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Resenha: ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO (Blu-ray)


robocopBDROBOCOP
Produção: 1987
Duração: 103 min.
Direção: Paul Verhoeven
Elenco: Peter Weller, Nancy Allen, Ronny Cox, Kurtwood Smith, Dan O´Herlihy
Vídeo: 1.85:1 (1080p/AVC MPEG-4)
Áudio: Inglês (DTS-HD Master Audio 5.1), Português (Dolby Digital 5.1), Espanhol, Francês (DTS 5.1), etc.
Legendas: Português, Inglês, Espanhol, Francês, Alemão, etc.
Região: A, B, C
Distribuidora: Fox
Discos: 1 (BD 50GB)
Lançamento: 05/02/2014
Cotações: Som: **** Imagem: **** Filme: ****½ Extras & Menus: **** Geral: **** 

SINOPSE
Num futuro não muito distante, a cidade de Detroit é dominada por marginais. A polícia tenta manter a ordem e controlar a situação, mas está impotente. Quando o policial Alex Murphy (Peter Weller) é assassinado brutalmente por uma quadrilha de traficantes, um dos executivos da megacorporação OCP coloca em ação um projeto que criará o policial perfeito. A cabeça e o torso de Murphy são combinados com um corpo mecânico blindado, e o seu rosto é oculto por um capacete. As memórias da sua vida anterior são apagadas e o policial biônico, batizado pela mídia como Robocop, cumpre suas primeiras missões com sucesso. Mas após algum tempo, sua colega Anne (Nancy Allen) o reconhece e o chama pelo nome. A partir daí, Murphy começa lentamente a lembrar-se da esposa, do filho e mesmo de seus assassinos, que estão a serviço de um dos dirigentes da OCP (Ronny Cox).

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COMENTÁRIOS
Esqueça as duas continuações e as fracas adaptações feitas para a TV (que incluem um desenho animado): Robocop merece ser lembrado principalmente pelo memorável filme dirigido por Paul Verhoeven em 1987, uma das realizações que definiu a moderna ficção científica de ação. Mesmo sem basear-se em um personagem dos quadrinhos, o filme adota o visual e a linguagem do meio, então muito influenciado pelo clássico O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller (que, não por coincidência, escreveu o roteiro de ROBOCOP 2).

Utilizando crítica social, humor, violência, efeitos stop motion de Phil Tippett, maquiagem de Rob Bottin e uma das melhores trilhas sonoras do falecido Basil Poledouris, Verhoeven narra sua história com divertidas interferências da mídia, representada pela dupla de apresentadores do telejornal Media Break. O futuro mostrado na tela é sombrio, e reflete as principais preocupações da época em que o longa foi realizado: a crescente violência urbana, o domínio das grandes corporações e até mesmo a paranoia nuclear.

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Eletrizante e violento, ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO também é uma diversão inteligente, onde, em meio à luta de Murphy para resgatar sua humanidade após ser colocado em um corpo mecânico, o capitalismo e a sociedade de consumo são impiedosamente satirizados por Verhoeven. A ironia maior é que o personagem, nas sequências para cinema e TV e, infelizmente, também na esforçada mas irrelevante refilmagem do diretor brasileiro José Padilha, foi sendo suavizado e pasteurizado, a fim de tornar-se, também, mais um produto de rápido consumo.

SOBRE O BD
No Brasil, ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO havia sido lançado num DVD precário pela Flashstar, e posteriormente em uma caprichada edição especial da Fox. Já as primeiras edições em Blu-ray, que empregaram uma mesma transfer com qualidade de imagem irregular em um disco sem extras, ficaram inéditas por aqui. Felizmente, com a chegada aos cinemas da refilmagem, a Fox aproveitou para relançar o filme mundialmente em Blu-ray – em sua versão do diretor, que acrescenta um minuto de duração ao corte de cinema (basicamente são extensões de algumas cenas, tornando-as um pouco mais sangrentas) – em uma bela remasterização 4K.

