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Resenha: ROBOCOP (2014) – Pedro Bromfman (Trilha Sonora)


11954Música composta por Pedro Bromfman
Selo: Sony Masterworks
Catálogo: 3034022
Lançamento: 04/02/2014
Cotação: ***

O diretor José Padilha, responsável por Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, sucessos de crítica e bilheteria no Brasil, comanda o seu primeiro blockbuster Hollywoodiano com o remake de RoboCop. Padilha não abriu mão de contar com alguns de seus principais colaboradores, como o montador Daniel Rezende, o fotógrafo Lula Carvalho e o compositor Pedro Bromfman. Este último havia realizado um bom trabalho nos dois Tropa de Elite, com sua trilha tensa e roqueira que em momento nenhum era suplantada pelas canções do longa.

Para esse novo filme, Bromfman pôde contar com um orçamento maior, o que lhe permitiu contratar mais músicos. E o resultado foi uma combinação entre instrumentação eletrônica e orquestra que, se soa curiosa por ser a forma como um brasileiro compõe para um blockbuster, também é, quando analisada separadamente, extremamente genérica e sem originalidade. Este trabalho lembra mais as obras sem inspiração de compositores como Steve Jablonsky e Henry Jackman do que os trabalhos que souberam combinar com sabedoria instrumentação eletrônica e acústica.

Além disso, um outro problema que cerca esta trilha de Bromfman é a falta de um tema principal, reconhecível. Aqui e ali há alguns motivos recorrentes, mas nada que se possa dizer que é um grande tema, que ficará marcado no filme. Assim, a música parece perdida em meio a tantas faixas genéricas e parecidas umas com as outras.

Também deve-se destacar a fraca orquestração utilizada. Sem conseguir encontrar um balanço entre a porção eletrônica e orquestral, o que encontramos são tentativas pobres de emular as melodias e orquestrações dos scores da trilogia Batman, de Hans Zimmer. Bromfman, aliás, acaba se provando um discípulo fiel do compositor alemão e seus asseclas, como John Powell, utilizando seus arpejos de cordas, percussão forte e metais bombásticos, porém, sem nunca alcançar as qualidades da música de Zimmer.

Porém, o álbum oferece alguns bons momentos de inspiração, como a tensão presente em faixas como “Mattox and Reporters”, “Restaurant Shootout” e “Battling Robots”. Como destaque positivo, podemos ressaltar também o drama crescente de “Mattox is Down”, bem como em “Sellars Lies”. São momentos que mostram o talento do jovem compositor, que deveria ter sido melhor utilizado.

No geral, a trilha do novo RoboCop acaba sendo bastante esquecível. Sem um tema forte para guiar a música e com faixas que, de tão parecidas, acabam perdendo o destaque, essa se torna mais uma obra genérica, perdida em meio a tantas outras que vem aparecendo no cinema de ação americano atual. Por outro lado, se trilhas desse tipo forem a porta de entrada de mais um brasileiro em Hollywood, então, boa sorte para Pedro Bromfman e que ele obtenha mais sucesso em suas próximas trilhas.

Faixas:

1. Mattox and Reporters 1:35
2. First Day 3:23
3. Title Card 0:49
4. Restaurant Shootout 2:47
5. Omnicorp 1:40
6. Calling Home 2:45
7. Made in China 2:28
8. Fixing RoboCop 1:56
9. Uploading Data 1:35
10. Reputation on The Line 1:31
11. Explosion 1:06
12. RoboCop Presentation 1:43
13. If I Had a Pulse 2:41
14. Going After Jerry 3:12
15. Vallon’s Warehouse 2:21
16. Murphy’s Case is Filed 1:19
17. They’re Going To Kill Him 3:16
18. Rooftop 2:56
19. Mattox is Down 1:40
20. Clara and David 2:56
21. Sellars Lies 2:28
22. Code Red 2:00
23. 2.6 Billion 1:23
24. Iran Inspection 2:12
25. Battling Robots 2:47

Duração: 54:29

Tiago Rangel

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4 opiniões sobre “Resenha: ROBOCOP (2014) – Pedro Bromfman (Trilha Sonora)”

  1. Desapontado. Foi assim que eu fiquei quando terminei de ouvir esta trilha.

    Eu não esperava nada do Bromfman. Não conheço seu estilo, e suas musicas para os Tropas de Elite, são esquecíveis (pelo menos pra mim, pois não lembro da musica deles).

