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Resenha de Arquivo: DIRTY HARRY – THE ORIGINAL SCORE – Lalo Schifrin (Trilha Sonora)


dirtyharryCDMúsica composta por Lalo Schifrin
Selo: Aleph Records
Catálogo: 030
Lançamento: 08/06/2004
Cotação: ****½

A partir da grande popularidade do tema e trilhas compostas para a popular série de TV Missão Impossível, em meados dos anos 1960, o regente, arranjador e pianista argentino Lalo Schifrin passou a ser um dos mais requisitados compositores de Hollywood para a TV e o cinema, em um período que durou até meados dos anos 70. Com Bullit (1968), Schifrin injetou sangue novo nas partituras dos filmes policiais, criando um estilo que agregava jazz e ritmos pop às orquestrações mais tradicionais do cinema.

É provável que este estilo tenha evoluído à perfeição em sua partitura para este célebre Perseguidor Implacável (Dirty Harry, 1971), dirigido por Don Siegel e estrelado por Clint Eastwood. Tanto que sua trilha sonora estabeleceu um padrão que foi seguido por uma infinidade de filmes de ação que vieram em sua esteira. À época, Eastwood ainda trilhava os caminhos abertos por sua atuação em westerns italianos, e seus primeiros filmes fora do gênero o colocavam em papéis não muito diferentes: mesmo em uma metrópole contemporânea, ele continuava sendo o justiceiro que resolvia os casos na base do soco e do revólver.

Em Perseguidor Implacável sua personificação como o detetive durão Harry “O Sujo” foi mais elaborada pelo roteiro, a fim de entrar em áreas que normalmente não eram exploradas pelos westerns. Mesmo assim dá para dizer que Harry Callahan ainda possuía muito em comum com o frio Pistoleiro Sem Nome que Eastwood interpretou nos faroestes de Sergio Leone. E isto, de certo modo, se reflete na música de Lalo Schifrin, que já havia composto a trilha do filme anterior de Siegel e Eastwood, Meu Nome é Coogan (Coogan’s Bluff, 1968), no qual Eastwood era um xerife do interior dos EUA que ia a Nova York em busca de um criminoso.

Para Dirty Harry o compositor criou uma partitura mesclando jazz, rock, soul e atonalidade, que orbita em torno de três temas principais: um de ação, que apresenta a figura de Harry, ouvido inicialmente durante os créditos principais (“Main Title”) em uma versão ritmada e percussiva, que resume a essência jazz-pop do score (e que aqui finalmente está na íntegra, com o solo de piano); o do assassino Scorpio (Andrew Robinson), a primeira composição que ouvimos no filme, durante o assassinato na piscina (“Prologue/The Swimming Pool”); e, finalmente, um tema melancólico em piano elétrico, também dedicado a Harry e que tem sua melhor interpretação na faixa final (“End Titles”). Este tema retornou em outras partituras que Schifrin compôs para os filmes de Dirty Harry, tendo inclusive recebido um desenvolvimento mais completo e até uma versão vocal, na interpretação de Aretha Franklin, em Impacto Fulminante (Sudden Impact, 1983).

No entanto, aqui em Dirty Harry ele tem uma aparição discreta, uma vez que o tema mais recorrente é mesmo o de Scorpio, que possui em “Scorpio’s View” seu melhor momento. O tema possui o ritmo ditado por bateria e guitarra, tendo por maior característica uma etérea e sinistra voz feminina, cortesia da cantora Sally Stevens (que já trabalhara com Lalo em The Fox, 1968). Este uso criativo da voz, que representa a demência de Scorpio, é o elemento que mais remete aos spaghetti westerns, lembrando em certos momentos as vocalizações incomuns utilizadas por Ennio Morricone em suas trilhas antológicas para o gênero.

Além destes temas e suas variações, Schifrin enriquece o score com algumas composições atonais típicas de seu estilo, como na fenomenal “Floodlights”. Nesta faixa, que acompanha a cena na qual, em um estádio vazio, Harry pisa na perna ferida de Scorpio, a música transmite toda a loucura do assassino e a angustiante sede de justiça do policial.

Por mistérios da indústria fonográfica e do cinema, a marcante trilha original de Dirty Harry por décadas nunca foi lançada isoladamente em disco. Somente o “Main Title” e algumas de suas faixas surgiram em coletâneas de Schifrin e da série – o próprio Schifrin bancou o lançamento da The Dirty Harry Anthology no primeiro lançamento do seu próprio selo Aleph (que tinha aproximadamente 16 minutos deste score). Cansados de esperar pela Warner, Schifrin e o produtor Nick Redman decidiram lançar este CD com a íntegra do score, com direito às versões originais e integrais das músicas, incluindo toda source music presente no filme, e algumas faixas bônus, que são versões alternativas daquelas que acabaram na montagem final. A qualidade do áudio é ótima, já que foram utilizadas as masters originais multi-pistas, em ótimo estado de conservação.

Foi uma edição à altura de uma trilha sonora que fez história nos anos 1970, definindo um estilo de música muito imitado, mas quase nunca igualado, e que abriu caminho para que Schfrin e a Aleph , nos anos seguintes, disponibilizassem outros scores clássicos de sua autoria.

Faixas:

1. Prologue/The Swimming Pool
2. Main Title
3. Harry’s Hot Dog
4. No More Lies, Girl
5. Scorpio’s View
6. Red Light District
7. Scorpio Takes the Bait
8. Cross
9. Goodbye, Callahan
10. Stadium Grounds
11. Floodlights
12. Dawn Discovery
13. Off Duty
14. Strip Club
15. Liquor Store Holdup
16. City Hall
17. School Bus
18. End Titles
19. Floodlights (Take I)
20. City Hall (Alternate Take)
21. School Bus (Alternate Take)
22. Swimming Pool (Original Version)/Scorpio’s View, Pt. 2 & 3 (Alternate Vocal Take)

Duração: 42:54

Jorge Saldanha

6 opiniões sobre “Resenha de Arquivo: DIRTY HARRY – THE ORIGINAL SCORE – Lalo Schifrin (Trilha Sonora)”

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