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Resenha: SNOWPIERCER – Marco Beltrami (Trilha Sonora)


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Música composta por Marco Beltrami
SeloVarese Sarabande
Catálogo: 302 067 296 8
Lançamento: 27/06/2014
Cotação: ***½

Intitulado no Brasil Expresso do Amanhã, o mais novo filme do cineasta coreano Bong Joon-Ho (famoso por O Hospedeiro, de 2006), conta com um elenco internacional que inclui Chris “Capitão América” Evans, numa trama pós-apocalíptica. No longa, após o congelamento do planeta, os sobreviventes são reunidos em um trem e divididos em classes sociais: os mais pobres vivem nos vagões traseiros e são explorados pelos mais ricos, que vivem no luxo nos vagões dianteiros. Assim, o personagem de Evans lidera uma revolução social, que percorre toda a extensão do trem até chegar ao último vagão, onde vive o ditador Wilford, vivido por Ed Harris.

A trilha para o filme é composta por Marco Beltrami, escolado nos gêneros de ação e ficção científica. Para o longa, ele teve a oportunidade de criar um score não menos violento do que os recentes Guerra Mundial Z e Wolverine – Imortal, porém ainda mais repleto de nuances e experimentalismos do que estes. É uma trilha que mostra que a ousadia de Beltrami em explorar novos caminhos para seu próprio estilo (tendência esta que já podia ter sido observada em sua partitura para a aventura do herói da Marvel) – mesmo que isso implique em um álbum que se mostra desafiador para o ouvinte.

Não espere por uma música melodiosa aqui. O objetivo de Beltrami em sua trilha é criar uma ambientação pós-apocalíptica e gelada como o universo em que se passa a história. Esse clima é logo introduzido na primeira faixa, This is the End, que conta com piano e em seguida orquestra, executando uma melodia sombria. Já em Preparation Beltrami introduz um tema que parece descrever a revolta crescente dos cidadãos mais pobres do trem. Esse tema voltará de forma mais ansiosa na faixa seguinte, Requesting an Upgrade. Aliás, uma das características mais marcantes deste score de Beltrami é seu senso de moção, de estar sempre em marcha. Assim, além de demonstrar o movimento constante do trem (que sempre segue para a frente), também ilustra a revolução que se avizinha, as mudanças no padrão estabelecido por aquela sociedade.

Afinal, um compositor de trilhas sonoras é também um contador de histórias, e aqui Beltrami nos narra com sua música toda a trama do filme, descrevendo as lutas que os cidadãos revolucionários do trem empreendem. Assim, se no início a música é ansiosa, inquieta, ela logo assume ares mais brutais na opressiva Axe Gang, que conta com sintetizadores, metais e percussão, introduzindo um novo motivo, para representar os ricos e poderosos do governo e seus soldados. A batalha prossegue em Axe Schlomo e Blackout Fight, que se inicia com efeitos eletrônicos até incorporar um trecho enérgico a cargo da orquestra.

O clima de suspense e ameaça continua nas faixas seguintes, com Sushi sendo a exceção, ao contar um piano em estilo clássico. Em We Go Foward, o tema da revolta aparece interpretado no piano, enquanto as cordas o acompanham com uma melodia que ilustra perigo e tensão, em embate com o motivo eletrônico dos soldados do governo. Na sequência, temos momentos estranhos, e sem nenhuma musicalidade, em Steam Car (que consiste apenas em barulhos de uma locomotiva) e Seoul Train (mais interessante no uso do sintetizador).

O clímax do filme inicia em Take my Place, no qual a melodia vai crescendo dramaticamente, a cargo de toda a orquestra, até se tornar uma das conhecidas melodias dramáticas de Beltrami (posso facilmente imaginar essa faixa em scores como Eu, Robô, Hellboy e Presságio). Mesmo assim, ela é uma das melhores e mais bem escritas do disco. Em seguida, em Yona Lights, a tensão atinge seu ápice, e se torna cada vez mais desesperadora e catártica, chegando a incluir algumas sugestões da peça Adagio for Strings, de Samuel Barber.

O encerramento vem com This is the Beginning, uma faixa empolgante que, finalmente, traz um pouco de otimismo ao ouvinte. Beltrami, aqui, mostra sua inteligência ao trazer todo o senso de movimento da música, dizendo que a vida continuará, seguirá em frente e este não é o fim. Além disso, vale ressaltar também a rica orquestração presente. Ainda há espaço para Yona’s Theme, uma valsa macabra e sinistra, que se encerra com uma pequena peça infantil, mas de temática ligeiramente fascista, interpretada por coral.

Esta pode não ser uma obra de fácil acesso do compositor, porém oferece bons momentos para os que se arriscarem. Seu maior problema está na forma como o álbum foi montado, repleto de momentos tediosos e que não acrescentam em nada ao ouvinte, principalmente em sua segunda metade. Mesmo assim, ainda é um bom trabalho de Beltrami, que demonstra que ele não tem medo de se arriscar.

Faixas:

1. This Is The End (03:41)
2. Stomp (01:00)
3. Preparation (03:10)
4. Requesting An Upgrade (03:40)
5. Take The Engine (02:04)
6. Axe Gang (02:22)
7. Axe Schlomo (01:47)
8. Blackout Fight (04:24)
9. Water Supply (02:32)
10. Go Ahead (02:45)
11. Sushi (01:14)
12. The Seven (01:00)
13. We Go Forward (02:05)
14. Steam Car (02:38)
15. Seoul Train (02:26)
16. Snow Melt (02:02)
17. Take My Place (05:56)
18. Yona Lights (03:33)
19. This Is The Beginning (04:00)
20. Yona’s Theme (03:38)

Duração: 55:57

Tiago Rangel

2 opiniões sobre “Resenha: SNOWPIERCER – Marco Beltrami (Trilha Sonora)”

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