    Se ele fosse um pupilo do Hans Zimmer, já teria notado seu estilo (ou melhor, a falta de) há bastante tempo. E o score desse novo Robocop, prova o que eu digo há muito tempo: o estilo musical de Hans Zimmer é facil demais de ser copiado e replicado por qualquer compositor. Agora, fiquei na duvida: será mesmo que o Pedro teve liberdade total para fazer o score, ou foi pressionado por um dos executivos para seguir o estilo Zimmer?

    A mesma coisa aconteceu com Elysium: notadamente eu percebi que Ryan Amon tentava se aproximar do estilo do “mestre” e, pelo que eu saiba, nem um Remote Control ele é!

    Quando eu ouvi o Robocop’s March em Title Card, achava eu que ele seguiria a receita que Poledouris aplicou em 1987: musica orquestral para a parte humana, e musica eletronica para a parte mecanica do Robô. E se ele tivesse sido influenciado pelo estilo do Basil, com certeza, Bromfman teria se saido melhor. Contudo, quando você escuta a trilha, nota-se a ausencia TOTAL de emoções. Isso é uma verdadeira merda! Parece que todos os compositores de Hollywood (não todos, mas a grande maioria) perderam os seus cerebros! Parecem que eles perderam toda a capacidade de se emocionar ao assistir um filme! Estão musicando filmes com um acorde aqui, outro acorde acolá, um “Baaaaummmmm” aqui, outro “Baaaaaaaaaaaummmmmmm” ali… Porra, isso não pode ser chamado de musica de cinema!

    Outra coisa pode ser notada no score: ele termina de uma maneira muito abrupta. É como se o Bromfman tivesse se esquecido de escrever um cue representando o End Titles. Até o nome das faixas deixam uma impressão de que está faltando algo. Realmente, se o Bromfman queria entrar para a Remote Control, ele está de parabéns. Conseguiu criar uma trilha sem cerebro, e sem emoção.

    Se os aspirantes a compositores se inspirassem em Jerry Goldsmith ,que fazia milagres com eletronicos e orquestra (vide Total Recall e Poltergeist II), com toda a certeza do mundo, as trilhas sonoras em Hollywood não estariam nesse marasmo todo.

    Muito obrigado Hans Zimmer, por matar as emoções dos filmes com a sua falta de originalidade e seu geneticismo. Muito obrigado.

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  2. Realmente decepcionante. Também não gosto da ideia de utilizar o tema original nos títulos e depois esquece-lo. Lembra ao ouvinte (e alguns espectadores atentos) que aquele tema, aquele universo musical anterior existe, está presente, e depois, ignora-o completamente. Na minha opinião, ou usa com respeito, ou não usa. Realmente uma oportunidade perdida de se fazer uma grande trilha, se ele tivesse escutado um pouco os discursos do Padilha sobre tudo o que o Robocop representa, poderia talvez ter feito uma música mais elaborada… “talvez”. Contudo espero que na experiência de assistir o filme, a música pelo menos faça seu papel primário, acompanhar a cena e acrescentar alguma emoçao… “pelo menos”.

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  3. A capa do cd ROBOCOP ficou bem legal e só.
    Concordo plenamente com a crítica de Tiago Rangel, realmente um trabalho esquecível.
    Até mesmo nos raros momentos em que ouvimos o tema clássico de Robocop criado pelo saudoso Basil Poledouris não consegue salvar esta trilha genérica.
    Uma lástima, se o diretor soube aproveitar esta grande oportunidade e mostrar a qualidade de seu trabalho atrás das câmeras, o que veremos somente quando estrear em 21 de fevereiro, o compositor pois a trilha no automático e foi embora. Deve funcionar bem nas telas junto aos efeitos sonoros e nada mais.
    Mas nada está perdido, pois temos sempre a oportunidade de rever os trabalhos de Basil Poledouris em Robocop e Robocop 3.

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