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Nunca assisti às edições em BD anteriores, por isso só tenho como base de comparação o DVD. E em relação a ele, esta nova transferência 1080p/AVC MPEG-4, na proporção original de tela 1.85:1, obviamente é um fantástico upgrade. Exceto nos segmentos dos telejornais e comerciais, propositadamente rodados em baixa resolução, ela apresenta grande nível de detalhes, que nos permite apreciar todas as texturas e nuances das cores da armadura do Robocop. Mesmo as cenas de efeitos stop motion com o robô ED-209, previsivelmente menos nítidas, possuem boa qualidade. Exceto em alguns momentos (seja por aplicação moderada de DNR, seja por característica inerente à produção), temos uma imagem nítida que revela detalhes de rostos e maquiagens – por exemplo, nas cenas em que Robocop retira o capacete, pela primeira vez notei a bala que permanece na cicatriz do crânio de Murphy. Uma leve camada de granulação fornece, o tempo todo, uma agradável sensação fílmica. O contraste, assim como os níveis de preto, é muito bom, e as cores são firmes e vivas. Danos de película e artefatos digitais inexistem.

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Quanto ao áudio, a forte e dinâmica faixa lossless DTS-HD MA 5.1 original em inglês, dada a concepção da mixagem original, não decepciona. Os canais surround são empregados efetivamente nas cenas de ação e para criar uma boa ambientação nas cenas de diálogos. Graças a ela, a trilha musical de Basil Poledouris é reproduzida com fidelidade inédita. Os diálogos sempre soam nítidos no canal central, e os graves, apesar de não serem tão intensos como nas faixas contemporâneas, nos momentos certos causam impacto. Temos também disponíveis dublagem lossy DTS 5.1 em vários idiomas, porém a faixa em português é a única apresentada em Dolby 5.1. As várias opções de legendas incluem PT-BR, e os menus principal (animado, tendo de fundo a trilha sonora do filme) e pop-up estão em português. Quanto à embalagem, esqueça os steelbooks lançados lá fora: a nossa edição vem apenas no tradicional Amaray azul.

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EXTRAS
O Blu-ray de ROBOCOP traz como extras todo o material anteriormente disponibilizado na Edição Especial em DVD (em SD 4:3 ou 16:9) e um bônus exclusivo deste lançamento (em HD 16:9). Exceto quando referido, os suplementos possuem opção de legendas em português.

  • Comentários em Áudio – Podemos assistir ao filme com os interessantes comentário do diretor Paul Verhoeven, do produtor Jon Davison e do co-roteirista Edward Neumeier. Além de discutirem cenas específicas, eles comentam sobre a história, elenco, opções criativas, etc. Infelizmente, não há opções de legendas em português;
  • Entrevista com os Cineastas (HD, 43 min.) – Em 2012, após de uma exibição especial do filme, foi gravada esta sessão de perguntas e respostas com Verhoeven, Peter Weller, Nancy Allen, Neumeier e o animador Phil Tippett;
  • Carne e Aço: O Making Of de Robocop (SD, 37 min.) – Bom documentário sobre a produção, onde os realizadores dão seus depoimentos sobre as origens da história, o elenco, efeitos visuais, fotografia, trilha musical, os temas abordados na trama, etc.;
  • Robocop: Criando Uma Lenda (SD, 21 min.) – Retrospectiva composta por entrevistas gravadas nos anos 2000, onde os convidados comentam sobre a produção, a atuação de Weller (foi o papel que o revelou), a criação da armadura e os desafios enfrentados pela equipe;
  • Efeitos Visuais: De Antes e De Agora (SD, 18 min.) – Featurette onde técnicos discutem o desenho de produção, os efeitos visuais utilizados e, ao final, os comparam com a computação gráfica contemporânea;
  • Os Vilões da Velha Detroit (SD, 17 min.) – Mais entrevistas com Ray Wise, Kurtwood Smith, Ronny Cox e Miguel Ferrer, que relembram suas interpretações como os vilões do filme;
  • Filmando Robocop (SD, 8 min.) – Vídeo promocional de 1987, com depoimentos do elenco e equipe e cenas de bastidores;
  • Fazendo Robocop (SD, 8 min.) – Outro featurette promocional da época do lançamento nos cinemas, com mais entrevistas, cenas do filme e bastidores das filmagens;
  • Na Sala de Reunião: Storyboard com Comentário do Animador Phil Tippett (SD, 6 min.) – O animador Phil Tippett compara os storyboards da cena em que o robô é apresentado na sala de conferências da OCP. Estranhamente, possui legendas em vários idiomas, menso em português;
  • Cenas Excluídas (SD, 3 min.) – Quatro cenas gravadas em video que foram deixadas de for a da edição final. Dispensáveis, mas interessantes de assistir;
  • Easter Egg :Paul Verhoeven (SD, 1 min.) – Neste video curto que era um easter egg no DVD, Paul Verhoeven comenta sua quase imperceptível aparição no filme;
  • Trailers  – Encerrando os extras, temos em HD o trailer original de cinema, remasterizado, e um comercial de TV (SD), ambos sem legendas.

