Escape, The Pod Chase e Guardians United. Embora a técnica de composição de Bates faça a música parecer uma mistura dos scores de ação de Brian Tyler com as trilhas da trilogia Batman, elas ainda se mantêm como algumas das coisas mais interessantes já escritas pelo músico.

Temos também alguns bons momentos de drama, como a romântica To the Stars e a bela Sacrifice, que conta com orquestra, coral e alguns elementos eletrônicos, em uma das melhores composições de Bates. Em Groot Spores, ele inova ao trazer junto a orquestra um teclado, no estilo da década de 1980, em uma melodia que tem algo das composições de Vangelis.

A música de Bates é bastante temática e, ainda que ele não desenvolva boa parte de seus temas, é muito bom ver que ele se esforçou para criar uma identidade musical para o universo imaginado por Gunn. Os Guardiões recebem dois temas: o primeiro, e principal, é uma fanfarra heroica interpretada pelos metais. Ele aparece na maioria das faixas de ação, numa interpretação imponente, sempre para destacar quando os heróis fazem algum feito particularmente marcante, por exemplo, ao final de The Final Battle Begins (onde recebem acompanhamento da guitarra) e ao longo de The Kyln Escape, aqui, com o coral acompanhando. O tema também se faz presente em interpretações mais sutis, como em To the Stars, na qual é executada pelo piano, e em A Nova Upgrade, em um ritmo similar às trilhas de Thomas Newman.

O segundo tema dos Guardiões só aparece ao fim do álbum, logo antes do primeiro minuto de Black Tears, e é uma melodia que, trazendo a já citada inspiração de Newton Howard, tem como destaque as cordas, em uma melodia nobre e carismática. Logo, esta melodia se desenvolverá numa épica interpretação do primeiro tema dos heróis. Aqui, aparentemente Bates tentou fazer algo parecido com Flynn Lives, da trilha de Tron: O Legado, e mesmo Flow Like Water, do álbum de Howard para O Último Mestre do Ar e, mesmo que não tenha atingido o nível destas faixas, essa é provavelmente a melhor do disco de Guardiões.

O vilão Ronan também recebe seu próprio tema, uma melodia sombria onde se destacam os pesados sintetizadores, e que me trouxe memórias dos scores dos filmes da série Transformers, o que nunca é uma coisa boa. A Tropa Nova, defensora do planeta Xandar, também é representada musicalmente por Bates, em The Ballad of the Nova Corps, interpretada por orquestra, coral e guitarra. Mas, apesar dos esforços do compositor, não dá para dizer que este seja um dos destaques positivos do álbum. Até mesmo Groot recebe seu próprio motivo, introduzido na já citada Groot Spores e depois repetido, de maneira quase elegíaca, em Groot Cocoon, representando o grande feito do personagem ao fim do filme, que o tornou uma espécie de favorito entre os fãs.

Um dos problemas que prejudica a música de Bates é a sua apresentação no disco. Este é mais um daqueles casos em que o compositor acha que é preferível incluir a maior quantidade de música no álbum. Porém, o disco poderia ser ainda mais eficiente se tivesse uns quinze minutos a menos. Afinal, logo o score se torna cansativo, tirando o brilho de alguns dos momentos mais memoráveis do fim do álbum.

O ano de 2014 tem sido muito ruim para as trilhas de filmes de super-heróis, com os trabalhos pavorosos de Henry Jackman e Hans Zimmer (e sua caríssima banda) em Capitão América 2: O Soldado Invernal e O Espetacular Homem-Aranha 2, respectivamente, e a falta de inspiração de John Ottman para X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. Assim, ainda que tenha sua cota de problemas, este bom trabalho de Tyler Bates figura com tranquilidade como a melhor partitura do gênero do ano até agora. E, se a Marvel, que há quinze anos estava quase falida, conseguiu arrecadar milhões nas bilheterias com um filme tão incomum quanto Guardiões da Galáxia, então há esperança para que, no futuro, Bates entregue algo realmente memorável.

Faixas:

Disco 1

1. Hooked On A Feeling (02:52)
Perfomed by Blue Swede
2. Go All The Way (03:20)
Performed by The Raspberries
3. Spirit In The Sky (04:02)
Performed by Norman Greenbaum
4. Moonage Daydream (04:35)
Performed by David Bowie
5. Moonage Daydream (04:41)
Performed by Elvin Bishop
6. I’m Not In Love (06:03)
Performed by 10cc
7. I Want You Back (02:58)
Performed by Jackson 5
8. Come And Get Your Love (03:26)
Performed by Redbone
9. Cherry Bomb (02:17)
Performed by The Runaways
10. Escape (The Pina Colada Song) (04:37)
Performed by Rupert Holmes
11. O-o-h Child (03:13)
Performed by The Five Stairsteps
12. Ain’t No Mountain High Enough (02:28)
Performed by Tammi Terrell

Disco 2

1. Morag (01:58)
2. The Final Battle Begins (04:21)
3. Plasma Ball (01:18)
4. Quill’s Big Retreat (01:37)
5. To The Stars (02:51)
6. Ronan’s Theme (02:23)
7. Everyone’s An Idiot (01:26)
8. What A Bunch Of A-Holes (02:14)
9. Busted (01:34)
10. The New Meat (00:35)
11. The Destroyer (01:36)
12. Sanctuary (02:26)
13. The Kyln Escape (07:22)
14. Don’t Mess With My Walkman (00:44)
15. The Great Companion (00:51)
16. The Road To Knowhere (00:37)
17. The Collector (03:20)
18. Ronan’s Arrival (00:56)
19. The Pod Chase (03:55)
20. Sacrifice (03:20)
21. We All Got Dead People (01:45)
22. The Ballad Of The Nova Corps. (01:48)
23. Groot Spores (01:11)
24. Guardians United (02:46)
25. The Big Blast (03:20)
26. Groot Cocoon (02:28)
27. Black Tears (02:42)
28. Citizens Unite (01:15)
29. A Nova Upgrade (02:10)

Duração: 109:21

Tiago Rangel

5 opiniões sobre “Resenha: GUARDIANS OF THE GALAXY DELUXE – Tyler Bates (Trilha Sonora)”

  1. Apesar de não ser uma das melhores trilhas do ano (o score, deixar claro) foi um alívio muito grande ver que o Bates resolveu trabalhar de verdade nessa trilha. Este divertidíssimo filme merecia um score de qualidade e ele percebeu isso. É um compositor limitado, mas pelo menos construiu um bom tema principal, temas pra alguns personagens, algumas composições interessantes no decorrer da trilha. É uma boa surpresa, muito melhor que o trabalho feito no automático, pelo Jackman.

    / Tiago, continuo gostando demais da trilha do Zimmer pra o Homem Aranha rsrsrs, cada vez q assisto a esse filme percebo mais erros na trama, porém aprecio mais a trilha. Abraço e obrigado por mais uma ótima resenha.

    Curtir

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s