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Resenha: EDGE OF TOMORROW – Christophe Beck (Trilha Sonora)


eotCDMúsica composta por Christophe Beck
SeloWaterTower Music
Catálogo: Download Digital
Lançamento: 02/06/2014
Cotação: ***

Um compositor pode ser extremamente talentoso e capaz de escrever belas trilhas, porém, se não lhe for dado a ambientação correta, ele não conseguirá desenvolver sua carreira. É o que acontece com Christophe Beck. Ele é um bom compositor, premiado por seu trabalho na série Buffy: A Caça Vampiros, mas que simplesmente passou anos demais preso a comédias bobas e esquecíveis, que não lhe davam o espaço suficiente para crescer. Logo, porém, ele receberia uma oportunidade de ouro com No Limite do Amanhã, uma ficção científica estrelada por Tom Cruise, que foi lhe entregue após as desistências de John Powell e Ramin Djawadi, e era a oportunidade perfeita para compor um score marcante.

A ficção científica, por ser um gênero rico, já ofereceu musicalmente trilhas tão distintas quanto marcantes. Variando do orquestral de John Williams e Jerry Goldsmith ao eletrônico de Wendy Carlos e Vangelis, os filmes do gênero, em sua maioria, oferecem um desafio aos compositores de musicar a complexidade das histórias. No Limite do Amanhã possui uma premissa curiosa: durante uma invasão alienígena, um assessor de imprensa do exército vai parar na linha de frente da batalha, onde acaba entrando em contato com o sangue de um de seus inimigos, o que lhe garante a habilidade de viver sempre o mesmo dia. A partir daí, ele traça um plano com uma sargento condecorada, ao mesmo tempo em que evolui como combatente. Um filme como esse representaria uma tarefa interessante para qualquer compositor, e uma possibilidade de entregar um score tão marcante quanto a sua premissa, certo? Errado.

Beck, como, infelizmente, já se tornou previsível, aposta em clichês dos filmes recentes do gênero, como orquestras distorcidas, muita instrumentação eletrônica e o famoso “horn of doom” (notas graves e bombásticas a cargo dos metais). Assim, a música consegue soar apenas previsível e, o que é uma pena, em nenhum momento tem destaque no filme. Sua audição em disco não chega a ser uma tortura como a trilha de Capitão América – O Soldado Invernal, mas também não possui nada particularmente marcante ou um momento de brilhantismo.

Apesar disso, a música de Beck para esse filme ainda oferece alguns pequenos prazeres, bons momentos que, ao menos, a põe acima da média da maioria das trilhas compostas nesse estilo, que se tornou tão em voga após 2010. Em primeiro lugar, o compositor acerta simplesmente por, já que o filme se trata de um dia que se repete infinitas vezes, não compor apenas um tema e ir repetindo-o ao longo do score. Afinal, mesmo no filme essa repetição se dá de formas às vezes inesperadas, ou seja, simplesmente não sabemos quantas vezes tal cena já ocorreu antes. A melhor abordagem musical, portanto, seria progredir a música junto com a história, afinal, ela avança conforme o personagem de Tom Cruise vai evoluindo no sentido de aprender uma forma de derrotar seu inimigo e sair do loop temporal.

A trilha de Beck tem dois temas principais: um é dedicado a Rita, a parceira do personagem de Cruise, que no filme é interpretada pela atriz Emily Blunt. Este tema, que aparece inicialmente na primeira faixa, Angel of Verdun – Main Titles, é uma melodia nobre, ainda que sutil, que representa a coragem da personagem. Ele é interpretado por cellos, baixos e trompas, com acompanhamento de sintetizadores. O outro é o tema principal do filme, interpretado por padrões de acordes que se repetem a cargo das cordas e são acompanhados principalmente pelos trombones e percussão. Basicamente, ele lembra uma variação com um ritmo um pouco mais lento da trilha de Batman Begins. Este tema é repetido através de todo o score e serve como base para a maioria das faixas de ação.

É difícil encontrar um destaque em um disco em que todas as faixas são parecidas, mas o álbum de No Limite do Amanhã tem alguns bons momentos, como Again!, que possui uma escrita interessante para cordas e percussão, e Uncharted Territory e They Know We’re Coming, as melhores faixas de ação, justamente por sair do lugar comum que vinha sendo o álbum até então e apostar em uma orquestração mais complexa e potente.  Além disso, ao final do álbum, temos a conclusiva Welcome to London, Major, na qual Beck faz uma mescla dos temas principal e o de Rita, mas desta vez retrabalhados de forma mais otimista, indicando o final feliz (e confuso) do filme. Finalizando, há também Live Die Repeat – End Credits, em que o tema principal recebe sua interpretação mais completa.

Este é um álbum que se saiu um pouco melhor do que a média de trilhas copiadas até então, o que é mais triste ainda, justamente porque fica a sensação de que poderia ser ainda melhor. Em uma entrevista, Beck declarou que teve que mudar sua abordagem após ser convencido pelo diretor Doug Liman a investir numa típica trilha de ficção científica da atualidade, com todos os clichês que já se tornaram tão previsíveis. Após a desistência de Powell e Djawadi, fica a sensação de que o diretor, ao contratar Beck, quis ter apenas um compositor que, inexperiente em filmes de ação de grande orçamento, poderia apenas repetir o que outros já fizeram – e isso se torna mais revelador ainda quando o próprio Beck declarou que, quando assistiu ao filme pela primeira vez, ele o viu com a temp track da pavorosa trilha de Battleship. Christophe Beck é um compositor interessante, que possui no currículo bons trabalhos como Frozen, Os Muppets e, principalmente, a épica Percy Jackson e o Ladrão de Raios (sua melhor obra até hoje), mas que, se continuar sendo obrigado a copiar o trabalho (na maioria das vezes, inferior) de outros músicos, nunca irá conseguir sair das comédias e filmes infantis esquecíveis.

Faixas:

1. Angel Of Verdun (Main Titles) 2:56
2. No Courage Without Fear 3:00
3. D-Day 2:35
4. Mimics And Alphas 1:25
5. PT 1:16
6. Find Me When You Wake Up 2:05
7. Navigating The Beach 2:01
8. Winning The War 1:27
9. Combat Training 1:16
10. Deadweight 1:31
11. Again! 1:48
12. Solo Flight 3:11
13. Decoy 1:23
14. Whitehall 2:09
15. Uncharted Territory 1:39
16. I’m Out 1:53
17. They Know We’re Coming 2:06
18. Caged In 2:04
19. Ritaliation 1:39
20. The Omega 1:23
21. Welcome To London Major 2:22
22. Live Die Repeat (End Titles) 4:22

Duração: 45:31

Tiago Rangel

2 opiniões sobre “Resenha: EDGE OF TOMORROW – Christophe Beck (Trilha Sonora)”

  1. Bom Tiago se você tiver a oportunidade de ouvir a recording sessions da trilha sonora de Battlefield talvez mude de opinião pois a trilha é sensacional. Uma verdadeira imersão eletrônica tensa e poderosa no meio das batalhas navais explodindo num bom som stereo.

    Já sobre Edge of Tomorrow eu particularmente curti e muito a trilha, principalmente por chegar ao final e ficar claro que sim, ela tem um tema. E tema é tudo num filme, pode não ser grandioso, mas é marcante e Christophe Beck deixa sua marca nesta imperdível ficção.

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