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Jorge Saldanha

Enhanced by Zemanta

8 opiniões sobre “Resenha: ROBOCOP – O POLICIAL DO FUTURO (Blu-ray)”

  1. Pow Saldanha, maneira a resenha. Porém, você esqueceu de apontar que o extra Os Viloes da Velha Detroit é engraçadíssimo!

    E outra coisa: o remake aboliu o subtitulo nolaniano.

    Abraços

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  2. Bem legal a resenha, mas a cicatriz (discreta) na cabeça do Murphy já dava pra notar até mesmo nas antigas cópias em VHS do filme. Porque ainda é a Fox (e não a Sony/MGM) que lançou este Blu-Ray?

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  3. Parabéns pela resenha, senhor Saldanha.

    Sinceramente, gostei da refilmagem. Até porque, lembrando que Terminator também será refilmado e parece que os dois ciborgues pertencem a mesma MGM, poderiam fazer as re-invenções pavimentarem caminho para a realização de um dos meus sonhos: levar para o cinema a graphic novel Robocop versus O Exterminador do Futuro. Mas enfim…
    O DVD já tinha a versão do diretor ou só esse BD? e esta é a primeira vez do Robocop icônico marcador de página da minha Infância em Blu-ray?

    Abraços e Sucesso!

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    1. “O DVD já tinha a versão do diretor ou só esse BD?”

      Essa eu posso responder: como o Jorge apontou, Robocop foi lançado primeiro pela Flashstar, e depois foi lançado numa edição especial pela MGM/FOX (com extras sem legendas). Posteriormente, Robocop foi relançado pela FOX na Definitive Edition num DVD duplo que continha as duas versões do filme (de cinema e do diretor), os extras contidos na “Edição Especial” (extras devidamente legendados, com exceção dos comentarios) e mais os extras ineditos: Robocop – Criando uma Lenda; Efeitos Visuais – De Antes e Agora; e Os Viloes da Velha Detroit.

      O BD agrega todos os extras anteriores, mais o inedito Q&A.

      Abraços

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  4. Robocop (1987) foi um marco e sua imagem, bem como a do Exterminador, tornaram-se icônicas da ficção dos anos 80. Vi no cinema em meados de 1989 ou 90 e foi excepcional. O filme é ótimo e Peter Weller no papel de sua vida, bem violento e ótimos efeitos para época. Parabéns pela crítica e de fato suavizaram o personagem, a refilmagem é uma mera desculpa pra ganhar dinheiro, desnecessária tal como o Evil Dead (2013) e tantas outras. A industria do cinema está cansada….não sei o que acontece com as grandes idéias…Este Blu-Ray é obrigatório!!!

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